10 Julho, 2009

QUANDO A BÍBLIA FALA DO HOMEM CARNE

A bíblia vê a Humanidade como uma realidade orgânica, interactiva e dinâmica. Isto significa que as pessoas não são ilhas. Com efeito, o ser humano apenas encontra a sua plenitude na comunhão com os outros.

Reduzida à condição de ilha, a pessoa humana está em estado de perdição. Na verdade, o estado de inferno é a pessoa enroscada em si.

Não tem ninguém que lhe diga “gosto de ti! Dá-me a tua mão e vamos fazer uma festa”.

Quando fala do Homem carne, a bíblia não está a utilizar conceitos biológicos, mas está a ver a Humanidade como uma grandeza orgânica, interactiva e fecunda (cf. Jo, 15, 4-5).

Ao falar do matrimónio, o Livro do Génesis diz que no casal humano o homem e a mulher formam uma só carne (Gn 2, 24).

Com esta expressão o Livro do Génesis não quer dizer que o marido e a mulher têm a mesma estrutura genética, mas que formam um união orgânica, interactiva e fecunda.

Do mesmo modo os crentes são baptizados no mesmo Espírito Santo, a fim de formarmos um só corpo com Cristo (1Cor 12, 13).

Na comunidade cristã, os crentes são membros do Corpo de Cristo, cada qual com uma função própria (1Cor 12, 27).

Ao falar da Eucaristia, São Paulo diz que comemos do mesmo pão, a fim de formarmos um só corpo (1Cor 10, 17).

Também a Humanidade forma uma união orgânica, interligada como um todo interactivo. Por um só homem o pecado e a morte, diz São Paulo, entraram no mundo, atingindo a todos (Rm 5, 12).

Através de Cristo, o Novo Adão, Deus introduziu a força restauradora do Espírito no tecido humano, vencendo a morte e o pecado.

“Os maridos devem amar as mulheres como os seus próprios corpos. Aquele que ama a mulher ama-se a si mesmo. De facto, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne.

Eis o que diz a Carta aos Efésios: O homem deixará pai e mãe, ligar-se-á à sua mulher e passarão a ser uma só carne” (Ef 5, 28-31).

Utilizando o modelo de Cristo como cabeça da comunidade, a Carta aos Efésios, diz que o marido é a cabeça da mulher:

“O marido é a cabeça da mulher como Cristo é a cabeça da Igreja, seu corpo, e da qual é o Salvador” (Ef 5, 23).

Na carta aos Filipenses, São Paulo fala das razões de se gloriar na carne, cujo conceito nada tem a ver com a biologia:

“Também eu poderia confiar na carne. Se os outros o fazem, quanto mais eu poderia fazê-lo. Fui circuncidado ao oitavo dia. Sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim.Sou hebreu, filho de hebreus. Quanto à Lei, fui fariseu. Quanto a zelo, persegui a Igreja de Deus.





No que se refere à justiça da Lei vivi irrepreensivelmente” (Flp 3, 4-6). Jesus chamou Satanás a Pedro por este entender a missão messiânica de Jesus segundo a carne e não segundo o Espírito Santo (Mt 16, 23).

Ao abençoar a fé de Pedro, Jesus diz-lhe que não foi a carne nem o sangue quem lho revelou, mas o Pai que está nos céus (Mt 16, 16-17).

A ressurreição não é um acontecimento biológico mas espiritual: “Semeia-se na corrupção e ressuscita-se na incorruptibilidade.

Semeia-se na ignomínia e ressuscita-se na glória. Semeia-se na fraqueza e ressuscita-se na força.
Semeia-se corpo natural e ressuscita-se corpo espiritual.

O que digo, irmãos, é que a carne e o sangue não podem tomar parte no Reino de Deus, pois a corrupção não herdará a incorruptibilidade.” (1Cor 15, 42-50).

Ao falar da Eucaristia, o evangelho de São João revela já a preocupação de se defender a Igreja da acusação de antropofagia.

Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e ressuscitá-lo-ei no último dia.

Na verdade, a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é uma verdadeira bebida.

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim eu nele. (Jo 6, 32-63). Comer a carne de Cristo e beber o seu sangue significa entrar em reciprocidade de comunhão orgânica.

Por isso Jesus afirma: “A carne (biologia) não serve para nada. O Espírito é que dá vida. Ora, as palavras que vos disse são Espírito e Vida.” (Jo 6, 63)

“Que todos sejam um como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti. Que também eles sejam um em nós” (Jo17, 21).

Os profetas e os reis foram ungidos com o Espírito de Deus. Cristo, pelo contrário, possui a plenitude do Espírito:

“Aquele que Deus enviou refere as palavras de Deus, pois Deus não Lhe dá o Espírito por medida” (Jo 5, 34).

No interior dos que bebem do Espírito começa a brotar uma fonte de vida eterna (Jo 4, 14).

Temos de nascer de novo, mediante o Espírito (Jo 3, 3). O que nasce da carne é carne, o que nasce do Espírito é espírito (Jo 3, 6).

O Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5). No nosso íntimo, o Espírito Santo é o poder de nos tornarmos filhos de Deus. Não pela vontade do Homem nem pelos impulsos da carne, mas pelo querer de Deus (Jo 1, 12-13).

A noção de carne no evangelho de São João é profundamente bíblica. Significa o ser humano como interioridade relacional e genealogicamente interligado a toda a Humanidade.

Ao dizer que o Verbo encarnou, São João está a pensar que o Filho eterno de Deus se relaciona e comunica connosco em grandeza humana através de Jesus.

O homem Jesus e o Filho eterno de Deus fazem um, pois formam uma unidade orgânica. Do mesmo modo, o Filho Eterno de Deus faz um com Deus Pai, embora sem se confundirem nem fundirem (Jo 10, 30).

Os que aderem a Cristo passam igualmente a fazer um com o Pai e o Filho (Jo 17, 21). Esta unidade, diz Jesus no evangelho de São João, é semelhante à que existe entre a cepa da videira e os seus ramos (Jo 15, 1-8).

A seiva, neste caso, é a força ressuscitadora e fecunda do Espírito que Cristo comunicou aos Homens no momento da sua morte e ressurreição (Jo 7, 37-39).


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias




07 Julho, 2009

AO MORRER, CRISTO RESTAUROU A NOSSA VIDA-I

I-A RESSURREIÇÃO COMO VITÓRIA SOBRE A MORTE

Com o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, a humanidade deu um salto qualitativo:

Os seres humanos passaram de não divinos a pessoas divinizadas, isto é, organicamente assumidas e incorporadas na comunhão familiar da Santíssima Trindade.

Este salto de qualidade aconteceu no próprio momento da morte e ressurreição de Jesus sobre a cruz.

Ao morrer, Jesus Cristo venceu a morte não apenas para si como também para nós. Enquanto, sobre a cruz, ia morrendo o que no homem é mortal, o imortal ia sendo glorificado e incorporado na comunhão familiar de Deus Pai com o Filho Eterno de Deus e o Espírito Santo.


Isto quer dizer que ao acabar de morrer, Jesus estava plenamente ressuscitado. Ao morrer o último elemento do que no Homem é mortal, o imortal estava totalmente ressuscitado, isto é, assumido e incorporado em Deus.

O processo de morrer em Jesus Cristo correspondeu exactamente ao processo do parto mediante o qual nasceu o Homem Novo glorificado e assumido em Deus.

Isto significa que Jesus venceu a morte no próprio acto de morrer. Referindo-se à oração de Jesus no Jardim das Oliveiras, a Carta aos Hebreus diz que Cristo fez orações àquele que o podia libertar da morte e foi atendido, devido à sua piedade (Heb 5, 7).

Deus libertou Jesus da morte ressuscitando-o, afirma a Carta aos Hebreus. Mas se a ressurreição fosse algo posterior ao acto de morrer, Jesus não tinha vencido a morte.

Mas a Carta aos Hebreus diz que Jesus pediu ao Pai que o libertasse da morte e foi atendido.

Esta libertação deve ser entendida como uma vitória de Jesus sobre a própria morte. Isto quer dizer que a ressurreição de Jesus é um processo simultâneo ao próprio processo de morte.

Por outras palavras, Jesus não esteve um só momento sob o domínio da morte. O protagonista desta vitória de Cristo sobre a morte foi o Espírito Santo.

Graças ao dinamismo ressuscitador do Espírito Santo, o Senhor da vida não ficou um só segundo sob o domínio da morte.

Podemos dizer com a liturgia pascal: “Morrendo, Jesus destruiu a nossa morte. Ressuscitando, restaurou e conduziu à plenitude a nossa vida.

Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias

AO MORRER, CRISTO RESTAUROU A NOSSA VIDA-II


II-CRISTO E O PLANO DE DEUS PAI

Apesar do pecado, o plano de assumir o Homem na comunhão familiar de Deus continuou intacto.
O plano divino de Deus não foi abolido. São Paulo diz que a vontade de Deus é que todos os seres humanos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (1 Tim 2, 4).

A Nova Criação é obra do amor redentor de Deus: “Em Cristo Deus reconciliou consigo a Humanidade não levando mais em conta os pecados dos homens” (2 Cor 5, 18-19).

A ressurreição de Cristo inaugura verdadeiramente a plenitude do tempo. Se o tempo chegou ao fim é a hora de dar à luz. A criação já está a sentir as dores do parto. O Homem Novo já começou a nascer.

Ao vencer o pecado e a morte, Jesus inaugura a Nova Humanidade. Eis as palavras de São Paulo: “Mas quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher.

Nasceu sob o domínio da Lei, a fim de resgatar os que estavam sob o domínio da Lei e, deste modo, pudéssemos ser filhos.

E porque somos filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que, no nosso íntimo clama: “Abba, Pai”.

Deste modo já não és escravo, mas filho. Ora, se és filho também és herdeiro por graça de Deus.” (Gal 4, 4-7).

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo realiza no coração dos seres humanos este parto que nos faz passar para a condição humano-divina.

É isto que diz o evangelho de São João quando afirma que temos de nascer pelo Espírito Santo, a fim de tomarmos parte no Reino:

“Quem não nascer da Água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. Aquilo que nasce da carne é carne e aquilo que nasce do Espírito é espírito” (Jo 3, 5-6).

A Carta aos Romanos diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

É nesta dinâmica que se vai estruturando em nós a Nova Criação. A Segunda Carta aos Coríntios diz que apesar de o homem exterior envelhecer e se ir degradando, o interior vai-se robustecendo pela acção do Espírito santo (2 Cor 4, 16).

O homem interior é a nossa dimensão espiritual. O exterior é o homem individual que envelhece, se vai degradando até terminar na morte.

Por outras palavras, o nosso ser interior emerge em nós como o pintainho emerge no interior do ovo.

O pintainho nascerá no dia em que se parta a casca do ovo. A morte representa esse dia em que o nosso ser exterior se parte, dando origem ao nascimento definitivo do nosso ser interior.

Em Jesus Cristo esse momento foi o início da vitória sobre a morte para ele e para toda a Humanidade com a qual ele faz um todo orgânico, isto é, interactivo e dinâmico.

Por ser pessoal, o nosso ser interior é proporcional às próprias pessoas divinas.

É verdade que as pessoas humanas não são iguais às divinas, mas são-lhe proporcionais. Isto quer dizer que já pode acontecer comunhão amorosa entre as pessoas divinas e as humanas.

Segundo o exemplo de Jesus no evangelho de São João a nossa união com ele e, através dele, com a Santíssima Trindade é orgânica e geradora de vida.

Trata-se de uma união semelhante à que existe entre a cepa da videira e os seus ramos. A nossa vida é fecunda na medida na medida em que somos ramos unidos à cepa, diz Jesus (Jo 15, 4-5).

A seiva que vem da cepa para os ramos é o Espírito Santo. Adão, com o seu pecado, colocou a Humanidade no caminho do fracasso.

Cristo, com a sua fidelidade a Deus, introduziu-nos no caminho que conduz à comunhão com Deus que é a fonte da Via Eterna.

Assim como todos morrem em Adão, diz a Carta aos Romanos, todos ressuscitam em Cristo, o Novo Adão (Rm 5, 17).

Pertencemos à Nova Humanidade na medida em que o amor seja a dinâmica que move as nossas vidas:

“Quem ama o seu irmão permanece na luz e na luz caminha” (1 Jo 2, 10). A nossa comunhão com Deus é proporcional à nossa comunhão com os irmãos.

A Nova Criação é a Humanidade restaurada por Cristo ressuscitado. Depois de ter afirmado que veio para fazer a vontade do Pai, Jesus acrescentou:

“A vontade de meu Pai é que nenhum destes pequeninos se perca” (Mt 18, 14).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

03 Julho, 2009

A PESSOA HUMANA COMO SER ESPIRITUAL


A pessoa humana é um ser a emergir, tanto a nível somático, como psíquico ou espiritual.

O amor é o dinamismo fecundo que faz emergir a interioridade espiritual do ser humano. Isto quer dizer que na pessoa humana nada está acabado.

Assim, por exemplo, não existem almas que entram no interior dos corpos humanos como realidades feitas e acabadas.

A nível interior, a pessoa é uma realidade espiritual a emergir como ser livre, consciente, responsável e capaz de amar.

O ser humano nasce hominizado, mas não humanizado. A humanização é a vocação fundamental de todos os seres humanos.

O Espírito Santo é o grande facilitador deste processo de humanização, convidando-nos a agir em harmonia com as propostas do amor.

São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

A plenitude da humanização é a divinização. As pessoas que precederam Jesus Cristo na história atingiram a plenitude da divinização no momento preciso da sua morte e ressurreição.

Nesse momento abriram-se as portas dos Paraíso, disse Jesus ao Bom Ladrão (Lc 23, 43). Nesse momento os túmulos começam a abrir-se e os justos começam a ressuscitar (Mt 27, 52-53).

Nesse momento, os pagãos começam a reconhecer Jesus como salvador: O Centurião reconhece que Jesus é o Messias, o Filho de Deus (Mt 27, 54).

Nesse momento sai sangue e água do coração de Cristo, isto é, o Espírito Santo que se difunde pela Humanidade (Jo 19, 34)

Nesse momento o véu do templo rasga-se de alto a baixo, pondo fim aos cultos inúteis do judaísmo e abrindo o acesso à comunhão directa com Deus no coração das pessoas.

Nesse momento, o coração do homem torna-se templo do Espírito Santo (1 Cor 3, 16).

Nesse momento o Espírito Santo passa a actuar como o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Nesse momento Jesus vai à morada dos mortos, a fim de lhes comunicar a força ressuscitadora do Espírito Santo e incorporando-nos na comunhão universal da Família de Deus (1 Ped 3, 19-20).

Nesse momento, os que viveram antes de Cristo entram na plenitude da comunhão com Deus.

Isto não significa que tenham mudado de lugar, mas antes que atingiram uma nova densidade espiritual, pois foram optimizados pelo Espírito de Cristo ressuscitado.



São Paulo diz que o nosso coração é templo do Espírito Santo: “Nós é que somos o templo do Deus vivo, como disse o próprio Deus: "Habitarei e caminharei no meio deles, serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (2 Cor 6, 16).

Na primeira Carta aos Coríntios São Paulo também desenvolve esta ideia quando afirma: “Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (…). O templo de Deus é santo e esse templo sois vós” (1 Cor 3, 16-17).


Isto quer dizer que é a partir do nosso íntimo que se constitui a união orgânica que nos incorpora na Família de Deus:


“Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que está em vós e que recebestes de Deus? “ (1 Cor 6, 19).

“Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá, pois o templo de Deus é santo e esse templo sois vós” (1 Cor 3, 16-17).

A Humanidade está entretecida com Jesus, homem perfeito e, através dele, faz uma união interactiva e fecunda com a comunhão familiar da Trindade Divina.


O livro do Apocalipse descreve a comunhão orgânica do Homem afirmando: “E ouvi uma voz potente que vinha do trono e dizia:

“Esta é a morada de Deus entre os homens. Ele habitará com os homens e eles serão o seu povo.
O mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus, enxugando todas as lágrimas dos seus olhos e não haverá mais morte nem pranto nem dor”. (Apc 21, 3-4).

Em Comunhão convosco
Calmeiro Matias


30 Junho, 2009

ESPÍRITO SANTO E O HOMEM NOVO

Espírito Santo, tu és a fonte do amor e da liberdade. O evangelho de São Lucas diz que foste tu quem consagrou Jesus para libertar o Homem da opressão do pecado:

“O Espírito Santo está sobre mim porque me consagrou para anunciar o Evangelho aos pobres.
Enviou-me a proclamar a libertação dos presos e mandar em liberdade os oprimidos” (Lc 4, 18).

Sempre que optamos pelo amor estamos a responder a um apelo que vem de ti no mais íntimo do nosso coração.

Ser livre é relacionar-se em clima de amor com os outros e interagir de modo criativo com as coisas e os acontecimentos.

Eis a razão pela qual precisamos tanto de ti, Espírito Santo, a fim de podermos ser livres e criadores.

O pecado, isto é, a oposição ao amor não nos torna livres. Eis o que Jesus diz no evangelho de São João: “Se permanecerdes na minha palavra sereis meus discípulos, conhecendo a verdade e a verdade vos libertará (…).

Quem comete o pecado é escravo (…). Se o Filho de Deus vos libertar, sereis realmente livres” (Jo 8, 31-36).

A Carta aos Romanos vai nesta mesma linha quando afirma: “O Espírito Santo que é o Espírito de Vida libertou-te da lei do pecado e da morte” (Rm 8, 2).

A Segunda Carta aos Coríntios diz que onde está o Espírito Santo está a emergir a liberdade.

Eis as suas palavras: “Onde está o Espírito Santo, isto é, o Espírito do Senhor ressuscitado, aí está a liberdade” (2 Cor 3, 17).

Quando entre as pessoas humanas acontece uma relação de fraternidade, e comunhão, tu estás sempre optimizando essa relação.

Tu és a ternura maternal de Deus. Assim como Deus Pai ama com um jeito paternal, tu, Espírito Santo, tens um jeito maternal de amar.

Como és uma pessoa divina, tu tens a possibilidade de realizar uma presença de amor universal, tornando-te presente no interior de todas as pessoas.

Eis o que diz a Primeira Carta aos Coríntios: “Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?” (1 Cor 3, 16).

São Paulo diz na Carta aos Romanos que tu és, Espírito Santo, o amor de deus derramado nos nossos corações” (Rm 5, 5).

É Esta tua presença no interior das pessoas que possibilita a sua libertação. Por outras palavras, sempre que alguém decide fazer o bem aos irmãos, facilitando a sua realização e felicidade, está a ser mediação do teu Espírito Santo.

De facto, a tua acção libertadora no coração das pessoas acontece pela ajuda de muitas pessoas humanas que são mediações do teu amor.

Todos os gestos de amor encontram em ti a sua raiz, Espírito Santo. Sem a tua acção vivificante no interior dos crentes, as Sagradas Escrituras não passariam de letra morta.

É isto que São Paulo quer dizer quando afirma: “É Deus que nos capacita para sermos ministros de uma Nova Aliança, não da letra, mas do Espírito, pois a letra mata, enquanto o Espírito dá vida (2 Cor 3, 6).

Sem a tua presença reveladora e animadora de relações amorosas, A comunidade cristã não passaria de um grupo humano com um conjunto de leis, ritos, normas.

És tu, Espírito Santo, quem une de modo orgânico os membros da comunidade cristã, fazendo deles um só corpo, como diz São Paulo (1 Cor 12, 13; 12, 27).



Foste tu, Espírito Santo, quem ressuscitou Jesus e nos vai ressuscitando em comunhão com ele, como diz a Carta aos Romanos:

“E se o Espírito Santo que ressuscitou Jesus está em vós, ele também fará que os vossos corpos vivam após a morte, por meio deste mesmo Espírito que vive em vós” (Rm 8, 11).

Graças a ti somos assumidos na comunhão Trinitária como filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação ao Filho de Deus.

Tu estás no centro do mistério da Encarnação, dinamizando a interacção directa entre a interioridade espiritual humana de Jesus e a interioridade espiritual divina do Filho Eterno de Deus.

Tu és a Água viva que faz brotar uma nascente de Vida Eterna nos nossos corações (Jo 7, 37-39).

Com teu jeito maternal de amar tu preparaste o coração maternal de Maria, a fim de ela amar o seu Filho de modo adequado a preparar a obra da Salvação.

É por esta mesma razão que as pessoas que se deixam conduzir por ti, podem dirigir-se a Deus Chamando-o “Abba”, ó Pai!

A tua presença em nós, Espírito Santo, é a garantia de que estamos salvos. O livro do Génesis diz que, no princípio, a terra era uma massa caótica e vazia.

Depois acrescenta o Espírito Santo pairava sobre a escuridão que cobria os lagos primordiais, a de as suas águas se tornarem o berço fecundo da vida (Gn 1, 1-2).

Por isso nós dizemos que tu és a fonte da vida. O teu amor maternal é o princípio da fecundidade universal.

É por esta razão que o evangelho de São João diz que as pessoas humanas, para entrarem na plenitude da vida eterna, têm de nascer de novo através da Água Viva que és tu, Espírito Santo.

Eis as palavras de Jesus: “Em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito Santo não pode entrar no Reino de Deus.

Aquilo que nasce da carne é carne e aquilo que nasce do Espírito é espírito” (Jo 3, 5-6). No momento do baptismo de Jesus, tu consagraste Jesus para a missão messiânica e o Pai de Jesus confirmou-o como seu Filho predilecto:

“No momento em que Jesus saiu das águas, após o seu baptismo, o Céu abriu-se e Jesus viu o Espírito de Deus vir sobre ele em forma de pomba (Mt 3, 16).

És tu, Espírito Santo, quem nos incorpora na Família de Deus e nos faz gritar de alegria: “Abba”, ó Pai, como diz São Paulo (Ga 4, 4-7; Rm 8, 14.17).

Em nome da Nova Humanidade criada em Cristo ressuscitado eu te agradeço, Espírito libertador!


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

27 Junho, 2009

O ROSTO DE DEUS PAI NA BÍBLIA-I

I-DEUS PAI NO ANTIGO TESTAMENTO

A Revelação de Deus é um processo histórico iniciado com o clã de Abraão, atingindo o seu ponto mais alto com Jesus Cristo.

O grande protagonista da marcha da revelação é o Espírito Santo e o rosto de Deus é um dos seus aspectos principais.

Na verdade, o mistério de Deus e o mistério do Homem são os dois pilares sobre os quais assenta o edifício da revelação.

O rosto de Deus é, pois, um aspecto central da acção reveladora do Espírito Santo. O povo bíblico começa por descobrir Yahvé como o Deus da Aliança.

Só muito lentamente o povo começa a descobrir o jeito paternal de Deus amar o seu povo.

Através de Moisés, Deus declara ao Faraó que o Povo de Israel é o seu filho primogénito (Ex 4, 22- 23).

Neste contexto a expressão significa que entre todos os povos, Israel é o primeiro. Se o Faraó não libertar o filho primogénito de Deus, será castigado e corre o risco de perder o seu próprio filho primogénito, isto é, o herdeiro do trono do Egipto.

A presença de Deus junto do seu filho primogénito faz lembrar a presença de um pai que actua de modo protector junto do seu filho.

Eis o modo bonito com o Livro do Deuteronómio descreve a presença carinhosa de Deus junto do seu povo:

“Nenhum outro povo tem o seu deus tão perto de si, como Yahvé está perto de Israel (Dt 4, 7).

O Profeta Oseias profere um oráculo sobre o amor paternal que leva Deus a libertar o seu filho primogénito da escravidão do Egipto:

Eis as palavras do profeta Oseias: “Quando Israel era menino, eu o amei. Do Egipto chamei o meu Filho” (Os 11, 1).

O amor preferencial de Deus por Israel manifestou-se de muitos modos, sobretudo pela maneira como o acompanhou e protegeu o seu povo ao longo da sua história.

Através do profeta Jeremias, Deus declara-se Pai de Israel: “Sou um pai para Israel e Efraim é o meu primogénito “ (Jer 31, 9).

Associando a ternura paternal de Deus à sua acção criadora, o povo bíblico começa a ver o Pai Bondoso, associando-o ao Deus que Criou o Homem à sua imagem e semelhança.

Ao criar o Homem à Sua imagem e semelhança, Deus modelou-o de modo a que ele pudesse atingir a plenitude dos filhos de Deus.

O Povo de Israel, diz Isaías é o Filho predilecto de Deus. Foi modelado por Deus em vista a uma vida plenitude e comunhão amorosa:

“Mas agora, ó Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro e Tu o oleiro. Na verdade, nós somos obra das tuas mãos” (Is 64, 7).

Por outras palavras, os membros do povo eleito são filhos de Deus não só pela criação como também pela eleição.

Além de pertença de Deus pelo poder de criação, os israelitas, são filhos do Deus Vivo por eleição (Os 1, 9; Dt.14, 1; Is 1, 2).

Mas a paternidade de Deus vai ganhar novos contornos nas profecias messiânicas. A primeira profecia messiânica declara que David vai ter um descendente para o qual Deus vai ser um Pai.

Graças a este filho a casa de David será inabalável (2 Sam 7, 12-16; cf. 1 Cron 17, 10-14; 22, 8-10).

No dia da entronização dos filhos de David, o salmo dois garante ao novo rei que pode governar tranquilo, pois Deus é seu pai: “Tu és meu filho, hoje mesmo te gerei “ (Sal 2, 7).

Os reis da casa de David podem dirigir-se a Deus chamando-o de seu pai, seu Deus, rochedo da sua salvação (Sal 89, 27-29).

Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias




O ROSTO DE DEUS PAI NA BÍBLIA-II

II-A TERNURA DE DEUS PAI NO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento é uma proclamação de Jesus Cristo como o Messias. Ele é o filho prometido a David para o qual Deus seria um Pai (2 Sam 7, 14-16).

O Anjo da Anunciação diz a Maria que ele é o Filho do Altíssimo porque vai herdar o trono de seu pai David (Lc 1, 32-33).

São Paulo diz que Jesus é o filho de David segundo a carne, constituído filho de Deus em todo o seu poder, pelo Espírito Santo, no momento da sua morte e ressurreição (Rm 1, 3-5).

Os evangelhos vão interpretar o baptismo de Jesus como o momento em que ele foi ungido e consagrado pelo Espírito Santo como Messias.

Ao sair da água na qual foi baptizado, Deus Pai proclama Jesus como o seu Filho muito amado (Mt 3, 13-17; Lc 3, 21-22; Mc 1, 9-11).

No início do século segundo, o evangelho de São João reconhece Cristo como o Filho Eterno de Deus Pai.

Deste modo, o Espírito Santo configurou o rosto trinitário de Deus, pois o Filho vive desde toda a eternidade com o Pai e o Espírito Santo.

Cristo é o Filho unigénito do Pai cheio de graça e verdade (Jo 1, 1). Ele é o Filho Eterno de Deus que dá aos que o acolhem o poder de se tornarem filhos de Deus, não pela vontade da carne ou do Homem, mas por vontade de Deus.

Para isso o Verbo encarnou (Jo 1, 12-14). Eis a razão pela qual temos de nascer de novo (Jo 3, 3-6).

Todos os que são movidos pelo Espírito de Deus, diz São Paulo, são filhos de Deus (Rm 8, 14).
Nós não recebemos um espírito de escravidão mas um Espírito de adopção graças ao qual chamamos “Abba”, Papá (Rm 8, 15; Gal 4, 5).

Como Filho Eterno, Cristo é o Unigénito de Deus, cheio de graça e verdade (Jo 1, 1). Como homem é o primogénito de muitos irmãos (Rm 8, 29; Col 1, 15).

No evangelho de São João, Jesus diz que nós somos filhos com Ele. Eis as suas palavras: “Subo para junto de Meu Pai e vosso Pai, para junto de Meu Deus e vosso Deus” (Jo 20, 17).

O Filho encarnou, a fim de dar aos homens o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1, 12-14).
Mas para isso temos de nascer de novo pelo Espírito Santo, pois o que nasceu da carne é carne.

Na verdade, só o que nasce do Espírito pertence à esfera do espírito (Jo 3, 6). São Paulo vai nesta mesma linha quando afirma que é através do Espírito que fomos constituídos filhos de Deus (Rm 8, 14; 8, 23; Gal 4, 5).

Jesus dirige-se sempre a Deus chamando-o de Pai (Abba). O Espírito Santo também nos ensina a chamar Deus deste modo (Gal 4, 6).

Ao ensinar aos discípulos o Pai Nosso, Jesus está a convidá-los a falar com Deus Pai, stabelecendo uma relação de filhos com o Pai dos Céus (Mt 6, 9).

Devemos agir em conformidade com a nossa condição de filhos de Deus, tornando-nos irmãos daqueles que não o são pelas vias da carne ou do sangue.

Se Deus é nosso Pai, então nós devemos eleger os outros seres humanos como irmãos, a fim de sermos perfeitos como o nosso Pai do Céu (Mt 5, 43-48).

O Amor de Deus Pai é difusivo, isto é, circula por todos e nunca se detém nem se deixa amarrar.
Por outras palavras, seremos tanto mais filhos de Deus quanto mais formos irmãos dos outros.
São Paulo diz que a criação inteira aguarda a revelação dos filhos de Deus.

Com a ressurreição de Jesus Cristo, os tempos chegaram à sua plenitude. Isto quer dizer que já está em marcha o parto que dá lugar ao nascimento dos filhos de Deus.
Deus realizou em nosso favor tudo o que estava prometido. Já somos filhos seus, diz o Livro dos Actos dos Apóstolos (Act 13, 33).

Chegou o tempo da nossa libertação, pois Deus é nosso Pai. Devemos viver na liberdade dos filhos de Deus e não na escravidão dos que se deixam dominar pelo legalismo e o ritualismo (Rm 8, 21).

Devemos ser fiéis à vontade do Pai como foi Jesus. Ele sabia perfeitamente que a vontade do Pai coincide rigorosamente com o que é melhor para nós.

Eis as suas palavras: “Nem todo aquele que me diz: “Senhor, Senhor” entrará no reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus” (Mt 7, 21).

De tal modo Jesus se identifica com a vontade do seu Pai do Céu que faz depender deste facto a edificação da Família de Deus:

“Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3, 35; Mt 12, 50).

Com efeito, os que fazem a vontade do pai são realmente filhos de Deus. Na verdade, a paternidade de Deus é decisiva, pois é a única que durará por toda a eternidade.

É este o sentido da seguinte afirmação de Jesus: “Na terra a ninguém chameis pai, pois um só é o vosso Pai, aquele que está na Céu” (Mt 23, 9).

Os evangelhos dizem-nos que Jesus se dirigia a Deus Pai falando com ele como um Filho fala com seu Pai.

São João diz que em Jesus Cristo habitava a plenitude do Espírito Santo (Jo 3, 34). Isto quer dizer que Jesus possui a plenitude da filiação divina.

Eis a razão pela qual Jesus podia dizer com toda a verdade: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6).
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias























25 Junho, 2009

DEUS AMOU-NOS AINDA ANTES DE NOS CRIAR

Louvado sejais, Pai, Filho e Espírito Santo, por terdes criado o Universo. Vós sois uma Família infinitamente perfeita e amorosa.

Em diálogo de amor, Vós decidistes Criar as estrelas e os planetas, entre os quais esta Terra bonita e acolhedora em que vivemos.

Fostes Vós, Deus Santo, quem criou a imensa variedade das plantas com as suas flores e frutos.

Criastes as aves do céu, os animais domésticos, os répteis e todos os animais selvagens. Também fostes Vós Trindade Santa, quem Deus criou os oceanos a partir dos lagos primordiais, a fim de serem o berço da vida.

Na verdade, o ventre dos oceanos está cheio de seres vivos. Mas era em nós, Deus Santo, que pensáveis quando criastes todas estas maravilhas!

Isto quer dizer que a obra-prima das vossas mãos é o Homem criado à vossa imagem e semelhança.

Vós criastes todas as coisas, Senhor do Universo, movido apenas pelo amor. Por isso todas as coisas têm sentido e razão de existir.

A beleza e a harmonia das criaturas pois as impressões digitais das relações de amor da Santíssima Trindade.Como é admirável a perfeição das flores, dos frutos, dos peixes, dos animais e das aves do Céu!



Quando olhamos com atenção, verificamos que é bonito o azul do céu, o movimento do mar e o sorriso das crianças.

Como é saborosa a ternura dos pais e o carinho das pessoas que nos amam. Todas estas perfeições existem em grau de perfeição infinita em Vós, Criador de todas as coisas!

A nossa fé diz-nos que tendes uma ternura infinita pela Criação génese histórica. Na verdade, a criação não é um brinquedo para Deus se divertir, mas um projecto para ser realizado.

Obrigado, Pai Santo, porque olhais por nós e nos guardais na palma das vossas mãos.O vosso amor por nós atingiu o ponto mais alto quando fizestes de nós membros da Vossa Família.

Deus Santo, Vós concretizais tudo isto através do Espírito Santo que é o amor de Deus derramado nos nossos corações, Como diz São Paulo (Rm 5, 5).

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo marcou o nosso coração com o selo do amor. Por isso sentimos esta fome imensa de amar e ser amados.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

21 Junho, 2009

DEUS COMO PLENITUDE DA FAMÍLIA HUMANA


A Divindade é uma Família de Três pessoas. Deus é relações!

Ainda o Universo não tinha iniciado a sua génese e a Família já existia. O Amor precedeu o Universo.

A família humana, constituída à imagem da Família Divina, é o espaço fundamental para a humanização das pessoas humanas.

A família é o espaço básico do Homem em construção. O amor familiar é a dinâmica fundamental que preside à estruturação da pessoa humana.

Segundo tenha sido bem ou mal amado, o ser humano ficará bem ou mal estruturado. Isto quer dizer que é na família que tem início a dinâmica da humanização cuja lei é:

“Emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a Comunhão Universal da Família de Deus”.

Mais que um lugar de aprendizagem teórica, a família é um entretecido de relações onde circula o amor e acontece comunhão.

É o jardim onde floresce o amadurecimento humano, dos esposos, dos pais e dos filhos. Primeiro amadurece o marido, depois o pai. O mesmo acontece com a esposa:

Primeiro amadurece a esposa, depois a mãe com essa capacidade heróica de morrer para dar vida.

Quanto maior for a densidade do amor no entretecido familiar, maior será a emergência criadora do Homem Novo no seu interior.


É na família que a pessoa é capacitada para atingir a sua plenitude.

Isto quer dizer que a plenitude da pessoa não está em si, mas na reciprocidade da comunhão.

Na verdade, a pessoa só pode possuir-se e conhecer-se plenamente em contexto de comunhão amorosa.

Na dinâmica das relações familiares as pessoas aprendem a aceitar-se umas às outras, apesar de seres todas diferentes.

Na verdade, a Humanidade está a emergir de modo único, original e irrepetível em cada pessoa. É por esta razão que ninguém está a mais.

À medida que os membros da família são capazes de se aceitar e valorizar os outros estruturam-se como pessoas livres, conscientes, responsáveis e capazes de comunhão amorosa.

Entretecida nesta dinâmica de amor e comunhão, a família humana é verdadeiramente uma imagem viva da Família Divina.

Com efeito, Deus é uma comunhão familiar de três pessoas. É na calda das relações familiares que as pessoas recebem o leque fundamental dos seus talentos os quais são a matéria-prima da humanização das pessoas.

A fidelidade aos próprios talentos é o modo de a pessoa atingir a sua plena realização.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias


17 Junho, 2009

O ESPÍRITO SANTO COMO FONTE DE SALVAÇÃO-I


I-A ÁGUA DO POÇO DE JACOB

Eis algumas palavras que Jesus dirigiu à Samaritana junto ao poço de Jacob: “Se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é aquele que te está a pedir água, tu é que lhe pedirias e ele te daria uma Água Viva” (Jo 4, 10).

Esta simbologia João insere-se numa longa tradição profética sobre a Água que brota das fontes da salvação.

O profeta Jeremias repreendeu o seu povo por este ter voltado as costas a Deus que é a fonte da Água Viva. A Água viva é o Espírito Criador, a fonte da Vida espiritual.

A Primeira Carta aos Coríntios diz que todos nós bebemos do mesmo Espírito, a fim de formarmos o corpo de Cristo:

“Todos nós fomos baptizados num só Espírito, a fim de formarmos um só corpo, tanto judeus como gregos, escravos ou livres.

Todos bebemos de um mesmo Espírito” (1 Cor 12, 13). Referindo-se à Eucaristia, o evangelho de São João diz que a carne e o sangue de Jesus Cristo ressuscitado o alimento da vida Eterna.

Depois acrescenta que a carne e o sangue de Cristo são o Espírito Santo que Cristo ressuscitado nos dá” (Jo 6, 62-63).

Jesus disse à Samaritana que a Água Viva não é como a água do poço de Jacob onde ela vinha habitualmente a buscar água.

Com esta linguagem simbólica o evangelho de são João quer dizer que o poço de Jacob é a Antiga Aliança, a qual não é a fonte da salvação eterna.

A Água Viva, pelo contrário, simboliza o Espírito Santo que é a fonte da salvação eterna. A Água do poço de Jacob precisa de um balde, isto é, a multidão das normas, leis e preceitos dos judeus.

Para a Água Viva basta a fé e brota em nós pela Palavra de Deus que Jesus nos traz. É por esta razão que as pessoas que bebem da água do poço de Jacob voltam a ter sede.

A Água Viva mata a sede para sempre, isto é, dá-nos a vida eterna. Foi isto que Jesus quis explicar à Samaritana com o seguinte ensinamento:

“Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da Água que eu lhe der, nunca mais terá sede, pois esta Água converter-se-á nele em Fonte de Vida eterna” (Jo 4, 13-14).

Mais tarde Jesus explicitou melhor o mistério da Água Viva, dizendo que se tratado Espírito Santo:

“No último dia, o mais solene da festa, Jesus, de pé, disse em voz alta: “Se alguém tem sede venha a mim. Quem crê em mim que sacie a sua sede!

Como diz a Escritura, hão-de brotar do seu coração rios de Água Viva. Jesus disse isto referindo-se ao Espírito Santo que iam receber os que acreditassem nele.

Com efeito, o Espírito ainda não tinha vindo, pois Jesus ainda não tinha sido glorificado” (Jo 7, 37-39).
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O ESPÍRITO SANTO COMO FONTE DE SALVAÇÃO-II

II-A ÁGUA DA NOVA ALIANÇA

Os que bebem a Água Viva tornam-se templos vivos do Espírito Santo. Eis o que São Paulo9diz na Primeira Carta aos Coríntios:

“Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Cor 2, 16). Já alguns séculos antes o profeta Ezequiel diz que o Espírito Santo é a força da Nova Aliança.

A força da Nova Aliança é o Espírito Santo, o qual actua no nosso coração: “Dar-vos-ei um coração novo e introduzirei em vós um Espírito Novo:

Arrancarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne. Porei o meu Espírito no vosso íntimo, fazendo que sejais fiéis às minhas leis e preceitos” (Ez 36, 26-27).

A Carta aos Efésios diz que os cristãos não se devem embriagar com vinho mas encher-se com a força do Espírito Santo (Ef 5, 18).

São Paulo queria dizer que a bebida da Nova Aliança é o Espírito Santo, não o vinho (1 Cor 12, 13).

Foi isto que Jesus quis dizer quando disse aos judeus: “Se alguém tem sede venha a mim e beba” (Jo 7, 37).

E à Samaritana disse: “Aquele que beber da Água que eu lhe der nunca mais terá sede” (Jo 4, 14).

Muitos séculos antes já o profeta Isaías tinha falado do Espírito de Deus como sendo uma água que mata a sede e faz desabrochar a vida espiritual.

Eis as suas palavras: “Vou derramar água sobre todos os que tem sede e fazer correr rios sobre a terra árida.

Vou derramar o meu Espírito e as minhas bênçãos sobre os vossos filhos e filhas. Por isso eles vão crescer como plantas junto das fontes e como salgueiros junto às águas dos rios e Ribeiros” (Is 44, 3-4).

São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Referindo-se à abundância do Espírito no dia de Pentecostes, São Pedro diz que a exuberância dos Apóstolos não se deve à força do vinho, mas sim à força do Espírito.

O que está a acontecer é a plena realização das antigas profecias, em especial a profecia de Joel:

“Estes homens não estão embriagados como imaginais, mas tudo isto é a realização do que disse o profeta Joel” (Act 2, 15-16).

O Espírito Santo é o Espírito de Cristo ressuscitado. Como estamos unidos ao Senhor ressuscitado, o Espírito que o anima, anima-nos também a nós.

Eis os frutos do Espírito Santo em nós, como diz a São Paulo : Amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, auto-domínio” (Gal 5, 22-23).

Depois, acrescenta: “Se vivemos no Espírito, sigamos também as pegadas do Espírito” (Gal 5, 25).

É o Espírito Santo que nos torna fecundos diz São Paulo: “Quem semear no Espírito do Espírito colherá a vida eterna” (Ga 6, 9).

Com esta frase São Paulo quer dizer que o Espírito Santo gera vida eterna no nosso coração.
Como manancial de Água Viva, o Espírito Santo é a fonte da vida eterna:

“Este é o Deus da minha Salvação, dizia o profeta Isaías. Por isso estou confiante e nada temo, pois fiz de Deus a minha força e o meu canto. Ele é a minha Salvação.

Cheios de confiança e alegria, todos poderão tirar água das fontes da Salvação (Is 12, 2-3).

Em Comunhão Convosco
Calmeiuro Matias

15 Junho, 2009

ENTRANDO NO CORAÇÃO DA HUMANIDADE-I

I-ÉS O GRANDE SONHO DE DEUS

És uma emergência histórica e concretizas-te em pessoas. Emerges de modo único e irrepetível em cada ser humano.

Realizas-te como um rosto com duas faces: Masculinidade e feminilidade. Aconteces no coração de pessoas livres e capazes de amar.

Como Humanidade és uma união orgânica e interactiva de pessoas em relações. És, de facto, imagem de Deus. Levas em ti as impressões digitais do Criador.

Surgiste nesta terra bonita e fecunda como resultado de um desejo expresso de Deus. Por estares em construção ainda não atingiste a tua plenitude.

É por esta a razão que levas no teu íntimo uma fome infinita de amor e comunhão. O teu aparecimento significa o cume da evolução da vida.

Antes de ti, Humanidade, já existiam na Criação muitos balidos, guinchos, uivos e grunhidos.
Mas não havia ninguém capaz de amar e fazer poesia.

És a obra-prima de Deus. Por isso o Criador parou a marcha da criação para sonhar um projecto para ti (Gn 1, 26-27).

Depois de pensar, planear e decidir Deus insuflou no teu interior o hálito da vida espiritual. Tu és, Humanidade, a única imagem que Deus criou de Si!

Por agora, ainda és o Homem em construção. Mas quando chegar a plenitude farás parte da Comunhão Universal da Família de Deus.

Emerges no concreto de pessoas a estruturar-se de modo único, original e irrepetível. Mas ainda estás inacabada. É esta a razão da tua fome insaciável de plenitude!

A criança é uma pessoa iniciada, mas longe de estar realizada. O jovem ainda não teve tempo para chegar longe na densidade da sua realização.

Nem o adulto se pode arrogar o título de homem plenamente acabado. No entanto, já pertences à cúpula personalizada da criação.

Humanidade: És milhões de pessoas e por isso já pertencem à esfera da transcendência!

Por te constituíres como pessoa já fazes parte do grande Oceano da Comunhão Universal. Começaste com o homem primordial e continuas a avançar na marcha histórica da humanização.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

ENTRANDO NO CORAÇÃO DA HUMANIDADE-II


II-ESTÁS EM MARCHA PARA DEUS

Humanidade: és uma novidade a emergir no concreto de cada pessoa. Ma as só podes encontrar a tua plenitude na reciprocidade da comunhão amorosa.

Na verdade, perder-se é ficar fora da galáxia da Comunhão Universal. Humanidade: És um projecto em construção. És vida com maiúscula, pois emerges como interioridade pessoal-espiritual a convergir para o face a face do encontro amoroso.

Quem não facilita a tua génese não está em sintonia com a acção criadora de Deus.

Bloquear o teu processo é impedir as pessoas de renascerem como concretizações da vida pessoal espiritual.

O expoente máximo da tua riqueza é Jesus de Nazaré. De facto, ele é o fruto mais amadurecido da Humanidade.

Ele é o ponto de encontro do Humano com o Divino. Cristo é, realmente, a revelação máxima de Deus e do Homem.

Foi nele que se deu o enxerto do Divino no Humano, condição essencial para que o humano pudesse ser divinizado, isto é, introduzido de modo orgânico na Família Divina (cf. Rm 8, 14-17).

Humanidade: és um poema ainda não plenamente declamado, mas já estás na plenitude dos tempos, isto é, na fase dos acabamentos.

És a menina dos olhos de Deus. Não nasceste feita nem te fazes de uma só fez. Alegra-te, pois Deus está todos os dias contigo, embora sem te substituir.

Por outras palavras, tu és um projecto histórico de humanização a caminhar para o encontro com o divino.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

12 Junho, 2009

CRISTO E A PLENITUDE DOS TEMPOS-I

I-O NASCIMENTO DOS FILHOS DE DEUS

O Tempo da gestação chegou ao fim. Com o mistério da Encarnação, o Filho de Deus introduziu a Humanidade na Família de Deus.

Quando os tempos chegaram à sua plenitude, diz São Paulo, Cristo nasceu e, com ele, nós fomos já podemos chamar Pai a Deus:

“Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei.

Deste modo, o Filho de Deus resgatou os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de recebermos a adopção de filhos.

E porque somos filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito Santo que em nós clama: “Abba, ó Pai”.

Deste modo já não somo servos, mas filhos. E se somos filhos também somos herdeiros pela graça de Deus” (Gal 4, 4-7).

Como acabámos de ver, foi graças a Jesus Cristo que a Humanidade chegou à plenitude dos tempos.

Esta expressão significa que ao ressuscitar, Jesus Cristo iniciou a divinização do Homem introduzindo os seres humanos na comunhão da Família de Deus.

Por outras palavras, com Cristo ressuscitado a Humanidade entrou no limiar da plenitude dos tempos, isto é, o tempo do parto.

Chegou o momento do segundo nascimento como diz o evangelho de São João (Jo 1, 6). Com a ressurreição de Jesus Cristo a Humanidade atingiu o topo, isto é, o ponto mais elevado da História.

Com o mistério da Encarnação, diz o evangelho de São João, Deus deu-nos o poder de nos tornarmos filhos de Deus (Jo 1, 12-14).

Este poder é o Espírito Santo, a Água viva que Cristo nos deu no momento da sua ressurreição (Jo 7, 37-39).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

CRISTO E A PLENITUDE DOS TEMPOS-II

II-PLENITUDE DOS TEMPOS E A SEGUNDA VINDA DE CRISTO

A fase dos acabamentos, isto é, a plenitude dos tempos culmina com a segunda vinda de Cristo.

Influenciados pelos apocalipses judaicos, os cristãos chegaram a pensar que a segunda vinda de Cristo aconteceria como uma tragédia.

Na verdade a segunda vinda de Cristo significa uma realidade muito diferente: Deus sonhou um plano de amor para a Humanidade e vai realizá-lo com a segunda vinda de Cristo.

Por outras palavras, a segunda vinda de Cristo significa a plena realização do amor de Deus em favor da Humanidade.

No dia da segunda vinda de Cristo as pessoas que ainda vivam na Terra serão assumidas e incorporadas na Comunhão da Família de Deus.

No Reino estão todos os que nos precederam na marchada História. A vinda gloriosa de Jesus Cristo, portanto, não significa uma tragédia e uma vingança de Deus.

Jesus anunciou o Reino de Deus como um projecto de amor para toda a Humanidade. A vontade de Deus, diz São Paulo, é que todas as pessoas conheçam Deus e façam parte da sua Família (1 Tim 2, 4).

Se olharmos com atenção a maneira como Jesus actuava, Vemos como ele perdoava aos pecadores integrando-os na Família de Deus.

Era por esta razão que Jesus comia com os pecadores. Os evangelhos contam-nos muitos encontros de Jesus com os pecadores, libertando-os da opressão do pecado e das doenças:
Recordemo-nos do relato da Mulher adúltera (Jo 8, 1-11).

Lembremo-nos do caso de Zaqueu (Lc 19, 1-10). O evangelho de São João descreve de modo muito bonito o encontro de Jesus com a Samaritana (Jo 4,7-21).

Com estas atitudes, Jesus queria afirmar a acção libertadora do amor de Deus a actuar no mundo.

Por isso é que ele afirmou tantas vezes que o seu modo de proceder correspondia exactamente à vontade de Deus:

“O meu alimento, dizia ele, é fazer a vontade de meu Pai e realizar o seu projecto” (Jo 4, 34).

A primeira Carta a Timóteo diz que a vontade de Deus é que os homens se salvem e cheguem a conhecer a verdade do amor de Deus por todos” (1 Tim 2, 4).

O Reino de Deus é a comunhão de todas as pessoas, formando a Família de Deus. A esta luz já podemos compreender como a segunda vinda de Cristo é um modo para dizer o encontro amoroso do Homem com Deus quando terminar a História Humana.

Por outras palavras, no dia da segunda vinda de Cristo o Senhor ressuscitado não deixará ninguém fora da Família de Deus, excepto os que rejeitem a proposta amorosa de Deus.

Podemos dizer que a salvação de Deus em Cristo é para todos as pessoas que tenham uma coração capaz de comungar com Deus e os irmãos.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

08 Junho, 2009

O ESPÍRITO SANTO É A BEBIDA DA VIDA ETERNA-I

I-ESPÍRITO SANTO E PUREZA DE CORAÇÃO

Segundo a simbologia do relato das Bodas de Caná, a água dos ritos judaicos de purificação é transformada por Jesus em vinho de qualidade superior (Jo 2, 6-10).

Na simbologia de São João a alta qualidade deste vinho representa o salto de qualidade da Nova Aliança em relação à Antiga.

O Espírito Santo é o princípio da Vida Nova que brota da Nova Aliança. A antiga aliança não era fonte de vida mas força bloqueadora que impedia a Vida Nova de emergir.

São Paulo tinha uma consciência muito clara da inutilidade dos ritos e lavagens do judaísmo quando escreveu:

“Cristo é quem nos capacita para sermos ministros de uma Nova Aliança, não da letra, mas do Espírito.

Com efeito, a letra mata, mas o Espírito dá Vida” (2 Cor 3, 6). Noutra passagem, São Paulo diz que fomos baptizamos no mesmo Espírito, a fim de fazermos um só corpo. É por esta razão diz ele, que nós bebemos do mesmo Espírito.

O evangelho de São João associa o Espírito Santo a uma Água viva que faz nascer uma fonte de vida eterna no coração dos que a bebem (Jo 7, 37-39).

O profeta Isaías compara o Espírito Santo a uma água que mata a sede e faz desabrochar em nós vida em abundância:

“Vou derramar água sobre os que têm sede e fazer correr rios sobre a terra árida. Vou derramar o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção sobre os teus descendentes.

Estes crescerão como plantas junto das fontes e como salgueiros junto das águas correntes” (Is 44, 3-4).

A Primeira Carta aos Coríntios diz que o nosso coração é o templo onde habita o Espírito Santo:
“Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Cor 2, 16).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O ESPÍRITO SANTO É A BEBIDA DA VIDA ETERNA-II

II-O ESPÍRITO SANTO COMO BEBIDA DA NOVA ALIANÇA

Os profetas quando anunciavam a Nova Aliança associavam-na sempre com a força renovadora do Espírito Santo.

O profeta Jeremias anunciou a Nova Aliança como o tempo da abundância do Espírito Santo:
“Dias virão em que firmarei uma Nova Aliança com a casa de Israel e a casa de Judá (…).

Esta será a Aliança que estabelecerei depois destes dias com a casa de Israel, oráculo do Senhor:
Imprimirei a minha lei no seu íntimo e gravá-la-ei no seu coração.

Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (Jer 31, 31-33). Quando chegar a Nova Aliança, dizia o Profeta Jeremias, Deus purificará o coração dos homens com a força recriadora do Espírito Santo.

O profeta Isaías via os tempos messiânicos como a idade de oiro em que todos teriam acesso às fontes da salvação.

Eis as suas palavras: “Este é o Deus da minha Salvação! Estou confiante e nada temo, pois o Senhor é a minha força e o meu canto.

Ele é a minha Salvação. Cheios de alegria todos irão tirar água às fontes da Salvação (Is 12, 2-3).

Segundo os profetas, a pureza que une a pessoa a Deus é de ordem interior e não assenta em meros ritos exteriores.

A Água Viva que faz emergir a Vida Eterna no Coração das pessoas é o Espírito Santo e não a água das lavagens dos ritos judaicos de purificação.

A Carta aos Efésios convida os crentes a encher-se do Espírito Santo e não a embriagar-se com vinho (Ef 5, 18).

Com a primeira Carta aos Coríntios podemos dizer que o Espírito Santo é a bebida da Nova Aliança que nos dá a Vida Eterna (1 Cor 12,13).

Eis algumas afirmações de Jesus que vão nesta mesma linha: “Se alguém tem sede venha a mim e beba” (Jo 7, 37);

“Aquele que beber da Água que eu lhe der nunca mais terá sede” (Jo 4, 14);

O Livro dos Actos dos Apóstolos vê na difusão do Espírito o cumprimento da profecia do profeta Joel sobre a abundância do Espírito.

Face ao entusiasmo dos apóstolos, os judeus acusam-nos de estarem bêbedos. Os Apóstolos ripostam dizendo que a bebida que os faz exultar é a realizações das profecias messiânicas:

“Não, estes homens não estão embriagados como imaginais, pois apenas vamos na terceira hora do dia.

Mas tudo isto é a realização do que disse o profeta Joel” (Act 2, 15-16).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O ESPÍRITO SANTO É A BEBIDA DA VIDA ETERNA-III

III-ESPÍRITO SANTO E A VIDA ETERNA

O evangelho de São João diz que a pessoa humana nasceu para renascer (Jo 3, 6). Este renascimento acontece pela acção do Espírito Santo e mediante o dinamismo das relações amorosas.

A vida humana não se esgota na dimensão biológica. A pessoa é constituída por uma dimensão exterior e uma dimensão interior.

O nosso ser exterior mede-se pelo peso e pelos centímetros de altura. O nosso ser espiritual, pelo contrário, mede-se pela capacidade de amar e comungar.

O peso da pessoa e a sua altura pertencem ao ter da pessoa: tem quilos e tem centímetros.
O ser interior da pessoa não radica no que tem, mas sim no que é.

Por outras palavras, a identidade espiritual de uma pessoa é constituída pelo seu jeito de amar e comungar.

Podemos dizer que na Comunhão Universal, o ser humano dançará eternamente o ritmo do amor com o jeito que tiver treinado enquanto viveu na História.

É isto que explica a fome de ser e amar que as pessoas levam no mais íntimo do seu ser.

Levamos no nosso íntimo uma voz que nos convida a transcender os limites da nossa condição de seres inacabados e famintos de plenitude.

Isto quer dizer a razão de ser da nossa existência histórica não é apenas prolongar a vida mortal, mas, sobretudo, construir a vida Eterna.

Esta fome de plenitude só pode ser preenchida pela Água Viva que faz emergir no nosso íntimo uma nascente de Vida Eterna (Jo 7, 37-39).

Dos pais recebemos a vida exterior, isto é, o nível biológico e psíquico do nosso ser. Através do renascimento pelo Espírito emerge a nossa identidade espiritual, a qual não acaba no cemitério como o ADN.

À medida que emerge como vida espiritual, o ser humano passa a fazer parte da galáxia da comunhão orgânica da das pessoas humanas com as divinas.

O nosso ser exterior acaba no silêncio da morte, isto é, na solidão cósmica. O nosso ser interior, pelo contrário, está chamado à plenitude amorosa da Santíssima Trindade.

Por ser morada do Espírito Santo, o nosso ser interior é o santuário que não foi construído pela mão do homem por Deus.

É neste santuário que a nossa vida espiritual é optimizada pelo Espírito Santo e se torna Vida Eterna, isto é, divinizada porque assumida na Família de Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

04 Junho, 2009

QUANDO DEUS IRROMPE NO SILÊNCIO-I

Era uma tarde muito bonita de primavera avançada.

O Pedro desceu até junto ao rio e sentou-se debaixo de um salgueiro.

Enquanto contemplava a colina verde e florida que ficava à sua frente, o Pedro começou a sentir uma paz e da qual irradiava uma alegria profunda.

Deixava o seu olhar divagar, contemplando, a colina colorida que conferia variedade ao horizonte.
Do seu íntimo mais profundo começou a brotar uma alegria geradora de paz e serenidade indescritível.

Saboreava a alegria de estar vivo e em comunhão com a natureza que o rodeava. De modo especial saboreava a fonte e a plenitude da vida que emergia, suavemente, no mais íntimo do seu ser.

Nesse momento, depois de fechar os olhos por um instante, o Pedro sentiu-se habitado por Deus.

De modo gradual e progressivo começou a contemplar a sua história, apercebendo-se de que, no mais íntimo de si, está o Espírito de Deus que o habita.

Ao dar-se conta da suave presença de Deus no seu coração, teve a intuição de que, orar, não é um monólogo esquizofrénico.

Sem quaisquer dificuldades começou a falar com Deus como um amigo fala com seu amigo.

Evitou palavras rebuscadas, a fim de não perturbar ou bloquear este diálogo.De repente sentiu-se exultar de alegria e compreendeu que a capacidade de saborear a presença de Deus é interior.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

QUANDO DEUS IRROMPE NO SILÊNCIO-II

Na verdade, o coração é o ponto de encontro e comunhão da pessoa com Deus e os outros. À medida que saboreava todas estas maravilhas que brotavam do seu interior, o coração do Pedro começou a dilatar-se.

Sentia-se em comunhão com a Divindade, a Humanidade e com todo o Universo. É como se, nesse momento, estivesse em coordenadas de Universalidade, onde já não há lonjura nem distância.

Mas a maior alegria é a alegria interior de se sentir habitado por Deus. Nesse momento, o Pedro lembrou-se do jeito de orar de Jesus o qual costumava retirar-se para sítios silenciosos, a fim de falar a sós com o Pai.

Na verdade, os evangelhos dizem que Jesus, para orar procurava o silêncio e a harmonia da natureza.

Nesse momento, o Pedro lembrou-se de um dos diálogos de Jesus com Deus Pai, e da alegria profunda que brotou desse face-a-face.

Eis como São Lucas descreve esse diálogo amoroso entre Jesus e Deus Pai:

“Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse:

“Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado ” (Lc 10, 21).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

QUANDO DEUS IRROMPE NO SILÊNCIO-III

Nesse momento, Pedro sentia-se unido a Deus e à Criação.

Sentia um desejo enorme de fazer bem, ajudando os seres humanos a ser felizes.
Nesse momento, o Pedro compreendeu que a comunhão com Deus não nos afasta da comunhão com os irmãos.

E viu com clareza que as pessoas que de facto fazem a experiência de Deus, não são afastadas nem distraídas da tarefa de construir a fraternidade humana.

O Pedro sentiu desejo de agarrar esse momento e não o deixar fugir. Como São Pedro no monte da transfiguração, o Pedro tinha uma vontade enorme de construir ali uma tenda e ficar ali para sempre.

Mas o Pedro sabia que isso podia acontecer, pois a plenitude da sua comunhão com Deus ainda não chegou.

De facto, o Deus que nos acolherá como membros da sua Família já se revela e pode ser saboreado, mas ainda não de modo pleno, perfeito e sem interrupções.

Quando a pessoa humana saboreia a alegria do encontro com Deus tem tendência de o procurar sempre e cada vez mais.

E o Pedro entendeu a importância de criar momentos de silêncio que possam ser espaços privilegiados de encontro e comunhão com Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

02 Junho, 2009

É DANDO QUE SE RECEBE-I

I-CHAMADOS A SER DOM

Nascemos talhados para amar e ser dom. De facto, ninguém se pode realizar sozinho e a plenitude da pessoa não está em si mas na reciprocidade da comunhão.

Os dons que Deus nos concede são-nos sempre concedidos em forma de possibilidades, a fim de os podermos aceitar ou não.

Se a pessoa não tivesse a possibilidade de aceitar ou não os dons de Deus, estes não seriam dons, mas imposições.

Entre os muitos dons que Deus nos concede estão as pessoas que facilitam a nossa realização e felicidade.

Uma vez que os dons de Deus nos são oferecidos em forma de possibilidades, a maneira de os aceitarmos é fazê-los render.

No fim da vida não seremos julgados pelo número de possibilidades que tivemos, mas sim pelo modo como os fizemos render, como Jesus ensina na parábola dos talentos (cf. Mt 25, 14-30).

Na verdade o amor propõe-se, nunca se impõe. É por esta razão que Deus nunca nos impõe os seus dons.

A nossa condição de seres responsáveis começa precisamente no facto de nos encontrarmos na vida com um leque de possibilidades que podemos realizar ou não.

Estas possibilidades foram-nos concedidas por Deus, através da mediação dos outros. Isto quer dizer que os outros são uma mediação para a nossa realização e felicidade.

Com as suas recusas de amor também podem ser um obstáculo, bloqueando a nossa realização pessoal.

A fidelidade da pessoa aos seus próprios talentos é uma maneira importante de ser dom.
Ser fiel aos talentos que recebemos é ser agradecido a Deus e levar à plena realização as possibilidades que recebemos dos outros.

Entre as possibilidades com as quais nascemos há uma muito especial: a capacidade de eleger o outro como alvo de bem-querer.

Esta possibilidade é uma condição básica para nos realizarmos e sermos felizes. Na verdade, a pessoa humana só pode atingir a maturidade do amor dando-se aos outros, pois a plenitude da pessoa não está em si, mas na reciprocidade amorosa.

Neste momento talvez alguém se pergunte: “Em que medida estamos possibilitados para ser dom?”

Somos capacitados para ser dom, na medida em que os outros foram dom para nós. É o mistério da reciprocidade amorosa.

Eis a lei do amor: “ Ninguém é capaz de amar antes de ter sido amado e o mal amado ama mal, mesmo dando o melhor de si”.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

É DANDO QUE SE RECEBE-II

II-CONSCIÊNCIA E REALIZAÇÃO PESSOAL

Isto quer dizer que uma pessoa amada em densidade cinco está capacitada para amar em densidade cinco, como diz o evangelho de São Mateus (Mt 25, 20-21).

Na verdade, começamos por ser o que os outros fizeram de nós. Mas isto não é o mais importante.

Verdadeiramente decisivo é o que nós construímos com os possíveis ou talentos que recebemos dos outros.

No íntimo da nossa consciência, o Espírito Santo interpela-nos no concreto do dia a dia a ser fiéis aos apelos do amor.

A pessoa é convidada a amar com as possibilidades de amar que recebeu através do amor dos outros. Isto significa que as pessoas não são ilhas.

Com efeito, formamos uma união orgânica onde o amor dos outros possibilita a nossa realização e o nosso amor possibilita a realização dos outros.

Podemos dizer que a voz da nossa consciência é a voz dos que inscreveram em nós os valores que fomos interiorizando.

Mas a voz da nossa consciência é também a voz do Espírito Santo que nos convida a ser fiéis aos talentos que recebemos dos outros.

Isto que dizer que agir de acordo com a consciência significa responder sim aos valores que os outros nos transmitiram e à voz do Espírito Santo que “é o amor de deus derramado nos nossos corações” (Rm 5,5).

Por outras palavras, o Espírito Santo é, no nosso íntimo, uma voz suave que nos convida a ser dom para os irmãos nas diversas circunstâncias da vida.

O ser humano tem a possibilidade de se recusar a seguir a voz da consciência e dizer não ao amor com que foi amado.

Neste caso, a pessoa torna-se uma força negativa no tecido social humano. Não se realiza como pessoa nem facilita a realização dos outros.

É verdade que o amor dos outros não nos realiza, mas dá-nos a possibilidade de nos realizarmos se formos fiéis aos talentos que deles recebemos.

Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias

É DANDO QUE SE RECEBE-III

III-É DANDO QUE SE RECEBE

Quando nos relacionamos com os outros temos, em princípio, a possibilidade de ser dom. Eis alguns gestos significativos que nos ajudam a ser dom quando comunicamos com os outros:

A amizade: A amizade acontece quando duas ou mais pessoas se encontram e decidem ser dom umas para as outras.

Os amigos são dons recebidos e dons oferecidos. Quando as pessoas aceitam ser dom acontece a comunhão, dinâmica que conduz o amor à plenitude.

A amizade é um dos maiores remédios para combater a doença da solidão. Com efeito, o amor dos amigos faz que gostemos mais de nós.

É preciso ser humilde para merecer ter amigos. As pessoas que estão sempre a pretender ser mais que os outros ou estar acima deles nunca chegarão a ter verdadeiros amigos.

Os verdadeiros amigos querem o melhor para os seus amigos. Os amigos autênticos são capazes de os elogiar os seus amigos, mas também são capazes de lhes dizer verdades que não são agradáveis, a fim de os ajudar a crescer como pessoas.

No entanto, os amigos verdadeiros aceitam os seus amigos assim como eles são. Atenção aos outros: Vivemos num mundo cheio de solidão.

Dar atenção a uma pessoa é como dar de comer a uma criança que não se pode alimentar por si.
Na verdade, uma pessoa não é capaz de sair sozinha da solidão.

Os outros são uma mediação indispensável para a cura deste sofrimento. A maneira de concretizar este amor libertador é dar atenção à pessoa do outro, escutando-a, compreendendo-a, aceitando-a como é sem fazer juízos de valor.

Amabilidade: é uma das formas mais simpáticas de viver o amor. Um gesto amável ou uma palavra amiga ajuda o outro a sentir-se aceite e valorizado.

Mostrar simpatia por uma pessoa é aumentar as suas possibilidades de integração e realização social.

Com efeito, a pessoa não é capaz de gostar de si antes de alguém ter gostado dela. Construímo-nos em relações com os outros e encontramos a nossa plenitude na comunhão com eles.

Perdão: É uma atitude fundamental para poderem acontecer relações humanizantes. O perdão beneficia a pessoa perdoada, mas sobretudo a pessoa que perdoa.

Com efeito, enquanto não perdoamos às pessoas, estas dominam-nos. As pessoas contra as quais sentimos rancor gravitam no nosso íntimo, impedindo-nos de viver em paz e sossego.

É no momento em que perdoamos ao outro que ele deixa de ser em nós uma presença obsessiva.
Quando decidimos perdoar a uma pessoa sentimo-nos livres e essa pessoa sente-se desculpabilizada.

Compreensão: Compreender não é tentar anular as diferenças entre as pessoas, pois cada pessoa é única, original e irrepetível.

Compreender é procurar entender o que o outro está a tentar dizer-nos. Aceitação: Ninguém é indiferente às atitudes dos outros para consigo.

Damo-nos muito bem conta de quando os demais nos estão a dar a mão ou nos estão a marginalizar e rejeitar.

Uma criança é capacitada para fazer melhor quando se sente valorizada e apreciada. Por outras palavras, a pessoa compreende muito bem quando está a ser bem acolhida ou, pelo contrário, está a ser indesejada.

Isto quer dizer que a pessoa só se possui plenamente na reciprocidade amorosa. Perdoar não é uma atitude de cobardia. Pelo contrário, o perdão é um gesto de pessoas corajosas.

Deus foi o primeiro a tomar a iniciativa de nos perdoar totalmente em Jesus Cristo.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

29 Maio, 2009

A NOVIDADE PERMANENTE DE DEUS-I

I-O DEUS SEMPRE NOVO

No livro do Êxodo, Deus define-se como Aquele que é, ou seja, o Deus que está sempre a ser. Deus é amor e o amor é a causa de si mesmo.

Eis as palavras do Livro do Êxodo: “Deus disse a Moisés: “Eu sou aquele que sou”. E acrescentou: “Dirás aos filhos de Israel: “ O Eu Sou manda-me a vós!” (Ex 3, 14).

Se Deus é um “Eu Sou”, isto quer dizer que é um Deus que está sempre a ser de maneira nova.
Por outras palavras, Deus é uma realidade sempre a acontecer como presente.

Podemos dizer que a Divindade é uma emergência permanente de três pessoas de perfeição infinita em convergência total de comunhão amorosa.

Este rosto trinitário de Deus é a cúpula da revelação, isto é, o ponto de chegada, não o ponto de partida.

Mas isto não significa que Deus não tenha sido comunhão trinitária desde toda a eternidade. No entanto, a revelação de Deus é uma dinâmica histórica e progressiva.

Deus Começou por revelar a sua unicidade divina: “Eu sou o único Deus. Fora de mim não há outros deuses”.

Depois de Deus ter revelado a sua unicidade divina a revelação começa a progredir no sentido do Deus relações.

Finalmente chega à comunhão familiar de três pessoas.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A NOVIDADE PERMANENTE DE DEUS-II


II-DEUS É UM MISTÉRIO DE RELAÇÕES

A nossa fé diz-nos que há um só Deus mas Deus não é um ser enredado em solidão. O Uno em Deus é a comunhão, o plural são as pessoas.

Neste mistério de comunhão nenhuma das pessoas precede a outra.

Com seu jeito paternal de amar (amor ágape), Deus Pai descobre-se como Pai porque se encontra no face a face com o filho Eterno de Deus (amor eucarístico).

Este face a face de Deus Pai com o Filho Eterno de Deus está a acontecer de maneira permanente e sempre nova.

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo anima esta reciprocidade sugerindo novos motivos de novidade agápica e eucarística.

Neste mistério de reciprocidade familiar, o Filho de Deus é gerado, mas não procriado nem criado.

Isto quer dizer que em Deus há geração eterna, a qual não implica procriação. Na reciprocidade amorosa da Santíssima Trindade, as pessoas emergem em simultâneo como sujeitos diferentes cuja identidade consiste no jeito próprio de cada pessoa amar.

De facto, Deus é uma emergência permanente e eterna de três pessoas de perfeição infinita em total convergência de comunhão amorosa.

O jeito de o Espírito Santo ser pessoa é animar as relações de amor de Deus Pai com Filho de Deus, e estreitar o vínculo de comunhão.

Como o amor de Deus Pai é uma novidade constante, Deus Filho está constantemente a ser gerado.

Deus não é nem será nunca um passado. Na verdade, Deus é um presente eterno. Isto quer dizer que o Filho de Deus não foi gerado num passado longínquo.

Por outras palavras, neste mistério do “Eu Sou” (Ex 3, 14), o Filho de Deus está sempre a ser gerado.

Deus Pai ama de modo paternal e totalmente gratuito. É realmente o amor ágape na sua perfeição máxima.

Do mesmo modo, o Filho de Deus ama de modo filial e totalmente fiel à vontade do Pai: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4, 34). É o amor eucarístico na sua perfeição total.

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo encontra-se no coração desta reciprocidade amorosa.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A NOVIDADE PERMANENTE DE DEUS-III

III-O AMOR COMO LENTE PRÓPRIA PARA CONHECER DEUS

Se Deus é uma comunhão familiar, então o coração de Deus é um dinamismo de interacções amorosas.

De facto, a morada de Deus é um campo espiritual contínuo de interacções amorosas em cujo núcleo actua o Espírito Santo.

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo é o grande suscitador de novidade na interacção amorosa da Santíssima Trindade.

A bíblia diz que Deus é amor e que só podemos chegar ao conhecimento de Deus, amando (1 Jo 4, 7-8; 16).

Com o acontecimento da ressurreição de Cristo, a Humanidade foi assumida de modo orgânico pelo mesmo Cristo.

Isto significa que o Homem e Deus passaram a interagir de modo orgânico e intrínseco com o Espírito Santo.

Ele é o amor de Deus derramado nos nossos corações, diz São Paulo (Rm 5, 5). Graças ao jeito maternal de amar do Espírito Santo, nós somos incorporados por ele na Família de Deus.

São Paulo diz que nós somos filhos e herdeiros de Deus Pai, bem como irmãos e co-herdeiros com Jesus Cristo (Rm 8, 14-16).

A Primeira Carta de São João diz que Deus é amor e que só através do amor podemos conhecer a realidade de Deus (1 Jo 4, 8; 16).

O conhecimento de Deus, portanto, não é uma mera actividade mental de tipo teórico, mas um jeito de nos relacionarmos com as pessoas divinas mediante a oração e a comunhão com Deus e os irmãos.

Eis as palavras da Primeira Carta de São João: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus.

Quem não ama não pode conhecer a Deus, pois Deus é amor” (1 Jo 4, 7). Deste modo ficamos a saber que o conhecimento de Deus é sobretudo uma actividade do coração, e não um mero acto intelectual.

Do mesmo modo, o conhecimento profundo das pessoas não se consegue através de um acto intelectual, mas sim através de relações de amor e comunhão.

Deus é amor. O amor é gerador de uma novidade permanente. Isto quer dizer que a melhor maneira de sintonizarmos com o coração de Deus, é ter a mente e o coração aberto à novidade.

Eis o que Deus diz no Livro do Apocalipse: Eis que vou fazer novas todas as coisas (Apc 21, 5).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

27 Maio, 2009

O CORAÇÃO COMO FONTE DE VIDA ESPIRITUAL

Quando a bíblia fala do coração do homem, está a pensar numa realidade espiritual. O coração é uma realidade dinâmica que se vai moldando com as decisões e escolhas que a pessoa vai fazendo.

Na Carta aos Romanos, São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

E na Primeira Carta aos Coríntios, diz: “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Cor 3, 16).

Neste sentido, as três pessoas divinas também têm coração. Deus Pai tem um coração cheio de ternura por todos nós.

Deus Filho tem um coração cheio de ternura fraternal para connosco. Por seu lado, o Espírito Santo tem um coração cheio de ternura maternal.

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo está sempre disposto a criar laços de comunhão entre nós.
O coração das pessoas humanas pode ser bom ou mau., segundo as decisões e escolhas que faz face ao amor.

O orgulho e a inveja fazem o coração mau, diz o Livro do Êxodo. O coração do Faraó, como era orgulhoso, endurecia-se cada vez mais, apesar dos sinais e mensagens que Deus lhe enviava através de Moisés:

“O coração do Faraó endureceu-se e não fez caso de Moisés e Aarão, tal como Deus tinha predito” (Ex 7, 13).

A bondade de umas pessoas, às vezes, endurece ainda mais o coração das pessoas que optam pelo mal.

O coração é um ponto de encontro com a Palavra de Deus e com o Espírito Santo. Livro do Deuteronómio diz que os profetas, os apóstolos e os santos meditam os mistérios de Deus no seu coração.

Isto quer dizer que o coração humano se configura com os critérios de Deus à medida que acolhe a Palavra e se deixa conduzir pelo Espírito Santo.

Eis o que diz o Livro do Deuteronómio: “Reconhece hoje e medita no teu coração: Yahvé é o único Deus. Tanto no alto dos Céus como em baixo, na terra, não existe outro Deus” (Dt 4, 39).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matis

O CORAÇÃO COMO FONTE DE VIDA ESPIRITUAL

O CORAÇÃO COMO FONTE DE VIDA ESPIRITUAL


Como o nosso coração é o ponto de encontro com Deus, o Senhor conhece muito bem os corações dos homens, diz o profeta Jeremias:

“ Eu, Yahvé, penetro o coração dos homens, a fim de dar a cada qual segundo a sua forma de agir” (Jer 17, 10).

Se o Deus é amor, então o coração é a sede do conhecimento de Deus. Eis o que diz o profeta Jeremias: “Dar-lhes-ei um coração capaz de me conhecer, pois eu sou Deus” (Jer 24, 7).

O profeta Daniel anuncia que, quando vier o Messias, Deus vai retirar do peito das pessoas o coração de pedra, isto é, endurecido, substituindo-o por um coração fiel a Deus.

Eis as palavras de Daniel: “Dar-lhes-ei um coração íntegro e colocarei no íntimo deles um espírito novo.

Tirar-lhes-ei do peito o coração de pedra e dar-lhes-ei um coração de carne” (Ez 11, 19). Os projectos maus são elaborados no coração, diz o profeta Zacarias:

“Não oprimas a viúva e o órfão, o estrangeiro e o pobre. Que ninguém, no seu coração, trame o mal contra o seu irmão” (Zac 7, 10).

Jesus disse que as pessoas falam daquilo que lhes vai no coração (Mt 12, 34). As palavras podem ser vazias e falsas. A verdade da vida manifesta-se no que brota do coração:

“Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15, 8). As pessoas são boas quando têm um coração bom.

As pessoas más, pelo contrário, têm um coração mau: O que torna o homem puro ou impuro são as coisas que saem da boca vêm do coração.

São essas que tornam o homem puro ou impuro” (Mt 15, 18). Jesus diz que é do coração que brotam as iniquidades e projectos maus, tais como “Crimes, adultérios, imoralidade, roubos, falsos testemunhos, calúnias” (Mt 15, 19).

Jesus diz-nos para imitarmos o seu jeito de viver, pois Ele é manso e humilde de coração.
Procedendo assim encontraremos paz e descanso para as nossas vidas (Mt 11, 29).

A terra boa são as pessoas que, ouvindo a Palavra de Deus com coração bom e generoso, conservam-na, põem-na em prática, dando assim muito fruto (Lc 8, 15).

Deus conhece os corações dos seres humanos e por isso escolhe algumas pessoas para missões especiais, como dizem os Actos dos Apóstolos:

“Depois fizeram a seguinte oração: Senhor, tu que conheces o coração de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste” (Act 1, 24).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

23 Maio, 2009

CRIADOS PARA A LIBERDADE-I

I-O DEUS DA LIBERDADE

O Deus de Jesus Cristo é o Deus da liberdade! Em nome deste Deus, Jesus Cristo denunciou as pessoas e os sistemas que impediam os seres humanos de crescer e ser livres.

Ao ressuscitar, Jesus deixou-nos o Espírito Santo que continua a consagrar-nos para anunciar a paz e a liberdade.

De entre os Apóstolos, São Paulo foi o que melhor compreendeu o alcance da acção libertadora de Jesus.

Por isso ele escreveu: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes e não vos sujeiteis de novo ao jugo da escravidão.

Reparai, sou eu, Paulo, que vos digo: Se vos circuncidardes, Cristo de nada vos servirá” (Gal 5, 1-2).

A Palavra de Deus e o Espírito Santo são as duas asas que Deus nos dá para podermos voar em direcção em direcção à liberdade!

Na verdade, Jesus Cristo é o grito de liberdade mais perfeito que a História Humana já ouviu.

Como continuador da missão libertadora de Jesus, o Espírito Santo continua a consagrar homens e mulheres, a fim de continuarem a ser no mundo uma frente de fraternidade e libertação.

A liberdade é a capacidade de uma pessoa se relacionar amorosamente com as outras e de interagir de modo criador com as coisas.

O Espírito Santo ajuda-nos a discernir a força criadora que faz emergir o Homem Novo configurado com Cristo.

Também nos ajuda a não confundir liberdade com livre arbítrio, pois este é apenas a possibilidade de chegarmos a ser livres.

Com efeito, o livre arbítrio não é mais que a capacidade psíquica de optar, decidir e escolher.
Ninguém pode chegar a ser livre sem exercer o livre arbítrio.

Mas não basta exercer o livre arbítrio para a pessoa se tornar livre. O Espírito Santo está presente ao impulso primordial de qualquer dinâmica geradora de liberdade.

Os movimentos geradores de liberdade são as opções, escolhas, decisões e projectos que fazemos na linha do amor.

De facto, a liberdade é a capacidade de a pessoa se relacionar amorosamente com os outros e interagir de modo criativo com as coisas e os acontecimentos.

Isto quer dizer que o amor está na base de todo o processo libertador. O amor é uma dinâmica de bem-querer que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão.

O amor é, na verdade, o termómetro que indica o nível de liberdade de uma pessoa.

Por outras palavras, o amor é a dinâmica que gera liberdade, pois capacita tanto o que ama como o que é amado para amar mais e, portanto, ser mais livre.

A lei do amor é esta: Ninguém é capaz de amar sem antes ter sido amado e o mal amado ama mal.

O amor é o gerador da Vida Nova que é a vida do Homem configurado com Cristo.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias




CRIADOS PARA A LIBERDADE-II


II-A LIBERDADE NUNCA É UM MAL

Quando Deus pensou em criar a pessoa humana, estava a pensar numa obra-prima. Uma das características fundamentais da pessoa é o facto de ter a possibilidade de ser livre.

Como já vimos, é importante não confundir liberdade com livre arbítrio, pois o livre arbítrio, como vimos, é a capacidade psíquica de a pessoa optar.

De facto, o ser humano não nasce feito. Faz-se, fazendo. Realiza-se, realizando. Constrói-se, construindo.

Por outras palavras, Deus não criou o Homem feito, a fim deste poder ter parte na sua própria realização.

Este facto é condição essencial para que a pessoa chegar a ser livre. Na verdade, a pessoa humana não nasce livre, mas sim com a possibilidade de se tornar livre, graças ao livre arbítrio.

Mas não basta exercitar o livre arbítrio para que a pessoa se torne livre. É preciso optar no sentido do amor.

Isto quer dizer que a liberdade é uma conquista do Homem em construção. De facto, a liberdade é resultado de uma vida vivida como processo de libertação.

Podemos dizer que a liberdade é sempre um bem. Já não podemos afirmar do livre arbítrio, a capacidade psíquica de optar pelo bem ou pelo mal.

Deus é infinitamente livre, mas não possui livre arbítrio, pois não pode optar pelo mal. Na verdade, as pessoas divinas são infinitamente livres e não uma liberdade em construção.

Muitas vezes, ao tentar falar da liberdade, as pessoas estão simplesmente a falar do livre arbítrio.

À medida que cresce como pessoa, o ser humano emerge como ser livre, consciente, responsável, e capaz de amar.

No evangelho de São João, Jesus faz a seguinte afirmação: “O que comete o pecado é escravo” (Jo 8, 34).

À luz do Novo Testamento, o Espírito Santo é o grande protagonista do processo da libertação humana.

Embora não nos substitua, o Espírito Santo optimiza as nossas capacidades de agir segundo os apelos do amor.

Deste modo, ele se torna em nós e connosco, o grande protagonista da libertação humana.
Eis as palavras de Jesus no evangelho de São Lucas:

“O Espírito do Senhor está sobre mim porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres e a libertação aos cativos” (Lc 4, 18).

São Paulo diz que Cristo nos libertou para sermos realmente livres (Gal 5, 1).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

CRIADOS PARA A LIBERDADE-III

III-LIBERDADE E AMOR

As escolhas pessoais na linha do amor exprimem o grau da liberdade de uma pessoa. Por outras palavras, o grau de liberdade de uma pessoa não é evidente, mas revela-se pela qualidade das suas escolhas, opções e realizações na linha do amor.

Do mesmo modo, a capacidade de amar de uma pessoa não é evidente, mas revela-se na qualidade das suas relações com os outros.

Podemos ter a certeza de que quanto mais rica for a capacidade de amar de uma pessoa, mais livre essa pessoa será.

Isto quer dizer que, ao contrário do que muitas vezes se ouve, a nossa liberdade não é inimiga da liberdade dos outros, tal como a liberdade dos outros não é inimiga da nossa.

Pelo contrário, a nossa liberdade possibilita a liberdade dos outros e a dos outros possibilita a nossa, pois a liberdade é a capacidade de a pessoa se relacionar em amor e comunhão.

Quando se diz que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros as pessoas estão a falar do livre arbítrio.

Tratando-se da orientação egoísta do livre arbítrio, temos de dizer que a legitimidade nossas escolhas egoístas terminam no ponto onde começam os direitos dos outros.

Em comunhão convosco
Calmeiro Matias

20 Maio, 2009

O LUGAR CENTRAL DO AMOR NO UNIVERSO-I

I-O HOMEM E O MISTÉRIO DO AMOR

Assim como a vida natural não pode subsistir sem água, também a pessoa humana, privada de amor, não pode emergir no melhor das suas possibilidades de vida espiritual.

A experiência ensina-nos que a vida humana, privada de amor, acaba por definhar e morrer.

O amor não é nunca uma questão secundária, pois Deus é amor e Deus é o fundamento da realidade.

A afirmação da essência amorosa do ser de Deus é das mais importantes da Bíblia (cf. 1 Jo 4, 7-8; 4,16).

Dizer que Deus é amor, significa que a Divindade é relações de comunhão infinitamente perfeita.

A bíblia diz também que o Homem é imagem e semelhança de Deus. Isto que dizer que a tarefa histórica da humanização do Homem é uma tarefa de amor.

A pessoa humana nasce com um feixe original de possibilidades para se humanizar.Estas possibilidades ou talentos, como Jesus lhes chamou, possibilitam ao Homem uma diversidade enorme de opções, escolhas e compromissos de vida.

A dignidade da pessoa está na sua vocação a ser autora de si própria. A grandeza e dignidade da pessoa humana começa no facto de não nascer determinada.

A natureza não nos humaniza. A tarefa da humanização tem de ser realizada por nós. Ninguém nos pode substituir nesta tarefa.

Por outras palavras, ninguém nos pode realizar como pessoa humana. É verdade que a pessoa não se pode realizar sozinha, mas os outros não a podem realizar.

Nem o próprio Deus nos pode substituir nesta tarefa. Sabemos que deus está connosco, mas não está em nosso lugar.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O LUGAR CENTRAL DO AMOR NO UNIVERSO-II

I-O HOMEM E O MISTÉRIO DO AMOR

Assim como a vida natural não pode subsistir sem água, também a pessoa humana, privada de amor, não pode emergir no melhor das suas possibilidades de vida espiritual.

A experiência ensina-nos que a vida humana, privada de amor, acaba por definhar e morrer.

O amor não é nunca uma questão secundária, pois Deus é amor e Deus é o fundamento da realidade.

A afirmação da essência amorosa do ser de Deus é das mais importantes da Bíblia (cf. 1 Jo 4, 7-8; 4,16).

Dizer que Deus é amor, significa que a Divindade é relações de comunhão infinitamente perfeita.

A bíblia diz também que o Homem é imagem e semelhança de Deus. Isto que dizer que a tarefa histórica da humanização do Homem é uma tarefa de amor.

A pessoa humana nasce com um feixe original de possibilidades para se humanizar. Estas possibilidades ou talentos, como Jesus lhes chamou, possibilitam ao Homem uma diversidade enorme de opções, escolhas e compromissos de vida.

A dignidade da pessoa está na sua vocação a ser autora de si própria. A grandeza e dignidade da pessoa humana começa no facto de não nascer determinada.

A natureza não nos humaniza. A tarefa da humanização tem de ser realizada por nós. Ninguém nos pode substituir nesta tarefa. Por outras palavras, ninguém nos pode realizar como pessoa humana.

É verdade que a pessoa não se pode realizar sozinha, mas os outros não a podem realizar. Nem o próprio Deus nos pode substituir nesta tarefa. Sabemos que deus está connosco, mas não está em nosso lugar.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

16 Maio, 2009

O BEM, O MAL E A TAREFA DA HUMANIZAÇÃO-I

I-O HOMEM TRANSCENDE O ANIMAL

Aristóteles definiu o Homem como um animal racional. Mas nós temos de dizer que esta definição não é adequada.

Na verdade, não basta acrescentar um adjectivo ao termo animal para dizer a verdade do Homem.

Com efeito, a diferença que existe entre o Homem e o animal não é apenas de grau. É certo que o Homem surge na marcha da vida por via evolutiva, a partir do animal.

Mas o ser humano só se torna pessoa através de um salto qualitativo. A evolução chegou à hominização, isto é, à estrutura natural de Homem que é a condição para acontecer o salto qualitativo para a humanização.

A hominização assenta sobre uma complexidade viva que não tem igual no conjunto dos animais.

Mas a evolução não consegue realizar a humanização, cuja lei é: “Emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a comunhão humana universal”.

A humanização só pode acontecer em contexto de relações com a densidade do amor. A novidade biológica que possibilita a marcha da humanização é o cérebro humano, sobretudo o neo-córtex.

O animal está sujeito à ditadura dos instintos imutáveis próprios da sua espécie. O homem, pelo contrário, tem a possibilidade de equacionar as respostas aos estímulos mais básicos da vida, tais como a fome ou a sexualidade.

O ser humano, é capaz de estar cheio de fome, ter um manjar excelente diante de si, e entrar em greve de fome.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O BEM, O MAL E A TAREFA DA HUMANIZAÇÃO-II

II-A TAREFA DA HUMANIZAÇÃO

A pessoa é um ser faminto de sentidos. Sem sentidos para viver, a pessoa entra em crise e pode chegar ao suicídio.

A pessoa humana sabe que é um ser em construção e portanto tem necessidade de fazer projectos para se realizar e ser feliz.

O animal gosta de brincar, sobretudo enquanto é jovem. Mas não é capaz de celebrar a vida nem sonhar com um futuro diferente.

O animal nunca se faz perguntas. A pessoa humana, pelo contrário, sente uma fome enorme de criar sentidos para viver.

O ser humano tem consciência da própria morte e, apesar disso, não entra em greve perante a vida.

O animal não tem consciência da sua morte e, por isso, não se sente estimulado a criar sentidos para a vida.

A pessoa humana é capaz de chegar à conclusão de que o amor é a grande razão que vale para viver e também para morrer.

De facto, ninguém diz que uma pessoa que morreu para salvar a vida de outra se suicidou. Pelo contrário, nós entendemos que essa pessoa levou o amor até à sua densidade máxima.

O ser humano é capaz de se elevar acima da satisfação imediata das necessidades, tornando-se criador.

Como ser criador, a pessoa humana é capaz de fazer surgir o novo, dando origem às ciências, às técnicas, às artes ou aos gestos maravilhosos de amor.

Por não estar dominado pelo mundo dos instintos, o ser humano tem o livre arbítrio, capacidade psíquica que lhe permite optar pelo bem ou pelo mal.

O livre arbítrio não é ainda a liberdade, mas a possibilidade de ser livre. A liberdade é a capacidade de a pessoa se relacionar em dinâmica de amor com os outros e interagir de modo criador com as coisas e os acontecimentos.

O ser humano não ficou enredado no círculo das respostas instintivas aos diversos estímulos.

Por isso transcende o nível da simples satisfação das necessidades biológicas, dando o magnífico salto de qualidade, tornando-se um ser criador de cultura.

Mas os seres humanos também são capazes de potenciar enormemente as possibilidades de fazer acontecer a morte e a destruição.

Somos capazes de fazer guerras monstruosas e criar instrumentos diabólicos para matar.
Somos capazes de oprimir e explorar os outros para amontoar riquezas tantas vezes
desnecessárias.

Somos capazes de raptar e matar crianças, conceber instrumentos para torturar e destruir a natureza.

Mas também somos capazes de criar música, poesia e antecipar um ambiente com uma calda maravilhosa de gestos de ternura e amor.

Na verdade, o ser humano é tão capaz de pilhar e destruir pessoas inocentes, como idealizar e criar planos de solidariedade.

É um ser faminto de verdade. A verdade é a compreensão e enunciação adequada da realidade de Deus, do Homem, da História e do Universo.

É capaz de pôr em realização os grandes planos de Verdade aos quais o Espírito Santo nos quer conduzir:

“Quando ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa” (Jo 16, 13).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

13 Maio, 2009

O MERGULHO FINAL NO AMOR DE DEUS-I

I-O SÉTIMO DIA COMO DIA DO ENCONTRO

O Livro do Génesis diz que, depois de terminar a obra da criação, Deus repousou ao sétimo dia (Gn 2,2).

E nós podemos acrescentar que, ao terminar a Criação, esta encontra a sua plenitude na comunhão com Deus.

O repouso de Deus, no entanto, não deve ser entendido como inactividade. Pelo contrário, o amor é extremamente dinâmico e sempre criador.

A Primeira Carta de São João diz que Deus é Amor (1 Jo 4-7). Isto quer dizer que o amor é o dinamismo primordial que impele a génese criadora do Universo.

Com efeito, o amor é o dinamismo primordial que está presente à marcha do Universo desde o impulso primordial que activou a sua génese criadora.

De facto, se Deus é amor, então a criação do Universo é obra do amor.Uma vez que a Humanidade foi salva pela ressurreição de Jesus Cristo, todos nós fomos incorporados no repouso do sétimo dia.

Podemos dizer que a assunção e incorporação do Homem na comunhão da Santíssima Trindade é a participação definitiva no repouso do nosso Deus.

As três pessoas divinas, os biliões de pessoas humanas e todas as outras que possam existir neste Universo quase infinito, formam a Comunhão Universal do Reino de Deus.

Nesta comunhão cada pessoa é um ponto de encontro e uma possibilidade de comunhão amorosa para as outras.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O MERGULHO FINAL NO AMOR DE DEUS-II

II-AS COORDENADAS DA COMUNHÃO UNIVERSAL

Pelo facto de as pessoas estarem em coordenadas de universalidade, as suas aspirações têm realização imediata.

Por outras palavras, no Reino de Deus, as aspirações de encontro, diálogo e comunhão de uma pessoa tornam-se realizam-se na medida em que surgem.

Não devemos esquecer que, no Reino de Deus, a pessoa está assumida e incorporada na comunhão universal dos santos cujo coração é a comunhão da Santíssima Trindade.

Na plenitude da vida a pessoa está realmente presente a tudo e a todos. Não por se deslocar a velocidades superiores à da luz, mas porque os desejos do seu coração têm emergência e realização simultâneas.

Tudo isto acontece dentro da organicidade e dinamismo da comunhão universal. Uma pessoa que se tenha excluído da comunhão universal não se encontra nem encontra ninguém, pois está fora das coordenadas da comunhão universal.

Demos um exemplo: imaginemos a comunhão universal do Reino de Deus constituída por biliões e biliões de pessoas.

Uma pessoa que deseja encontrar-se em interacção dialogante e amorosa com outra pessoa não precisa de perder tempo à sua procura, no meio de uma multidão incontável.

Isto quer dizer, como vimos acima, que as aspirações de uma pessoa se realizam na medida em que emergem no seu coração.

Enquanto está em realização na História, o ser humano habita nas coordenadas do espaço e do tempo.

Deus, pelo contrário, transcende o espaço e o tempo. Por outras palavras, Deus está presente ao universo mediante uma relação de criação amorosa.

Não como um prolongamento necessário, mas como a realização de um projecto que brotou do diálogo amoroso das pessoas divinas.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O MERGULHO FINAL NO AMOR DE DEUS-III

III-A MORTE COMO PARTO FINAL

Por se concretizar em pessoas a Humanidade atinge a sua plenitude na comunhão com a Divindade.

Mediante a morte, o ser humano liberta-se das coordenadas biológicas, psíquicas, rácicas, linguísticas e espacio-temporais.

À luz da Fé, a morte surge realmente como o parto final através do qual a pessoa humana entra na comunhão universal do Reino de Deus.

A divinização, portanto, não acontece como coisa individual, mas como resultado da assunção pessoal na comunhão humana universal.

Esta incorporação na comunhão divina assenta sobre dois pilares fundamentais: A encarnação e a ressurreição do Filho de Deus.

Pela encarnação, o divino enxerta-se no humano em Jesus Cristo. Como resultado deste enxerto, os seres humanos ficam com a possibilidade de se tornarem membros da família divina (Jo 1, 12-14).

Pela ressurreição de Cristo, a Humanidade é divinizada pelo Espírito Santo: “No último dia, o mais solene da festa, Jesus, de pé, bradou: “Se alguém tem sede venha a mim.

Quem crê em mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura, hão-de correr do seu coração rios de Água viva”.

Jesus disse isto referindo-se ao Espírito Santo que iam receber os que acreditassem nele.
Com efeito, o Espírito Santo ainda não tinha vindo pelo facto de Jesus ainda não ter sido glorificado” (Jo 7, 37-39).

O Espírito actuava no mundo desde a criação do homem. Foi a comunicação primordial do Espírito Santo que fez do Homem um ser vivente, diz o livro do Génesis (Gn 2, 7).

Mas o Senhor ressuscitado comunica o Espírito Santo como força divinizante. Na verdade, é o Espírito Santo que alimenta a união orgânica que nos une a Cristo, como a cepa da videira está unida aos seus ramos (Jo 15, 1-7).

São Paulo diz esta mesma verdade mas com outro exemplo: nós somos os membros de um corpo cuja cabeça é Jesus Cristo (1 Cor 10, 17; 12, 27).

Eis o que a Primeira Carta aos Coríntios diz a este propósito: “De facto, fomos baptizados num só Espírito, a fim de formarmos um só corpo.

Tanto os escravos como os homens livres, todos bebem de um só Espírito” (1 Cor 12, 13). São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Como ternura maternal de Deus e princípio animador de relações, o Espírito Santo confere dinamismo amoroso à nossa relação familiar com Deus.

Graças a esta acção dinâmica do Espírito Santo, somos acolhidos por Deus Pai como filhos e por Deus Filho como irmãos, como diz a Carta Aos Romanos:

“De facto, todos os que são conduzidos pelo Espírito Santo são filho de Deus. Vós não recebestes um espírito que vos escravize.

Pelo contrário, recebestes o Espírito Santo que faz de vós filhos adoptivos. O próprio Espírito Santo dá testemunho no mais íntimo do nosso espírito de que somos realmente filhos de Deus.

Ora, se somos filhos de Deus, somos também herdeiros: herdeiros de Deus Pai e co-herdeiros com Cristo” (Rm 8, 14.17).

Só um amor infinito e incondicional era capaz de sonhar um projecto com tanta ternura e beleza em favor da Humanidade!

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Calmeiro Matias

09 Maio, 2009

A VIDA COM LETRA GRANDE-I

I-A ORIGINALIDADE HUMANA

Nascemos talhados para o encontro e a comunhão. Eis a razão pela qual a plenitude da pessoa não está em si, mas na comunhão com os outros.

O ser humano está a realizar-se em duas dimensões: a exterior ou eu individual e a interior que é o eu pessoal-espiritual.

A nossa interioridade espiritual emerge no íntimo do ser individual como o pintainho dentro do ovo.

Virá um dia em que a casca do ovo vai rebentar e o pintainho nasce para a comunhão universal.

A morte é este rebentamento da casca do ovo, condição para que o pintainho possa atingir a sua plenitude na Comunhão Universal do Reino de Deus.

Nesta comunhão cada pessoa é um ponto de encontro que nos ajuda a entrar em comunhão com a Humanidade e a Divindade.

É como uma “hiperligação” através do qual podemos conectar com Deus e o Homem. A maneira correcta de abrir esta “hiperligação” é abeirarmo-nos dele com respeito pela dignidade da
pessoa humana e venerando nele a sua condição de filho amado de Deus.

O drama está quando o “hiperligação” se enrosca sobre si mesmo. Neste caso, deixa de ser uma mediação para, através dele, encontrarmos Deus e o Homem.

Nascemos para renascer. Na verdade, o ser humano emerge como pessoa capaz de encontro e comunhão.

À medida que emerge, a pessoa converge para a comunhão universal do Reino de deus. A nossa interioridade pessoal emerge chamada à comunhão e com a densidade da vida eterna.

Na verdade, a plenitude humana não acontece nas pessoas isoladas, mas na comunhão orgânica da Humanidade.

Eis a razão pela qual só existe uma Humanidade, apesar de serem biliões as pessoas que a constituem.

Do mesmo modo, Deus é apenas um, apesar de ser uma comunhão de três pessoas. Reduzida a si e separada da dinâmica da comunhão, a pessoa está estado de perdição.

Isto quer dizer que apenas em contexto de relações as pessoas se possuem e encontram a sua plena identidade.

Reduzida a si e privada da comunhão, a pessoa fica em estado de inferno.

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Calmeiro Matias

A VIDA COM LETRA GRANDE-II

II-VENCENDO A LEI DA MORTE

Seremos tanto mais pessoas realizadas quanto mais os outros tiverem lugar no nosso coração.

Na verdade, a pessoa tem a capacidade de eleger os outros como irmãos, para lá dos laços da carne e do sangue.

O Espírito Santo é a ternura maternal que anima as relações familiares entre Deus e o Homem.

Foi esta a razão pela qual o Filho de Deus encarnou pelo Espírito Santo, a fim de sermos incorporados na Família Divina.

É verdade que as pessoas humanas não são iguais às divinas em densidade espiritual e capacidade de interacção amorosa, mas são-lhe proporcionais.

É Por esta razão que pode acontecer comunhão entre o melhor de Deus e o melhor do Homem.

A nossa identidade pessoal é histórica. Não nascemos feitos ou acabados. O nosso ser exterior mede-se por quilos, densidade das nossas emoções e afectos.

Por outras palavras, o homem exterior mede-se pelo ter. O interior, como é espiritual, mede-se pela capacidade de amar e comungar.

Na verdade, a pessoa não vale pelo que tem mas pelo que é. A nossa identidade definitiva é espiritual e eterna.

A nossa identidade exterior é genética (ADN) e acaba no cemitério. A nossa identidade interior é espiritual é espiritual e consiste no nosso jeito de amar.

De facto, dançaremos eternamente o ritmo do amor com o jeito que tenhamos adquirido na história.

Com efeito, nascemos para emergir como pessoas livres, conscientes, responsáveis e capazes de amar.

A plenitude da Humanidade acontece mediante a assunção na comunhão divina da Santíssima Trindade.

Apenas a nossa interioridade pessoal, por ser espiritual, pertence à esfera da transcendência.

Isto quer dizer que o sentido mais profundo da existência humana não é apenas prolongar a vida mortal, mas construir a vida imortal.

Dos pais recebemos a vida exterior, isto é, o nível biológico e psíquico do nosso ser. Por isso temos de renascer de novo pelo Espírito Santo, diz o evangelho de São João, a fim de tomarmos parte na plenitude de Deus (Jo 3, 3-6).

Na medida em que a nossa interioridade espiritual emerge, passamos a pertencer à galáxia da vida personificada, cujo coração é a comunhão familiar da Santíssima Trindade.

O nosso ser exterior acaba no silêncio da solidão cósmica, tal como as plantas ou animais após a morte.

O nosso ser interior, pelo contrário, está chamado à plenitude amorosa da Comunhão Universal.

No íntimo do núcleo pessoal e espiritual do ser humano habita o Espírito Santo como num Templo, diz São Paulo.

A Carta aos Romanos diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

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Calmeiro Matias

A VIDA COM LETRA GRANDE-III

III-CONSTRUIR A VIDA COM SENTIDO

O animal gosta de brincar, mas não é capaz de celebrar, nem tem sentidos para viver. A pessoa humana, pelo contrário, precisa de sentidos para viver e se construir.

Por estar a estruturar-se como ser histórico, a pessoa tem a capacidade de associar o passado com o presente e este com planos e sonhos de futuro.

Como ser em construção, a pessoa sente-se a caminho de uma meta que se confirma em cada realização que vai concretizando.

Por não ser uma pessoa em construção, o animal não tem esta consciência existencial, nem sente um apelo a actuar de acordo com uma série de valores.

Os valores são inscritos na consciência humana em forma de apelos ou convites a agir de modo a que a pessoa se edifique como ser consciente, livre, responsável e capaz de amar.

Como precisa de sentidos para viver, a pessoa põe-se constantemente interrogações e porquês, sobretudo nos momentos mais sérios da vida.

Quando uma pessoa perde os sentidos básicos da vida, deixa de ter razões para viver. O animal não se põe o sentido da vida como não tem consciência da sua morte.

A questão de Deus pôs-se de maneira irreversível à consciência humana. Na verdade, a consciência universal da Humanidade evoluiu no sentido de se colocar de modo irreversível a questão religiosa.

Isto significa que o Homem, no seu todo, intuiu que não estamos a edificar para a morte. À luz da fé cristã, Jesus Cristo trouxe a grande resposta a estas interrogações básicas do Homem.

A sua ressurreição demonstrou aos homens que a morte não é o ponto final da vida e que os seres humanos não estão a caminhar para o vazio da morte.

Isto quer dizer que os seres humanos, ao darem o salto de qualidade para a vida pessoal, atingindo as condições para serem assumidos na Família de Deus.

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Calmeiro Matias

06 Maio, 2009

O SEGREDO DOS DOIS BEIJOS DE DEUS-I

I-A INTERVENÇÃO DE DEUS NA CRIAÇÃO DO HOMEM

A bíblia diz que Deus criou o Homem à sua imagem e semelhança e que os criou como varão e mulher (Gn 1, 26-27).

O Livro do Génesis diz que a criação do Homem mereceu uma atenção especial de Deus. Esta atenção de Deus aconteceu como uma intervenção especial, a qual consistiu num beijo primordial:

“Então o Senhor Deus formou o Homem do pó da Terra e insuflou-lhe o sopro da vida. E o Homem transformou-se num ser vivo” (Gn 2, 7).

Esta atitude especial de Deus ao criar o Homem é expressa em hebraico pelo termo “Neshama”, o qual tanto pode significar sopro como beijo.

Ao beijar o barro primordial, o hálito da vida passou de Deus para o Homem. Este sopro ou beijo de Deus querem falar da comunicação do Espírito Santo.

Segundo o evangelho de são João, Jesus Cristo, ao ressuscitar inicia um Nova Criação repetindo o mesmo gesto primordial de Deus:

“Em seguida, soprou sobre ele e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 22). Podemos dizer que o primeiro beijo inaugura a marcha da humanização do Homem.

O segundo é o beijo da plenitude, o qual inicia o processo da divinização do mesmo Homem.
Estamos perante afirmações que nos dizem uma verdade fundamental: Deus faz história com o Homem.

O Espírito Santo é a pessoa divina que assume a missão de dinamizar a marcha histórica da humanização.

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Calmeiro Matias

O SEGREDO DOS DOIS BEIJOS DE DEUS-II

II-ESPÍRITO SANTO E HUMANIZAÇÃO DO HOMEM

O Espírito Santo é o hálito da vida que nos ajuda a humanizar, condição para atingirmos a divinização na comunhão com Deus.

Com seu jeito maternal de amar, ele ilumina, sugere e insinua atitudes capazes de facilitarem a humanização das pessoas.

Por outras palavras, o Espírito Santo é uma presença dinâmica no nosso interior, ajudando-nos a optar na linha do amor.

A bíblia diz que no momento da criação do Homem, Deus parou, dialogou e depois insuflou o Espírito da vida no barro amassado.

É esta a intervenção especial de Deus na criação do Homem. O processo evolutivo é o barro a amassar-se. Só depois de a vida biológica atingir a complexidade específica do Homem, o barro está capacitado para receber o Espírito de Deus.

Como sopro primordial a actuar na nossa criação, o Espírito Santo está connosco mas nunca em nosso lugar.

Com o aparecimento do Homem, Deus já tem alguém para comungar e fazer uma Aliança. São Paulo diz que o Espírito Santo é o Amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Isto quer dizer que a acção do Espírito Santo, em nós, é personalizante. O evangelho de São João diz que ele é o poder de nos tornarmos membros da Família Divina, não pela vontade da carne ou do Homem, mas por vontade de Deus (Jo 1, 12-13).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O SEGREDO DOS DOIS BEIJOS DE DEUS-III


III-A DIVINIZAÇÃO DO HOMEM

Além do beijo primordial que possibilita a humanização do homem, pelo acontecimento da Encarnação deu-nos também o beijo da plenitude.

Este segundo beijo não aconteceu em função da criação, mas sim em função da sua salvação ou divinização.

O primeiro beijo foi-nos dado por Deus Pai, a fim de nos criar. O segundo foi-nos dado por Deus Filho, a fim de nos incorporar na Família divina como filhos em relação a Deus Pai e como irmãos de Jesus Cristo.

Em qualquer destes beijos é-nos comunicado o Espírito Santo, mas de modo diferente: Pelo primeiro beijo, o Espírito Santo é-nos comunicado como presença pedagógica em função da nossa humanização.

Pelo segundo, o Espírito Santo actua como seiva que vem da cepa da videira e circula para os ramos, tornando-nos participantes da vida da videira (Jo 15, 1-8).

A comunicação divinizante do Espírito Santo, diz o evangelho de São João, é como uma Água viva que Cristo nos dá e faz jorrar um manancial de vida eterna no nosso íntimo (Jo 7, 37-39).

Somos habitados pelo amor de Deus desde o primeiro momento da nossa existência. É assim o mistério da pessoa, a qual é sempre habitada pelos outros, pois ninguém se pode construir sozinho.

Na verdade, a plenitude da pessoa não está em si, mas na reciprocidade das relações de amor e comunhão.

A Carta aos efésios diz que estamos talhados para formarmos uma família com Deus através de Jesus Cristo:

“Predestinou-nos para sermos adoptados como seus filhos por meio de Jesus Cristo, de acordo com o plano que, amorosamente, elaborou para nós (…).

Deste modo nos manifestou o mistério da sua vontade e o plano amoroso que tinha estabelecido, a fim de conduzir os tempos à sua plenitude e submeter todas as coisas a Cristo, tanto as do céu como as de terra.

Foi também em Cristo que fomos escolhidos como sua herança, predestinados de acordo com o desígnio que, livremente decidiu para nós” (Ef 1, 5-11).

Para conhecermos em profundidade o mistério do Homem precisamos de conhecer também os mistérios de Jesus Cristo e de Deus.

Por outras palavras, o conhecimento pleno do Homem não é apenas uma conquista da razão humana, mas também e sobretudo uma revelação.

São Paulo diz que o Pai ressuscitou-nos com Cristo, fazendo-nos sentar com Ele nos Céus (Col 2, 12).

Com a ressurreição de Cristo foi-nos comunicada a força ressuscitadora do Espírito Santo que é, na verdade o hálito do segundo beijo de Deus ao Homem, isto é a sua divinização.

O dinamismo humanizante do Espírito Santo continua a actuar na história, a fim de conduzir o Homem à sua plena humanização.

Do mesmo modo, com a ressurreição de Jesus Cristo, o dinamismo ressuscitador do Espírito Santo continua a actuar na História, até acontecer a divinização total da Humanidade.

A meta é, pois, a incorporação na comunhão da Família Divina, graças ao mistério da Encarnação e da ressurreição de Cristo.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

02 Maio, 2009

O LUGAR DO HOMEM NO PLANO DE DEUS-I

I-O HOMEM NO PLANO DE DEUS

Como um ser talhado para a comunhão com Deus, o Homem faz parte do melhor que a dinâmica criadora do Universo concretizou.

É verdade que as pessoas humanas não são divinas por natureza, mas devido amo mistério da Encarnação, já estão divinizadas por graça (Jo 1, 12-14).

Na verdade, mediante o mistério da Encarnação o divino enxertou-se no humano, a fim de este ser divinizado.

Ao incorporar-nos na Família de Deus, Jesus Cristo inaugurou a plenitude dos tempos, isto é, a fase dos acabamentos.

Graças ao mistério da Encarnação, os seres humanos, à medida que se humanizam vão sendo divinizados pelo Espírito Santo.

Graças à união orgânica que nos liga a Cristo e, por ele, à Santíssima Trindade, já vivemos a vida de Deus.

O Espírito Santo é o sangue da Nova Aliança que faz circular a vida de Deus no nosso íntimo.

Após a ressurreição de Cristo, a vida humana já está a ser optimizada de modo permanente pela acção do Espírito Santo.

São Paulo deu-se conta deste dinamismo da salvação a acontecer no nosso coração quando afirma:

“De facto, todos os que se deixam conduzir pelo Espírito Santo são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito que vos escravize e encha de temor.

Pelo contrário, recebestes um Espírito de adopção, graças ao qual já sois filhos de Deus. É por este Espírito que clamamos: “Abba, ó Pai”.

É este Espírito que no nosso íntimo nos garante de que realmente somos filhos de Deus e seus herdeiros.

De facto, somos filhos e herdeiros de Deus Pai, bem como co-herdeiros com o Filho de Deus (Rm 8, 14-16).

Nesta mesma Carta aos Romanos, São Paulo afirma que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Por outras palavras, é por Cristo que temos acesso à comunhão familiar da Santíssima Trindade, pois nele encontra-se unido de modo orgânico o melhor de Deus e o melhor do Homem.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O LUGAR DO HOMEM NO PLANO DE DEUS-II

II-UM SER TALHADO PARA SER DIVINO

Podemos dizer que a evolução animal foi o modo como Deus foi amassando o barro primordial do qual viria sair Adão.

Depois de o barro ter adquirido a complexidade adequada para o salto da hominização, Deus debruçou-se para lhe dar um beijo e o Hálito da Vida passou de Deus para o Homem.

Nesse momento começa a dinâmica histórica da humanização. Foi assim que o ser humano passou para a condição de pessoa em construção.

Deste modo, o barro do qual saiu Adão tornou-se barro com coração. O hálito da vida que iniciou o movimento histórico da humanização no coração do Homem é o Espírito Santo.

Uma vez no nosso coração, o Espírito Santo optimiza as relações humanas possibilitando que estas se convertam em relações de amor e comunhão.

Esta comunicação primordial do Espírito Santo é o impulso que põe em marcha o processo do Homem em construção.

Graças ao processo histórico da humanização, o nosso ser interior começa a emergir dentro do nosso ser exterior como o pintainho emerge dentro do ovo.

Haverá um dia em que a casca do ovo rebenta e a pessoa entra definitivamente na plenitude da Família de Deus.

O crescimento espiritual do ser humano acontece como densidade espiritual e capacidade de interagir de mo amoroso com os outros.

Como o grande arquitecto do projecto humano, o Espírito Santo é, no nosso interior, o modelador que nos vai configurando com Cristo, tornando-nos perfeita imagem de Deus.

Imaginando a História da Criação e da Salvação como se de um dia se tratasse, diríamos que, ao nascer da aurora, Deus amassou o barrou e comunicou-lhe a força personalizante do Espírito Santo.

Ao meio-dia, enxertou o divino no humano através do mistério da Encarnação. Neste momento, Cristo inaugurou a plenitude dos tempos, isto é, a fase da divinização do Homem, mediante a sua incorporação na Família de Deus (Gal 4, 4-7).

De facto, a fome de felicidade e plenitude que levamos connosco é o sinal de que a nossa meta é, realmente, a incorporação na Família de Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O LUGAR DO HOMEM NO PLANO DE DEUS-III

III-CRISTO E A PLENITUDE HUMANA

O acontecimento de Cristo ressuscitado é a garantia de que Deus não nos enganou. Pelo contrário, graças à presença do Espírito Santo no nosso íntimo, estamos a caminhar de modo seguro para a plenitude da Vida Eterna.

O apelo interior que nos convida a prosseguir a nossa realização pessoal tem sentido pleno, pois Deus criou-nos como seres em realização.

Isto quer dizer que não estamos a construir para o vazio da morte e a nossa meta não é a perda definitiva da nossa identidade espiritual.

Na verdade, Deus criou-nos para que nos criemos mediante decisões, opções e realizações com a densidade do amor.

A nossa identidade espiritual realiza-se na História, mas tem densidade eterna. Por outras palavras, o nosso jeito de amar e comungar não se perde, pois o nosso destino não é o vazio da morte, mas a Vida Eterna.

Utilizando a imagem da festa, podemos dizer que, no Reino de Deus, todos dançaremos o ritmo do amor.

Mas cada pessoa dançará com o jeito que tiver treinado enquanto se construiu na História. De facto, a pessoa humana está chamada a construir-se de modo único, original e irreversível.

Isto quer dizer que ninguém está a mais, pois não somos réplicas uns dos outros. É também por este motivo que Deus não nos criou acabados, a fim de sermos autores de nós a partir do que recebemos dos outros.

Cada pessoa está chamada a ser como quiser ir sendo através de uma cadeia de escolhas, opções e projectos de vida.

A humanização da pessoa é uma tarefa que ninguém pode realizar por ela. Mas também é verdade que a pessoa não se pode realizar sozinha, pois a humanização é uma tarefa de amor.

O Homem sonhado por Deus tem um rosto comunitário, como diz o livro do Génesis (Gn 1, 26-27).

A emergência da Vida Humana é um projecto histórico que tem como plenitude a divinização ou incorporação na Comunhão Familiar de Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

28 Abril, 2009

O LUGAR DA ESPERANÇA NA VIDA CRISTÃ-I

I-O FUNDAMENTO DA VIDA CRISTÃ

A vida cristã assenta sobre três pilares: a fé, a esperança e o amor ao jeito de Cristo, isto é, a Caridade.

A esperança tem um papel fundamental na vida cristã. A esperança confere-nos a certeza de conseguirmos algo de bom que será fundamental para a nossa realização e felicidade.

A Esperança antecipa, isto é, torna presente já agora, a certeza de que havemos de possuir os dons prometidos por Deus, os quais dão sentido e conferem horizontes de plenitude ao futuro.

É pela porta da esperança que nós podemos entrar e saborear antecipadamente o futuro que Deus preparou para nós.

É esta a razão pela qual os cristãos celebram já no presente o que serão na plenitude. O alimento da esperança é a Palavra de Deus.

É esta Palavra que nos faz compreender e saborear o que seremos na Comunhão da Família de Deus.

Por outras palavras, a Palavra de Deus revela-nos o que havemos de ser com Deus na festa da salvação.

Por seu lado, o Espírito Santo vai modelando o nosso coração de acordo com as realidades que vislumbramos pela esperança.

Podemos dizer que a Palavra de Deus nos revela o que seremos em Cristo e o Espírito Santo vai-nos configurando com aquilo que a Palavra nos revela.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O LUGAR DA ESPERANÇA NA VIDA CRISTÃ-II

II-A PALAVRA É O ALIMENTO DA ESPERANÇA

A esperança cristã está para a mente como os binóculos estão para os olhos: potenciam e optimizam as capacidades da mente.

Podemos dizer que a esperança nos ajuda a ver o nosso futuro com os olhos da Palavra de Deus e não apenas com os olhos da inteligência humana.

Isto quer dizer que à medida que aprofundamos a Palavra de Deus mais capazes somos de olhar as pessoas e as coisas com os critérios de Deus.

A Esperança dá-nos a certeza de que Deus sonhou um plano de amor onde nós temos um lugar muito especial.

Como Deus é fiel e verdadeiro, nós vamos ficando cada vez mais certos de que ele realizará aquilo que nos foi prometendo pela sua Palavra.

A esperança, portanto, ilumina e desperta no nosso coração o desejo da plenitude que Deus nos promete através da sua Palavra.

Os dons que Deus no promete não se referem apenas aos bens do corpo, mas também aos bens do espírito.

Isto quer dizer que os horizontes da nossa esperança ultrapassam os limites estreitos da vida que acaba no cemitério.

Por outras palavras, a esperança abre os olhos dos crentes para verem, não apenas os bens da Terra, mas também a Vida Eterna que viveremos como na Festa da Família de Deus.

São Paulo diz que tudo o que foi escrito nas Sagradas Escrituras foi escrito para alimentar a nossa esperança (Rm 15, 4).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O LUGAR DA ESPERANÇA NA VIDA CRISTÃ-III

III- A ESPERANÇA CRISTÃ GERA SEGURANÇA

A fé, a esperança e a caridade constituem os pilares da vida cristã. São chamadas as virtudes teologais por terem como fundamento a Palavra de Deus.

O cristão distingue-se dos outros seres humanos pela vida teologal. As virtudes teologais interagem entre si e crescem ao mesmo ritmo.

Por outras palavras, O que distingue um cristão dos não cristãos é o facto de o cristão, graças à Palavra de Deus fica capacitado para olhar a realidade e a vida com os critérios de Deus.

A esperança ajuda o cristão a ver os sofrimentos e a morte como acontecimentos têm sentido dentro do plano da salvação.

Tenho a certeza, diz São Paulo, que os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação com a alegria e a felicidade que teremos no futuro junto de Deus (Rm 8, 18).

Graças aos horizontes da esperança, os cristãos já celebram no tempo a plenitude da Vida Eterna.

A nossa esperança dá-nos a certeza de que a História da Humanidade faz parte de um plano de amor.

A Palavra de Deus garante-nos que o Homem não está a caminhar para o vazio da morte.
Deus tem um projecto de salvação para a Humanidade.

Eis as palavras do profeta Jeremias a este respeito: “Conheço muito bem os planos que fiz para vós, diz o Senhor.

Fiz planos para crescerdes e terdes sucesso, e não para fracassardes ou serdes destruídos. O meu plano é fazer que tenhais um futuro bom. Tende confiança em mim, diz o Senhor.

Quando eu vos der as coisas boas que penso dar-vos, vós chamareis por mim, far-me-eis a vossa oração e eu escutar-vos-ei” (Jer 29, 11-12).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O LUGAR DA ESPERANÇA NA VIDA CRISTÃ-IV

IV-A ESPERANÇA ILUMINA O CAMINHO DA VIDA

A esperança cristã confere aos crentes um sentido de vida que o capacita para ver os outros como membros da Família de Deus.

A esperança é uma certeza assente não na evidência, mas na fé de que a fidelidade de Deus não nos desilude.

Mesmo nos momentos de dificuldade, a esperança dá-nos a certeza de que não estamos sós, pois o nosso Deus é fiel e verdadeiro.

Quando tomamos Deus a sério e confiamos nele sentimo-nos mais tranquilos, pois sabemos que o Senhor faz maravilhas em nosso favor.

Eis o que o Espírito Santo disse a São Paulo, uma vez em que ele estava desanimado por causa da sua fragilidade:

“Basta-te a minha graça, pois o meu poder libertador é perfeito quando se trata de ajudar a fraqueza de alguém” (2 Cor 12, 9).

Durante a última Ceia, Jesus fortalece a confiança dos Apóstolos, pois eles estavam com medo de ficar sós após a partida de Jesus.

Eis as palavras de Jesus: “Agora estais abatidos, mas ver-vos-ei de novo e haveis de vos alegrar e já ninguém poderá tirar-vos a vossa alegria” (Jo 16, 22).

A Carta aos Colossenses dá-nos uma norma sábia para nos tornarmos fortes na esperança:
“Colocai a vossa mente nas coisas do alto e não apenas nas coisas nas terrenas” (Col 3, 2).

Quanto mais a nossa mente e o nosso coração se deixam possuir pela Palavra de Deus, mais o Espírito Santo nos transforma e torna semelhantes a Jesus.

A nossa esperança dá-nos a certeza de que estamos a caminhar para a Deus que é a fonte da plenitude humana.

Eis as palavras do Apocalipse a este propósito: “E vi descer do Céu de junto de Deus, a cidade santa, a Nova Jerusalém, já preparada, qual noiva adornada para p seu esposo.

Depois ouvi uma voz potente que vinha do trono e dizia: “Esta é a morada de Deus entre os homens. Ele habitará com eles e eles serão o seu povo.

Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele mesmo enxugará todas as lágrimas dos seus olhos.

Não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor porque as primeiras coisas passaram.
E o que estava sentado no trono afirmou: eis que eu renovo todas as coisas” (Apc 21, 2- 5).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

22 Abril, 2009

CRISTO COMO REI, PROFETA E SACERDOTE-I

I-O MESSIAS PROFETA NO ANTIGO TESTAMENTO

Com a morte Do rei Salomão, o reino de David dividiu-se em dois: Ao sul, o reino de Judá, ligado à casa de David. Ao norte o reino de Israel, constituído pelas dez tribos separatistas.

Reboão, o sucessor de Salomão, começou por sobrecarregar o povo com impostos muito altos.
Então o povo enviou emissários ter com o rei e pediram-lhe para baixar os impostos altíssimos com que Salomão tinha sobrecarregado o povo.

Eis como o livro dos reis descreve o conflito que levou à divisão do reino de David: “Todo o Israel (as dez tribos separatistas) ao ver que o rei não o quis atender, replicou: “Que temos nós a ver com a casa de David?

Que herança temos nós em comum com o filho de Jessé! Depois acrescentaram: Governa a tua casa David!” E Israel voltou para as suas tendas.

Mas o rei Reboão continuou a reinar sobre os filhos de Israel que pertenciam à tribo de Judá” (1 Rs 12, 16-17).

Deste modo, o rei do reino do Norte não era da casa de David e, portanto, não estava ligado à promessa messiânica.

Os escribas do reino do norte redigem um livro, assinando-o com o nome de Moisés, a fim de conferirem mais credibilidade às suas palavras.

O livro ficou conhecido com o nome de Deuteronómio, isto é, Nova Lei. No fundo é um resumo das normas e leis já existentes nos livros anteriores da chamada Lei de Moisés.

A esperança messiânica no livro do Deuteronómio não é associada à casa de David, pois os reis do norte não eram descendentes de David.

O futuro Messias, diz Moisés no Livro do Deuteronómio, será um profeta à maneira de Moisés.

Temos assim uma esperança messiânica associada à casa de David no reino de Judá e outra associada ao profetismo no Reino do Norte.

Com o desaparecimento da monarquia, a teologia sacerdotal começa a acentuar cada vez mais a vinda de um Messias da linhagem sacerdotal.

Alguns profetas começam a falar de dois Messias: um da casa de David e outro da linhagem sacerdotal (Zac 3, 8; 6, 11-12; Jer 33, 17-22).

Com a divulgação do livro do Deuteronómio, começa-se a falar de um Messias profeta, como Moisés diz no Livro do Deuteronómio:

Disse Moisés: “As gentes das terras que vos vou dar acreditam em agoireiros e adivinhos, mas a ti, o Senhor Deus não o permite.

O Senhor teu Deus suscitará no meio de vós, dentre os vossos irmãos, um profeta como eu. Deves escutá-lo.

No Monte Horeb dissestes: “Não queremos mais ouvir o Senhor no meio de relâmpagos e trovões, nem voltar a ver o fogo, a fim de não morrermos.”

O Senhor disse-me então: Está certo o que eles dizem. Suscitar-lhes-ei um profeta como tu, dentre os seus irmãos.

Porei as minhas palavras na sua boca e ele lhes dirá tudo o que eu lhe ordenar. Os que não derem crédito às palavras que este profeta vai pronunciar em meu nome, receberão o seu castigo” (Dt 18, 14-19).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

CRISTO COMO REI, PROFETA E SACERDOTE-II

II-JESUS ACEITA O TÍTULO DE PROFETA

A tradição cristã começou a interpretar a missão messiânica de Jesus Cristo como participando dos poderes reais, sacerdotais e proféticos.

Se quisermos ser fiéis ao pensamento bíblico teremos de dizer que é uma maneira de dizer que Jesus possui a plenitude das funções de medianeiro.

São Paulo diz que o Senhor ressuscitado é o único medianeiro entre Deus e o Homem (1 Tim 2, 5).

O Novo Testamento atribui várias vezes o título de profeta a Jesus Cristo. No evangelho de São Lucas, o próprio Jesus se designa como um profeta:

“Hoje, amanhã e depois devo seguir o meu caminho, pois não pode acontecer que um profeta morra fora de Jerusalém” (Lc 13, 33).

Jesus declara que nenhum profeta é honrado na sua terra. Os relatos que nos falam da acção de Jesus na sua terra relatam as dificuldades que ele ali encontrava devido à falta de fé das pessoas:

As pessoas da sua terra diziam: “Não é ele o filho do carpinteiro? Não se chama a sua mãe Maria e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?

E as suas irmãs não vivem todas entre nós? De onde lhe vem, pois, tudo isto? As pessoas estavam escandalizados por causa de Jesus.

Mas ele disse-lhes: “Um profeta só é desprezado na sua pátria e em sua casa. E não fez ali muitos milagres por causa da falta de fé daquela gente” (Mt 13, 55-58).

As palavras do evangelho de Marcos são praticamente as mesmas que as do evangelho de Mateus (cf. Mc 6, 4).

Os evangelhos de São João e São Lucas limitam-se a repetir as palavras de Jesus segundo as quais um profeta não é bem recebido na sua terra (Jo 4, 43; Lc 4, 24).

O facto de estas afirmações estarem nos quatro evangelhos significa que têm um grande peso histórico.

Jesus, nestas passagens dá-se a si mesmo o título de profeta. As multidões também o aclamam como profeta:

“A multidão dizia: “Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia” (Mt 21, 11). Os chefes dos judeus procuravam matar Jesus, diz o evangelho de São Mateus, mas tinha receio, pois a multidão considerava-o um profeta:

“Os sumo-sacerdotes e os fariseus, ao ouvirem as suas parábolas, compreenderam que eram eles os visados.

Embora procurassem um meio de prender Jesus tinham receio, pois o povo considerava Jesus um profeta” (Mt 21, 45-46).

Os discípulos de Emaús, após a morte do Senhor falam dele como de um grande profeta: “E um deles, chamado Cléofas, respondeu: “Tu és o único forasteiro a ignorar o que lá se passou nestes dias?”

Ele perguntou-lhes: “Que foi”. Responderam-lhe: “O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo” (Lc 24, 18-19).

A Samaritana falando com Jesus chama-lhe profeta. Jesus não rejeitou este título (Jo 4, 19).

Como vemos, os evangelhos não vêem dificuldade em chamar profeta a Jesus Cristo, apesar que saberem antecipadamente que ele é o Messias.

No evangelho de São João o povo interroga-se sobre se Jesus não será o Messias Profeta tal como foi anunciado por Moisés (Dt 18, 15; 18-19).

Depois da multiplicação dos pães, o povo diz que Jesus é realmente o profeta anunciado. “Aquela gente, ao ver o milagre que Jesus fizera dizia: “Este é realmente o profeta que devia vir ao mundo”.

Por isso Jesus, ao saber que o viriam buscar para o fazerem rei, retirou-se de novo, sozinho, para o monte” (Jo 6, 14-15).

Como podemos ver, passa-se facilmente do Messias profeta para o Messias rei sem que isso trouxesse qualquer problema.

Ao falar de Jesus como sacerdote, o Novo Testamento nunca associa o sacerdócio de Jesus ao sacerdócio cultual dos levitas:

“Mas Cristo veio como Sumo-sacerdote dos bens futuros, através de uma tenda maior e mais perfeita, a qual não foi feita por mãos humanas, isto é, não pertence ao mundo criado.

Entrou uma só vez no Santuário, não com o sangue de carneiros ou de vitelos, mas com o seu próprio sangue, obtendo assim uma redenção eterna” (Heb 9, 11-12).

São João diz que depois de Jesus prometer o Espírito Santo como fonte de Vida Eterna, alguns dos ouvintes diziam que Jesus era o profeta, outros diziam que ele era o Messias:

“Entre a multidão de pessoas que escutaram o ensinamento de Jesus dizia-se: “Ele é realmente o profeta”. Outros diziam: “É o Messias” (Jo 7, 40-41).

É interessante notar como São João acentua que as pessoas diziam que Jesus era o profeta e não um profeta.

Esta maneira de falar referia-se, naturalmente, ao Messias profeta anunciado no Deuteronómio.
Isto quer dizer de Jesus que ele é o profeta é o mesmo que dizer que ele é o Messias.

Segundo o evangelho de São Lucas, Jesus reconhece que o profeta Isaías ao falar do Messias estava a falar da sua pessoa:

“Jesus veio a Nazaré onde se tinha criado. Segundo o seu costume entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler.

Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres.
Enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, o recobrar da vista.

Enviou-me para mandar em liberdade os oprimidos e a proclamar um ano de graça da parte do Senhor”.

Depois enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.

Começou, então a dizer-lhes: “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4, 16-21).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

CRISTO COMO REI, PROFETA E SACERDOTE-III

III-JESUS COMO SACERDOTE

Após a morte e ressurreição de Jesus, os evangelhos vêem Jesus como o Servo sofredor que foi maltratado e humilhado.

O Servo é justo e, por isso, não merecia aquelas humilhações. Por ser solidário com os pecadores, o seu sofrimento e a sua morte violenta acabou por trazer vida para os pecadores.

Jesus não é um profeta, mas o profeta, diz o evangelho de João. Segundo o Novo Testamento, Jesus realiza a sua missão messiânica como rei, sacerdote e profeta.

A Primeira Carta de São Pedro diz que os crentes são as pedras vivas de um templo espiritual do Senhor sacerdócio Senhor.

Os cristãos, uma vez consagrados com o mesmo Espírito Santo que consagrou Jesus, ficam participantes desta tripla dimensão da consagração de Jesus.

A vocação dos crentes, diz a Primeira Carta de São Pedro, é oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio Jesus Cristo (1 Ped 2, 5)

Depois acrescenta que a comunidade é um povo escolhido, uma nação santa, um povo sacerdotal, cuja missão é proclamar as maravilhas daquele que nos chamou das trevas para a sua luz admirável (1 Ped 2, 9).

Jesus reconheceu a dimensão sacerdotal da sua missão: Ao escolher o pão e o vinho, Jesus estava a afirmar que ele era o portador das bênçãos prometidas por Deus a Abraão.

As bênçãos concedidas a Abraão, diz o Livro do Génesis, foram-lhe concedidas pela mediação do Sumo-Sacerdote Melquisedec que era rei e Sumo-Sacerdote (Gn 14, 18-20).

As bênçãos concedidas por Deus a Abraão destinavam-se a todas as famílias da terra, diz o Livro do Génesis (Gn 12, 3).

Jesus ligou a sua missão messiânica ao sacerdócio de Melquisedec. Era este o sacerdócio de David, como proclama o salmo cento e dez (cf. Sal 110, 4).

A Carta aos Hebreus diz que o sacerdócio cultual dos levitas não tem qualquer poder para realizar a salvação:

“Por isso, ao entrar no mundo, Cristo diz: “Não te agradaram os holocaustos nem os sacrifícios pelos pecados.

Então eu disse: “Eis que venho, como está escrito de mim no livro, para fazer, ó Deus, a tua vontade (…). Deste modo, Cristo suprime o primeiro culto para instaurar o segundo” (Heb 10, 5-9).

Na verdade, Jesus Cristo nunca teve qualquer pretensão a exercer funções sacerdotais no Templo.

No evangelho de São João ele diz à Samaritana que Deus quer um culto realizado em espírito e verdade e não os cultos do templo (Jo 4, 21-24).

O sacerdócio da Nova e Eterna Aliança é o portador das bênçãos prometidas a Abraão, diz a Carta aos Hebreus:

“Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou nos tempos antigos aos nossos pais, por meio dos profetas.

Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por meio do seu Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por mediação do qual fez o mundo.

O filho é o resplendor da glória do Pai, a imagem fiel do seu ser, o qual sustenta todas as coisas com a sua palavra poderosa.

Depois de ter realizado a purificação do pecado, sentou-se à direita da majestade de Deus nas alturas.

Ele é tanto mais superior aos anjos quanto superior ao deles é o nome que recebeu em herança.
Com efeito, a qual dos anjos Deus disse alguma vez:

“Tu és meu filho, hoje mesmo te gerei?” E ainda: “Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho?” (Heb 1, 1-5).

Entronizado à direita de Deus como rei e Sumo-sacerdote, Jesus é medianeiro de uma Aliança muito superior à Aliança que fez com Moisés:

“Considerai Jesus como Apóstolo e o sumo-sacerdote da Fé que professamos. Ele é fiel àquele que o constituiu sumo-sacerdote, tal como Moisés foi fiel à missão que Deus lhe concedeu.

Dizer que Jesus é rei, sacerdote e profeta significa proclamar que ele é o único mediador da Salvação, como diz a Primeira Carta a Timóteo:

“Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, Homem” (1 Tim 2, 5).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

19 Abril, 2009

A MORADA DE DEUS É DINÂMICA E PRÓXIMA-I

I-A PROXIMIDADE DE DEUS

A morada de Deus é um campo espiritual de interacções amorosas. Por ser comunidade familiar, Deus existe como dinâmica de relações amorosas.

Por ser eterno, Deus precede o espaço e o tempo. Por ser transcendente, está para lá de todas as coisas.

Por outras palavras, Deus torna-se presente a todas as coisas a partir de dentro. Como está para lado espaço e do tempo, o ser e o habitar, em Deus, coincidem.

Deus é um campo de interacções amorosas que nos atrai e convida a partir de dentro, pois é a interioridade máxima do Universo.

As pessoas humanas levam consigo uma fome enorme de amor que só pode ser plenamente saciada neste campo infinito de interacções amorosas que é Deus.

Como sabemos, a plenitude da pessoa humana não está em si, mas na interacção amorosa com os outros, culminando na interacção amorosa que é Deus.

Isto significa que a Humanidade também se está a edificar como um campo espiritual de relações amorosas interiormente atraído por Deus.

A pessoa humana é um ser a emergir como uma interioridade espiritual livre, consciente, responsável e capaz de interacções amorosas.

É por esta razão que as pessoas humanas estão talhadas para o encontro com Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A MORADA DE DEUS É DINÂMICA E PRÓXIMA-II


II-O DEUS QUE NOS ATRAI E CATIVA A PARTIR DE DENTRO

O Espírito Santo é o vínculo que nos atrai e convida a entrar nesse campo infinito e eterno de relações de amor.

Se nos abrirmos ao apelo amoroso que nos vem de Deus somos incorporados nele pela acção do Espírito Santo.

À medida que surgem seres com interioridade pessoal neste Universo imenso, estes sentem-se atraídos por esse apelo de amor que os toca por dentro.

Todo o Universo emergiu a partir deste campo original de interacções amorosas. O fundamento primordial do qual tudo emergiu por criação é a família da Santíssima Trindade.

Isto quer dizer que o fundamento do Universo é um campo espiritual de interacções amorosas, pois Deus é Amor e Família!

O amor é sempre fecundo, quer seja no sentido de gerar, quer no sentido de imprimir novos ritmos no tecido da criação.

O Deus do Antigo Testamento não é diferente do Deus do Novo. Diferente era a consciência teologal, isto é, a capacidade de saborear a verdade de Deus e do seu jeito de amar.

Quanto mais o Homem cresce na capacidade de amar, melhor compreende o mistério de Deus, pois Deus é Amor.

É precisamente este o ensinamento da Primeira Carta de São João quando afirma: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus.

Todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. Aquele que não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor.


Em Comunhão Convosco

Calmeiro Matias

16 Abril, 2009

FOME DE SER QUE SÓ OAMOR PREENCHE-I

I-NASCEMOS PARA RENASCER

Nascemos inacabados. Eis a razão pela qual levamos connosco uma fome imensa de plenitude.

São João diz que o nosso ser interior, por ser espiritual, não nasce dos impulsos da carne, mas da ternura do Espírito Santo (Jo 3, 3-6).

São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações. Nascemos para entrar na dinâmica da humanização cuja lei é:

“Emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a comunhão universal da Família de Deus.

A emergência pessoal acontece como fortalecimento espiritual e capacidade de interacção amorosa.

O Homem surgiu na História como fruto de uma marcha evolutiva. Utilizando a imagem bíblica do barro, diríamos que a evolução é o processo do barro a ser moldado, a fim de surgir Adão.

No interior deste barro emerge o interior espiritual da pessoa como o pintainho emerge dentro do ovo.

A plenitude da vida espiritual acontecerá no dia em que o ovo eclodir, a fim de o pintainho nascer para a Comunhão Universal.

Estamos a emergir, pois somos seres em construção. À medida que emergimos, vamos convergindo para a Família de Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

FOME DE SER QUE SÓ OAMOR PREENCHE-II

II-NASCEMOS TALHADOS PARA DEUS

Deus é amor, diz a Bíblia (1 Jo 4, 7). Isto significa que fomos criados pelo amor e para o amor.

São João diz que as pessoas que não amam não conhecem a Deus, pois Deus é amor (Jo 4, 16).

Na verdade, o nosso ser espiritual cresce e robustece-se em relações de amor. Renascer significa emergir como vida pessoal livre, consciente, responsável e capaz de amar.

É a este nível que o Homem é realmente imagem de Deus. Na verdade, a Divindade é pessoas e a Humanidade também.

A plenitude da pessoa não está em si, mas na comunhão. Apenas na reciprocidade amorosa a pessoa encontra a sua plena identidade.

Por outras palavras, fechada em si, a pessoa está em estado de malogro: não se encontra nem se possui plenamente.

Pelo facto de serem pessoas, os seres humanos são proporcionais a Deus. O divino pode interagir com o humano em comunhão humano-divina.

E foi por esta razão que Deus, comunhão familiar de três pessoas, decidiu incorporar-nos a própria Família Divina.

Isto quer dizer que o divino se enxertou no humano para que este seja divinizado.

Graças a Jesus Cristo, já fazemos uma união orgânica com a comunhão da Santíssima Trindade!

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

FOME DE SER QUE SÓ OAMOR PREENCHE-III

III-SOMOS SERES COM IDENTIDADE HISTÓRICA

Só podemos acontecer como pessoas na medida em que renascemos. Os seres humanos são o resultado de uma realização histórica.

Para se dizer, a pessoa tem de contar uma história, pois a sua identidade é histórica. Na verdade, a pessoa humana será eternamente segundo o modo como se realizou na história.

Na Festa do Reino de Deus, todos dançaremos o ritmo do amor, mas cada qual com o jeito que treinou enquanto esteve n a História.

A nossa identidade física é o nosso ADN. A nossa identidade espiritual é o jeito que temos de nos relacionar e amar.

Por outras palavras, o nosso ser espiritual mede-se pela nossa capacidade de amar e comungar.

Isto quer dizer que a pessoa humana não vale pelo que tem, mas sim pelo que é. A natureza humana realiza-se de modo único, original e irrepetível em cada pessoa.

Isto significa que ninguém está a mais na festa da Comunhão Universal!

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

10 Abril, 2009

ALEGORIA SOBRE O NASCIMENTO DA PÁSCOA-I

I-DEUS TOMA PARTIDO

Era uma noite escura, embora serena e calma. Deus tinha comunicado a Moisés que naquela noite iria acontecer o milagre da libertação do povo.

Os filhos de Abraão estavam a sofrer o tormento da escravidão no Egipto, havia perto de setenta anos.

Moisés, pediu ao Faraó para dispensar o povo dos trabalhos, a fim de realizarem um culto ao Senhor no deserto.

O povo estava saturado dos trabalhos duríssimos e dos tormentos infligidos pelos egípcios.

Moisés começou por falar aos hebreus, tentando levantar o seu ânimo abatido e despertar a força da fé, a única que é capaz de gerar verdadeiros heróis.

Esta noite, dizia Moisés, o Deus de Abraão vai chegar para nos libertar. Esta será a noite do castigo para os egípcios.

Lembrai-vos de que o Senhor jurou a Abraão que um dia viria libertar os seus filhos das mãos dos seus inimigos.

Deus tinha comunicado a Moisés que aquela era a noite da Páscoa, isto é, a noite da passagem do anjo que Deus ia enviar para libertar o povo.



ALEGORIA SOBRE O NASCIMENTO DA PÁSCOA-II

II-MOISÉS DÁ ÂNIMO AO POVO

Moisés olhava com dor para os hebreus esmagados pelo sofrimento da escravidão e disse-lhes:
Deus não suporta mais ouvir os vossos gemidos, pois vós sois os seus eleitos.

A próxima noite é o momento escolhido por Deus para intervir. Entrai nas vossas casas e preparai as coisas para partir.

Os egípcios nem suspeitam, acrescentou Moisés, o que está para acontecer. O Senhor vai realizar o seu julgamento. Ele vai julgar e condenar os nossos opressores, acrescentou Moisés.

Vós sois os filhos de Abraão e, portanto, sois o povo amado de Deus. Na verdade, como mais tarde diria o profeta Oseias, o povo hebreu é o filho primogénito de Deus.

Eis as suas palavras: “Quando Israel era ainda Menino, eu amei-o e chamei o meu filho do Egipto” (Os 11, 1).

Os egípcios têm esmagado os filhos de Abraão. Mas esta noite a peste vai entrar nas suas casas, matando os seus primogénitos.

A peste destruirá também os primogénitos dos seus animais domésticos. E é assim que Moisés, pouco a pouco, começa a preparar os hebreus para a grande intervenção libertadora de Deus.

Esta noite, dizia-lhes ele, o Senhor Deus vai passar pelas casas dos egípcios, a fim de os castigar pelo mal que nos têm feito.

Esta é a noite da Páscoa, pois é a noite da intervenção salvadora de Deus.Mas para os egípcios vai ser uma noite de dor e sofrimento para o povo do Faraó, o rei do Egipto.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

ALEGORIA SOBRE O NASCIMENTO DA PÁSCOA-III

III- PREPARANDO A MARCHA DA LIBERTAÇÃO

Moisés ordena que cada família prepare um cordeiro, a fim de o sacrificar a Deus ao cair da noite.
Em seguida, as famílias devem cozinhá-lo. O cordeiro pascal ficará para sempre o sinal da libertação.

Todos os anos, acrescenta Moisés, os filhos de Israel devem sacrificar o cordeiro pascal e cozinhá-lo, a fim de celebrarem a Ceia da Páscoa.

Esta noite deveis pintar a porta das vossas casas com o sangue do cordeiro, disse Moisés a fim de que o anjo da morte, quando vier castigar os egípcios, reconheça as vossas casas e passe em frente.

O castigo infligido pelo Senhor aos egípcios significa que Deus toma partido pelos oprimidos e maltratados.

A Noite de Páscoa significa também que Deus se mostrou fiel à Aliança que tinha feito com
Abraão.

É a Noite em que todas as famílias israelitas devem comer um cordeiro juntamente com ervas amargas e pão sem fermento.

As ervas amargas recordavam aos israelitas o sofrimento amargo dos setenta anos da escravidão no Egipto.

O pão ázimo, isto é, não fermentado, significava a urgência de partir: Não houve tempo para aguardar que o pão levedasse.

Moisés disse aos israelitas para comerem de pé, a fim de estarem preparados para partir em direcção à liberdade.

Para encorajar os hebreus a esforçarem-se pela caminhada para a liberdade, Moisés dizia-lhes que na terra para onde o Senhor os ia conduzir os frutos tinham sabor a mel e a requeijão.

Ao entardecer, o povo começou a preparar a refeição. Por volta da meia-noite, quando as famílias já tinham jantado, ouviu-se um grito cheio de angústia e desespero:

Era uma mãe egípcia que acabava de perder o seu filho primogénito. Logo de seguida, ouve-se outro grito e outro, e outro, e outro, e muitos outros.

Em cada casa, o anjo da morte deixava sem vida o primogénito, isto é, o filho mais velho daquela família.

Ao ver o sinal do sangue nas portas dos hebreus, o anjo da morte passava à frente. Algum tempo depois ouve-se uma forte trombeta. Logo a seguir outra e outra. Depois, começam a ouvir-se muitas flautas.

Eram os músicos hebreus a avisar que chegara a hora de partir. O Deus de Abraão está a chegar como libertador do seu povo.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

ALEGORIA SOBRE O NASCIMENTO DA PÁSCOA-IV


IV-A ORDEM DE PARTIDA

Com voz forte, Moisés gritou: Este é o momento de iniciar a grande viagem da libertação.
Temos de ser fortes, acrescentou, pois a liberdade é uma conquista.

Deus está connosco, mas não está em nosso lugar. O Senhor apenas fará aquilo que nós não formos capazes de fazer.

Temos de enfrentar provas muito difíceis como atravessar o Mar Vermelho, enfrentar o perigo dos muitos escorpiões e serpentes que abundam no deserto.

Depois acrescentou: temos de sofrer o tormento da sede, pois no deserto a água nunca abunda.

Temos de ser solidários. Devemos dar-nos as mãos nos momentos difíceis, a fim de sermos mais fortes.

Não nos esqueçamos de que a tarefa da libertação só é possível se as pessoas forem amigas, leais e fraternas.

Depois destas recomendações, Moisés deu o sinal da partida. A viagem foi difícil e longa. O povo hebreu demorou quarenta anos a chegar à terra que Deus lhes tinha prometido.

Por fim, os filhos de Abraão chegaram ao seu destino. Muitos séculos depois, Deus visitou de novo a terra prometida através do seu Filho, o qual veio como Messias, isto é, o Salvador Prometido.

Jesus Cristo em nome de Deus para realizar uma Páscoa mais perfeita. Na Nova Páscoa, Deus realiza para a Humanidade uma libertação total.

Ao morrer e ressuscitar, Jesus Cristo inaugura a Páscoa da Nova Aliança, a qual inicia a marcha da divinização do Homem.

Através de Cristo, Deus concedeu à Humanidade o grande dom do Espírito Santo que nos proporciona a Vida Eterna.

Graças ao dom do Espírito Santo, a Salvação ficou ao nosso alcance. São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

O povo de Deus, agora, passa a ser constituído por gentes de todas as raças, línguas, povos e nações da terra.

E foi assim que a Humanidade passou a fazer parte da Família de Deus. A Ceia Pascal, agora, deixou de ser o cordeiro imolado, para ser o próprio Jesus Cristo que se dá a todos nós como alimento da vida eterna.

Jesus inaugurou a Páscoa da Nova Aliança, dando-nos partilhando connosco a força ressuscitadora do Espírito Santo, fazendo de nós uma Nova Criação:

“Se alguém está em Cristo é uma Nova Criação. Passou o que era velho. Tudo isto vem de Deus que nos reconciliou consigo em Cristo, não levando mais em conta os pecados dos homens” (2 Cor 5, 17-19).
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

07 Abril, 2009

O MODO DE DEUS NOS ACOLHER COMO FAMÍLIA-I

I-DEUS PAI ACOLHE-NOS COMO FILHOS

O Espírito Santo é o coração do diálogo e da interacção entre as pessoas divinas.

É também pelo Espírito Santo que nós entramos na comunhão familiar de Deus (Rm 8, 14-17).

A salvação das pessoas humanas consiste em estas serem assumidas de modo orgânico na comunhão da Santíssima Trindade.

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo é quem nos introduz na interacção amorosa da Santíssima Trindade, onde somos acolhidos como filhos de Deus Pai e irmãos do Filho de Deus.

Isto quer dizer que a nossa oração, quando é feita no Espírito Santo, é uma verdadeira participação no diálogo da Santíssima Trindade.

Eis as palavras de São Paulo: “É assim também que o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, pois nós não sabemos o que havemos de pedir para orarmos de modo conveniente.
Mas o Espírito Santo intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8, 26).

Isto significa que a nossa comunicação com Deus, para ser adequada, deve acontecer no Espírito Santo.

Na verdade, é no Espírito Santo que Deus Pai comunica connosco e nos revela o seu jeito de ser Pai:

Pai justo e amoroso.

Pai misericordioso e paciente.

Pai amável e solícito.

Pai acolhedor e sempre disposto a perdoar.

Pai fiel, verdadeiro, justo e cheio de amor.

Pai responsável, protector, atento e amigo.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias


O MODO DE DEUS NOS ACOLHER COMO FAMÍLIA-II

II-O MODO DE O ESPÍRITO SANTO NOS ACOLHER

Como ternura maternal de Deus, o Espírito Santo é, no nosso íntimo, uma presença maternal compreensiva, pronta a servir, dedicada, generosa e gratuita.

Com seu jeito maternal de amar, está sempre atento e disposto a aperfeiçoar os elos de comunhão com Deus.

Faz-nos exultar como filhos agradecidos, tal como aconteceu com Jesus. Eis o que diz o evangelho de São Lucas: “Nesse mesmo instante, Jesus exultou de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse:

“Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, pois escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, mas revelaste-as aos simples e pequeninos. Sim, Pai, é este o teu agrado” (Lc 10, 21).

O Espírito Santo é o Consolador que nos dá ânimo e força para anunciarmos a Boa Nova da ressurreição.

Ele é o vínculo maternal que nos liga de modo orgânico a Cristo, fazendo de nós membros do corpo cuja cabeça é Cristo (1 Cor 10, 17; 12, 27).

É pelo Espírito Santo que nascemos de novo para a Família Divina (Jo 3, 3-6). Ele é a semente da vida divina em nós (1 Jo 3, 9).

É o grande dom do Pai do Céu (Lc 11, 13), Ele é o Consolador que nos inspira e dá força nos momentos de grande aflição (Mt 10, 20).

É Ele que nos capacita e dá força para testemunharmos Cristo ressuscitado (Act 4, 31). É o mestre que explica o sentido da Palavra de Deus no íntimo do nosso coração.

É ele que nos faz compreender o plano salvador de Deus (Ef 3, 3-5). Faz cair dos olhos da nossa mente as sombras que nos impedem de ver com clareza a verdade de Deus e do Homem.

Estas sombras são para a mente o que as cataratas são para os olhos, isto é, obstáculos que nos impedem de ver o essencial.

O Livro dos Actos dos Apóstolos, diz que estas sombras eram como que escamas que obscureciam o olhar de São Paulo.

É o Espírito Santo quem faz cair nos nossos olhos essas escamas, dando-nos a possibilidade de ver com clareza o plano de Deus (Act 9, 18).

Em Comunhão convosco
Calmeiro Matias

O MODO DE DEUS NOS ACOLHER COMO FAMÍLIA-III

III-O FILHO DE DEUS DECIDIU SER NOSSO IRMÃO

É Espírito Santo que o Filho de Deus comunica connosco e nos revela o seu jeito especial de ser nosso irmão:

Irmão generoso e solidário.

Irmão que age como autêntico companheiro fiel e sempre disposto a partilhar.

Nas dificuldades, nunca hesita em ser para nós apoio e ajuda solícita.

É um irmão leal e verdadeiro, sempre disposto a partilhar connosco o melhor de si.

Nunca faz alarde da ajuda que nos presta e das coisas boas que partilha connosco.

Esta comunhão familiar na qual fomos integrados pelo Filho de Deus é dinamizada pelo Espírito
Santo, o sangue de Deus a circular no nosso coração.

Como Comunhão Familiar, a Santíssima Trindade amou-nos ainda antes de nos criar.

Desde toda a eternidade, as pessoas divinas dialogaram sobre nós e sonharam um plano de amor para nós.

Pelo mistério da Encarnação, o Filho eterno de Deus uniu-se de modo orgânico à Humanidade.
Deste modo ficaram criadas as condições para sermos incorporados na Família de Deus.

Ao ressuscitar difundiu para nós o Espírito Santo, a fim de sermos incorporados como membros da Família de Deus.

Para comungar connosco, Deus sonhou-nos à sua imagem e semelhança. Ao Encarnar, o Filho de Deus realizou este sonho de Deus.

O evangelho de São João diz que o Filho de Deus, ao encarnar, nos deu o poder de nos tornarmos filhos de Deus.

Não por vontade do Homem ou pelos impulsos da carne, mas sim pela vontade de Deus (Jo 1, 12-14).

Como irmão amoroso, o Filho de Deus deu provas de ser um excelente conhecedor de Deus e do Homem.

Ao aperceber-se da inutilidade da multidão dos mandamentos e preceitos resolveu resumi-los a um só mandamento.

Eis as suas palavras: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.

Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15, 12-13). Ele mesmo procedeu como o irmão que leva o amor à sua perfeição máxima: dar ávida por nós.

São Paulo entendeu muito bem esta atitude de Jesus e por isso, na Carta aos Gálatas, ele diz que a Lei com a sua multidão de ritos e cultos não tem qualquer valor salvador:

“Nós acreditamos em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da Lei. Na verdade, ninguém é justificado pelas obras da Lei” (Gal 2, 16).

No evangelho de São Mateus, Jesus diz que ele não veio anular a Lei, mas cumpri-la plenamente.

Com estas palavras, ele quis dizer que a maneira de realizar de modo perfeito o que de válido haja na Lei é amar os irmãos (Mt 5, 17).

São Paulo deu provas de ter entendido perfeitamente Jesus Cristo quando escreveu estas palavras:

“Amar o próximo como a si mesmo resume e cumpre toda a Lei ” (Rm 13, 8).

E logo a seguir afirma que o amor é o pleno cumprimento da Lei (Rm 13, 10).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

04 Abril, 2009

OLHANDO O TEMPO COM A LUZ DA ETERNIDADE-I

I-É AGORA O TEMPO DE CONSTRUIR O HOMEM

Estamos dentro do tempo como estamos dentro do espaço. Quando olhamos o tempo à luz da eternidade, este ganha um sentido novo e uma nova importância.

Fecundado com a força amor, o tempo é um jardim no qual nasce e se desenvolve a vida espiritual cuja meta é a comunhão eterna com Deus.

Vista à luz da eternidade, a vocação fundamental da pessoa humana é a sua construção como pessoa mediante o amor.

Se o tempo nos é dado para construirmos a nossa realidade pessoal e eterna, então o tempo deve ser tomado a sério e aproveitado.

Vistas à luz da Vida Eterna, as manhãs surgem como um convite a não desperdiçar o novo dia, pois este está cheio de possibilidades.

Um novo dia á mais uma oportunidade para realizarmos no tempo o que seremos na eternidade.

Se olharmos o tempo com as lentes da eternidade, a vida torna-se vocação, isto é, chamamento a viver o amor de modo novo, a fim de construirmos a pessoa única, original e irrepetível que está a emergir no nosso íntimo.

Na verdade, cada novo dia é mais uma oportunidade para nos estruturarmos como pessoas chamadas a comungar com Deus por toda a eternidade.

Isto quer dizer que é hoje o tempo de que dispomos para edificar a pessoa que desejamos ser para sempre.

Por outras palavras, a nossa identidade espiritual coincide com o nosso jeito de amar. Podemos dizer que a pessoa humana “dançará” eternamente o ritmo do amor com o jeito que tiver treinado agora História.

Por outras palavras, é agora o tempo de moldarmos a nossa capacidade de comungar no Reino de Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

OLHANDO O TEMPO COM A LUZ DA ETERNIDADE-II

II-É AGORA O TEMPO DE APRENDER A COMUNGAR

Hoje é o dia em que podemos reorientar o nosso jeito de interagir com as pessoas divinas e as humanas, mudando o modo de ser e estar com os outros.

Este é o dia em que podemos burilar e aperfeiçoar o nosso modo de nos relacionarmos eternamente na festa da comunhão universal.

Na verdade, é agora o tempo de edificarmos a vida que ultrapassa a morte. Como vemos, o dia de hoje é importante, pois é um dom que Deus nos dá para edificarmos o que havemos de ser para sempre.
Somo os gestores do tempo que nos é dado para nos realizarmos como pessoas. É esta a razão pela qual Deus nos criou inacabados.

Visto à luz da eternidade, o tempo não é uma não é uma mera sucessão de instantes que se vão configurar em segundos, minutos, horas, dias, anos, séculos ou milénios.

À luz da Palavra de Deus, cada dia é para o Homem um “kairós”, isto é, a hora da salvação para os seres humanos.

É hoje o dia em que o Espírito Santo nos interpela e convida a completar em nós e na Criação a obra de Deus.

O maior perigo do dia de hoje é a decisão de dizer não ao amor, impedindo o Homem Novo de nascer.

Por outras palavras, compete-nos a nós dizer a última palavra sobre este dia.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

OLHANDO O TEMPO COM A LUZ DA ETERNIDADE-III

III-O TEMPO E O NASCIMENTO DO HOMEM NOVO

Hoje temos a possibilidade de dar um salto de qualidade, conferindo à nossa vida uma densidade nova, a fim de enriquecermos a nossa plenitude definitiva.

As pessoas que tomaram o tempo a sério optimizaram a sua realização pessoal e fizeram avançar o processo histórico da humanização.

É este o mistério do homem em construção cuja realização é um processo histórico. Deus criou-nos inacabados, a fim de completarmos a sua obra, realizando-nos de modo livre, consciente e responsável.

Surgimos na vida com um leque de talentos ou possibilidades que podemos fazer emergir ou não.
Hoje é o dia em que podemos concretizar as possibilidades de que dispomos para a nossa humanização.

A lei da humanização é: Emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a comunhão universal.

À medida que vamos construindo a pessoa que levamos connosco em processo de realização, o Espírito Santo configura-nos com Jesus.

E é assim que se vai edificando a Família de Deus, como diz São Paulo: Todos os que são movidos pelo Espírito Santo são filhos de Deus (Rm 8, 14).

Com seu jeito maternal, o Espírito Santo vai-nos introduzindo na Família de Deus e Jesus vai-se tornando o primogénito de muitos irmãos (Rm 8, 29).

O tempo é, pois, o canteiro onde as nossas possibilidades atingem o nível da realização e estruturação definitivas.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

01 Abril, 2009

O FINAL DA HISTÓRIA NO NOVO TESTAMENTO-I

I-OS DISCÍPULOS APÓS A RESSURREIÇÃO DE JESUS

Enquanto seguiam Jesus pelos caminhos da Palestina, os discípulos estavam convencidos de que ele era o Messias, o rei que em breve subiria ao trono.

O evangelho de São Marcos relata o esforço de Jesus no sentido de modificar esta visão distorcida dos discípulos, embora sem grandes resultados (Mc 10, 35-42).

O evangelho de São Mateus dá testemunho das dificuldades de Jesus neste aspecto (Mt 16, 23).
Esta tarefa será para o Espírito Santo realizar após a Páscoa (Act 3, 19-21; 2, 32-36).

Com as aparições de Jesus ressuscitado depois da Páscoa, a visão dos discípulos modifica-se profundamente:

Jesus é o Messias anunciado pelos profetas. Os judeus mataram-no, mas o Espírito de Deus ressuscitou-o e sentou-o no trono real à sua direita.

Os apóstolos começam a anunciar que Jesus foi entronizado no Céu, realizando assim a profecia de Daniel, na visão do Filho do Homem (Dan 7, 13-14).

Isto quer dizer que Jesus é o Filho do Homem, entronizado no Céu, o qual vai vir como rei poderoso para realizar a purificação do mundo.

Os pecadores serão mortos e só o pequeno resto dos justos fiéis escapará: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e na terra angústia entre os povos, aterrados com o bramido e a agitação do mar.

Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai acontecer ao Universo, pois as forças celestes serão abaladas.

Então hão-de ver o Filho do Homem vir numa nuvem com grande poder e glória” (Lc 21, 25-27).

Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O FINAL DA HISTÓRIA NO NOVO TESTAMENTO-II


II-A VINDA DE JESUS RESSUSCITADO

Os discípulos vão interpretar a Segunda vinda de Jesus Cristo como a realização do anunciado pelos profetas sobre o dia da ira.

São Paulo diz que os cristãos constituem o resto fiel que escapará à destruição que terá lugar no dia da ira:

“Jesus ressuscitou dos mortos e livrou-nos da ira futura” (1 Tes 1, 10). Naquele dia, o Resto Fiel vai ao encontro do Senhor nos ares, ficando para sempre com ele (1 Tes 4, 14-17).

O dia do Senhor virá como um ladrão, surpreendendo os desprevenidos (1 Tes 5, 2). Os fiéis aspiram pelo dia do Senhor, pois sabem que Deus não os reservou para a ira, mas para a salvação em Jesus Cristo ressuscitado (1 Tes 5, 9).

São Lucas depois de descrever os acontecimentos trágicos do dia da ira, convida os cristãos a alegrarem-se, pois esse é o dia da libertação para o resto fiel:

“Quando estas coisas começarem a acontecer, cobrai ânimo e alegrai-vos, pois a vossa redenção está próxima” (Lc 21, 28).

O Senhor vai vir em chamas de fogo fazer justiça e punir os que se opõem ao Evangelho de Cristo (2 Tes 2, 6-8).

Os crentes surgirão junto de Cristo revestidos de glória (Flp3, 1-4). Os judeus, ao rejeitarem o Evangelho, estão a aumentar o seu castigo no dia da ira (Rm 2, 5-6).

Nesse dia todas as nações serão punidas, escapando apenas o resto fiel (Mc 14, 62-64). Na verdade, esse será o Será o dia do juízo implacável de Deus (Mc 13, 15-20).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O FINAL DA HISTÓRIA NO NOVO TESTAMENTO-III

III-NA VERDADE O SENHOR VIRÁ

O Resto Fiel será reunido dos quatro cantos da Terra, a fim de formar o Reino Messiânico. A ira daquele dia não os atingirá (Mc 13, 26).

Os judeus que troçam do anúncio da Segunda vinda do Senhor formam parte dos ímpios reservados para o dia da ira (2 Pd 1, 16-17).

O Senhor não tarda em chegar. Os ímpios serão castigados pelo fogo, tal como aconteceu aos habitantes de Sodoma (2 Pd 2, 7-8).

Se o Senhor demora um pouco mais, isso deve-se ao facto de o tempo, para Deus, não contar do mesmo modo que para os homens.

Um dia diante de Deus é como mil anos diante dos homens (2 Pd 3, 8-10). Esta afirmação da Segunda carta de Pedro vai ser mal interpretada, dando origem tanto ao milenarismo do Apocalipse como à ideia de que o Senhor viria no ano mil.

Deus tem atrasado um pouco a Segunda vinda de Cristo, a fim de possibilitar que se salve o maior número possível (2 Pd 3,3).

Após a destruição final operada pelo fogo, Deus criará novos céus e uma nova terra onde habitará a justiça.

Por outras palavras, apenas os justos habitarão o Reino de Deus (2 Pd 3, 13).O Livro do Apocalipse consegue fazer uma síntese genial dos textos apocalípticos do Antigo e do Novo Testamento.

Com uma variedade enorme de textos, o apocalipse consegue estruturar um esquema ordenado, lógico e cheio de esperança para os crentes que, neste período, já estão a ser perseguidos e martirizados.

Uma vez entronizado no Céu, o Senhor ressuscitado vai regressar muito em breve para estabelecer o reino messiânico sobre a terra.

No dia da sua vinda, o Senhor Ressuscitado aparecerá sobre as nuvens do Céu. Todos os olhos o hão-de ver (Apc 1, 7).

Os cristãos perseguidos e atormentados têm de esperar só mais um pouco (Apc 1, 9). Os que cristãos que estão a sofrer nas prisões serão afligidos por poucos dias mais (Apc 2, 10-11).

Estes escaparão no dia da ira que se avizinha, o qual será de punição para todo o mundo (Apc 3, 10).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O FINAL DA HISTÓRIA NO NOVO TESTAMENTO-IV

IV-NESSE DIA O RESTO FIEL SERÁ SALVO

O Resto fiel é o conjunto dos justos do Antigo Testamento e pelos doze apostos. Os cento e quarenta e quatro mil são um múltiplo de doze.

Temos aí o resto bíblico, tanto do Antigo, como do Novo Testamento. Vem, depois, a multidão incontável de todas as raças, línguas, culturas e nações, significando os cristãos vindos do paganismo (Apc 7, 3-10).

Os não assinalados serão aniquilados (Apc 8, 4-5). Cristo receberá o império e o poder, reinando para sempre (Apc 11,15).

Paulo pensava que o Reino de Cristo, na Terra, duraria apenas o tempo suficiente para Cristo dominar os seus inimigos, sobretudo os poderes maléficos que vagueiam pelos ares.

Depois disto, Jesus entregará o Reino ao Pai, afim de Deus ser tudo em todos (1 Cor 15, 24-28).
O autor do Apocalipse diz que o Reino Messiânico, sobre a terra, durará mil anos.

Os habitantes do Reino reinarão com Cristo durante mil anos vivendo em pleno “Shalom”, isto é, felicidade e bem-estar (Apc 20,4).

O Demónio será aprisionado e os ímpios, entretanto, permanecerão no reino dos mortos (Apc 20, 1-2).

Após os mil anos, os ímpios ressuscitam e o Demónio é solto. Felizes dos que participaram na primeira ressurreição (Apc 20, 5).

Os que apenas vão ressuscitar após os mil anos do participam da segunda ressurreição após os mil anos serão punidos eternamente com o fogo.

Mas primeiro vai acontecer a batalha do Armagedon, a luta decisiva entre o bem e o mal. O Demónio e os seus adeptos serão vencidos nessa batalha final e serão lançados no lago do fogo e do enxofre.

Depois serão lançados no lago do fogo e do enxofre (Apc 20, 8-10). Os nomes dos justos, pelo contrário, estão todos registados no livro da vida.

Após a vitória final do Bem, Deus cria um novo Céu e uma nova Terra (Apc 21, 1). A morada de Deus, a Jerusalém celeste, desce do Céu e vem juntar-se à Jerusalém terrestre.

Deste modo, Deus vem habitar no meio dos eleitos, limpando-lhes as lágrimas dos olhos. A partir deste momento já não haverá mais pranto, nem morte, nem gritos, nem dor, pois Deus renova todas as coisas (Apc 21, 2-5).

Jesus veio como salvador. Veio para dar vida, não para destruir a vida: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10).

Devido ao pecado, a Humanidade estava no caminho da perdição, mas Jesus veio para a salvar:
“O Filho do Homem veio salvar o que estava perdido” (Mt 18, 11).

Isto quer dizer que o juízo final, portanto, é um juízo de salvação e não de condenação.

Em Comunhão convosco
Calmeiro Matias

29 Março, 2009

MARIA COMO MEDIAÇÃO DO AMOR DE DEUS-I

I-MARIA E A COMUNIDADE DE JERUSALÉM

A ultima passagem do Novo Testamento que nos fala de Maria é o relato da comunidade apostólica logo após o Pentecostes.

Depois de referir o nome dos onze discípulos, Lucas acrescenta: “E todos unidos pelos mesmos sentimentos, entregavam-se assiduamente à oração, com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e seus irmãos” (Act 1, 14).

Após a Páscoa Maria e os discípulos de Jesus formavam o resto fiel reunido em nome de Jesus ressuscitado, o Messias de Deus.

Segundo os Actos, o resto fiel era constituído pelos onze discípulos, pela mãe de Jesus e seus irmãos e por um grupo de cerca de cento e vinte pessoas (Act 1, 15).

Ao fazer a síntese das aparições do Senhor ressuscitado, São Paulo declara estar a repetir exactamente o que os Apóstolos lhe comunicaram, pois ele, nessa altura, ainda não fazia parte do grupo dos cristãos.

Depois de mencionar a aparição do Senhor a Pedro, aos doze, a mais de quinhentos irmãos, Paulo fala de uma aparição a Tiago.

É evidente que não se trata de Tiago irmão de João, pois este estava incluído no grupo dos doze, mas de Tiago, o irmão de Jesus que, na altura em que Paulo escreveu o texto era o chefe da comunidade de Jerusalém.

Na Carta aos Gálatas, Paulo menciona Tiago, o irmão do Senhor e diz que este foi o único Apóstolo que viu quando se encontrou com Pedro em Jerusalém:

“Passados três anos subi a Jerusalém para conhecer Pedro e fiquei com ele durante quinze dias.
Mas não vi nenhum outro Apóstolo a não ser Tiago, o irmão do Senhor.

O que vos escrevo, digo-o diante do Senhor, pois não estou a mentir” (Gal 1, 19). Segundo o relato das aparições de Jesus ressuscitado, Tiago é mencionado entre os que tiveram uma aparição própria.

É evidente que na lista dos nomes das pessoas beneficiadas com uma aparição do Senhor não há nenhum nome de mulher.

Isto revela como este texto é antigo. Ainda estamos em pleno contexto judaico, onde a mulher não podia servir de testemunha.

Se na lista das pessoas beneficiadas com as aparições do Senhor ressuscitado houvesse nomes de mulheres, em vez de Tiago teríamos naturalmente o nome de Maria.

Agora já podemos ler o relato das aparições, tal como os Apóstolos o transmitiram a Paulo.
Eis as palavras do Apóstolo na Primeira Carta aos Coríntios:

“Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu próprio recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras.

Foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as mesmas Escrituras. Apareceu a Pedro e depois aos Doze.

Em seguida pareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez, a maior parte dos quais ainda vive, enquanto alguns já morreram. Depois apareceu a Tiago” (1 Cor 15, 3-7).

Este texto dá-nos a garantia de que Maria e o seu núcleo familiar mais íntimo foram beneficiados com uma aparição do Senhor ressuscitado.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

MARIA COMO MEDIAÇÃO DO AMOR DE DEUS-II

II-MARIA E O RESTO FIEL

O evangelho de São João diz de maneira muito sugestiva que Maria, após a hora de Jesus, passa a fazer parte do resto fiel continuando a sua missão maternal de mediação privilegiada do resto fiel com o qual o Espírito Santo ia fundar a Igreja:

“Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria, a mulher de Cléofas e Maria Madalena.

Então, Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que ele amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis o teu filho!”

Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe!” E desde aquela hora, o discípulo acolheu-a em sua casa” (Jo 19, 25-27).

Seria errado pensar que Jesus entregou Maria a João, a fim de esta não ficar só e abandonada.

Os Actos dos Apóstolo testemunham que Maria, após a Páscoa, se fazia acompanhar dos irmãos de Jesus (Act 1, 14).

O texto de João, utilizando um simbolismo muito bonito, diz que Maria, após a Páscoa, continua a sua missão maternal de ajuda para do resto fiel.

Isto quer dizer que o Espírito Santo escolheu Maria para ajudar a comunidade apostólica de Jerusalém, esse embrião do qual ia nascer o novo povo de Deus.

Como sabemos, a dinâmica do amor maternal é básica para o desenvolvimento de qualquer embrião.

Referindo-se aos tempos messiânicos, o profeta Ezequiel fala de uma intervenção decisiva de Deus, a fim de purificar a terra.

Deus vai destruir os pecadores, a fim de acabar com o pecado. Por seu lado, os justos vão ser poupados, a fim de formarem o resto fiel com o qual o Senhor vai edificar o novo povo de Deus (Ez 14, 22).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

MARIA COMO MEDIAÇÃO DO AMOR DE DEUS-III

III-MARIA E O MESSIAS REI

Deus vai conceder um coração e um espírito novos, diz o profeta Ezequiel, a todos os que permanecerem fiéis.

Estes serão libertos da escravidão e reconduzidos para Jerusalém onde encontrarão a felicidade, a paz e a prosperidade (Ez 11, 17-19).

Os poderosos vão ser humilhados. Os simples e pobres vão ser exaltados. No dia do Messias as coisas vão mudar, pois o humilde será exaltado e o que está no alto será humilhado (Ez 21, 30-31).

Estas afirmações estão bem representadas no Magnificat, o cântico que Lucas põe na boca de Maria, a fim de indicar a grandeza da missão de Maria.

Segundo o profeta Ezequiel o dia punição, atingirá a terra inteira, punindo todos os povos (Ez 30, 3s).

À frente do pequeno resto o Senhor vai colocar um pastor que sairá da casa de David. Então Yahvé será o único Deus e o descendente de David o único pastor. Israel viverá numa paz sem limites (Ez 34, 11-25).

Foi nesta perspectiva que São Lucas viu a missão de Jesus de Nazaré. Eis a palavras que ele põe na boca do anjo da anunciação quando este comunicou a Maria o plano de Deus:

“Disse-lhe o anjo: “Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Vais conceber no teu seio e dar à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus.

Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David.

Ele reinará eternamente sobre a casa do Jacob e o seu reinado não terá fim” (Lc 1, 30-33).

Apesar de Lucas pôr na boca do anjo esta mensagem para Maria, podemos dizer que Maria nunca se considerou a rainha-mãe.

Por outras palavras, a esperança messiânica de Maria não era de tipo davídico como era a esperança dos apóstolos (cf. Mc 10, 35-42; Mt 16, 23).

Como Jesus morreu sem subir ao trono de David, os discípulos, logo que tiveram as aparições o Senhor ressuscitado, começaram a anunciar que Jesus é o rei messiânico anunciado pelos
profetas.

Deus ressuscitou-o e sentou-o à sua direita, isto é, entronizou-o. Agora só é preciso aguardar a sua vinda como rei.
O dia do Senhor vai chegar e Deus vai realizar o castigo previsto para os pecadores. Do mesmo modo os justos serão premiados.

Esse dia vai chegar de surpresa. Daqui a necessidade de estarmos preparados. Eis o que são Paulo diz a este propósito:

“Vós sabeis perfeitamente que o dia o Senhor virá como um ladrão que vem pela calada da noite (…).

Mas vós não andais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão” (1 Ts 5, 2-4).

O evangelho de Mateus faz um bom resumo da visão que os discípulos tinham sobre o resto fiel e o dia da Ira de Deus.

Maria ocupa um lugar de destaque no conjunto deste pequeno resto. Ela é a mãe do resto do qual vai emergir o Novo Povo de Deus (Jo 19, 25-27).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

MARIA COMO MEDIAÇÃO DO AMOR DE DEUS-IV

IV- MARIA COMO MEDIAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

As referências a Maria nos evangelhos de São Mateus, São Marcos e São Lucas deixam bem claro que a realidade de Cristo como Messias é obra do Espírito Santo e não de Maria:

“Enquanto ele falava, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse: “Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!”

Ele, porém, retorquiu: “Felizes antes os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11, 27-28).

Jesus tinha consciência de vir a construir a Família de Deus, a qual não assenta nos laços do sangue, mas sim nos laços do Espírito Santo.

Foi esta a razão pela qual Jesus rejeita certas afirmações que parecem opor-se a esta verdade fundamental da realidade messiânica.

“Estava ele ainda a falar à multidão, quando apareceram sua mãe e seus irmãos que, do lado de fora, procuravam falar-lhe:

Disse-lhe alguém: “A tua mãe e os teus irmãos estão lá fora e querem falar-te”. Jesus respondeu ao que lhe deu esta informação: “Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?”

E indicando com a mão os discípulos, acrescentou: “Aí estão minha mãe e meus irmãos, pois todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está no Céu, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12, 46-50).

Lucas e Marcos substituem a expressão “fazer a vontade do Pai” por “Escutar a Palavra e pô-la em prática” (Lc 8, 20; cf. Mc 3, 31-35).

Em Nazaré Jesus sentiu que a sua missão estava a ser bloqueada devido à falta de fé de seus conterrâneos:

Eles sabiam quem era Jesus e conheciam muito bem as suas origens: “Chegado o sábado, Jesus começou a ensinar na sinagoga.

Os numerosos ouvintes enchiam-se de espanto e diziam: “De onde lhe vem tudo isto e que sabedoria é esta?

Como é possível realizar tais milagres? Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão?

E as suas irmãs não estão aqui entre nós?” E isto chocava-os” (Mc 6, 2-4). No relato da visita a Santa Isabel, Lucas apresenta Maria como mediação da comunicação do Espírito Santo a João Baptista.

O relato tem um forte significado simbólico. Em primeiro lugar afirma que não foi João que comunicou o Espírito Santo a Jesus, mas foi Jesus que comunicou o Espírito Santo a João.

Depois aparece Maria como a grande mediação do Espírito, pois é Maria que leva Cristo, o portador do Espírito Santo, até João Baptista:

“Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para as montanhas, a uma cidade da Judeia.

Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.

Então, erguendo a voz, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.

E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? De facto, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio” (Lc 1, 39-44).

É um texto bonito para fazer a ligação entre João Baptista e Jesus. Naturalmente que se trata de um “midrash”, isto é, um texto elaborado em forma de relato histórico mas que tem apenas um intenção teológica.

Maria aparece neste relato como uma mulher de Fé. Eis as palavras de Isabel para a Mãe do Messias: “Feliz de ti que acreditaste” (Lc 1, 45).

Tal como Abraão, também Maria acreditou. Graças à sua fé, Abraão tornou-se o medianeiro das bênçãos da salvação para a Humanidade:

“Disse o Senhor a Abraão: “Farei de ti um grande povo. Abençoar-te-ei, engrandecerei o teu nome e serás uma fonte de bênçãos.

Abençoarei aqueles que te abençoarem e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem. E na tua descendência todas as famílias da terra serão abençoadas” (Gn 12, 2-3).

Graças à sua fé, Maria recebeu amissão de ser a mãe do Messias, aquele que tinha a missão de trazer para a Humanidade as bênçãos prometidas a Abraão.

As bênçãos prometidas a Abraão chegam à Humanidade mediante o dom do Espírito Santo que faz dos seres humanos membros da Família de Deus:

“Todos os que se deixam guiar pelo Espírito Santo são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão, mas um Espírito de adopção, graças ao qual clamais: “Abba, Papá!” (Rm 8, 14-15).

Em comunhão convosco
Calmeiro Matias

25 Março, 2009

O DEUS QUE FAZ COMUNHÃO CONNOSCO-I

I-O DEUS QUE SE REVELA COMO EMANUEL

O nosso Deus não é um sujeito infinito omnipotente e sozinho. O Deus de Jesus Cristo é uma comunidade familiar de três pessoas.

O Espírito Santo ocupa um lugar central nesta comunhão familiar. Com seu jeito maternal de amar o Espírito Santo é animador das relações de amor entre o Pai e o Filho, inspirando gestos novos de reciprocidade amorosa.

É também o Espírito Santo que nos introduz na comunidade familiar divina, como diz São Paulo:

“Todos os que são movidos pelo Espírito Santo São filhos de Deus Pai e irmãos do Filho de Deus (Rm 8, 14).

O Espírito Santo vai-nos fazendo experimentar o jeito de Deus Pai ser para nós um Pai atento, fiel, verdadeiro, protector e amigo.

É também o Espírito Santo que nos ajuda a saborear que o Filho Eterno de Deus, ao encarnar, se tornou o primogénito de muitos irmãos (Rm 8,29).

São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Na Primeira Carta aos Coríntios ele diz que o Espírito Santo habita nos nossos corações como num templo (1 Cor 3, 16).

A presença do Espírito Santo em nós é dedicada, inspiradora, compreensiva, atenta e gratuita.
Com o seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo optimiza a nossa capacidade de comungar com Deus e irmãos.

É ele que nos faz exultar de alegria sempre que verificamos os efeitos transformadores da Palavra de Deus em nós e nas pessoas a quem essa Palavra é anunciada.

Eis as Palavras São Lucas: “Naquele mesmo instante, Jesus exultou de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse:

“Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra. Tu escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes, mas revelaste-as aos simples e pequeninos. Sim, Pai, foi este o teu agrado” (Lc 10, 21).

É o Consolador que nos inspira e assiste nos momentos de dificuldade e nas perseguições (Mt 10, 20).

Ele é o mestre que torna claro o sentido da Palavra de Deus no íntimo do nosso coração e o plano salvador de Deus (Ef 3, 3-5).

É o Espírito Santo que faz cair dos nossos olhos essa espécie de escamas que obscurecem a mente e não nos deixam ver em profundidade o amor de Deus Act 9, 18).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O DEUS QUE FAZ COMUNHÃO CONNOSCO-II

II-O HOMEM E A COMUNIDADE DIVINA

Jesus veio revelar o amor em densidade teologal, isto é o amor ao jeito de Deus: “Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”.

Eu, porém, digo-vos: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. Fazendo assim tornar-vos-eis filhos do vosso pai que está nos Céus, o qual faz com que o sol se levante todos os dias sobre bons e maus e faz cair a chuva sobre justos e pecadores (…).

Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai do Céu é perfeito” (Mt 5, 43-48). Jesus tinha consciência de que o seu jeito de amar era uma expressão do jeito de amar de Deus Pai.

Foi esta consciência que o levou Jesus a fazer esta afirmação espantosa: “Há tanto tempo que estou convosco e ainda não me conheceis, Filipe? Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9).

Isto fazia que Jesus vivesse a sua união com o Pai em forma de uma perfeita reciprocidade amorosa.

Jesus tinha consciência de viver uma perfeita união orgânica com o Pai, e por isso afirmou: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10, 30).

Quando o ser humano atinge a densidade do amor caridade, isto é, ao jeito de Deus, começa a viver uma união orgânica com Deus através de Cristo (Jo 15, 1-7).

Eis o que São Paulo diz na Carta aos Romanos: “Amar o próximo como a si mesmo resume toda a Lei de Moisés” (Rm 13, 8).

Depois acrescenta que o amor é a plenitude da Lei (Rm 13, 10). No evangelho de Mateus Jesus declara que o amor ao próximo é sentido por ele como amor a si mesmo (Mt 25, 40).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O DEUS QUE FAZ COMUNHÃO CONNOSCO-III

III-O HOMEM NA PLENITUDE FAMILIAR DE DEUS

Podemos dizer que o Reino de Deus é uma comunhão de grandeza humano-divina cuja dinâmica é o amor.

Quando a lei de um reino é o amor, todos reinam, pois as relações são de comunhão amorosa.
Pelo mistério da Encarnação o Filho de Deus revelou-se como um rei que fez de nós seus irmãos e amigos:

Movido pelo desejo de comungar connosco a sua realeza, Jesus insere-nos de moo orgânico no próprio mistério da Santíssima Trindade:

“Se alguém me tem amor guardará a minha palavra e meu Pai o amará. Então nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23).

Estas palavras de Jesus querem dizer que o Reino de Deus é uma realidade interior a cada um de nós.

A nossa participação na plenitude do Reino de Deus é apenas delimitada pela nossa capacidade de comungar com o próprio Deus.

Uma vez inseridos na Comunhão do Reino de Deus, todos nós dançaremos o ritmo do amor, mas cada qual com o jeito que tiver adquirido enquanto treinou na terra.

Em comunhão convosco
Calmeiro Matias

23 Março, 2009

CRITÉRIOS EVANGÉLICOS PARA ORAR-I

I-A ORAÇÃO COMO DIÁLOGO FAMILIAR

É confrangedor verificar como são poucos os cristãos que fazem da oração um encontro dialogado com Deus.

Mais triste ainda é saber que Deus está sempre disponível para comunicar connosco e como há muitos cristãos a pensar que só é possível orar em determinados lugares.

Se as pessoas que amamos estão ao nosso lado podemos falar com elas até quando estamos ocupados. Assim devia ser a prática cristã da oração.

Como sabemos, a respiração é fundamental para podermos viver. Do mesmo modo a oração é essencial para o cristão poder crescer na vida espiritual.

São Paulo diz que devemos orar sem cessar, dando constantemente graças a Deus (1 Tes 5, 17-18).

Não devemos pensar que a oração é um modo mágico de manipular Deus levando-o a fazer as coisas como nós queremos.

A nossa fé diz-nos que a vontade de Deus coincide sempre com o que é melhor para nós. Eis a razão pela qual Jesus, no Pai-Nosso, nos ensinou a pedir ao Pai do Céu que se faça a sua vontade.

Proceder assim é o mesmo que pedir a Deus que se faça o que é melhor para nós.

Muitas vezes nós insistimos junto de Deus que faça a nossa vontade sem nos darmos conta que a nossa vontade pode estar longe de coincidir com o que é melhor para nós.

Eis as palavras que Jesus dirigiu aos discípulos num ensinamento que lhes fez sobre a oração:

“Nas vossas orações não façais como os pagãos, pois estes gostam de repetir muitas palavras inúteis, pensando que, por falarem muito, serão melhor atendidos.

Não façais como eles porque o vosso Pai do Céu sabem bem do que precisais ainda antes de lho pedirdes” (Mt 6, 7-8).

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Calmeiro Matias

CRITÉRIOS EVANGÉLICOS PARA ORAR-II

II-ORAÇÃO E COMPROMISSO DE VIDA

No Pai-Nosso, Jesus ensinou os discípulos a pedir o pão de cada dia (Mt 6, 11). Mas São Paulo insiste em que devemos trabalhar para termos pão para comer (2 Tes 3, 10).

Isto quer dizer que Deus está connosco, mas não está em nosso lugar. Por outras palavras, Deus nunca nos substitui. Está connosco, mas não está em nosso lugar.

Orar, portanto, não é um modo mágico de obrigar Deus a agir de acordo com a nossa vontade.

Pelo contrário, dispor-se a acolher a luz e a força, bem como as mediações adequadas para agir de acordo com a sua vontade.

São Tiago convida-nos a pedir a Deus o dom da Sabedoria (Tg 1, 5). A sabedoria, na visão cristã, é a capacidade de saborear o sentido da vida e das coisas com os critérios da Deus.

A Sabedoria que vem de Deus obtém-se mediante a meditação da Palavra de Deus e a atenção à voz do Espírito Santo no nosso coração.

A oração feita com estes critérios prepara o nosso coração, no sentido de nos predispor a acolher os dons de Deus e a agir de acordo com a sua vontade.

O evangelho de São Mateus diz que o Pai do Céu nos ama como um Pai que dá coisas boas a seus filhos.

São Paulo pediu a Deus que o libertasse de um problema difícil que o estava a atormentar.

Segundo o seu modo de falar, ele dizia que o seu problema era como um espinho espetado na carne.

Deus respondeu-lhe que preferia dar-lhe a forçado Espírito Santo, a fim de o capacitar para vencer essa e muitas outras dificuldades (2 Cor 12, 7-10).

Deus deseja dar-nos sempre o que é melhor para nós. Mas isto não significa que se limite aos nossos planos e esquemas.

Em Comunhão convosco
Calmeiro Matias

CRITÉRIOS EVANGÉLICOS PARA ORAR-III

III-ORAR NO ESPÍRITO SANTO

O evangelho de São João diz-nos que se pedirmos alguma coisa em nome de Jesus isso nos será concedido (Jo 14, 13-14).

O nome, na bíblia, significa a missão. O nome de Jesus, significa, pois a sua missão de medianeiro da salvação.

Pelo facto de estarmos organicamente unidos a Cristo, recebemos dele o Espírito Santo, o qual nos põe em sintonia com o querer de Deus.

Orar em nome de Jesus é o mesmo que orar no Espírito Santo. A Segunda Carta a Timóteo diz que Jesus é o único medianeiro entre Deus e os homens (1 Tim 2, 5).

A Carta aos Hebreus diz que Jesus é o nosso sumo-sacerdote, isto é, o medianeiro da nossa comunicação com Deus.

O nosso sumo-sacerdote está permanentemente a interceder por nós junto do Pai (Heb 4, 14-16).

Orar em nome de Jesus significa participar na sua oração, pois somos membros do seu corpo (1 Cor10, 17; 12, 27; 13, 12).

Jesus disse que nós somos os ramos da videira e ele é a cepa dessa mesma videira. Só podemos dar frutos de vida eterna se estivermos unidos à cepa.

O Espírito Santo é o vínculo orgânico e o princípio animador da comunhão que nos liga familiarmente a Deus.

Na verdade, é o Espírito Santo que em nós clama “Abba”, papá, e faz de nós co-herdeiros com Cristo (Rm 8, 14-17).

Orar ao jeito de Jesus é dizer a Deus o que nos vai no coração, seja no sentido de pedir, louvar, falar desta Humanidade a sofrer.

Eis o que diz São Paulo a este respeito: “Orai com o espírito e com a inteligência. Pensai nas palavras, a fim de entenderdes o que estais a dizer.

Quando orardes em comunidade, fazei-o de modo a que as pessoas vos entendam, a fim de poderem dizer “Ámen” à vossa oração” (1 Cor, 14, 15-16).

Não useis palavras vazias de significado, diz o evangelho de São Mateus, como fazem os pagãos (Mt 6, 7).

A nossa oração não deve ser como a dos hipócritas que se põe a julgar os outros ou a pensar que são mais que os demais.

Estes não tomam Deus a sério e por isso, diz o evangelho de São Marcos, não ficam justificados (Mc 12, 40).
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Calmeiro Matias

CRITÉRIOS EVANGÉLICOS PARA ORAR-IV

IV-A ORAÇÃO COMO ALIMENTO DA VIDA CRISTÃ

Sem oração podemos ter conhecimentos teóricos dos conteúdos da Fé, mas nunca podemos ter uma experiência viva de Deus.

A humildade é uma atitude fundamental para que a nossa oração seja um momento de comunhão com Deus.

Uma oração bem fundamentada tem de ter como alicerce o amor. Eis o que diz a primeira Carta de São João: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus.

Aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. Aquele que não ama não chega a conhecer Deus, pois Deus é amor” (1 Jo4, 7-8).

O amor a Deus e aos irmãos é, na verdade, o alicerce sólido para que a nossa oração seja um diálogo amoroso com Deus.

O ponto de encontro deste diálogo amoroso é sempre o nosso coração. Não é legítimo separar a nossa oração da nossa vida real.

A primeira carta de São João insiste nesta verdade. Eis o que ele diz numa outra passagem:
“A Deus nunca ninguém o viu. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor, em nós, chegou à perfeição.

Nós damo-nos conta de que permanecemos em Deus e ele em nós, porque nos faz participar do seu Espírito Santo (…).

Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém disser que ama a Deus mas odiar o seu irmão, esse é um mentiroso.

De facto, aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.
Nós recebemos de Cristo este mandamento: quem ama a Deus ame também o seu irmão” (Jo 4, 12-21).

Quanto mais fizermos de Deus uma questão primeira e tomarmos Deus a sério, mais a nossa oração será uma força transformadora e recriadora em nós e no mundo.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

21 Março, 2009

CRISTO E O DOM DA VIDA ETERNA-I

I-FÉ EM CRISTO E VIDA ETERNA

São Paulo diz que ninguém pode reconhecer Jesus Como o Senhor ressuscitado a não ser pelo Espírito Santo:

“Por isso quero que saibais que nenhuma pessoa que fale sob a inspiração do Espírito poderá dizer que Jesus é um maldito.

Do mesmo modo ninguém é capaz de proclamar Jesus como o Messias ressuscitado a não pela inspiração do Espírito Santo (1 Cor 12, 3).

Ao consagrar Jesus para a sua missão messiânica, o Espírito Santo optimizou a sua capacidade de se dar de modo fiel e total ao plano salvador de Deus.

Nós fomos salvos graças à sua fidelidade. Mediante o baptismo no Espírito Santo também nós somos consagrados para realizar a vontade do Pai.

Da nossa fidelidade a esta vontade também pode depender a felicidade de muitos irmãos nossos.

O Espírito Santo vai-nos ajudando no sentido de compreendermos de que toma partido pelos que gastam a sua vida pelas causas do amor.

A ressurreição de Jesus é a prova de que Deus não permite que o justo seja destruído pelas forças da do mal.

Devido ao facto de Jesus ser um homem perfeito connosco também nós participamos da sua ressurreição.

Na verdade, o humano e o divino unem-se de maneira perfeita em Cristo. Graças a este facto, foi-nos dado o poder de nos tornarmos filhos de Deus.

Não por decisão do Homem, mas por vontade de Deus. Eis a razão, diz o evangelho de São João, pela qual o Verbo encarnou e habitou entre nós (cf. Jo 1,12-14).

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Calmeiro Matias

CRISTO E O DOM DA VIDA ETERNA-II

II-JESUS CRISTO COMO SERVO FIEL

E foi assim que o Filho de Deus decidiu tornar-se nosso irmão, a fim de sermos assumidos e incorporados na Família de Deus.

Deste modo o Filho Único de Deus tornou-se o primogénito de muitos irmãos, proporcionando novos membros à Família de Deus (Rm 8, 29).

Foi em Jesus Cristo que os seres humanos deram o salto de qualidade que fez deles uma Nova Criação, como diz São Paulo:

“Se alguém está em Cristo é uma Nova Criação. O que era antigo passou. Eis que tudo se fez novo.

Tudo isto vem de Deus que, em Jesus Cristo, nos reconciliou com Deus, não levando mais em conta os pecados dos homens (2 Cor 5, 17-19).

Graças à fidelidade de Jesus Cristo fomos reconciliados com Deus. Deus criou o Homem (varão e mulher) è sua imagem e semelhança, diz o Livro doe Génesis (Gn 1, 26).

Mas Adão, levado pelo seu orgulho, quis ser igual a Deus, rejeitando a sua condição de servo de Deus.

Com este procedimento, Adão arrastou a Humanidade para o caminho do fracasso e da morte.

Jesus Cristo como servo fiel, reconduzindo a Humanidade para o caminho da vida (Rm 5, 17-19).
A Carta aos Colossenses põe um paralelismo entre Adão e Jesus Cristo.

Também Cristo foi criado à imagem de Deus. Mas este aceitou a sua condição de servo numa atitude de plena fidelidade.

Eis as suas palavras sugestivas do hino sobre a fidelidade de Cristo: “Jesus Cristo é a imagem perfeita do Deus invisível.
Ele é o primogénito de toda a Criação, pois foi de acordo com ele que todas as coisas foram criadas, tanto as do Céu, como as da Terra, as visíveis e as invisíveis (…).

Tudo foi criado nele e por ele. Ele é anterior a todas as coisas e todas subsistem por ele. Ele é a Cabeça da Igreja, o princípio e o primogénito de entre os mortos, a fim de ter a primazia em todas as coisas.

Aprouve a Deus que habitasse nele toda a plenitude, a fim de que todas as coisas fossem reconciliadas com Deus” (Col 1,15-20).

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Calmeiro Matias

CRISTO E O DOM DA VIDA ETERNA-III

III-CRISTO E O DOM DA VIDA ETERNA

São Paulo diz que o Espírito Santo habita em nós como num templo (1 Cor 3, 16). É importante sabermos acolher a sua força criadora, a fim de darmos um salto de qualidade, passando de uma vida banal para uma vida que dê frutos de vida eterna.

Para que isto aconteça basta vivermos unidos a Cristo como os ramos da videira estão unidos à cepa, como diz o evangelho de São João:

“Permanecei em mim que eu permaneço em vós. O ramo da videira não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira.

O mesmo acontecerá convosco se não estiverdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, pois sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 4-5).

Com a sua luz reveladora, o Espírito Santo faz-nos compreender o sentido desta união orgânica com Cristo.

Ele é realmente a Árvore da Vida que está no Centro do Paraíso. Graças à união orgânica que o liga à Humanidade, o fruto da vida eterna já ao alcance de todos nós.

No evangelho de São João, Jesus diz que tem uma Água Viva para nos dar, a qual faz brotar uma nascente de Vida Eterna no nosso Coração. Esta Água, diz São João, é o Espírito Santo (Jo 7, 37-39).

Noutra passagem Jesus fala do fruto da Vida Eterna, associando-a à Eucaristia: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a Vida Eterna e eu hei-de ressuscitá-lo no último dia” (Jo 6, 54).

Este dom é-nos concedido na medida eu que nós fazemos uma união orgânica com Jesus, tal como ele faz uma união orgânica com o Pai:

“Assim com o Pai que me enviou vive e eu vivo pelo Pai, também aquele que me come viverá por mim” (Jo 6, 57).

No mesmo evangelho, Jesus afirma a sua união orgânica com o Pai e também connosco. É esta a condição para nós sermos incorporados na Comunhão Familiar de Deus:

“Eu vivo e vós também haveis de viver. Nesse dia vós compreendereis que eu estou no meu Pai, vós em mim e eu em vós” (Jo 14, 19-20).

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Calmeiro Matias

17 Março, 2009

AJUDAR AS CRIANÇAS A SER RESPONSÁVEIS-I

I-EDUCAR PARA A RESPONSABILIDADE

Ajudar as crianças e os adolescentes a ser responsáveis é a melhor maneira de facilitar a sua realização como pessoas.

Facilitar não significa substituir. A substituição não é nunca uma maneira válida para ajudar alguém a ser responsável.

Ensiná-los a saber respeitar e compreender os outros. Incutir neles o hábito de falar e agir com verdade e honestamente.

Estimulá-los a ser corajosos agindo de modo coerente com os valores em que acreditam. É bom
Ensiná-los a auto controlar-se e a não se deixarem manipular pelos outros.

Os pais devem ensinar os filhos a cooperar nas tarefas domésticas, a fim de aprenderem a ser responsáveis pelo bem comum.

Os pais devem falar com os filhos acerca da importância de tomar decisões e fazer escolhas acertadas.

tanto em relação à sua realização pessoal, como em relação a contribuir para a construção de uma sociedade melhor.

Nós nunca sabemos as consequências das nossas decisões, tanto em relação à nossa realização pessoal como em relação à construção da sociedade em que vivemos.

É muito importante confiar aos adolescentes tarefas que impliquem responsabilidade, embora sem ir além das suas capacidades.

É muito importante cumprir as promessas feitas às crianças e aos adolescentes.

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Calmeiro Matias




AJUDAR AS CRIANÇAS A SER RESPONSÁVEIS-II

II-SABER DOSEAR AS EXIGÊNCIAS DOS FILHOS

Os pais não devem esquecer-se de que os filhos aprendem com aquilo que vêem fazer aos pais e não com aquilo que eles dizem.

Os pais e professores não devem esquecer-se de reconhecer e elogiar um trabalho bem feito.
Ensinem os adolescentes a não se deixarem dominar por preconceitos, pois estes são sempre maus conselheiros.

Expliquem aos adolescentes a importância de compreender os pontos de vista dos outros, apesar de serem diferentes dos nossos.

Não devemos esquecer-nos de que a felicidade das crianças se faz de pequenas coisas. Os pais não devem esquecer a importância de um passeio ao supermercado, sair para comprar de um gelado ou um caderno para pintar.

Mais doloroso ainda é sentir dificuldades na aquisição de um determinado cereal importante para a sua alimentação.

Não nos esqueçamos de que as crianças de hoje são bombardeadas com uma publicidade agressiva.

Se estivermos preparados saberemos defender-nos melhor. Na verdade as crianças aprendem depressa o nome de produtos caros e os encantos que a publicidade lhes atribui.

Na verdade, não é fácil, por exemplo, dizer aos filhos que não podem ter as coisas que pedem, apesar de eles argumentarem que os pais dos seus amigos já as ofereceram aos filhos deles.

É importante ajudar as crianças a compreender o valor do dinheiro e o papel que este joga nas nossas vidas.

É bom ajudar as crianças a gerir o seu dinheiro e ensiná-las a poupar logo de pequeninas. As crianças que são bem acompanhadas pelos pais correm menos riscos de cair em comportamentos socialmente perturbadores.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

AJUDAR AS CRIANÇAS A SER RESPONSÁVEIS-III


III-A IMPORTÂNCIA DO DIÁLOGO

Quanto mais os pais estiverem envolvidos na vida dos filhos, mais estes se sentem seguros e melhor tentarão responder à fé que os pais depositam neles.

É muito importante que os pais arranjem tempo para estar com os filhos. Procurem um tempo semanal para fazerem qualquer coisa em conjunto fora da rotina do dia-a-dia.

Mais que tentar saber onde os filhos foram é conhecer os seus amigos e os pais destes. Sempre que possível procure estar em casa quando os seus filhos voltam da escola.

A zona de perigo para o uso das drogas é a saída da escola, pela tarde, quando nenhum dos pais está presente.

Sempre que possível, procurem comer com os filhos. A refeição é um momento excelente para falar acerca dos acontecimentos do dia.

Estudos recentes demonstraram que crianças e adolescentes que comem pelo menos cinco vezes por semana com os pais têm muito menos probabilidades de se envolverem em problemas de droga e álcool.

É importante que os pais desenvolvam um clima de diálogo com os filhos. Procure saber como vão as coisas na escola. Seja claro sobre os valores a ter em conta:

Seja um bom ouvidor. Não se ponha logo a moralizar quando o filho ou a filha lhe fazem um desabafo.

Pelo contrário, faça-lhe perguntas e comunique-lhe força e coragem. Resuma e sublinhe o que o filho lhe comunicou, a fim de lhe demonstrar que entendeu bem a comunicação.

Dê respostas honestas. Quando for o caso, não afirme o que não conhece, mas prometa encontrar a resposta certa e verdadeira.

Não se descontrole para não ter de pôr fim ao diálogo. Tenta aprofundar as questões, mesmo que o filho tenha feito declarações que o chocaram.

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Calmeiro Matias

AJUDAR AS CRIANÇAS A SER RESPONSÁVEIS-IV

IV-AS REGRAS QUE TÊM DE EXISTIR

Procure ser um exemplo para os seus filhos. Não queira que eles façam aquilo que lhes diz mas que não faz.

Preocupe-se por agir como gostaria que eles actuassem. Crie regras e discuta com os filhos as consequências do desrespeito das mesmas.

Cumpra os castigos previstos e não acrescente outros arbitrariamente. Estabeleça a hora do toque de recolher e seja rigoroso. Mas esteja preparado para renegociar em ocasiões especiais.

Não tenha reparo em permitir que os seus filhos tragam amigos para casa. É o melhor modo de conhecer as pessoas com as quais os seus filhos acompanham.

Encoraje o seu filho e felicite-o quando acontece uma coisa boa. Este encorajamento dá-lhe força para não cair em experiências destrutivas.

Acentue o positivo que observa nos comportamentos dos seus filhos. O afecto e apreço fazem que eles se sintam bem.

Esta maneira de proceder tem mais impacto na decisão de fazer o bem do que uma multidão de proibições.


Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias

15 Março, 2009

A PARTILHA É A PORTA DA ABUNDÂNCIA-I

I-JESUS E A PARTILHA

Jesus ensinou aos discípulos que o caminho para acabar com a fome é a dinâmica da partilha.

A terra bonita e fecunda que Deus nos deu ainda dá frutos que cheguem para todos, mas o egoísmo humano que estes frutos circulem por todos.

E o número de pessoas que morrem de fome não cessa de aumentar de dia para dia. Se aprendêssemos a partilhar e a ser irmãos uns dos outros, deixava de haver tantas crianças a morrer de fome.

Todos os dias morrem de fome muitos milhares de crianças. Algumas pessoas têm medo de partilhar porque temem que lhes venha a faltar.

Há ainda outras pessoas que são incapazes de pensar nos demais. Têm muito para partilhar e razões para o fazer, mas preferem estruturar-se como parafusos enroscados sobre si próprios, incapazes de olhar para os outros.

A experiência demonstra que há muitas pessoas cheias de dinheiro e que são profundamente infelizes.

Na verdade, a fonte da felicidade é o amor, não o dinheiro.

Se a fonte da felicidade é o amor, isto quer dizer que as pessoas que têm muito dinheiro apenas conseguirão ser felizes se começarem a partilhar.

Há ainda o escândalo dos países ricos que se apoderam dos bens da Terra deixando os países pobres na miséria.

Estes países são fontes de injustiça e de violência no mundo. São os principais responsáveis dos gritos dos pobres e do desespero das mães que vêem os seus filhos morrer de fome.

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Calmeiro Matias

A PARTILHA É A PORTA DA ABUNDÂNCIA-II

II-PARTILHA E ABUNDÂNCIA

Jesus enviou os Apóstolos a pregar a partilha, a fim de apontar o caminho que conduz à abundância.

Isto quer dizer que quando as pessoas começam a partilhar, acontece o milagre da abundância.

Jesus deixou-nos a Eucaristia, a fim de nos dar um sinal de que o pão partilhado dá para todos e ainda sobra.

Nunca ninguém morreu à fome por ter começado a partilhar os seus bens. O grande obstáculo para acontecer o milagre da abundância é o nosso coração egoísta.

Se tomássemos o Evangelho a sério, depressa aprenderíamos que a partilha é o caminho da libertação.

A partilha faz bem a todos. Faz bem aos que recebem porque se abre para eles uma possibilidade de realização.

Também faz bem aos que partilham, pois com este modo de proceder estão a iniciar o caminho da sua libertação, vencendo o egoísmo.

Certo dia, Jesus encontrou um jovem muito rico que tinha feito a catequese toda e cumpria os mandamentos.

Cheio de vontade de ser mais perfeito, este jovem foi ter com Jesus e pediu-lhe que lhe indicasse o caminho para crescer na perfeição.

Jesus deu-lhe os parabéns e disse-lhe: “Se fores coerente com este apelo do Espírito Santo, terás um lugar muito especial na comunhão do Reino dos Céus”.

“Para seres perfeito só te falta uma coisa: vai partilhar os teus bens com os pobres”.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A PARTILHA É A PORTA DA ABUNDÂNCIA-III

III-PARTILHA E COMUNHÃO COM DEUS

O coração das pessoas que partilham dilata-se e abre-se aos horizontes da comunhão universal.
Além disso começa a saborear o paladar da felicidade.

No coração das pessoas que partilham o Espírito Santo tem um lugar especial. Do mesmo modo, estas pessoas têm um lugar especial no coração de Deus e das pessoas com as quais partilham.

É esta a qualidade dos que atingem um lugar especial na Comunhão Universal da Família de Deus.

Ao ouvir a proposta de Jesus o jovem retirou-se em silêncio e triste e nunca mais se aproximou de Jesus.

Se nos abrirmos à acção do Espírito Santo, o nosso coração começa a adquirir pouco a pouco o jeito da fraternidade e da partilha.

À medida que isto acontece, começamos a ser irmãos dos outros e membros da Família de Deus.

Só o Espírito de Deus nos pode capacitar para vencer os medos que nos bloqueiam e impedem de partilhar.

Na verdade, se acolhermos a presença renovadora do Espírito Santo em nós, o nosso coração vai-se curando de modo gradual e progressivo da enfermidade do egoísmo.

Na verdade, o egoísmo é a enfermidade que impede a pessoa de entrar na comunhão humano-divina do Reino de Deus.

Quando partilhamos, Cristo torna-se uma presença salvadora no nosso coração. É este o sentido da comunhão do pão partilhado na Eucaristia.

Este é um dos grandes sinais que Deus nos dá para aprendermos a tomar atitudes semelhantes às de Jesus.

A pessoa que sente alegria em partilhar é um sinal inconfundível de que está em sintonia com o coração de Deus!

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

12 Março, 2009

A FORÇA LIBERTADORA DA FÉ CRISTÃ-I

I-FÉ COMO DOM DE DEUS

A fé cristã assenta sobre os conteúdos da Palavra de Deus. Na verdade, podemos dizer que os horizontes da Fé cristã são os mesmos da Palavra de Deus.

Por isso dizemos que a Fé é um dom de Deus e não resultado de uma simples reflexão humana.

A fé, a esperança e a caridade são designadas como virtudes teologais, pois têm como fundamento a revelação de Deus.

Por vezes também se diz que a fé, a esperança e a caridade são virtudes infusas, isto é, infundidas por Deus e não adquiridas.

Esta designação distingue as virtudes teologais das virtudes morais que são resultado do treino humano como acontece com as virtudes morais.

Eis alguns aspectos básicos em que nós, os cristãos, acreditamos:Em primeiro lugar acreditamos em um só Deus que é uma comunhão familiar de três pessoas.

Acreditamos que o Universo tem como fonte uma comunhão familiar de três pessoas.A bíblia diz que Deus é amor (1 Jo 4,7; 16).

Se Deus é amor, então a criação é essencialmente boa, pois brota da acção criadora do amor.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A FORÇA LIBERTADORA DA FÉ CRISTÃ-II

II-FÉ E HISTÓRIA DA SALVAÇÃO

A nossa fé diz-nos também que, pelo mistério da Encarnação, o divino se enxertou no humano, a fim de este ser divinizado.

Acreditamos que o Filho Eterno de Deus se exprimiu em grandeza humana o Filho Eterno de Deus.

Acreditamos que, em Cristo, o humano e o divino fazem uma união orgânica e interactiva.

Graças a esta união, o Filho Eterno de Deus e Jesus de Nazaré, o filho de Maria, fazem um, mas sem se confundirem nem fundirem.

Acreditamos que a pessoa do Espírito Santo é uma presença animadora da comunhão orgânica constituída pelas pessoas do Pai e do Filho.

Acreditamos igualmente que a pessoa do Espírito Santo é o princípio animador da comunhão orgânica constituída pelo Filho Eterno de Deus e por Jesus de Nazaré.

Por outras palavras, acreditamos que o Espírito Santo, com seu jeito maternal de amar, exerce um papel fundamental no acontecimento de Cristo.

Explicitamos esta verdade quando afirmamos que o Filho de Deus encarnou pelo Espírito Santo.

Acreditamos que Deus decidiu revelar-se ao Homem, escolhendo, para isso, um povo que seja o medianeiro da revelação para toda a Humanidade.

A nossa fé diz-nos que até Jesus Cristo o medianeiro da revelação de Deus para a Humanidade foi o povo bíblico.

Jesus Cristo dá início ao Povo da Nova Aliança constituído, não por uma raça e uma língua, mas por gentes de todas as raças, línguas, povos e nações.

Deste modo, o Novo povo de Deus torna-se capaz de proclamar a Palavra de Deus no interior de todas as raças, línguas, povos e nações.

Deste modo, o Novo Povo de Deus é sacramento da Universalidade do Plano Salvador de Deus.
Acreditamos que Deus é amor e, portanto, não condena ninguém.

Acreditamos que Deus é amor e, portanto, não se pode negar a si mesmo, deixando de amar.
A pessoa humana é capaz de romper a comunhão amorosa com Deus, voltando-lhe as coisas.

Na verdade, para haver comunhão amorosa o amor deve circular nas duas direcções: Deus e Homem, Homem e Deus.

Por outras palavras, um amor unidireccional não chega para constituir comunhão amorosa.
Apesar de a pessoa humana poder romper com a comunhão amorosa não é capaz de impedir que Deus a continue a amar de modo incondicional.

Por ser amor, Deus não condena ninguém. As pessoas que vão para a morte eterna condenam-se por sua própria decisão.

Acreditamos que está criando o Homem à sua imagem e semelhança, pois este ainda não está acabado.

Na verdade, o Homem é um ser em construção, tanto na sua dimensão física, como psíquico, social ou espiritual.

Acreditamos que a pessoa humana não se esgota na sua dimensão biológica. Isto que dizer que a morte não mata a pessoa. Ao morrer, a interioridade espiritual da pessoa é assumida e incorporada na Família de Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A FORÇA LIBERTADORA DA FÉ CRISTÃ-III

III-O CRISTÃO COMO TESTEMUNHA DO EVANGELHO

Acreditamos que a Vida Eterna acontece através da ressurreição e não apenas através de uma simples subsistência imortal.

Por outras palavras, o coração do Evangelho é a Boa Notícia da ressurreição e não uma simples crença na imortalidade da alma.

Com efeito, a imortalidade é um conceito que já existia no mundo pagão muito antes de Jesus Cristo.

Acreditamos que a humanização do Homem é uma tarefa ética que, em síntese, implica dizer sim aos apelos do amor e dizer não ao que se opõe ao amor.

A vivência do amor é a dinâmica que possibilita a humanização das pessoas. Acreditamos que Jesus fez do amor o seu único mandamento.

Acreditamos que o anúncio do Evangelho é um serviço importante para o bem da Humanidade.
A nossa fé diz-nos que, para o cristão, a disposição de viver como discípulo de Jesus Cristo é a melhor opção para o cristão se realizar e ser feliz.

Não são muitas as pessoas que fazem de Deus uma questão primeira. Deus não é um ser que se limita a pedir-nos práticas religiosas fundadas em cultos com ritos bem executados.

É sinal de maturidade cristã ter presente que o Espírito Santo habita no nosso íntimo e aí nos vai moldando à imagem e semelhança de Deus.

Quanto mais os crentes vivem esta realidade de modo consciente, mais capazes se tornam de testemunha o amor de Deus para com os seres humanos.

Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A FORÇA LIBERTADORA DA FÉ CRISTÃ-IV


IV-A FÉ OPTIMIZA O SENTIDO DA VIDA

O sentido da vida humana não é uma evidência que se impõe logo à partida, mas uma descoberta gradual e progressiva que vai amadurecendo em nós.

Em primeiro lugar trata-se de uma descoberta que vai amadurecendo no coração da pessoa que tenta encontrar as razões do que lhe acontece.

Para os cristãos, o sentido da vida é visto numa perspectiva mais profunda: Trata-se de uma revelação, isto é, de uma confidência do Espírito Santo habita em nós e vai balbuciando em nós a Palavra de Deus.

Por outras palavras, o sentido cristão da vida tem como alicerce a Palavra de Deus que o Espírito Santo vai confidenciando no íntimo do nosso coração.

Eis o que diz o evangelho de São João: “Quando o Espírito da Verdade vier, ele vai guiar-vos para a Verdade Plena.

Ele não falará só por si, mas há-de dar-vos a conhecer quanto ouvir e anunciar-vos-á o que há-de vir” (Jo 16, 13).

Os crentes que se abrem à Palavra de Deus e à luz do Espírito Santo começam a adquirir uma sabedoria cujos horizontes transcendem o alcance da inteligência Humana.

As mediações de que o Espírito Santo se serve para fazer esta confidência no nosso íntimo são a Escritura, a Comunidade Cristã e os acontecimentos da História Humana.

À luz da Palavra de Deus, a grande razão pela qual vale a pena viver é o amor. Jesus ensinou aos discípulos que o amor é uma razão que vale tanto para viver como para morrer:

“É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem mais amor do que aquele que dá ávida pelos seus amigos” (Jo 15, 12-13).

Na verdade, só o Espírito Santo pode projectar luz sobre muitos acontecimentos que pare