17 agosto, 2008

PEDINDO A DEUS O DOM DA SABEDORIA-I

I-A SABEDORIA QUE VEM DE DEUS

Trindade Santa,
Vós sois o único Deus Verdadeiro. Vós sois a nossa origem e a meta da nossa História!

Todo o Universo teve em Vós a sua origem. Nada existiu antes de Vós. Todas as coisas têm em Vós a sua origem, mas não vos confundis com nenhuma delas.

A Carta aos Efésios diz que Vós sois o princípio unificador de toda a Criação: “Há um só Corpo e um só Espírito. Existe apenas uma esperança à qual fostes chamados.

Há um só Senhor, uma só fé, um só baptismo, um só Deus Pai que é Pai de todos” (Ef 4, 4-6).

Filho Eterno de Deus,
Nós te damos graças pelo mistério da Encarnação pelo qual nós passamos a ser membros da Família Divina.

Ao falar da tua vinda, o evangelho de São João diz que te tornaste nosso irmão por amor e ainda assim foste rejeitado:

“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas aos que o receberam deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.

Estes não nasceram dos laços do sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.

E o Verbo Encarnou e veio habitar entre nós. E nós vimos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigénito do Pai, Cheio de Graça e de Verdade” (Jo 1, 12-14).

Em Comunhão convosco
Calmeiro Matias

PEDINDO A DEUS O DOM DA SABEDORIA-II

II-A SABEDORIA GERA SENSATEZ E BONDADE

Espírito Santo, és tu quem fecunda os nossos corações com os talentos, isto é, as possibilidades de que dispomos para levar por diante a tarefa da nossa humanização.

Optimiza as possibilidades que o Pai, pela mediação dos nossos irmãos, vai colocando no nosso coração e ajuda-nos a ser fieis a esses dons, a fim de atingirmos a comunhão do Reino com um coração fiel como o de Jesus.

Depois, com teu jeito maternal de amar, dinamiza e fortalece a nossa comunhão com o Pai e o Filho, introduzindo-nos na comunhão familiar de Deus.

Nós sabemos que és tu, Espírito Santo, quem fortalece e anima a imensa comunhão orgânica constituída pela Humanidade inteira.

Tu és também o vínculo maternal da comunhão orgânica que une a divindade com a Humanidade.

Por outras palavras, tu és o coração que dinamiza o mistério da Encarnação, essa interacção humano-divina que une de modo orgânico a interioridade humana de Jesus com a interioridade divina do Filho Eterno de Deus.

Pai Santo, dá-nos essa Sabedoria que está contigo desde o princípio da Criação.

Eis como o Livro da Sabedoria a menciona: “A intimidade da Sabedoria com Deus indica a nobreza da sua origem, pois o Senhor do Universo amou-a deste o princípio.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

PEDINDO A DEUS O DOM DA SABEDORIA-III

III-SABEDORIA E CONHECIMENTO DE DEUS

A Sabedoria está iniciada na ciência de Deus e foi ele quem inspirou as obras da Criação (…). Se há alguém que deseje uma vasta experiência, una-se à Sabedoria, pois ela conhece o passado e prevê o futuro.

A Sabedoria penetra as subtilezas da linguagem e tem a chave dos enigmas. Sabe interpretar os sinais e prodígios e antecipa o sentido das idades e dos tempos” (Sb 8, 3-8).

E depois acrescenta: “Deus de Bondade, dá-me a Sabedoria que se senta junto do teu trono, a fim de eu não ser excluído do número dos teu filhos (…).

Mesmo que alguém fosse perfeito entre os homens, nada seria sem a sabedoria que vem de ti” (Sb 9, 4-6).

Suscita-nos, Espírito Santo, homens sábios que possam transmitir-nos a Palavra de Deus ao jeito de Cristo, a fim de caminharmos de modo seguro para ti.

Envia-nos profetas que denunciem a hipocrisia dos poderosos e dos ricos que exploram e machucam os pobres sem pudor nem vergonha.

Devido ao materialismo que reina na vida dos senhores deste mundo desumanizado, a Humanidade está a perder os horizontes da sabedoria que vem da Palavra de Deus.

Há cada vez mais dificuldade em discernir o bem, devido à confusão do mundo em que vivemos.

Dá-nos, Espírito Santo, bons evangelizadores, a fim de aprendermos a separar com clareza o bem do mal e a ter um sentido claro do mistério de Deus e do Homem.

Ajuda os cristãos a serem testemunhas de Evangelho, pois vivemos num mundo sem esperança.

Precisamos de homens e mulheres apaixonados pelo trabalho da evangelização do mundo, a fim de os seres humanos conhecerem a verdade da salvação em Cristo.

Dá-nos homens corajosos que sejam no mundo uma luz capaz de nos ajudar a caminhar no sentido da justiça e da paz. Ámen!

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

13 agosto, 2008

ERA CONHECIDO COMO JESUS DE NAZARÉ-I

I-TOMAVA DEUS E O HOMEM A SÉRIO

Por vezes as pessoas chamavam-lhe o profeta de Nazaré, pois era notório o modo como ele tomava Deus e o Homem a sério.

A sua grande paixão era fazer a vontade de Deus, libertando as pessoas das amarras do sofrimento e do pecado.

Eis algumas das suas afirmações que confirmam esta verdade: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4, 34).

Na oração do Pai-Nosso, ensinou os discípulos a pedirem para que a vontade de Deus se realize de modo perfeito na Terra, tal como se realiza no Céu” (Mt 6, 10).

O Espírito Santo habitava nele com a plenitude dos seus dons, como diz o evangelho de São João:

“Aquele que Deus enviou transmite a Palavra de Deus, pois Deus não lhe deu o Espírito por medida” (Jo 3, 34).

Podemos dizer que Jesus era profeta em plenitude, pois tinha a plenitude do Espírito Santo. Na verdade, a revelação de Deus atingiu o limiar da plenitude com a sua mensagem.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

ERA CONHECIDO COMO JESUS DE NAZARÉ-II

II-A SUA PALAVRA TINHA A FORÇA DA PALAVRA DE DEUS

O profeta de Nazaré anunciava o plano salvador de Deus com uma compreensão e profundidade à qual não chegaram os demais profetas.

É por esta mesma razão que tinha uma autoridade plena para denunciar tudo o que se opõe ao plano salvador de Deus.

Jesus Tomava sempre a defesa dos que não eram capazes de se defender. As pessoas que tinham a sorte de o encontrar ficavam mais felizes, pois o seu jeito de se relacionar era libertador.

Como acontece com os profetas, Jesus nunca teve a pretensão de ser rico ou poderoso. Defendia a partilha dos bens como caminho para chegar à abundância.

Se tiverem a coragem de partilhar, sugeria ele com o seu jeito de falar e agir, os bens da terra chegarão para todos e ainda vai sobrar.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

ERA CONHECIDO COMO JESUS DE NAZARÉ-III

III-ERA SIMPLES E AMAVA SEM FINGIMENTO

As pessoas apercebiam-se de que o profeta de Nazaré amava sem fingimento. Um dia chamou-se a si mesmo um homem manso e humilde de coração. Mas não era fraco nem cobarde.

Preferia conviver e acompanhar com os pobres e a gente simples. Como tinha a plenitude do Espírito, nunca foi cobarde, e levou a sua missão até ao fim, apesar de se aperceber do perigo em que estava a incorrer.

Jamais defendeu a morte dos pecadores, apesar de sonhar com a com a destruição do pecado, essa dinâmica negativa que impede a humanização das pessoas.

Foi esta a razão pela qual inaugurou o baptismo no Espírito, pois ele sabia que só o Espírito Santo é capaz de renovar o coração das pessoas.

Costumava dizer que os seres humanos têm de nascer de novo pelo Espírito Santo, a fim de atingirem a densidade da vida nova (Jo 3,6).

Denunciava os que oprimiam em nome da política, do dinheiro ou da religião.

Em Comunhão convosco
Calmeiro Matias

ERA CONHECIDO COMO JESUS DE NAZARÉ-IV

IV-ATINGIU A DENSIDADE MÁXIMA DO AMOR

Passou a vida a fazer o bem. Eis a razão pela qual nunca deixou ninguém mais pobre ou com falta de sentidos para viver.

Nunca deixou ninguém mais pobre ou com falta de sentidos para viver. Não fazia alarde dos seus gestos de doação ou generosidade.

A sua mensagem e as atitudes que tomava punham em causa as forças opressoras que dominavam a sociedade do seu tempo.

Eis a razão pela qual os poderosos não queriam que ele vivesse. Apesar de passar a vida a fazer bem a toda a gente, eram muitos os que desejavam a sua morte.

Os que o odiavam mataram-no, pensando que, deste modo, faziam calar de uma vez por todas a sua voz profética.

Apesar de se aperceber disto, Jesus não desistiu da sua missão, pois vivia e agia como um profeta de modo total e incondicionalmente fiel.

No íntimo do seu coração, o Espírito Santo dizia-lhe que Deus toma partido pelos que gastam a vida pelas causas do amor.

Tinha a certeza de que Deus é fiel e de que a sua missão vinha dele. Eis a razão pela qual ele estava seguro de que Deus não o deixaria ficar no vazio da morte, apesar das intenções assassinas dos seus inimigos.

Como se deu totalmente, a sua vida passou a circular no mais íntimo do nosso coração. Com efeito, ao ressuscitar, a sua vida passou a ser um dom partilhado e difundido no coração das pessoas que se abrem à comunhão.

Na verdade, o Espírito Santo que o habitava em plenitude tornou-se o Sangue da Nova Aliança.
Jesus chamou-lhe a Água Viva a circular e jorrar vida em Plenitude.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

ERA CONHECIDO COMO JESUS DE NAZARÉ-V

V-ELE É A CABEÇA DA NOVA HUMANIDADE

Levou o amor até à sua profundidade máxima, isto é, dar a vida por aqueles a quem se ama, como ele mesmo ensinou (Jo 15, 13.

Tornou-se a cepa da videira cujos ramos são todos os seres humanos. À medida em que nos vai comunicando o Espírito Santo, o nosso coração é recriado e configurado com o seu coração.

Os que acolhem a sua Palavra começam a compreender e a entrar na Comunhão Universal da Família de Deus.

Os que o odiavam destruíram a sua morada terrestre, deixando-a vazia. Mas Deus restaurou a sua vida, fazendo dele o alicerce da Nova Humanidade.

Como pão que se reparte para alimentar os outros, partilhou os bens, a vida e a Palavra de Deus.

Só atacava o que desumaniza o homem e o impede de se realizar e ser feliz. Nunca confundia o pecado com o pecador.

Em relação ao pecador só pensava só pensava em libertá-lo, curando o seu coração das feridas do seu pecado.

A vitória sobre o pecado acontece no coração das pessoas pela acção do Espírito Santo que nos vai fazendo passar do egoísmo para o amor e a comunhão fraterna.

Ele é a garantia da nossa Vida Eterna. Ele é o Cordeiro de Deus quye tira o pecado do mundo!

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

11 agosto, 2008

O TEMPO VISTO À LUZ DA ETERNIDADE-I

I-O HOMEM, O TEMPO E A ETERNIDADE

Quando olhamos o tempo, tendo como pano de fundo a eternidade, este ganha um sentido e uma importância verdadeiramente fundamentais.

Nesta perspectiva o tempo surge como o ventre em cujo interior os seres pessoais emergem e atingem a sua densidade de Vida Eterna.

Por ser espiritual, a vida pessoal tem uma consistência imortal e, portanto, com densidade de vida eterna.

Vista à luz da eternidade, a vocação fundamental da pessoa humana é realizar-se como pessoa mediante o amor.

Se o tempo nos é dado para construirmos a nossa realidade pessoal e eterna, então o tempo deve ser tomado a sério e aproveitado.

Vistas a esta luz, as manhãs surgem como um convite a aproveitar o novo dia como mais uma oportunidade para realizarmos no tempo o que seremos eternamente.

Quando olhamos o tempo com os horizontes da eternidade, o amor ganha sabor a vocação fundamental, pois é por ele que podemos viver o amor neste dia único e irrepetível.

Se o vivermos de modo empenhado, a pessoa emerge em cada dia com uma novidade chamada a enriquecer o património definitivo da comunhão universal do Reino de Deus.

Por outras palavras, é hoje o tempo de configurarmos a identidade pessoal que desejamos ser para sempre.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O TEMPO VISTO À LUZ DA ETERNIDADE-II

II-O TEMPO É PARA NASCER E CRESCER

Podemos dizer que a nossa identidade espiritual coincide com o nosso jeito de amar. Comparando a dinâmica da vida eterna à festa de umas bodas.

Estamos talhadpos para a comunhão e o amor. Na festa do Reino de Deus todos dançaremos eternamente o ritmo do amor, mas cada um com o jeito que tiver treinado na História.

É agora, portanto, o tempo de moldarmos a nossa capacidade de comungar com os outros no Reino de Deus.

Hoje mesmo podemos reorientar o nosso jeito de conviver na festa da vida eterna, mudando o modo de nos relacionarmos com os demais.

Hoje é o dia em que podemos burilar e aperfeiçoar o nosso modo de nos relacionarmos e comungarmos com as pessoas divinas, as humanas e todas as outras que possam fazer parte da Comunhão Eterna da Família de Deus.

Por outras palavras, é agora o tempo de edificarmos a plenitude da vida que ultrapassa a morte.

Na verdade, o dia de hoje é importante, pois é um tempo que Deus nos dá para edificarmos o que havemos de ser para sempre.

Deus criou-nos inacabados, a fim de nos irmos realizando no tempo, estruturando assim a nossa história pessoal.

Com efeito, nós somos os gestores do nosso tempo, condição indispensável para decidirmos no dia-a-dia o que seremos ser eternamente.

Visto à luz da eternidade, o tempo para nós, não é uma mera sucessão de instantes que se juntam para dar consistência e configuração aos segundos, aos minutos, às horas, aos dias, aos anos, aos séculos ou aos milénios.

Por outras palavras, o tempo é muito mais do que aquilo que os relógios e os calendários contabilizam.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O TEMPO VISTO À LUZ DA ETERNIDADE-III

III-O TEMPO E A HORA DE DEUS

À luz da Palavra de Deus cada dia é para o Homem um “kairós”, isto é, a hora de Deus e a oportunidade de o Homem, orientado pelo Espírito Santo, realizar a pessoa que deseja ser eternamente.

Hoje é o dia em que o Espírito Santo nos interpela e ilumina, a fim de completarmos, em nós e no mundo, a criação de Deus.

O maior perigo do dia de hoje é a decisão de matar o tempo, pois isto significa decidir não emergir nem crescer como capacidade de comungar mais com Deus e os irmãos.

Compete-nos a nós dar a última palavra sobre a fecundidade do dia de hoje. Na verdade, neste dia temos a possibilidade de dar um salto qualitativo, conferindo à vida uma densidade nova e, deste modo, enriquecer a nossa plenitude definitiva.

As pessoas que a longo da sua vida tomaram o tempo a sério, atingiram uma maior realização pessoal e fizeram a Humanidade avançar.

Estamos a tocar o mistério do ser humano cuja realização é um processo histórico.

Deus criou-nos inacabados, a fim de completarmos a sua obra, realizando-nos de modo livre, consciente e responsável.

Surgimos na vida com um leque de talentos ou possibilidades que podemos realizar ou não.

Realizando-os fazemos emergir a pessoa que vai brotando no nosso íntimo como capacidade de comunhão fraterna.

Hoje é o dia em que podemos realizar as nossas possibilidades ou talentos fazendo emergir o nosso ser pessoal.

À medida em que vamos construindo a pessoa que temos como tarefa realizar, o Espírito Santo vai-nos configurado com Jesus e incorporando na Família Divina.

Deste modo Jesus Cristo se torna o primogénito entre muitos irmãos. Eis o que diz São Paulo a este respeito:

“Porque àqueles que Deus conheceu desde os tempos primordiais, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do seu Filho, de tal modo que ele é o primogénito de muitos irmãos” (Rm 8, 29).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias




O TEMPO VISTO À LUZ DA ETERNIDADE-IV

IV-A PLENITUDE DOS TEMPOS

Se hoje nos humanizarmos sendo fiéis ao amor, podemos dizer que hoje é um dia em que o Espírito Santo nos configura com Jesus Cristo.

São Paulo chama Plenitude dos tempos à fase dos acabamentos da Humanidade, isto é, a incorporação do Homem na Comunhão do Reino de Deus.

A Plenitude dos tempos começou com o mistério da Encarnação, pois o processo da divinização acontece a partir do momento em que o divino se enxerta no humano.

Podemos dizer que a configuração com Cristo e a divinização do Homem são os pilares da plenitude dos tempos.

São Paulo diz que, ao chegar a plenitude dos tempos nós fomos feitos filhos no Filho (Gal 4, 4-7).

No coração do homem configurado com Cristo o amor tem um lugar especial, capacitando-nos para vencermos o egoísmo que é a lei da selva.

O tempo é o campo onde as nossas possibilidades se tornam realidade, atingindo o nível de realizações definitivas.

Em Comunhão convosco
Calmeiro Matias

O TEMPO VISTO À LUZ DA ETERNIDADE-V

V-O TEMPO E A LIBERDADE

É em génese temporal que emerge e se fortalece em cada um de nós a pessoa livre, consciente e responsável.

A liberdade é a capacidade de a pessoa se relacionar amorosamente com os outros e interagir de modo criativo com os acontecimentos e as coisas.

É certo que a pessoa não nasce livre, mas sim com a possibilidade de chegar a ser livre. A possibilidade de sermos livres é o nosso livre arbítrio, isto é, a capacidade de optarmos pelo bem ou pelo mal.

A liberdade emerge como fruto da das opções na linha do amor. De facto, ninguém pode ser livre sem exercitar o seu livre arbítrio.

No entanto, temos de saber que não basta uma pessoa exercitar o livre arbítrio para se tornar livre.

Por outras palavras, a liberdade é um processo de libertação, realizado a partir do livre arbítrio.

Ao contrário das pessoas humanas, as pessoas divinas são infinitamente livres. Eis a razão pela qual não têm livre arbítrio ou seja a possibilidade de se tornarem livre.

De facto as pessoas divinas não têm a possibilidade de optarem pelo mal. O amor é uma dinâmica de bem-querer que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão universal do Reino de Deus.

Deus é amor pleno e total diz a Bíblia (1 Jo 4, 7-8). Eis a razão pela qual é o próprio Deus que assume as nossas realizações de amor na comunhão familiar de Deus (Rm 8, 14-17).

Esta dinâmica leva a pessoa a eleger o outro como alvo de bem-querer, aceitá-lo assim como é e agir de modo a facilitar a sua realização e felicidade.

Por ser o resultado de um processo de libertação que se concretiza em opções de amor, a liberdade é a capacidade de as pessoas se relacionarem amorosamente e interagirem de modo criativo umas com as outras.

Dizer que a liberdade é um processo de libertação significa que se vai tornando realidade o que em nós começa por ser apenas uma possibilidade.

À medida que a pessoa se realiza, emerge de forma única, original e irrepetível. Isto quer dizer que, na Comunhão Universal da Família de Deus ninguém está a mais, pois ninguém é a cópia de outra pessoa.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

08 agosto, 2008

O AMOR AO JEITO DE DEUS-I

I-CHAMADOS A AMAR COMO DEUS

Tanto nos seus ensinamentos como na sua prática diária, Jesus substituiu os preceitos, as normas e os mandamentos do judaísmo por um só mandamento: o amor.

“Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei.
Os seres humanos saberão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 34-35).

O Novo Testamento ultrapassa a noção que o Antigo Testamento tinha de Deus e ousa dizer que Deus é amor (1 Jo 4, 7-8).

Para o Antigo Testamento, Deus é um sujeito infinito e absoluto chamado Yahvé. O Novo Testamento dá um salto de qualidade na noção de Deus, ao afirmar que Deus é uma comunhão familiar de três pessoas.

O Livro do Génesis ao falar da criação do Homem já dizia que o Homem é imagem de Deus, não como indivíduo isolado, mas como comunhão de pessoas.

Além disso, o mesmo livro do Génesis sublinha que o Homem é imagem de Deus enquanto realidade masculina e feminina:

“Depois, Deus disse: “Façamos o ser humano à nossa imagem e à nossa semelhança, a fim de dominar sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos e sobre os répteis que rastejam pela terra”.

Em seguida, Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança. Ele os criou, homem e mulher” (Gn 1, 26-27).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O AMOR AO JEITO DE DEUS-II

II-JESUS REVELA-NOS O AMOR DO PAI

Logo no princípio da Criação, Deus deixou claro que a divindade é masculinidade e feminilidade.
Por outras palavras, o masculino, por si só, não exprime de modo pleno e perfeito a realidade de Deus.

O mesmo relato da Criação também deixa a porta aberta para a revelação de Deus como Trindade, pois coloca na boca de Deus o plural e não o singular:

“Façamos o ser humano à nossa imagem e à nossa semelhança” (Gn 1, 26). É verdade que o livro do Génesis não afirma que Deus é uma comunidade de pessoas divinas, mas deixa o caminho aberto para avançar por aí.

Do mesmo modo, quando Deus diz ao rei David que lhe vai dar um filho o qual será ao mesmo tempo filho de Deus, não está ainda a revelar o mistério do Filho eterno de Deus (cf. 2 Sam 7, 12-16).

No entanto, esta profecia dirigida a David deixou a porta aberta para acontecer a revelação da preexistência do Filho Eterno de Deus.

Por outras palavras, a revelação feita a David atinge o seu sentido pleno no Novo Testamento.
Eis o que diz o evangelho de São João: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava em Deus.

O Verbo estava com Deus e tudo começou a existir por meio dele e sem ele nada veio à existência” (Jo 1, 1-3).

Este salto de qualidade na dinâmica da revelação revelou outra verdade fundamental: Deus é comunhão de pessoas.

A Divindade é uma união orgânica e dinâmica de pessoas que se relacionam de modo familiar.
O evangelho de São João exprime esta união orgânica de modo admirável quando diz que o Pai e o Filho fazem um (Jo 10, 30).

Noutra passagem, Jesus diz a Filipe que quem vê o Filho está a ver o Pai, pois o modo de agir e amar do Filho está em sintonia perfeita com o modo de agir e amar do Pai:

“Disse-lhe Filipe: “Senhor mostra-nos o Pai e isso nos basta!” Jesus respondeu-lhe: “Há tanto tempo que estou convosco, Filipe, e não me conheceis? Quem me vê, vê o Pai!

Como é que tu ainda me dizes, mostra-nos o Pai? Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim?” (Jo 14, 8-10).

Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O AMOR AO JEITO DE DEUS-III

III- O AMOR COMO CAMINHO PARA DEUS

Como sabemos, o coração da marcha histórica da Revelação é o Espírito Santo. Eis as palavras de Jesus no evangelho de São João: “Fui-vos revelando estas coisas enquanto estava convosco.

Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse vai ensinar-vos tudo e há-de recordar-vos tudo o que eu vos disse” (Jo 14, 25-26).

A Primeira Carta de São João diz que o único caminho para o ser humano se encontrar e comungar com Deus é o amor:

“Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1 Jo 4, 16). Depois acrescenta: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus.

Todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. Aquele que não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor” (1 Jo 4, 7-8).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O AMOR AO JEITO DE DEUS-IV

IV-QUANDO O AMOR SE TORNA CARIDADE

A acção da Palavra e do Espírito Santo no nosso coração optimizam a nossa capacidade de amar, capacitando-nos para amar ao jeito de Deus.

A tradição cristã chama caridade ao amor humano optimizado pela acção do Espírito Santo no coração dos crentes.

A espiritualidade cristã fala da vida teologal como a dinâmica de fé, da esperança e do amor com uma densidade nova devido à acção do Espírito Santo no coração dos crentes.

Vista nesta perspectiva, a caridade é o amor teologal ou o amor ao jeito de Deus. Por outras palavras, o amor teologal é a optimização do amor humano operada pelo Espírito Santo e levada a cabo pelo Espírito Santo que é o amor de Deus derramado nos nossos corações, como diz São Paulo (Rm 5, 5).

Podemos dizer que a pessoa humana que age com caridade, está a amar ao jeito de Deus. Isto significa que sem deixar de ser amor humano, a caridade é o amor com uma densidade nova, graças à acção do Espírito Santo em nós.

Eis o modo como a Carta aos Efésios entende esta dinâmica: “Progredi na caridade segundo o exemplo de Cristo que nos amou e se entregou por nós a Deus como sacrifício de agradável odor” (Ef 5, 2).

O amor ao jeito de Cristo configura-nos com ele. Por outro lado, quanto mais configurados com Cristo mais unidos organicamente a ele e, através dele, mais incorporados na Família de Deus.

É esta a dinâmica da salvação. Por outras palavras, somos salvos na medida em que formamos um todo orgânico com Cristo.

O evangelho de São João diz que apenas participamos da vida de Cristo na medida em que estamos unidos organicamente a ele, tal como os ramos da videira estão unidos à cepa (Jo 15, 1-8).

São Paulo compara a nossa união com Cristo com a união que existe entre a cabeça e os membros do corpo humano (1 Cor 10, 17; 12,27; 12,12).

A Carta aos Gálatas descreve-nos o modo como São Paulo entendia esta união a Cristo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim.

A vida que vivo agora na carne, vivo-a na fé, sabendo que o Filho de Deus me amou e se entregou por mim” (Gal 2, 20).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O AMOR AO JEITO DE DEUS-V

V- UNIDOS A DEUS DE MODO ORGÂNICO

A fé cristã ensina-nos que através do amor a pessoa humana vive já agora a própria vida de Deus, pois faz um com Cristo.

Eis o que São Paulo diz na Carta aos Romanos: “Todos os que são movidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.

Vós não recebestes um espírito de escravidão para cairdes no temor, mas um Espírito de adopção, graças ao qual clamamos “Abba, ó Pai” (Rm 8, 14-15).

Amar ao jeito de Deus, diz a Primeira Carta de São João é aproximar-nos progressivamente do jeito de amar do próprio Jesus:

“Nisto conhecemos a caridade: Jesus deu a vida por nós e nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos” (1 Jo 3, 16).

O evangelho de São Mateus diz que Cristo cumpriu todos os mandamentos e preceitos da Lei.
Nem um só ponto ou uma vírgula, acrescenta São Mateus, ficaram por cumprir (cf. Mt 5, 17).

Isto quer dizer que Jesus, ao substituir a Lei pelo amor, realizou de modo perfeito as aspirações mais autênticas da Lei.

São Paulo conhecia muito bem esta opção de Jesus. Por isso a aconselha os cristãos a fazer o mesmo:

“Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo está a cumprir a Lei (…).

Todos os mandamentos se resumem nestas palavras: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”.
Na verdade, a caridade não faz mal ao próximo, pois é o pleno cumprimento da Lei” (Rm 13, 8-10).

Sem caridade, acrescenta São Paulo, as nossas obras ficam vazias de conteúdo pleno (1 Cor 13, 1-10).

Foi esta a razão pela qual Jesus reduziu a complexidade dos mandamentos da lei judaica a um só mandamento:

“Dou-vos um mandamento novo: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Assim como eu vos amei, também vos deveis amar uns aos outros.

É por isto que todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 34-35).

Podemos resumir esta reflexão dizendo que o amor humano será tanto mais perfeito quanto mais se aproximar do jeito de Deus amar.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

05 agosto, 2008

DIÁLOGO COM DEUS SOBRE A EVANGELIZAÇÃO-I

I-ANUNCIAR A NOVA ALIANÇA

Deus Santo,
Nós vos louvamos pela Nova Aliança. Por ser eterna, esta Aliança já estava presente como fonte inspiradora no momento em que Vós, Trindade Santa, sonhastes o Universo e o Homem que o habita:


Recordo, a este propósito, as palavras de São Paulo na Carta aos Efésios quando ele diz a este propósito:

“Deus escolheu-nos em Cristo antes da fundação do mundo, a fim de sermos santos e irrepreensíveis na sua presença e vivermos no amor.

Predestinou-nos para sermos adoptados como seus filhos por meio de Jesus Cristo, de acordo com a sua vontade” (Ef 1, 4-5).

Este plano esteve oculto durante milénios, mas foi dado a conhecer na plenitude dos tempos, diz a Carta aos Efésios:

“Agora podeis fazer uma ideia da compreensão que tenho do mistério de Cristo, o qual não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, em gerações passadas, como agora foi revelado aos seus santos Apóstolos e Profetas pelo Espírito Santo” (Ef 3, 4-5).

O Deus Aliança é fiel e verdadeiro, pois a Nova e Eterna Aliança representa a plenitude de um projecto querido por Deus ainda antes de ele ter iniciado a génese da Criação.

A Antiga Aliança foi um passo fundamental para Deus conduzir a Humanidade até Jesus Cristo.

Mas o seu plano criador tinha como meta e cúpula da Criação a Nova e Eterna Aliança.

Em Comunhão convosco
Calmeiro Matias

DIÁLOGO COM DEUS SOBRE A EVANGELIZAÇÃO-II

II-ANTIGA ALIANÇA E PEDAGOGIA DE DEUS

Deus Santo,
A Antiga Aliança era o sinal da acção pedagógica do Espírito Santo que foi preparando a Humanidade para a plenitude dos tempos, como diz a Carta aos Efésios:

“Com efeito, Cristo é a nossa paz. De dois povos fez um só, anulando o muro da separação que os dividia:

Este muro era a Lei de Moisés com suas normas, preceitos e leis. Cristo fez isto, a fim de criar um só Homem Novo com judeus e pagãos.

Portanto, os pagãos já não são estrangeiros nem imigrantes, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Ef 2, 14.19).

O Novo Testamento repete várias vezes que a Antiga Aliança estava em função da Nova e Eterna Aliança: "Antes de chegar a plenitude da Fé estávamos prisioneiros da Lei Mosaica.

Por isso era preciso que a Fé se revelasse. A Lei tornou-se o nosso pedagogo até Cristo, a fim de sermos justificados pela Fé.

Agra já sois filhos de Deus, por isso não estais sob o domínio do pedagogo. Já não há judeu ou grego.

Já não há escravo ou homem livre. Já não há homem ou mulher, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Ga 3, 23-29).

A antiga Aliança tinha como alicerce a Lei de Moisés, a qual se multiplicava em normas, preceitos, ritos e mandamentos que não tinham qualquer eficácia para a obtenção da salvação.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

DIÁLOGO COM DEUS SOBRE A EVANGELIZAÇÃO-III

III-NOVA ALIANÇA E COMUNICAÇÃO DO ESPÍRITO

A Nova Aliança tem como alicerce o dom do Espírito, o qual realiza em nós a obra da salvação, diz São Paulo na Carta aos Gálatas:

“Todos os que são movidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8, 14). Viver a dinâmica da Nova aliança significa deixar-se conduzir pelo Espírito Santo:

“Eis os frutos do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e auto-domínio. Contra tais coisas não há Lei” (Ga 5, 22).

A Antiga Aliança foi superada pela Nova e Eterna Aliança, tal como as metas que estão em função de um objectivo são superadas quando o objectivo é atingido.

De facto, a Nova Aliança não é uma simples continuidade em relação à Antiga, tal como Cristo não está apenas numa linha de continuidade em relação a Moisés.

Pelo contrário, a Nova e Eterna Aliança representa um salto de qualidade em relação à Antiga Aliança.

Com efeito, a libertação e a divinização do Homem, realizada pela Encarnação, não está numa simples continuidade em relação à libertação dos hebreus da escravidão do Egipto.

Entre estes dois acontecimentos existe, na verdade, uma diferença qualitativa.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

DIÁLOGO COM DEUS SOBRE A EVANGELIZAÇÃO-IV

IV-O SALTO DE QUALIDADE DA NOVA ALIANÇA

A libertação realizada pela Nova e Eterna Aliança tem o alcance de uma salvação definitiva, a qual implica a assunção e incorporação da humanidade na Família da Santíssima Trindade (Jo 1, 12-14).

Já no livro do profeta Ezequiel Deus promete ao povo uma Nova aliança, a qual será mais perfeita do que a Antiga:

“Lembrar-me-ei da Aliança que fiz contigo, no tempo da tua juventude e estabelecerei contigo uma Aliança Eterna.

Estabelecerei contigo a minha Aliança e então saberás que eu sou o Senhor, a fim de que te lembres de mim” (Ez 16. 60-63).

Segundo o profeta Jeremias, a Nova aliança assenta em novos alicerces, pois terá como fundamento um coração renovado pelo dom do Espírito Santo:

“Dias virão em que estabelecerei uma Nova Aliança com a casa de Israel e a casa de Judá, oráculo do Senhor.

Esta Aliança não será como aquela que estabeleci com seus pais, quando os tomei pela mão para os fazer sair da terra do Egipto e à qual eles foram infiéis, apesar de eu ser o seu Deus, oráculo do Senhor.

Esta será a aliança que estabelecerei com a casa de Israel, depois desses dias, oráculo do Senhor:

Imprimirei a minha Lei no seu íntimo e gravá-la-ei no seu coração. Serei o seu Deus e eles serão o meu povo.” (Jer 31, 31-33).

A Nova Aliança, não é escrita em tábuas de pedra, como a Antiga, mas será escrita no coração das pessoas.

São Paulo diz aos membros a comunidade de Corinto que eles são uma carta de Cristo, escrita pelo Espírito Santo, pois pertencem à Nova Aliança:

“A nossa carta sois vós, uma carta escrita nos nossos corações, conhecida e lida por todos os homens.

Sois uma carta de Cristo confiada ao nosso ministério, escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo.
Escrita, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne que são os vossos corações.

Na verdade, é Deus que nos torna aptos para sermos ministros de uma Nova Aliança, não da letra, mas do Espírito, pois a letra mata, enquanto o Espírito dá vida” (2 Cor 3, 2-6).

Segundo o plano da Nova e Eterna Aliança, nós recebemos, através da ressurreição de Cristo, o dom definitivo da Salvação: o Espírito Santo que nos incorpora na Família de Deus (Rm 8, 14-17).

Deste modo, diz São Paulo, Cristo torna-se o primogénito de muitos irmãos (Rm 8, 29). Glória a Vós, Deus Santo, pelo vosso amor incondicional!

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

02 agosto, 2008

APOCALIPSES DOS PROFETAS E EVANGELHOS-I


I-VISÃO APOCALÍPTICA DOS PROFETAS

Os apocalipses dos profetas pretendiam afirmar que o pecado não tem um lugar definitivo no plano de Deus.

E foi assim que, pouco a pouco começou a surgir o pensamento apocalíptico, para dizer que Deus vai realizar uma intervenção purificadora universal.

Através desta intervenção final Deus vai pôr fim ao pecado e aos seus efeitos negativos na História e na vida das pessoas.

Para pôr fim ao pecado Deus vai destruir sua fonte, isto é, os pecadores. A intervenção purificadora de Deus, portanto, acontecerá através de uma tragédia universal.

Esta destruição purificadora acontecerá num dia terrível e trágico para os pecadores, ao qual os profetas começam a chamar o dia da ira de Deus.

Os pecadores serão todos mortos. Da Humanidade escapará apenas o pequeno resto de Deus.Nesse dia não haverá escapatória, diz o profeta Amós:

“Ai dos que desejam ver o dia do Senhor. Será um dia de trevas e não de luz. É como um homem que foge de um leão e encontra um urso.

É como se o homem, ao regressar a casa, apoiasse a mão na parede e fosse mordido por uma serpente.

O dia do Senhor será de trevas e não de luz, de escuridão e não de claridade” (Am 5, 18-20). Isaías vê o dia da ira como o dia do terror:

Estremecei porque o dia do Senhor está perto. Virá como um açoite do Deus omnipotente (Is 13, 6).

O profeta Joel reforça o discurso dos profetas anteriores dizendo que o dia do Senhor está muito próximo:

“Ai aquele dia! O dia do Senhor está muito próximo. Virá como destruição operada pelo devastador.

O Sol e a Lua ficarão escuros e as estrelas já não brilharão” (Jl 1, 15-16; cf. 2,1). O dia do Senhor é o dia do julgamento universal: Multidões e mais multidões vão juntar-se no vale do julgamento, pois o dia do Senhor está perto” (Jl 4,14).

Será um dia de ira e vingança, diz o profeta Isaías: “A terra embriagar-se-á de sangue e ficará coberta de gorduras de animais, pois é o dia da vingança do Senhor” (Is 34, 8).

Pouco a pouco começou-se a pensar que as tragédias apocalípticas dos profetas se iriam realizar com a vinda do Messias, associando assim um raio de esperança ao dia da ira.

Ao mesmo tempo que purifica a Humanidade através da destruição dos pecadores, o Messias vai abrir o Paraíso fechado à Humanidade pelo pecado de Adão (Gn 3, 22-24).

Por outras palavras, a vinda Messias trará a restauração do Paraíso primordial e Deus fará que a terra seja habitada pela harmonia e a paz universal, isto é, o “Shalom”.

Nesse dia, o Espírito Santo vai recriar o coração do Homem.

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Calmeiro Matias

APOCALIPSES DOS PROFETAS E EVANGELHOS-II



II-DEUS PLANEIA A RENOVAÇÃO DO HOMEM

Os profetas começam, pois a associar ao dia do Messias o estabelecimento de uma Nova aliança radicada na força criadora do Espírito Santo.

O resto fiel é a mediação para Deus renovar a sua aliança, dando origem a uma Nova Humanidade.

No coração desta Humanidade recriada, Deus vai infundir uma nova força espiritual, diz o profeta Ezequiel:

“Derramarei sobre vós uma água pura e vós sereis purificados de todas as manchas e pecados.
Dar-vos-ei um coração novo e introduzirei em vós um espírito novo.

Arrancarei do vosso peito o vosso coração de pedra e colocarei em seu lugar um coração de carne.

Dentro de vós porei o meu Espírito, a fim praticardes as minhas leis e preceitos” (Ez 36, 25-27).
João Baptista anunciou a vinda do Messias para breve e com ele, o dia da ira.

“Vendo que muitos fariseus e saduceus vinham ter com ele, João disse-lhes:“Raça de víboras quem vos ensinou a fugir da ira que está para chegar?

Produzi frutos dignos de conversão e não vos iludais dizendo: “Temos por Pai Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores e toda a árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (Mt 3, 7-10).

O pensamento apocalíptico dos profetas e de João Baptista marcou profundamente o pensamento dos Apóstolos.

Não nos podemos esquecer que vários dos discípulos de Jesus tinham sido discípulos de João Baptista (cf. Mt 14, 12).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

APOCALIPSES DOS PROFETAS E EVANGELHOS-III

III-JESUS VIRÁ PARA REALIZAR O JUÍZO

Como sabemos, a expectativa apocalíptica dos profetas e de João Baptista não se realizaram durante a vida terrena de Jesus.

Após a experiência do Senhor ressuscitado, os Apóstolos começam a anunciar a Segunda Vinda de Cristo, a fim de restaurar o reino messiânico na terra.

As aparições do Senhor ressuscitado deram-lhes a certeza de que Jesus era o Messias.
Como ele não estabeleceu o reino de David na primeira vinda, vai estabelecê-lo na segunda (Act 3, 19-21).

A purificação anunciada pelos profetas acontecerá, pois, aquando da segunda vinda terá lugar tudo o que está anunciado para o dia da ira.

E é assim que Jesus se torna o Filho do Homem que subiu ao trono no céu, tal como anunciara o profeta Daniel (Dan 7, 12s).

Uma vez entronizado no Céu, Jesus tornou-se o Filho de Deus constituído em todo o Seu poder messiânico, diz São Paulo (Rm 1, 3-5).

Agora está sentado no Céu à direita do Pai, aguardando o momento oportuno para vir de novo (Act 3, 19-21).

O dia da segunda vinda de Jesus Cristo será, pois, o dia do Filho do Homem. Naquele dia todos os seres humanos o hão-de ver chegar como rei poderoso sentado no Seu trono.

O seu julgamento será implacável (Mc 13, 15-20). Só o resto fiel escapará à ira destruidora do Senhor.

Este dia, dizia São Paulo, está quase a chegar (1 Tes 1, 9-10). Acontecerá ainda durante a primeira geração, acrescenta São Marcos (Mc 13, 30-32).

São Paulo pensava que ainda estaria vivo no dia da segunda vinda do Senhor (1 Tes 4, 13-18; 1 Cor 15, 53).

Nesse dia, Jesus Cristo destruirá todos os seus inimigos. São Lucas utiliza palavras muito duras a este propósito:

“Quanto a esses meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e degolai-os na minha frente” (Lc 19, 27).

Inspirando-se no Salmo dois, São Paulo diz que o reinado de Cristo demorará apenas o tempo necessário para Jesus colocar os seus inimigos por escabelo dos seus pés (1 Cor 15, 24; cf. Sal 2, 6-7).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias