06 Dezembro, 2009

OS ENSINAMENTOS DE JESUS SOBRE DEUS PAI

Referindo-se a Jesus Cristo, o evangelho de São João diz que o Filho vive desde toda a eternidade e faz um com o Pai (Jo 10, 30).

Isto quer que o Filho de Deus vive em permanente união orgânica com o Pai. Além disso, declara que pelo mistério da Encarnação os seres humanos também já estão unidos de modo orgânico com o Filho de Deus e, por ele, à Santíssima Trindade.

Na verdade diz o evangelho de São João, foi-nos dado o poder de nos tornarmos filhos de Deus (Jo 1, 14).

No mesmo evangelho de São João, Jesus declara que Deus Pai é seu Pai e seu Deus e também nosso Pai e nosso Deus:

“Subo para junto de Meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20, 17). Na sua oração Jesus falava sempre com Deus Pai, tratando-o por “Abba”, isto é, papá.

A Carta aos Romanos diz que o Espírito Santo nos convida a chamar Deus Pai por “Abba”, isto é, Papá Querido (Rm 8, 15).

Jesus declarou que vive em permanente união com o seu Pai e nós vivemos unas união orgânica permanente com ele:

“Como o Pai que vive me enviou e eu vivo pelo Pai, assim acontecerá também com os que comem a minha carne e bebem o meu sangue” (Jo 6, 57). E depois acrescenta: “Eu digo apenas o que ouvi de meu Pai” (Jo 8, 38).
Certo dia, diz São Lucas, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e iniciou um diálogo muito especial com o Pai:

“Nesse instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e dizendo: “Bendigo-te ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelastes aos pequeninos. Sim, Pai, foi este o teu agrado.

Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Lc 10, 21-22).

O evangelho de São João diz que o Pai só quer adoradores que o adorem no Espírito e na Verdade (Jo 4, 23).

Ao ensinar o Pai-Nosso aos discípulos, Jesus quis ensinar-lhes que a sua oração deve ser um diálogo familiar com Deus (Mt 6, 9).

Procurando aumentar a confiança dos discípulos no Pai do Céu, Jesus disse o seguinte:

“Se vós que sois maus sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai Céu dará o Espírito Santo aos que lho pedirem” (Lc 11, 13).

Na verdade, diz São Lucas, é amando os outros como irmãos que nos tornamos filhos do Altíssimo (Lc 6, 35).

Antes de revelar o rosto e o amor de Deus Pai aos homens, Jesus comunicou face a face com ele. Eis as palavras de São Lucas:

“Após ter sido baptizado, Jesus entrou em oração. Nesse momento, o Céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre com a forma corporal de uma pomba.

Nesse momento, ouviu-se uma voz vinda do Céu que dizia: “Tu és o meu filho bem-amado. Hoje mesmo te gerei” (Lc 3, 21-22).

Antes de iniciar a sua missão, Jesus foi consagrado pelo Espírito santo e o Pai declara-o como Messias, o filho de Deus.

Tal como aconteceu com Moisés, Jesus procurava as montanhas, as colinas e os lugares silenciosos para entrar em intimidade com Deus Pai.

Com este modo de proceder, Jesus ensinou aos discípulos que o ruído e a dispersão não são boas mediações para nos encontrarmos face a face com Deus.

Eis o que diz o evangelho de São Lucas: “Tomando consigo Pedro, João e Tiago, Jesus subiu à montanha para orar.

Enquanto orava, o aspecto do seu rosto alterou-se e as suas vestes tornam-se brilhantes” (Lc 9, 28-29).

Não é difícil descobrir a relação desta e outras passagens com os relatos que falam dos encontros de Moisés com Deus:

“Tendo despedido as multidões, Jesus subiu ao monte para orar a sós” (Mt 14, 23). Olhando para os ensinamentos de Jesus, vemos como Moisés e os profetas ficaram muito aquém de Jesus no que se refere à profundidade do conhecimento e da interacção amorosa Deus Pai.

Podemos afirmar com toda a segurança que antes de Jesus, ninguém chegou tão longe na compreensão e revelação do mistério de Deus Pai.

O seguinte texto do evangelho de São João é uma expressão da profundidade da relação de Jesus Cristo com o seu Pai do Céu:

“Jesus disse a Filipe: “Há tanto tempo que estou convosco e não ficaste a conhecer-me, Filipe?
Quem me vê, vê o Pai. Como é que ainda me pedes para te mostrar o Pai?

Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?” (Jo 14, 9-10). Jesus exprimiu a profundidade desta união com o Pai dizendo: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10, 30).

Segundo o modo de entender de Jesus Pai vem a nós sempre a partir de dentro. De facto, Deus é a interioridade máxima do Universo.

A morada de Deus é um campo espiritual contínuo de interacções amorosas, o qual constitui a interioridade máxima do Universo.

Deus revela-se ao Homem a partir de dentro, por isso Jesus se retirava para o silêncio, a fim de poder entrar na sua interioridade, a fim de se encontrar com o Pai:

“De madrugada, estando ainda escuro, Jesus levantou-se e retirou-se para um lugar deserto, a fim de orar (Mc 1, 35).

Portanto, quando Deus vem ao encontro do Homem não vem a partir de fora.A Primeira Carta aos Coríntios diz que o nosso coração é um templo onde o Espírito de Deus habita (1 Cor 3, 16).

Jesus sentia-se unido de modo permanente ao Pai. Depois acrescenta que também nós fazemos parte dessa união orgânica que forma o campo espiritual contínuo de interacções amorosas:

“Nesse dia, disse Jesus, compreendereis que eu estou no Pai, vós em mim e eu em vós” (Jo 14, 20).
Em Comunhão Convsco
Calmeiro Matias





02 Dezembro, 2009

O DEUS BONDOSO E A EXISTÊNCIA DO PECADO

Pai Santo,

Nós te agradecemos o facto de nos teres enviado Jesus Cristo, a fim de nos libertar do pecado e nos introduzir na comunhão da Santíssima Trindade.

O pecado é um conjunto de forças negativas que derivam das recusas de amar dos seres humanos.

As forças do pecado do pecado bloqueiam o processo da humanização do Homem, impedindo a sua realização e felicidade.

Pai Santo,
Nós sabemos que o pecado não é uma realidade criada por ti, mas o resultado negativo das decisões erradas do Homem.

Na verdade, o pecado é a recusa do Homem a emergir como pessoa humanizada mediante opções e projectos de amor.

Do mesmo modo, não foste tu, Pai Santo, que criaste o inferno, entendido como um lugar destinado à punição eterna dos seres humanos.

A nossa fé diz-nos que Deus é amor e não pode nada contra o amor, pois seria negar-se a si mesmo.

As pessoas que se condenam não vítimas de uma condenação de Deus. Pelo contrário, as pessoas que estão em estado em inferno condenaram-se por sua própria decisão.

É certo que tu, Pai Santo, ao criares o Homem, lhe deixaste a possibilidade de pecar. Esta possibilidade é, aliás, a condição para que a pessoa se realize como ser livre, consciente e responsável.

Face a este mistério do pecado, temos de dizer que o pecado é um mal, mas a possibilidade de pecar é condição para que o projecto humano seja óptimo.

Isto quer dizer que nem tudo o que é possível deve ser realizado, sob pena de destruirmos a Humanidade.

É a primeira vez que a Humanidade tem arsenais com forças de morte a capazes de pôr fim à História Humana.

Mas pelo facto de isto ser possível não quer dizer que deva ser realizado. Na verdade, pôr fim à História humana seria o pecado total, ou seja, a oposição total ao amor.
Somos seres inacabados. É por esta razão que, por vezes, somos visitados pela tentação de nos opormos aos apelos do amor.

A tentação é uma sugestão subtil que visita a nossa mente, querendo fazer-nos crer que o mal é um bem.

A possibilidade da tentação radica no facto de não nascermos determinados e, portanto, não estamos sujeitos a qualquer forma de destino.

À luz da fé cristã, o destino não existe, pois o homem não é uma marioneta nas mãos de Deus.
Somos nós quem decide o que seremos ou não, sendo fiéis ou não aos nossos talentos, isto é, às nossas possibilidades de realização.

O pecado é um mal, tanto para o pecador, como para as outras pessoas. Com efeito, além das consequências pessoais, o pecado tem também consequências sociais, políticas, históricas e ecológicas.

Isto quer dizer que o pecado mutila não apenas o pecador, mas também as pessoas que sofrem as consequências as suas consequências.

Ao ressuscita, Jesus comunicou-nos o dom do Espírito Santo, a fim de fazer de nós uma Nova Criação (2 Cor 5, 17- 19).

Jesus Cristo,
Nós te louvamos por nos teres libertado das forças bloqueadoras do pecado, abrindo-nos o caminho da nossa libertação.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias


28 Novembro, 2009

CONHECER O DEUS DAS ESCRITURAS

Trindade Santa,
As Sagradas Escrituras são a proclamação agradecida do Vosso plano de amor e salvação para com a Humanidade.
Ao mesmo tempo são um apelo e um convite a tomar-vos a sério, pois o vosso plano de amor não é um capricho.
A vossa vontade coincide rigorosamente com o que é melhor para nós.
É por esta razão que é muito perigoso brincar convosco, Deus Santo, pois brincar com Deus é igual a brincar com o que é melhor para nós.

Vós não sois um Deus vingativo, mas brincar convosco, Deus Santo, significa entrar no caminho do malogro e do fracasso.

O Vosso amor por nós é incondicional. Vós não estivestes à espera que fôssemos bons para gostardes de nós.

Pelo contrário, sonhastes um plano de amor para nós, muito antes de nós existirmos e podermos ser bons.

Deus Santo,
A bíblia convida-nos a interagir convosco em forma de aliança, isto é, de acordo com o projecto amoroso que sonhaste para toda a Criação.

A bíblia não se serve de dogmas para nos explicar o mistério de Deus. Pelo contrário, revela-nos o mistério de Deus contando histórias que evocam a vossa fidelidade e o amor incondicional de Deus.

Os textos bíblicos são um conjunto de histórias das quais o Espírito Santo se serve para provocar experiências reais do Deus Vivo no nosso coração.

Isto quer dizer que a Palavra de Deus é sempre um acontecimento vivo provocado pelo Espírito Santo no nosso coração.

É neste sentido que devemos entender o modo como Vós, Deus Santo, vos destes a conhecer a Moisés, dizendo-lhe que sois um Deus que está sempre a ser e, por isso, nunca se repete.

Moisés entendeu muito bem que sois um Deus que não envelhece nem se desgasta, sempre disposto a acompanhar o vosso povo, vá ele para onde for.

Quando falastes com Moisés a partir da sarça-ardente, Vós disseste-lhe: “EU SOU AQUELE QUE SOU” (Ex 3, 14).

Partindo destas Palavras, Moisés deduziu que Deus é um “EU SOU”, isto é, alguém que está sempre a ser, isto é, um Deus que apenas existe no presente, fazendo caminhada com o seu povo.

O Deus das Escrituras nunca foi um Deus do passado. Isto quer dizer que Vós sois uma emergência sempre actual de três pessoas infinitamente perfeitas em total convergência de comunhão amorosa.

Depois de vos terdes revelado como o único, já podíeis provocar um salto de qualidade na marcha da revelação dizendo-nos que apesar de serdes um só Deus não sois um sujeito sozinho.

Em Jesus Cristo Vós vos revelastes, Deus Santo, como um Deus relações cujo rosto é uma Comunhão Familiar de três pessoas.

Na verdade, a Vida Plena só pode ser vida pessoal e em comunhão amorosa. Para falar de Vós como Vida em Plenitude, a bíblia diz que Deus é amor (1 Jo 4, 7).

A primeira Carta de São João, diz que os seres humanos apenas podem conhecer Deus se decidirem viver em dinâmica de amor:

“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. Aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus.

Aquele que não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é Amor” (1 Jo 4, 7-8). Depois acrescenta: “Deus é Amor. Quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1 Jo 4, 16).

Isto quer dizer que o Deus das Escrituras não é uma espécie de equação matemática que possa ser enunciada em fórmulas.

Trindade Bendita,
Vós sois um Deus que se conhece mais com o coração do que com a mente.
Jesus ensinou isto quando proclamou as bem-aventuranças, dizendo: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8).

Isto quer dizer que as pessoas, no Reino de Deus, se conhecem com o coração, pois a sua identidade espiritual é o seu jeito de amar. O Reino de Deus é, de facto, um mistério de relações amorosas.

Na verdade, a Vossa morada, Deus Santo, é um campo espiritual contínuo de interacções amorosas, o qual constitui a interioridade máxima do Universo.
Glória a Vós, Deus Santo que sois Pai, Filho e Espírito Santo.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias


25 Novembro, 2009

APRENDER A SUPERAR OS FRACASSOS

Deus Santo,
Por vezes nos sentimo-nos inseguros e com medo de tomar iniciativas. Esta instabilidade emocional bloqueia as nossas capacidades criativas, limitando em nós a emergência de uma personalidade mais realizada e adulta.

Na verdade, a realização de uma pessoa implica fazer projectos, procurando atingir metas e objectivos.

É importante ter consciência de que no caminho de qualquer realização pessoal de sucesso há sempre fracassos pelo meio.

É sinal de maturidade humana saber começar de novo após os fracassos que nos acontecem na vida.
Por outras palavras, a grandeza de uma pessoa não consiste em não falhar, mas em saber seguir em frente depois dos reveses.

A pessoa que não aceita a possibilidade de fracassar, tem muita dificuldade em correr riscos e atingir objectivos.

Os medos bloqueiam a nossa capacidade de sonhar e elaborar projectos que facilitem a nossa realização pessoal.

O cristão tem este caminho facilitado, pois ele sabe que o Espírito Santo está presente no interior da pessoa, agindo como força inspiradora que liberta e optimiza as suas capacidades.

São Paulo tinha uma consciência perfeita desta verdade e por isso ele não hesita em dizer que o primeiro protagonista da sua acção evangelizadora era o Espírito Santo:

“Estou agradecido àquele que me dá força e me consagra para o serviço do Evangelho” (1 Tim 1, 12).

É impressionante o seu testemunho sobre o muito que sofreu por amor ao Evangelho de Jesus Cristo e como tinha consciência de que a sua força e capacidade vinham do Espírito Santo que estava nele.

Eis o que ele diz na Segunda Carta aos Coríntios: “São hebreus? Também eu. São descendentes de Abraão? Também eu.

São ministros de Cristo? Falo como quem delira: eu muito mais pelos trabalhos, muito mais pelas prisões, imensamente mais pelos açoites e pelas vezes que estive em perigo de morte.

Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta acoites menos um. Três vezes fui flagelado com vergastadas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei, passando uma noite e um dia no alto mar.

Viagens a pé sem conta. Perigos nos rios. Perigos de salteadores. Perigos da parte dos meus irmãos de raça. Perigos da parte dos pagãos.
Perigos na cidade. Perigos no deserto. Perigos no mar. Perigos da parte dos falsos irmãos!
Trabalhos e fadigas incontáveis. Fome, sede e muitas noites sem dormir. Frequentes jejuns, sede e nudez!

Além disto havia ainda a preocupação quotidiana e a solicitude por todas as igrejas e muitas outras preocupações (…). Deus sabe que não minto.

Em Damasco, o etnarca do rei Aretas mandou guardar a cidade, a fim de me prender. Mas fui descido num cesto, por uma janela da muralha, escapando assim das suas mãos” (Act 11, 22-33).
Na verdade, o medo de correr riscos é a causa de muitas histórias fracassadas. As pessoas persistentes acabam sempre por chegar ao sucesso, apesar dos fracassos que possam surgir no percurso.

É muito importante saber contar com a força criadora de Deus que está ao nosso dispor no nosso íntimo.

O Espírito Santo fortalece-nos, a fim de não cairmos na fuga fácil que consiste em deitar a culpa dos nossos fracassos para cima dos outros, armando-nos em vítimas.

Este modo de proceder é um obstáculo que nos impede de contornar e ultrapassar as crises que os fracassos fazem surgir na nossa caminhada.

Senhor Jesus Cristo,
A tua ressurreição é a prova de que, após um fracasso, é sempre possível retomar o caminho do sucesso.

Dá-nos a sabedoria necessária para sabermos que numa vida de sucesso há sempre fracassos pelo meio.

Tu tiveste a coragem de acreditar sempre na força do Espírito Santo e na fidelidade de Deus, vencendo todos os fracassos, inclusive o fracasso da morte.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias


21 Novembro, 2009

A DINÂMICA PROGRESSIVA DO AMOR

O amor não é um comportamento espontâneo nos seres humanos, pois não somos capazes de amar antes de ter sido amados.

A lei do amor é esta: Ninguém é capaz de amar antes de ter sido amado, e o mal amado fica a amar amar mal, isto é, fica condicionado na sua capacidade de amar.

O amor é uma dinâmica de bem-querer que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão.

Amar é eleger o outro como alvo de bem-querer, aceitando-o assim como é, apesar de o seu modo de ser e agir não ser igual ao nosso.

Amar é também agir de modo a facilitar a realização e felicidade do outro. Jesus reduziu a multiplicidade de preceitos e normas do judaísmo ao mandamento do amor:

“Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Todos saberão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 34-35).
O amor optimiza as relações humanas, conferindo-lhes a força da humanização. Isto quer dizer que o amor deve ser cultivado mediante atitudes que fortaleçam e façam emergir e a vida espiritual das pessoas.

Eis algumas dessas atitudes:
Amar implica estar presente nas horas difíceis, pois o amor tende sempre para a comunhão.

Amar é ajudar o outro a gostar de si, valorizando as suas realizações positivas, mesmo que estas não estejam de acordo com os nossos interesses.

Amar é ajudar o outro a superar a solidão e ajudá-lo a suportar os fardos com que a vida, por vezes, nos carrega.

Amar é facilitar o amadurecimento do outro, dando-lhe oportunidades para que se realize como pessoa livre, consciente e responsável.

Quem ama não substitui. Gosta de amar mas sem se sobrepor. A pessoa que ama molda a sua vida de acordo com o princípio fundamental do bem-querer: “É melhor dar do que receber.”

Amar é ajudar o outro a descobrir sentidos para viver de modo empenhado e feliz.
Amar é ser capaz de ficar calado quando se está magoado, esperando a oportunidade certa para dialogar com serenidade.
Amar é acreditar no outro e não pretender que a minha opinião é a única que vale.
Amar é saber calar-se quando sentirmos que a nossa conversa está a cansar.
Amar implica reconhecer as qualidades do outro e não girar apenas em volta dos seus defeitos.
Amar é ser capaz de partilhar não só o que tenho, mas também o que sei e, sobretudo o que sou.
Amar é entender que a disponibilidade para acolher, escutar e aceitar as diferenças do outro vale mais do que dar presentes.
Ama mais e melhor quem dá o primeiro passo no sentido da reconciliação.
Amar é estar atento, a fim de ver se o outro está precisando de mim. Não basta pensar: “Quando quiser que venha ter comigo”.
O amor é uma dinâmica de bem-querer que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão.
Ama mais quem se antecipa, a fim de ser dom para o outro. Jesus levou o amor até à sua expressão máxima: Deu-se até à morte.
O nosso amor será tanto mais perfeito quanto mais se aproximar do jeito de Jesus amar.
O amor modela o coração da pessoa para a comunhão e capacita-a para saber edificar a sua casa sobre a rocha firme.
O amor é a veste indispensável para podermos participar no banquete do Reino de Deus.
O amor é uma dinâmica que gera liberdade e criatividade.
Na verdade, a liberdade é a capacidade de se relacionar de modo amoroso com os outros e interagir de modo criativo com as coisas e os acontecimentos.
O amor tenta sempre aceita os defeitos do outro, apesar de isto exigir renúncia e sacrifício.
O amor menciona as qualidades do outro e congratula-se com os seus sucessos.
O amor não está sempre a exigir disponibilidade da parte dos outros, mas procura estar disponível quando estes precisam de si.
Quando dá uma opinião ou aconselha alguém, a pessoa que ama procura comunicar sempre o melhor da sua experiência e do seu saber.
O jeito de se dar da pessoa que ama é discreto, ao ponto de o outro nem se aperceber do sacrifício que está a ser feito em seu favor.
A pessoa que ama não se afasta do outro por causa dos seus fracassos.
O amor é dinâmico e progressivo, ao ponto de capacitar a pessoa para uma doação cada vez mais plena e gratuita.
Pelo modo gratuito e atento de se dar, a pessoa que ama é sempre a primeira a ser recordada nos momentos de sofrimento e dificuldades.
A pessoa que ama evita magoar, mas não deixa de dizer a verdade pelo simples facto de que o outro pode não gostar.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias




18 Novembro, 2009

VISLUMBRANDO A NOVA HUMANIDADE

Pai Santo,
O Espírito que o teu Filho nos deixou faz maravilhas no coração dos que o acolhem: Para uns, aquele homem não passava de um sonhador.

Mas as pessoas mais atentas diziam que se tratava de um autêntico profeta. De facto, muitas das coisas que aquele homem dizia tinham sentido e podiam até acontecer se os seres humanos se dispusessem a moldar um coração novo.

Muitos dos seus apelos podiam tornar-se realidade se a Humanidade fosse conduzida por líderes sensatos e animados pelo Espírito de Deus.

Via-se que aquele homem queria o bem da Humanidade. Nunca ninguém o acusou de falar para se exibir ou apoderar de privilégios.

Um dia pensou em escrever uma carta aberta à Humanidade, na qual dizia o seguinte: “Olá, Humanidade! Antes de mais gostava de dar-te os parabéns, pois há muitos homens e mulheres dispostos a gastar a vida por causas nobres e justas.

Nota-se que continuam a desabrochar em ti uma consciência universal capaz de defender os valores da verdade, da justiça, da fraternidade e o reconhecimento da dignidade humana.

Mas ainda muitas pessoas empenhadas em criar muros entre as raças, as culturas, as línguas, os povos, as nações e as religiões.

Na verdade, estas pessoas devem ser declaradas como malfeitores e inimigos do Homem. Felizmente a Humanidade parece estar a evoluir para um pluralismo tolerante e fraterno.

Os que querem impor a unidade de modo monolítico estão condenados ao fracasso. Parabéns, humanidade, pois no meio de ti há muita gente com fome de paz e comunhão universal.

Precisamos de muitos homens e mulheres que sejam pessoas livres, livres, conscientes e responsáveis, pois só com pessoas é possível construirmos a comunhão universal.

Precisamos de povos e sociedades onde habite a verdade e a justiça, a fim de poderem emergir pessoas únicas, originais, irrepetíveis e capazes de comunhão amorosa.

Mereces ser felicitada, pois quando deixas emergir a novidade que há em cada ser humano estás a criar-te e a atingir a tua plenitude.

Deus não te criou acabada, pois és uma Humanidade em construção. Mas ao iniciar a tua marcha criadora, Deus lançou as bases para aconteceres como um projecto onde o divino se enxerte no divino, a fim de poderes ser divinizada.

Foi com Jesus Cristo que tu, Humanidade, entraste no limiar da marcha histórica da divinização.
Felicito-te Humanidade, pois já começas a compreender que os pilares da paz e da justiça estão no diálogo e na participação de todos nas coisas que a todos dizem respeito.

Com efeito, com homens oprimidos e impedidos de tomar para na edificação do que lhes diz respeito, não é possível edificar o Reino da Comunhão Universal do Homem com Deus.

Parabéns, Humanidade, pois há sinais de estares a atingir o limiar de uma consciência nova. No entanto, ainda há muitas forças cegas que pretendem opor-se a este parto magnífico do Homem Novo.

Mas estas forças cegas não podem vencer, pois o projecto do Homem Novo sonhado por Deus caminha de modo irreversível.

Em poucas décadas conseguiste destruir muros e obstáculos que nós julgávamos muito duradoiros.

Hoje podemos olhar a vida com horizontes que, há algumas décadas atrás, ninguém ousava prever. Nota-se que a força do Deus criador está a actuar em ti.

Tu és, de facto, um processo onde acontece a novidade e o imprevisível. As pessoas sensatas habitadas pela sabedoria entendem perfeitamente que estás a emergir de modo único, original e irrepetível no concreto de cada ser humano.

Para poderes atingir a meta que Deus sonhou para ti é necessário que as pessoas humanas deixem emergir os melhores possíveis que levam no seu coração.

Só deste modo pode emergir o Homem Novo a exprimir-se em novos jeitos de solidariedade, partilha e comunhão fraterna.

Nós sabemos que não existe uma Humanidade determinada. Deus está connosco, mas não está em nosso lugar.
No nosso coração o Espírito Santo ilumina, estimula e convida, mas nunca nos substitui. Na verdade, Deus criou-nos para que nos criemos.
Isto significa, como diz o evangelho de São João, que nascemos para renascer (Jo 3, 3-6). O ser humano começa por ser um feixe de possibilidades que recebeu dos outros.

São os talentos, como Jesus Cristo lhes chamou. Uns recebem cinco, outros três, outros dois ou um. Deus acolhe-nos assim como somos e com os talentos que temos.
Ninguém é herói por receber cinco, ninguém é culpado por receber dois. A heroicidade ou cobardia resulta da fidelidade ou infidelidade com que nos realizamos fazendo render os nossos talentos.

À medida que pessoa se realiza e cresce espiritualmente é incorporada na comunhão universal do Reino de Deus.

Esta comunhão é constituída pelas três pessoas divinas, os milhões de pessoas humanas e todas as outras que possam existir ou ter existido no Universo.

Ao terminar a sua carta aberta à Humanidade, este homem, ao jeito dos profetas declara o seu propósito de gastar a vida ao serviço de uma Nova Humanidade assente na paz, na cooperação e na paz.

Podemos dizer que a sua vida tem a qualidade da vida das pessoas que são realmente mediações do amor de Deus para a Humanidade. Depois, aquele homem, dirigindo-se à Humanidade disse:

És o Homem em construção. Emerges de modo único em cada pessoa e converges para uma comunhão orgânica cuja plenitude se encontra em Deus.

És o verso central do poema magnífico da criação. Realizas-te como um rosto com duas faces: masculinidade e feminilidade.

À medida que uma pessoa cresce, tu brotas como expressão nova de liberdade, consciência e responsabilidade.

És imagem perfeita de Deus. Levas contigo as impressões digitais do Criador! Surges como expressão de um desejo expresso do Deus que te criou.
Quando surgiste já havia muitos seres vivos a pulular nesta terra bonita e fecunda. Mas ainda não existia um ser com interioridade pessoal capaz de comungar com as pessoas divinas.

Já havia na natureza muitos balidos, guinchos, uivos, grunhidos e outros sons.Mas não havia ninguém capaz de amar e fazer poesia.

Foi então que Deus parou a marcha da criação para pensar no Homem à sua imagem. A Divindade é pessoas e a Humanidade também. E assim começou a História da Criação que vai culminar na plenitude da Salvação.

A criança é uma pessoa iniciada, mas longe de estar realizada. O jovem ainda não teve tempo para chegar longe na sua construção.

Nem mesmo o adulto se pode arrogar o título de Homem plenamente acabado. Enquanto estiver em emergência histórica, a Humanidade é pessoas em construção.

Mas já pertences à cúpula personalizada do Universo! Por ser constituída por pessoas, já pertence à esfera da transcendência:

Transcendes o Universo que não é uma pessoa. Por ser pessoas, é proporcional ao próprio Deus que é uma comunhão amorosa de três pessoas.

Desde o homem primordial até aos nossos dias é a única Humanidade a acontecer. Emerge como novidade em cada pessoa.

Apesar de ser única, original e irrepetível, a pessoa só pode encontrar-se de modo feliz e perfeito dentro do entretecido comunitário.

Com efeito, para as pessoas que se excluem da comunhão, apenas existe a perdição. Isto quer dizer que a pessoa que se enrosca em si própria, fica sem horizontes de plenitude.

Quem não facilita a tua génese não se ama nem está em sintonia com a acção do Deus Criador.
Humanidade,
A tua cúpula é Jesus de Nazaré, o fruto mais amadurecido da Humanidade e o ponto de encontro e interacção do Humano com o Divino.

Humanidade,
Tu és um poema que ainda não foi inteiramente declamado. Tu és a menina dos olhos de Deus!
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

16 Novembro, 2009

VIVEU PARA DEUS E TOMOU O AMOR A SÉRIO

Olhar para o seu jeito de querer bem às pessoas era ver o rosto amoroso Deus. A sua grande paixão era defender a dignidade das pessoas, denunciando tudo o que machuca o Homem e o impede de se realizar como ser livre livre.
Amava a simplicidade das crianças e deixava sempre mais felizes as pessoas que comunicavam com ele.

Não tinha pretensões a ser rico ou poderoso e por isso preferia a companhia dos mais simples e pobres.

Jamais foi cobarde. Por isso defendia sempre os que não sabiam defender-se. Amava de modo incondicional e defendia a partilha de bens como caminho para chegar à abundância.

Os bens da Terra só chegarão para todos, dizia ele, se as pessoas aprenderem a partilhar. Jamais defendeu a morte ou a marginalização dos pecadores, mas o maior dos seus sonhos era acabar com o pecado.

Inaugurou o baptismo no Espírito Santo, a fim de renovar o coração das pessoas, fazendo-as passar do egoísmo para fraternidade.
Denunciava corajosamente os que oprimiam em nome da religião, da política ou do dinheiro.
As pessoas que o encontravam descobriam novas razões para viver e amar.
A sua mensagem minava os sistemas caducos que queriam impedir o nascimento da Nova Humanidade.
Eis a razão pela qual os poderosos e os detentores dos privilégios não queriam que ele vivesse.
Agia assim e depois declarava que a sua missão vinha de Deus.
Entre os seus inimigos mais ferozes estavam os sacerdotes e os doutores da Lei. Aliás, foram eles que programaram a sua morte.

Mataram-nos, pensando livrar-se dele para sempre. Mas ele sabia bem que o seu Pai do Céu o ia restaurar, pois estava seguro que Deus toma partido pelos que gastam a vida pelas causas do amor.

Como tinha a força e a luz do Espírito Santo, estava seguro de que Deus não o ia abandonar e que a sua missão não podia acabar no fracasso.
Tinha consciência de que a sua vida não era apenas sua, pois tomava Deus a sério, ao ponto de fazer dele a causa primeira da sua vida.
Por isso Deus lhe confiou uma missão em favor de todos os seres humanos. Levou o amor até à densidade máxima, isto é, dar a vida por aqueles a quem se ama.

Como se deu totalmente, a sua vida deixou de ser apenas sua. Ao ressuscitar difundiu o Espírito Santo para nós, a fim de nos ressuscitar com ele e sermos incorporados na Família de Deus.
Uma vez ressuscitado, a sua vida circula no coração de todos os que abrem o coração à fraternidade e ao amor.
Os seus inimigos mataram-no, mas Deus restaurou a sua vida, fazendo dele o alicerce e a cúpula da Nova Humanidade.
Graças à sua ressurreição, a Humanidade deu um salto de qualidade: De não divinos os seres humanos passaram a ser pessoas divinizadas mediante a assunção e incorporação na Família de Deus.

Como um pão que se reparte para alimentar a vida dos outros, assim foi a sua vida. Só atacava o que desumaniza o homem e o impede de se realizar e ser feliz.

Não confundia o pecado com o pecador. Ao pecador procurava libertá-lo, curando as feridas do seu pecado.

Ao pecado, pelo contrário, tentava destruí-lo, a fim de salvar a vida e a dignidade das pessoas.
Nasceu na Palestina e o seu nome era Jesus de Nazaré.

Deu-se totalmente pela missão que Deus lhe confiou, pois decidiu fazer de Deus a causa primeira da sua vida.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias


12 Novembro, 2009

REALIZAR-SE COMO PESSOA RESPONSÁVEL

Crescer como pessoa responsável é uma tarefa que ninguém pode realizar por nós.
Mas também é verdade que ninguém é capaz de se tornar uma pessoa responsável desligando-se dos outros, pois todos nós começamos por ser o que os outros fizeram de nós.

A responsabilidade começa por ser uma atitude de fidelidade aos talentos, isto é, às possibilidades de realização de que dispomos.

No íntimo da nossa consciência somos interpelados pelos valores que os outros nos transmitiram através do processo educativo.

A fidelidade ao chamamento que nos é feito pelos talentos passa por uma série de atitudes e opções concretas das quais vamos enumerar algumas:

Quando nos comprometemos a realizar uma coisa, sejamos fiéis a esse compromisso. Um ser humano que normalmente não responde pelos compromissos que assume não chegará longe na sua realização como pessoa adulta e responsável.

É fundamental responsabilizar-se pelos próprios actos sem cair na tentação das desculpas fáceis ou culpar os outros pelos seus fracassos.

Sempre que assumimos a responsabilidade das nossas atitudes e acções estamos a estruturar-nos como pessoas capazes de gerir a sua vida e o processo da sua humanização.

Devemos assumir com plena consciência o cumprimento dos nossos deveres e realizar os nossos projectos e tarefas.

Não fiquemos à espera que sejam os outros a lembrar-nos a hora ou o cumprimento dos nossos deveres.

Seremos dignos de confiança na medida em que formos responsáveis pelos nossos planos e compromissos.

Quando alguém der provas de confiança em nós, comunicando-nos as suas coisas mais íntimas saibamos guardar segredo.

A pessoa que trai a confiança que alguém depositou nela não é responsável nem é digna da confiança dos outros.

Habituemo-nos a reflectir antes de agir, a fim de actuarmos como pessoas responsáveis.
Se estivermos atentos e soubermos medir as consequências dos nossos actos, podemos ter a certeza de que nos estamos a realizar como pessoas verdadeiramente responsáveis.

Uma pessoa que age habitualmente de modo irreflectido e precipitado dificilmente chegará ser uma pessoa responsável.

Não deixemos de realizar os nossos projectos, sejam eles fáceis ou difíceis. Quando tivermos de realizar um trabalho que nos foi pedido, procuremos realizá-lo a tempo e horas.
Podemos ter a certeza de que a nossa responsabilidade crescerá na medida em que formos fiéis aos nossos deveres.
Isto quer dizer que a responsabilidade é a capacidade de responder de modo fiel e adequado aos seus deveres e compromissos.
Como acontece com todas as outras capacidades humanas, a nossa responsabilidade é algo que cresce com o exercício, pois o ser humano faz-se, fazendo.

A pessoa humana não nasce responsável, tal como não nasce consciente ou livre. Na verdade, o ser humano vai-se tornando responsável de modo gradual e progressivo.

Deus não nos criou acabados, a fim de podermos ser autores de nós mesmos e crescer como pessoas livres, únicas e responsáveis.

No evangelho de São Mateus, Jesus ensina-nos a ser responsável, dando o melhor de nós de acordo com os talentos que temos (Mt 25, 14-30).

Enquanto capacidade de responder de modo fiel aos nossos talentos, podemos dizer que a responsabilidade cresce em conjunto com a nossa consciência e liberdade.

Como ser consciente, a pessoa descobre o leque das suas possibilidades de realização, tanto a nível pessoal como social.

Como ser livre, a pessoa é capaz se relacionar de modo fraternal e cooperador com os outros, bem como interagir de modo criador com os acontecimentos e as coisas.

Como capacidade associada à consciência e à liberdade, a responsabilidade não é uma capacidade estática, isto é, oposta a suscitar a novidade nas suas opções e na sua realização pessoal.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias


09 Novembro, 2009

A ARTE DE RENASCER PARA A VIDA ETERNA

Nascemos para voltar a nascer pelo Espírito Santo, diz Jesus no evangelho de São João (Jo 3,6).

O nosso ser espiritual nasce da ternura maternal do Espírito Santo que nos convida e capacita para fazermos opções de amor.

Nascemos para dar frutos de Vida eterna. A nossa vida será fecunda se estivermos unidos a Jesus como os ramos da videira estão unidos à cepa.

Sem esta união orgânica, diz Jesus, nós não podemos dar frutos. Nascemos nas coordenadas to tempo e do espaço, mas a nossa plenitude só é atingida nas coordenadas da eternidade, isto é, equidistância a tudo e a todos. São estas as coordenadas da morada de Deus.

A morada de Deus é um campo espiritual contínuo de interacções amorosas, o qual constitui a interioridade máxima do Universo.

É por esta razão que Deus vem sempre a nós a partir de dentro. Nascemos para renascer, entrando na marcha da humanização cuja lei é:
“Emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a Comunhão Universal”.
Emergir como pessoa significa crescer em densidade espiritual e capacidade de interagir fraternalmente com os outros.

A marcha da evolução trouxe-nos até à maravilhosa complexidade cerebral do homem. O cérebro humano é a matriz de tudo aquilo que o Homem é e o animal não chegou a ser.

O cérebro humano é o barro amassado no qual Deus insuflou o hálito da vida, dando origem à marcha histórica da humanização.

O ser humano está a emergir e a estruturar-se em duas dimensões profundamente diferentes: psico-somática e espiritual, isto é, o ser exterior e o ser interior.

O osso ser exterior é mortal e o interior é espiritual e, portanto imortal. O nosso ser espiritual é ressuscitável, estanco capacitado para viver eternamente com Deus.

O nosso ser interior emerge como o pintainho dentro do ovo. A plenitude da vida espiritual, acontecerá no dia em que o ovo eclodir e o pintainho nasça para a comunhão universal.

Estamos a renascer emergindo como pessoas chamadas a convergir para a Comunhão da Família de Deus.

A dinâmica que fortalece e faz emergir o nosso ser espiritual cresce mediante relações de amor, e estrutura-se em densidade de vida eterna.

Renascer implica emergência pessoal e convergência comunitária. Fechada em si e separada dos outros, a pessoa não encontra sua plenitude.

É verdade que o ser humano está alicerçado numa unicidade individual, mas talhado para a reciprocidade amorosa.
Ser pessoa é ter um coração capaz de eleger o outro como alvo de bem-querer, tornando-se dom para ele e acolher a doação que o outro lhe faz de si mesmo.

A pessoa humana tem a capacidade de eleger os outros como irmãos, mesmo para lá dos laços do sangue.

Até neste ponto somos parecidos com Deus, pois pessoas divinas também nos elegeram como membros da Família de Deus: filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação ao Filho de Deus.

A nossa identidade é histórica. Para nos dizermos temos de contar uma história. Isto quer dizer que seremos eternamente segundo nos realizemos agora na história.

Como não nascemos como pessoas acabadas, nascemos para renascer. A robustez dos nosso ser espiritual mede-se pela capacidade de amar e comungar. Vale, não pelo que tem, mas por aquilo que é.

Pelo facto de a arte de renascer implicar a liberdade, cada pessoa renasce como ser único, original e irrepetível.

Eis o sentido desta fome de renascer que é um convite permanente a vencer os nossos limites de sangue, raça, nacionalidade ou condição social.

Nascemos talhados para Deus. A nossa condição de seres espirituais coloca-nos na cúpula da criação, pessoas humanas capacitadas para comungar com as pessoas divinas.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

06 Novembro, 2009

A EFICÁCIA DA PALAVRA DE DEUS

I-A FORÇA CRIADORA DA PALAVRA

A Palavra de Deus é criadora, diz a bíblia (cf. Gn 1, 3-28).

Nos primórdios da Criação, diz o Livro do Génesis, a Palavra actuava como força significante que sai de Deus e realiza aquilo que significa:

Deus disse: “faça-se a luz” e assim aconteceu” (Gn 1, 3).

Deus disse: “Que se faça o firmamento” e o firmamento aconteceu” (Gn 1, 5).

“Deus disse: “Reúnam-se as águas” e assim aconteceu” (Gn 1,9).

“Deus disse: “que a Terra produza verdura” e assim aconteceu” (Gn 1, 11).

“Deus disse: “haja luzeiros no firmamento dos céus, a fim de separarem o dia da noite.” E assim aconteceu” (Gn 1, 14).

“Deus disse: “que as águas sejam povoadas por multidões de seres vivos” e assim aconteceu” (Gn 1, 20).

“Deus disse: “que a terra produza seres vivos, segundo as suas espécies, animais domésticos e animais selvagens segundo as suas espécies” (Gn 1, 24).

(Gn 1, 26): “Deus disse: “façamos o ser humano à nossa imagem e à nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre os répteis que rastejam pela terra” E assim aconteceu” (Gn 1, 26).

Em seguida, Deus disse-lhes: “crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a Terra” (Gn 1, 28).
Mas é sobretudo no evangelho de São João que podemos descobrir a mais profunda interacção da Palavra com o mistério de Deus e com a dinâmica da Criação:

“No princípio já existia a Palavra. E a Palavra era Deus e estava em Deus.
Foi pela Palavra que tudo começou a existir e sem a Palavra nada chegou à existência.
A Vida estava na Palavra e passou a animar todos os seres vivos.
A Vida é também a Luz dos homens. Esta Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam” (Jo 1, 1-5).
II-OS PROFETAS E A PALAVRA

Quando a Palavra de Deus invade o coração do ser humano, este torna-se profeta, isto é, portador de uma mensagem de Deus para os homens.

O profeta anuncia o plano de Deus para o Homem e a Criação, ao mesmo tempo que denunciam as atitudes do Homem que se opõem ou tentam bloquear a sua plena humanização.

Isto significa que a mensagem que o profeta anuncia não é sua. Ele é o medianeiro que anuncia aos homens a Palavra de Deus em grandeza humana.
A sua missão é importante, pois é por ele que o Espírito Santo põe Deus a falar aos homens.
Além disso, ao anunciar a Palavra Salvadora de Deus, o profeta também a ser salvo pela mesma Palavra que anuncia aos homens.

Ao lermos os relatos de chamamento dos profetas, podemos ter a sensação de que a Palavra de Deus se impõe aos profetas, obrigando-os a realizar a sua missão.

Este modo de falar é apenas para realçar o facto de a Palavra de Deus ser eficaz e ser ela que capacita o profeta para a missão.

Na maneira de ver dos textos sagrados, o profeta é um homem totalmente possuído pela Palavra.

É a Palavra que lhe confere a coragem para anunciar e, ao mesmo tempo, para enfrentar os príncipes e os poderosos que se opõem à sua mensagem.

O profeta sabe que esta força vem da Palavra de Deus e não de si.
Por isso o chamamento do profeta aparece normalmente sintetizado de modo muito simples pela expressão: “A Palavra do Senhor veio sobre mim”.

Podemos dizer que os gestos proféticos são realizações da força da Palavra a fazer história com o Homem.

A Palavra de Deus começa por ser um acontecimento vivo no coração do profeta. O protagonista deste Acontecimento é o Espírito Santo.

Depois de o Espírito Santo provocar o acontecimento da Palavra no coração do profeta, este nunca mais voltará a ser o que era antes.

As transformações operadas na vida do profeta e na vida das pessoas que acolhem a Palavra são a expressão da eficácia da mesma Palavra.

Como acabamos de ver, a Palavra de Deus não é um simples discurso, mas um acontecimento que inicia uma nova etapa na História.

Podemos dizer que a Palavra de Deus encarna na vida do profeta e das pessoas que a acolhem.
Isto quer dizer que os gestos dos profetas emergem do seu coração, graças à eficácia da Palavra e à acção do Espírito Santo.

A Palavra do Senhor realiza o que significa na vida das pessoas que a acolhem.
Por se sentir possuído pela Palavra, o profeta tem consciência de que não está a falar em nome próprio.

É por esta razão que os profetas não hesitam em afirmar que é o próprio Deus quem fala pela sua boca: ”Assim fala Yahvé,” repetem eles.

Eis o que diz a Segunda Carta de São Pedro a este propósito:
“A profecia jamais veio por vontade humana, mas os homens, movidos pelo Espírito Santo, falam como quem vem da parte de Deus (2 Pd 1, 21).

É por esta razão que o próprio profeta nunca esgota o alcance e a profundidade da mensagem que anuncia.

O facto de a Palavra ser eficaz não quer dizer que se imponha aos seres humanos.
De facto, a pessoa pode opor-se a Deus. No entanto, a rejeição da Palavra de Deus produz efeitos negativos no coração da pessoa que a rejeita, pois a Palavra de Deus coincide com o que é melhoromemHomem para o Homem.

A conversão é sempre uma decisão do Homem em acolher a proposta amorosa de Deus. Ao contrário do que acontecia com o legalismo dos Levitas, o pecado não é nunca uma mera transgressão.

Pelo contrário, é uma infidelidade à aliança de Deus da qual a aliança matrimonial é símbolo.
Podemos dizer que o profeta é o homem do compromisso com a transformação histórica, apontando sempre para os critérios de Deus, os quais são diferentes dos critérios dos homens.
Pela revelação sabemos que, no princípio, era o amor concretizado numa comunhão familiar de três pessoas.

Através da sua Palavra, Deus revelou-nos o grande amor com que nos criou e salvou em Cristo.
Graças ao dom da revelação nós sabemos que não estamos perdidos num mundo caótico e a caminhar para o vazio da morte.

Por si só, o Homem nunca podia chegar a esta compreensão profunda do mistério de Deus, do Homem e do sentido da História.

Apesar de não ser irracional, a Palavra de Deus transcende a simples razão humana.
Podemos dizer que a revelação está para a razão, como os binóculos para os olhos: Assim como os binóculos optimizam as capacidades dos olhos, a fé amplia os horizontes da razão.

Mas o Homem pode recusar-se a agir segundo as propostas que lhe são feitas pelo Deus da Aliança.

Levamos em nós a serpente que nos pretende fazer acreditar que as propostas de Deus não são boas para nós.

O Espírito Santo ao provocar o eco da Palavra no nosso coração, faz emergir em nós a Sabedoria que nos capacita para saborearmos a vida com os critérios de Deus.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias




03 Novembro, 2009

SABOREANDO O DOM DA FRATERNIDADE

Deus Pai,
No princípio, o teu amor paternal orientava-se de modo exclusivo para o teu Filho Unigénito.

Depois, como o teu Filho partilhou connosco a sua condição de Filho de Deus, nós passámos a ser co-herdeiros com ele da sua filiação divina.

Filho Eterno de Deus,
Nós te damos graças por teres partilhado connosco o amor com que o Pai te ama desde toda a eternidade.

Ao tornares-te nosso irmão de modo totalmente gratuito, tu inauguraste a dinâmica da fraternidade universal.

Primeiro fizeste-te irmão de todos nós. Em seguida deste-nos o mandamento do amor, a fim de nos colocares na situação da fraternidade universal.

Eis como o evangelho de São João resume este teu gesto de irmão amoroso: “É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15, 12).

Filho Eterno de Deus,
Pelo mistério da Encarnação deixaste de ser o Filho Único de Deus para te tornares o primogénito de muitos irmãos como diz São Paulo (Rm 8, 29).

Espírito Santo,
Tu habitas de modo permanente no nosso coração. Com o teu jeito maternal de amor tu nos conduzes a Deus Pai e ao Filho eterno de Deus, a fim de nos incorporares na Família Divina.

Mas o teu amor maternal vai mais longe, conduzindo-nos à comunhão com os irmãos, a fim de formarmos a Família Universal de Deus.

São Paulo diz que é por ti que os seres humanos se tornam filhos e herdeiros de Deus Pai, bem como irmãos e co-herdeiros com o Filho de Deus (Rm 8, 14-17).

Espírito Santo,
No nosso íntimo tu és o grande escultor da fraternidade, ajudando-nos a passar do coração egoísta de Caim para o coração manso, humilde e fraterno de Jesus Cristo.

Na verdade, nós somos seres talhados para a comunhão: precisamos da estima dos outros para nos estimarmos e gostarmos de nós.

A comunhão fraterna é realmente a grande meta da humanização cuja plenitude é a nossa incorporação na Família de Deus.

A plenitude da pessoa não está em si, mas na comunhão com os demais.

Isto significa que a pessoa, reduzida a si, está em estado de perdição. Com efeito, o estado de inferno não é mais que a ausência total e definitiva de comunhão.

Estamos talhados para a comunhão fraterna. As pessoas humanas apenas podem estruturar-se de modo equilibrado e feliz em contexto de fraternidade.

Por outras palavras, precisamos uns dos outros para nos realizarmos como pessoas.

Quando se sente só ou rejeitada, a pessoa tem muita dificuldade em se realizar.
Espírito Santo,
Capacita-nos para sabermos confiar nos outros e agir de modo a merecer a sua confiança.

Ensina-nos a ouvir com empatia quando os outros nos querem comunicar os seus sentimentos íntimos.

Torna-nos capazes de guardar os segredos que os outros nos confiaram, a fim de sermos dignos da sua amizade.

Ajuda-nos a estar atentos aos valores dos outros e a ser capazes de valorizar as suas realizações.

Ensina-nos a comunicar sempre numa linha de verdade e autenticidade.

Dá-nos um coração aberto e acolhedor, a fim de sabermos compreender e aceitar a pessoas que se cruzam connosco na vida.

Pai Santo,
Ajuda-nos a tomar consciência de que os outros são um dom de para nós, pois são os irmãos que tu nos dás, a fim de seres o Nosso Pai.

Espírito Santo,
Ajuda-nos a moldar um coração fraterno, e a não querermos estar sempre acima dos outros.

Ilumina-nos, a fim de reconhecermos que ninguém é bom em tudo, a fim de sermos capazes de aceitar e aprender com as qualidades dos outros.

Dá-nos a sabedoria necessária para compreendermos que cada pessoa é única, original e irrepetível e, por isso, nunca está a mais, pois não é cópia de ninguém.

Ajuda-nos a saborear o ensinamento magnífico da Carta aos Efésios que diz: “Há um único Senhor, uma única Fé, um único baptismo.

Há um só Deus e Pai de todos que está acima de todos, actua por meio de todos e se encontra em todos” (Ef 4, 5-6).

Jesus, Irmão Querido,
Ensina-me a arte de escutar os irmãos, lembrando-me de que as pessoas que se recusam a escutar os outros não merecem ser escutadas.

Ajuda-nos a saber construir fraternidade na História, pois esta é a única maneira de chegarmos à Fraternidade Universal do vosso Reino.
Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias





01 Novembro, 2009

OS CONTEÚDOS DA NOSSA FÉ

Pai Santo,

Obrigado pelos ensinamentos da vossa revelação, graças aos quais nós podemos compreender as coisas, os acontecimentos com o sentido que vós lhes dais.

Nós sabemos que a nossa fé tem como fundamento a vossa Palavra e por isso nós afirmamos que a fé é um dom de Deus e não apenas um simples resultado da investigação humana.

A fé ensina-nos uma série de verdades fundamentais para aprofundarmos o sentido da vida. Eis algumas dessas verdades que nos dão novos horizontes para caminhar:

Pela fé nós acreditamos que Vós, Deus Santo, sois uma Família de três pessoas.

Acreditamos também que a criação do Universo resulta de uma decisão do vosso amor e de um diálogo entre as pessoas divinas do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Nós acreditamos a Divindade se uniu à Humanidade, através desse enxerto a que nós damos o nome de Encarnação.

Acreditamos que através deste mistério da Encarnação, o divino passou a interagir de modo directo com o humano em Jesus de Nazaré.

Acreditamos que por este mistério de amor o Filho Eterno de Deus se tornou nosso irmão, a fim de nós sermos incorporados na Família da Santíssima Trindade.

Acreditamos que em Jesus de Nazaré se exprimia em grandeza humana o próprio Filho Eterno de Deus, pois nele, o humano e o divino faziam uma união orgânica.

Acreditamos que o Espírito Santo tem um papel central no acontecimento da Encarnação.



Acreditamos que Vós, Trindade Santa, vos revelastes e escolhestes um povo para ser o medianeiro da revelação para a Humanidade.

Acreditamos que a primeira mediação da vossa revelação para a Humanidade foi o povo Bíblico e que, com Jesus Cristo, surge o novo povo de Deus, levando a revelação à sua plenitude.

Acreditamos que o novo povo de Deus se edifica no interior de todas as raças, línguas, povos e nações da terra, a fim de anunciar o amor de Deus à Humanidade inteira.


Acreditamos que a pregação do Evangelho é um serviço fundamental para o bem da Humanidade.

Acreditamos que vós, Deus Santo, sois amor, e portanto, não fazeis mal ao Homem e nunca condenais ninguém.

Isto quer dizer que se houver pessoas que vão para a morte eterna, estas condenam-se por sua própria decisão.

Acreditamos que vós, Deus Santo, quereis que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento pleno da Verdade, como diz São Paulo (1Tm 2, 4).

Trindade Santíssima,
Nós acreditamos que há um só Deus que sois Vós e que Jesus Cristo é o único medianeiro entre Deus e o Homem (1Tm 2,5).

Espírito Santo,
Obrigado por continuares a capacitar homens e mulheres, a fim de levarem a Palavra de Deus pelo mundo.

Pai Santo,
Nós te louvamos por nos teres criado à tua imagem e semelhança, a fim de tomarmos parte na festa da ressurreição do teu Filho.

Glória a Vós, Deus Bendito, por serdes Pai, Filho e Espírito Santo.
Aleluia!


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

28 Outubro, 2009

PENTECOSTES E A UNIVERSALIDADE DA FÉ



Apesar de na Igreja nascente haver tensões e dificuldades em relação ao acolhimento dos pagãos, o Espírito Santo foi conduzindo os Apóstolos e as comunidades no sentido de aceitarem os gentios
em pé de igualdade com os judeus.

O Espírito Santo foi abrindo os horizontes dos cristãos de origem judaica, a fim de eles compreenderem que o plano Salvador de Deus se destina aos homens de todas as raças, línguas, povos e nações.

O Pentecostes surge assim como o impulso universalista da ressurreição de Cristo. Os cristãos começam a dar-se conta que o baptismo no Espírito é a dinâmica da salvação a acontecer no coração das pessoas.

Os evangelhos sublinham claramente a diferença essencial que existe entre o baptismo de João, rito de purificação, e o baptismo iniciado com a ressurreição de Jesus, isto é, o baptismo no Espírito.

Depois de mim virá alguém que é maior que eu dizia João Baptista pois eu nem sou digno de levar as suas sandálias. Será ele quem vos baptizará no Espírito Santo e no Fogo (Mt 3, 11).

O Espírito Santo é o protagonista da salvação e habita em nós como num templo, diz São Paulo:
“Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?” (1 Cor 3, 16).

O Espírito Santo é o impulso libertador da salvação de Deus a actuar no nosso coração: “Onde está o Espírito de Cristo ressuscitado aí está a liberdade” (2 Cor 3, 17).

Após a sua ressurreição, Jesus ordena aos Apóstolos para permanecerem em Jerusalém, a fim de receberem o Espírito Santo que os vai qualificar para anunciarem o Evangelho até aos confins da terra (Act 1, 8).

Foi o Espírito Santo que ressuscitou Jesus. É este mesmo Espírito que faz germinar em nós a Fé e nos capacita para proclamar a Boa Nova da ressurreição.

São Paulo diz que a sua pregação não se apoia na sabedoria humana ou em palavras persuasivas, mas na manifestação do Espírito Santo (1 Cor 2, 4-5).

Tudo isto é a realização da profecia do profeta Joel, como diz o Livro dos Actos dos Apóstolos:
“Depois disto derramarei o meu Espírito sobre toda a Humanidade. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão.

Os vossos anciãos terão sonhos e os vossos jovens terão visões. Naquele dia também derramarei o meu Espírito sobre vossos servos e servas” (Jl 3, 1-2; cf. Act 2, 16-21).

Os frutos da presença do Espírito Santo em nós, diz a Carta aos Gálatas são: paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, gentileza e auto controle.

Não existe Lei contra este novo jeito de viver que o Espírito Santo difunde por todos nós (Gal 5, 22-23).


E foi assim que Jesus Cristo, ao ressuscitar, nos fez passar da aliança da letra que mata, para a Aliança do Espírito que dá Vida (2 cor 3, 6).

A Carta aos Efésios vai nesta mesma linha quando afirma que o Homem Novo nasce do Espírito e não da letra:

“No que toca à vossa conduta, deveis despir-vos do homem velho, corrompido por desejos enganadores.

Renovai-vos de acordo com a acção do Espírito que anima as vossas mentes, revestindo-vos do Homem Novo criado em conformidade com Deus na justiça e na santidade verdadeiras” (Ef 4, 22-24).

Graças ao baptismo no Espírito Santo os mistérios de Deus são-nos revelados de modo gradual e progressivo:

“Foi ainda em Cristo que vós ouvistes a Palavra da verdade, o Evangelho que vos salva.
Foi neste Evangelho que acreditastes e, por isso, fostes marcados com o selo do Espírito Santo prometido, o qual é a garantia da herança que receberemos no dia da redenção” (Ef 1, 13-14).

É pelo Espírito Santo, diz Jesus no evangelho de São João que nós seremos conduzidos à verdade. Ele é “O Espírito da Verdade que o mundo não pode receber, pois não o vê nem o conhece.

Vós conhecei-lo porque Ele está convosco e em vós” (Jo 14, 17). Pelo baptismo no Espírito, os crentes têm um guia e um mestre que os conduz para a Verdade plena:

“Fui-vos revelando estas coisas enquanto permanecia convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordar-vos-á tudo o que eu vos disse” (Jo 14, 25-26).

Apesar de ser judeu, São Paulo viveu a experiência do baptismo no Espírito, o qual fez que lhe caísse dos olhos uma espécie de escamas que o impediam de ver o mistério de Cristo:

“Então Ananias partiu, entrou na casa indicada, impôs as mãos sobre ele e disse: “Saulo, meu irmão, foi o senhor que me enviou, esse Jesus que te apareceu no caminho, a fim de recobrares a vista e ficares cheio do Espírito Santo”.

Nesse mesmo instante caíram-lhe dos olhos uma espécie de escamas e recobrou a vista. Depois, levantou-se e recebeu o baptismo” (Act 9, 17-18).

Foi esta experiência que levou São Paulo a dizer que Cristo nos ajuda a passar da aliança da letra que mata para a Aliança do Espírito que vivifica (2 Cor 3, 6).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

25 Outubro, 2009

A ARTE DE RENASCER PELO ESPÍRITO SANTO



A Divindade é relações e a Humanidade também. Quanto mais a Humanidade interage com a Divindade, mais as relações humanas são optimizadas pelo amor de Deus.

A Carta aos Romanos diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

O Espírito Santo ama com um jeito maternal que, por ser fecundo, gera filhos e filhas para Deus Pai. A primeira Carta de São João diz que ele é a semente de Deus no nosso íntimo (1 Jo 3, 9).

Ao gerar a vida de Deus em nós faz-nos exultar, clamando Abba, isto é, Pai Querido (Gal 4, 4-6).

Todos os que se deixam conduzir pelo Espírito Santo, diz São Paulo, são introduzidos na Família de Deus: Filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação ao Filho de Deus (Rm 8, 14-15).

Como o seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo optimizou o amor maternal de Maria, a fim de realizar a sua missão de Mãe do Filho de Deus (Lc 1, 35).

Uma pessoa animada pelo Espírito Santo é incapaz de negar Jesus Cristo, diz a Carta aos Romanos.

Do mesmo modo, ninguém é capaz de reconhecer Jesus como o Senhor ressuscitado, a não ser pelo Espírito Santo (Rm 12, 3).

Por ter a plenitude do Espírito Santo, Jesus deu início ao baptismo no Espírito (Mc 1, 8; Lc 3, 16).

Foi o Espírito Santo que consagrou Jesus para anunciar a Boa Nova aos pobres, Dar vista aos cegos.

Foi ele que capacitou Jesus para fazer caminhar os coxos e iniciar a plenitude dos tempos em que pode acontecer a dinâmica da graça no coração dos seres humanos (Lc 4, 18-21).

Por vezes, Jesus exultava de alegria sob a acção do Espírito Santo, dando início a diálogos maravilhosos com Deus Pai (Lc 10, 21).

Após a sua ressurreição, Jesus consagra os discípulos com a força do Espírito Santo que é que é a Força do Alto (Lc 24, 49).

Para tomarmos parte na plenitude do Reino de Deus, disse Jesus, temos de nascer de novo pela acção do Espírito Santo (Jo 3, 6).

De tal maneira a sua acção é central no projecto salvador de Deus que o pecado contra o Espírito Santo é o único que não tem perdão (Mt 12, 31-32, Mc 3, 29; Lc 12, 10-12).

Pecar contra o Espírito Santo significa bloquear a sua acção salvadora no interior da nossa vida.

Pecar contra o Espírito Santo é negar a evidência dos factos e atribuir a forças maléficas o que resulta da sua acção na vida das pessoas.

A pessoa que chega a uma situação destas anula qualquer possibilidade de encontro e comunhão com Deus e os irmãos.

O pecado contra o Espírito Santo e situação de inferno são uma e a mesma coisa: a oposição sistemática e incondicional às propostas do amor.

Jesus disse que é o Espírito Santo quem nos conduz à Verdade plena e total (Jo 14, 26). O Livro dos Actos dos Apóstolos diz que as pessoas que se deixam conduzir pelo Espírito Santo anunciam as maravilhas de Deus com toda a coragem (Act 4, 31).

São Lucas diz no Livro dos Actos dos Apóstolos que os judeus que martirizaram o diácono Estêvão não conseguiam resistir à sabedoria do Espírito Santo que falava nele (Act 6, 10).

Na verdade, os primeiros cristãos viviam repletos da consolação do Espírito Santo diz o Livro dos Actos dos Apóstolos (Act 9, 31).

Utilizando a simbologia do profeta Joel, a Carta a Tito diz que fomos purificados pelo poder regenerador do Espírito Santo que Cristo derramou abundantemente sobre nós (Tit 3, 5-6).


São Paulo diz que a sua pregação era eficaz, não por ser fruto de qualquer ciência humana, mas por ser uma demonstração do Espírito Santo (1 Cor 2, 4).


Ele é, diz a Carta aos Efésios a garantia da nossa salvação. Eis as suas palavras: “Não contristeis o Espírito Santo com o qual fostes selados para o dia da Salvação (Ef 4, 30).


Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo conduz-nos a Deus Pai que nos acolhe como filhos e a Deus Filho que nos recebe como irmãos.


Ele é o hálito da vida que Deus Pai introduziu no barro primordial a partir do qual criou Adão (Gn 2, 7).


Com a sua ternura maternal, o Espírito Santo facilita em nós a tarefa da nossa humanização, inspirando gestos e atitudes, decisões e realizações inspirados pelo amor.


Ele é o fruto da Árvore da Vida plantada no centro do Paraíso (cf. Gn 3, 22-23). É também o sangue de Deus a circular em nós, alimentando e robustecendo em nós a vida divina.


São Paulo diz que ele é a força ressuscitadora de Cristo a actuar no nosso coração (Rm 8,11). Ele é o coração da Nova Aliança assente, não na letra que mata, mas no Espírito que vivifica (2 Cor 3, 6).


É o Espírito Santo que confere ritmo e harmonia à génese grandiosa do Universo em gestação. É também a semente de Deus a gerar vida divina nosso íntimo, como diz a primeira Carta de São João (1 Jo 3, 9).


É o dom da plenitude dos tempos que Deus Filho nos concede pelo beijo da Encarnação. Após o pecado de Adão ele inicia a marcha da História Humana, a qual vai culminar na plenitude dos tempos, isto é, no parto que dá lugar ao nascimento do Homem Novo.


Ele é o princípio da Vida Nova que não se degrada. Mesmo que o nosso ser exterior se vá degradando e envelhecendo, diz São Paulo, o nosso interior vai-se robustecendo cada dia mais graças à acção do Espírito Santo (2 Cor 4, 16).


É ele que nos coloca em interacção com a Comunhão dos Santos que habita a morada de Deus.

A morada de Deus é um campo espiritual contínuo de interacções amorosas e que constitui a interioridade máxima do Universo.


Elegeu o nosso coração como ponto de encontro entre nós, a Comunhão Universal dos eleitos cujo coração é a Santíssima Trindade.


Na Primeira Carta aos Coríntios, São Paulo diz que ele habita no nosso coração como num templo (1 Cor 6, 19).


Com o seu jeito maternal de amar ele optimiza as relações de amor entre os seres humanos.
Isto quer dizer que, no nosso íntimo, o Espírito Santo é santo e santificador.


Ele está presente a todas as interacções amorosas que formam o entretecido da Comunhão Amorosa Universal do Reino de Deus.


É a força que vai estruturando a Nova Criação, isto é, a Humanidade reconciliada com Deus através de Cristo (2 Cor 5, 17-19).


O Livro dos Actos dos Apóstolos diz que é o Espírito Santo que ilumina os corações dos não cristãos, capacitando-os para acolher a Palavra de Deus quando esta lhes é proclamada (Act 10, 44-45).


Só com a iluminação do Espírito Santo podemos antecipar na esperança a felicidade que nos espera no Reino de Deus.


Com a sua luz inspiradora, ele faz-nos saborear a verdade do Evangelho, esse tesouro inesgotável que é sempre antigo e sempre novo.


É ele quem nos ensina a discernir as coisas de Deus, capacitando-nos para separarmos, no nosso coração, a luz das trevas.


Sem o Espírito Santo, a palavra evangelizadora não passava de um conjunto de sons sem conteúdo de vida e força transformadora.


É ele que confere sabor à vida, convidando as pessoas a realizarem-se como seres livres, conscientes e responsáveis. Em Comunhão Convosco

Calmeiro Matias




21 Outubro, 2009

INTERAGIR COM DEUS PARA BEM O CONHECER

“Esta é a vida eterna: Que te conheçam, Pai, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem tu enviaste” (Jo 17, 3).

O conhecimento de Deus, segundo o Novo Testamento, não é uma questão meramente intelectual.

Conhecer Deus é algo que implica uma comunhão orgânica com ele, animada pelo Espírito Santo:

“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. Todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus.

Aquele que não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor.” (1 Jo 4, 7-8).

O amor a Deus, portanto, não é uma realidade separada do amor aos irmãos. Por outras palavras, o amor aos irmãos é o caminho seguro para atingirmos o conhecimento de Deus como diz a Primeira Carta de São João:

“A Deus nunca ninguém o viu. Mas se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós” (1 Jo 4, 12).

E logo a seguir acrescenta: “Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso, pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê.

Nós recebemos de Jesus este mandamento: quem ama a Deus, ame também o seu irmão” (1 Jo 4, 20-21).

São Paulo diz que todo o que ama a Deus é conhecido pelo próprio Deus, no sentido bíblico de constituir uma interacção amorosa e fecunda.

“ Mas se alguém ama a Deus, esse é conhecido por Deus!” (1 Cor 8, 3). O conhecimento de Deus, diz São Paulo, não é uma mera questão de ciência humana: “A ciência incha, mas o amor edifica” (1 Cor 8, 1).

Na verdade, só pelo amor se pode chegar ao verdadeiro conhecimento de Deus: O Espírito Santo é a pessoa que anima e fortalece a comunhão amorosa entre Deus e os irmãos.

“Nós damo-nos conta de que permanecemos em Deus e ele em nós, pois ele fez-nos participar do Espírito Santo” (1 Jo 4, 13).

São Paulo vai nesta mesma linha ao afirmar que ninguém pode conhecer e saborear o mistério de Cristo ressuscitado a não ser pelo Espírito Santo:

“Ninguém é capaz de Dizer: “Cristo é o Senhor ressuscitado” a não ser pelo Espírito Santo” (1 Cor 12, 3).

No fundo é isto que São Paulo quer dizer quando afirma que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5,5).

Conhecer Cristo é fazer com ele uma união orgânica, dinâmica e fecunda, semelhante à união que existe entre a cepa da videira e os seus ramos (Jo 15, 4-5).

É uma união deste tipo que dinamiza a relação de Cristo com o seu Pai, como Jesus diz no evangelho de São João (Jo 6, 54-57).

Numa outra passagem do evangelho de São João, Jesus afirma que ele e o Pai fazem um (Jo 10, 30).

A comunhão, na Eucaristia, é um momento privilegiado para os cristãos exprimirem e fortalecerem esta união com Cristo e através dele com o Pai (Jo 6, 55-56).

Comer a carne de Cristo significa unir-se ao Senhor ressuscitado mediante o Espírito Santo.

Alimentar-se da Carne e do Sangue de Cristo é ser dinamizado pelo Espírito Santo, pois a vida vem do Espírito e não da carne que não presta para nada disse Jesus (Jo 6, 62-63).

São Paulo diz que a nossa união orgânica a Cristo significa fazer parte do Corpo de Cristo:
“Comemos um só pão porque formamos um só Corpo (1 Cor 10, 17).

Ou então: “Vós sois corpo deCristo e seus membros, cada um na parte que lhe toca” (1 Cor 12, 27).

O princípio que estrutura e dinamiza este Corpo de Cristo, diz a Primeira Carta aos Coríntios, é o Espírito Santo:

“Fomos baptizados no mesmo Espírito, a fim de formarmos o Corpo de Cristo (1 Cor 12, 13).
Eis Como Jesus exprimiu estemistério no evangelho de São João:

“Permanecei em mim que eu permaneço em vós. Assim como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas apenas permanecendo na videira, assim acontecerá convosco se não permanecerdes em mim.

Eu sou a videira e vós os ramos. Quem permanece em mim e eu e eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer.” (Jo 15, 4-5).

Jesus Cristo é o grande revelador do rosto de Deus, como Jesus disse ao Apóstolo Filipe: “Há tanto tempo que estou convosco, Filipe, e ainda não me conheces? Quem me vê, vê o Pai.” (Jo 14, 18).



A meta é a união do Homem com Cristo e através dele a união com o Pai: “Nesse dia compreendereis que eu estou no Pai, vós em mim e eu em vós” (Jo J0 14, 20).

O sacramento da Eucaristia explicita este mistério da união orgânica da Humanidade com a Divindade como o próprio Jesus disse:

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive e eu vivo pelo Pai, também aquele que me come viverá por mim” (Jo 6, 56-57).

A meta desta união é a Comunhão Universal do Reino de Deus: “Pai, não rogo apenas por eles, mas igualmente por todos os que hão-de acreditar em mim por meio da sua palavra, a fim de que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti.

Pai, faz que eles permaneçam em nós, a fim de o mundo ver e acreditar que tu me enviaste. Pai Santo, eu dei-lhes a glória que me deste, a fim de que todos sejam um, como nós somos um.

Eu neles e tu em mim, a fim de eles chegarem à perfeição da unidade (…). Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu conheci-te e estes reconheceram que tu me enviaste.

Eu dei-lhes a conhecer quem tu és e continuarei a tornar-te conhecido, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu esteja neles também” (Jo 17, 20-26).

Ao avivar em nós a Palavra de Deus, o Espírito Santo põe-nos em interacção com o Pai e o Filho, a fim de melhor conhecermos o seu mistério e o seu plano de salvação para nós.

Eis as palavras de Jesus: “Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que eu vos disse” (Jo 14, 26).

Ao ressuscitar, Jesus comunicou-nos a possibilidade de interagir de modo intrínseco com o Espírito Santo, a fim de participarmos da mesma interacção que existe entre o Pai e o Filho:

“Todos os que são movidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão, mas um Espírito que faz de vós filhos adoptivos.

É por este Espírito que clamamos “Abba”, Pai Querido” (Rm 8, 14-15; cf. Ga 4, 4-7). Nenhum ser humano entra isoladamente na comunhão familiar de Deus.

Na verdade, nós somos incorporados nesta comunhão familiar, graças ao facto de formarmos um todo orgânico com Cristo.

A Carta aos Gálatas diz que todos nós somos apenas um em Cristo (Ga 3, 29). Ao falar do seu conhecimento e da sua união com Cristo, São Paulo diz o seguinte:

“Já não sou eu que vivo mas Cristo que vive em mim” (Ga 2, 10). Conhecer Cristo, diz a Carta aos Colossenses, implica despir-se do homem velho configurado com Adão e revestir-se do homem novo, configurado com Cristo ressuscitado:

“Não mintais uns aos outros, já que vos despistes do homem velho, com as suas acções, e vos revestistes do homem novo.

Para chegar ao conhecimento do seu Criador, este Homem Novo não cessa de se renovar à imagem de Deus.

No Homem Novo já não há grego nem judeu, circunciso ou incircunciso, bárbaro, cita, escravo ou homem livre, mas apenas Cristo que é tudo em todos e está em todos nós” (Col 3, 9-11).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

18 Outubro, 2009

O REINO DE DEUS COMO INTERIORIDADE


Ao ressuscitar, Jesus passou da face exterior da realidade para a sua face interior, ficando a relacionar-se connosco a partir de dentro.

A dimensão interior é a interioridade máxima da realidade, o ponto de encontro e comunhão da Humanidade com a Divindade.

A casa de Deus é um campo espiritual contínuo de interacções e que é o ponto de encontro onde se realiza o face a face com Deus, como Jesus diz no evangelho de São João:

“Não vos deixarei órfãos, pois eu voltarei a vós (…). Nesse dia compreendereis que eu estou no meu Pai, vós em mim e eu em vós” (Jo 14, 18-20).

Ser assumidos neste face a face com Deus significa ser integrado dfe modo orgânico na Família da Santíssima Trindade.

Este face a face no interior da realidade é o coração da comunhão universal de todas as pessoas a que damos o nome de Comunhão dos Santos e da qual também fazem parte todos os nossos seres queridos que já passaram da faceexterior da realidade, para a sxua face interior.

Nesta Comunhão intereior e Universal as pessoas vivem nas coordenadas da universalidade e da equidistância.

Isto quer dizer que na comunhão familiar do Reino de Deus as pessoas estão todas presentes umas às outras, pois já não há distância nem afastamento.






Quando dizemos que o Filho Eterno de Deus, pela Encarnação veio até nós, estamos a afirmar, não que ele se tenha deslocado.

Na realidade tudo se passou entre a interioridade espiritual humana de Jesus e a interioridade divina do Filho de Deus, as quais passaram a interagir de modo directo pelo Espírito Santo.

No momento da ressurreição de Jesus, esta comunhão humano-divina que existia no coração de Jesus, universalizou-se (Jo 7, 37-39).

E foi assim que o Reino de Deus passou para o nosso interior, pois o sangue Jesus ressuscitado, isto é, o Espírito Santo, passou a circular nas “veias” da nossa interioridade espiritual.

São Paulo explicita este mistério, dizendo que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Esta dinâmica interior do Reino de Deus é explicitada de modo sacramental pela Eucaristia:
“Quem como a minha carne e bebe o meu sangue

tem a viva eterna e eu hei-de ressuscitá-lo no último dia. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e eu nele.

Assim como o Pai que me enviou vive e eu vivo pelo Pai, também aquele que me come viverá
por mim” (Jo 6, 54-57).

Em Comunhão Convosco
calmeiro Matias




15 Outubro, 2009

A PALAVRA DE DEUS COMO FONTE DA VERDADE-I

I-O HOMEM E A VERDADE

Estamos talhados para comunicar na verdade. Mas como a verdade não é evidente, a fé facilita enormemente a comunicação das pessoas.

Na verdade, estamos constantemente a comunicar experiências ou factos que não são evidentes, não podem ser comprovados e, no entanto, as pessoas aceitam as experiências ou vivências que comunicamos como verdadeiras.

Por outras palavras, se as pessoas exigissem umas às outras a comprovação daquilo que comunicam e não é evidente, as relações humanas tornavam-se impossíveis.

No seu sentido mais amplo e pleno, a verdade é o que está de acordo com a realidade de Deus, do Homem da História e do Cosmos.

Neste sentido pleno, só Deus possui a verdade, pois só ele conhece a realidade total das coisas.

Podemos dizer que a pessoa humana possui a verdade na medida em que compreende e enuncia de modo adequado e correcto a realidade de Deus, do Homem, da História e do Cosmos.

É por esta razão que o Novo Testamento diz que o Espírito Santo, como fonte da Verdade, vai conduzindo as pessoas de modo gradual e progressivo para a verdade plena.

Por outras palavras, o Espírito Santo é o Espírito da Verdade, diz Jesus no evangelho de São João:

“Quando ele vier, o Espírito da Verdade, há-de conduzir-vos para a Verdade Plena” (Jo 16, 13).

Por possuir a plenitude da Palavra, Jesus chama-se a Verdade: “Eu sou a Verdade, o Caminho e a Vida” (Jo 14, 6).

O evangelho de São João diz que a Palavra de Deus é a verdade (Jo 17, 17). Além disso, a Verdade que brota da Palavra de Deus liberta as pessoas.

Por outras palavras, os que acolhem a Palavra de Deus, diz Jesus, pertencem à Verdade e a Verdade os tornará livres (Jo 8, 31-32).

A transparência é a calda para a verdade crescer e se fortalecer, pois a Verdade não se coaduna com as águas turvas.

Eis as palavras de Jesus: “Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não” (Mt 5, 37).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A PALAVRA DE DEUS COMO FONTE DA VERDADE-II

II-O EVANGELHO E A VERDADE

A vontade de Deus é que os seres humanos cheguem à Verdade e à Salvação, diz a Primeira Carta a Timóteo:

“Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tim 2,4).

São Paulo dizia que a sua missão era anunciar o Evangelho que é a Palavra da Verdade (Col 1, 5).

Face à atitude de desconfiança de São Pedro para em relação aos pagãos, leva são Paulo a enfrentá-lo e a dizer-lhe que ele não estava a caminhar segundo a Verdade do Evangelho (Gal 2, 14).

Aqueles que dizem conhecer Jesus mas não guardam os seus mandamentos, diz a Primeira Carta de São João, são mentirosos e a verdade não está neles (1 Jo 2, 4).

A mente e o coração dos seres humanos estão moldados para a verdade. A bíblia diz que o ser humano, ao agir de acordo com a verdade, estrutura-se como pessoa verdadeira.

A inteligência, orientada pelas ciências e a filosofia, é capaz de atingir aspectos importantes da verdade.

Mas não basta a inteligência para atingirmos a verdade que edifica a liberdade e o amor. A Palavra de Deus faz emergir no coração das pessoas que a acolhem aquilo a que São Paulo chama a Sabedoria que vem do Alto.

Trata-se da capacidade de saborear a realidade com os critérios do Espírito Santo que habita no nosso coração.

Podemos dizer que a ciência sem a sabedoria é ambígua e pode até ser fonte de desumanização da História da Humanidade.

De facto, a História demonstra que a ciência sem a luz da Sabedoria, já serviu para destruir muitos milhões de seres humanos.

Sem a Sabedoria a ciência carece de critérios para olhar o Homem a História e o cosmos como um projecto talhado para o amor.

A verdade, como vimos acima, é a compreensão e enunciação adequada da realidade de Deus, do Homem, da História e do Universo.

Isto quer dizer que o Homem, só por si, não consegue atingir a verdade plena. Graças à luz da revelação, o Homem já pode saborear o pleno sentido da Vida humana e do Cosmos no projecto criador e salvador de Deus.

A primeira Carta aos Coríntios diz que os senhores do mundo se fecharam à revelação, acabando por ficar privados da Verdade de Deus.

“Nós ensinamos a sabedoria de Deus, diz São Paulo, mistério oculto e que Deus, antes dos séculos, predestinou para nossa glória.

Nenhum dos senhores deste mundo a conheceu, pois se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória.

Mas como está escrito, o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração humano não pressentiu, Deus o preparou para aqueles que o amam.

A nós porém, Deus o revelou por meio do Espírito Santo, pois o Espírito tudo penetra, mesmo as profundidades de Deus” (1 Cor 2, 7-10).

Pilatos perguntou a Jesus o que é a Jesus o que é a verdade. Jesus não respondeu, pois Pilatos tinha a verdade mesmo diante dos olhos e não a reconheceu.

Jesus disse de si mesmo: “Eu sou o Caminho a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6). Pilatos não tinha o coração preparado para acolher a Sabedoria que conduz à Verdade.

Jesus disse aos Apóstolos que após a ressurreição o Espírito Santo os ajudaria atingir o horizonte mais profundo da Verdade:

“Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não sois capazes de as compreender por agora.

Quando ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa” (Jo 16, 12-13).

Jesus não deu esta resposta a Pilatos, pois este pertencia aos senhores do mundo, os quais não têm acesso pleno à verdade.

A Verdade acontece em dinâmica de relações, pois trata-se não apenas de compreensão, mas também de enunciação e interacção.

Jesus disse aos judeus que acreditaram nele: “ Se permanecerdes na minha Palavra sereis meus discípulos.

Então conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres” (Jo 8, 31-32). Jesus é o Verbo de Deus.

Ao contrário do substantivo estático, o Verbo é dinâmico e vai estruturando as pessoas de acordo com o que significa.

O evangelho de São João diz que a Graça e a Verdade nos vieram por Jesus Cristo (Jo 1, 14. 17).
A graça é, naturalmente o dom do Espírito que nos dá a Vida Nova.

Por outras palavras, a Verdade é a Palavra que, no evangelho de São João se identifica com o próprio Jesus Cristo (Jo 1, 1-3).

A primeira Carta de Pedro diz que a Palavra da Verdade nos purifica do pecado (1 Pd 1, 22).

Jesus garante aos discípulos que eles estão limpos graças à Palavra que lhes foi comunicada e eles acolheram:

“Quem tomou banho não precisa de lavar senão os pés, pois está todo limpo. Vós estais limpos, mas não todos, devido à Palavra que vos anunciei” (Jo 13, 10).

A pessoa que se conduz pela Verdade está em sintonia com Deus: As pessoas que se conduzem pela Verdade, diz o evangelho de São João, aproximam-se da luz, a fim de que as suas obras possam ser vistas, pois são feitas em Deus (Jo 3, 21).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

12 Outubro, 2009

DIALOGANDO COM DEUS SOBRE CRISTO


Pai Santo,
O Livro dos Actos dos Apóstolos conseguiu resumir em meia dúzia de frases e de forma genial a missão messiânica de Jesus Cristo. Eis as suas palavras:

“Sabeis o que ocorreu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou:

Como Deus ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo, o qual andou de lugar em lugar fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelas forças do mal, pois Deus estava com ele” (Act 10, 37-39).

Estas palavras são fruto da acção reveladora do Espírito Santo, pois é ele o narrador da vida e missão de Jesus de Nazaré.

Eis o que Jesus disse a este propósito: “Quando vier o Espírito da Verdade vai conduzir-vos para a verdade plena.

Ele não falará de si próprio, mas há-de dar-vos a conhcer tudo o que viu e ouviu e anunciar-vos-á o que há-de vir.

Ele manifestará a minha glória, pois anunciará o que é meu e vo-lo dará a conhecer” (Jo 16, 13-14).

No evangelho de São Lucas Jesus diz que foi este mesmo Espírito Santo que o consagrou para anunciar a Palavra de Deus:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres.
Enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista.

Enviou-me a mandar em liberdade os oprimidos e a proclamar o ano favorável da parte do Senhor” (Lc 4, 18-19).

Depois de ter lido este texto de Isaías na sinagoga da sua terra, Jesus disse para as pessoas que estavam na sinagoga:

“Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem que acabastes de ouvir” (Lc 4, 21).

Pai Santo
Jesus afirmou que o seu jeito de amar é em tudo semelhante ao teu. Na verdade, o seu jeito de acolher os pobres e perdoar aos pecadores era a expressão humana do teu amor por todos nós.

Por isso ele podia dizer: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10, 30). Por isso é que Jesus, no evangelho de São João diz: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9).

Pelo mistério da Encarnação Jesus de Nazaré e o o teu Filho Unigénito formaram uma união orgânica e interactiva, animada pelo Espírito Santo.

Isto quer dizer que em Jesus Cristo o Humano e o Divino fazem um, mas sem se confundirem ou
fundirem.
Por ser um homem em tudo igual a nós, Jesus fazia parte de uma raça e de uma nação. Como esteve sujeito ao processo de crescimento e amadurecimento humano construiu uma história pessoal que podíamos resumir assim:

A sua grande paixão era fazer a vontade de Deus. Amava a simplicidade das crianças e defendia com coragem os que não eram capazes de se defender.

Deixava mais felizes as pessoas que tinham a sorte de o encontrar. Partilhava com as pessoas a sua vida e os bens. Amava a todos, mas preferia acompanhar com os mais pobres.

Como habitava nele a totalidade do Espírito Santo nunca foi cobarde. Inaugurou o Baptismo no Espírito, a fim de renovar o coração das pessoas, fazendo-as passar do egoísmo para o amor fraterno.

Como se deu totalmente, tornou-se o alicerce da Nova Humanidade incorporada na Família de Deus.

Graças à sua capacidade de amar e querer o bem de todos os seres humanos, Deus confiou-lhe uma missão com um alcance universal.

Levou o amor à sua profundidade máxima, isto é, até dar a vida pelos outros. Como se deu inteiramente aos outros, agora, a sua vida é também de todos nós!

Eis a razão pela qual, ao ressuscitar, difundiu para nós o Espírito Santo que nos introduz na Família de Deus.

Os seus inimidos mataram-no, mas Deus restaurou a sua vida, ressuscitando-o e fazendo dele o alicerce do Homem Novo.

Partilhou tudo: os bens, a vida e a tua Palavra, Pai Santo. Após a sua ressurreição tornou-se a cepa da videira cujos ramos somos todos nós.

Deu-nos o Espírito Santo que é a seiva da videira que vem dele para nós, vivificando-nos e tornando-nos ramos fecundos (Jo 15, 4-5).
Aleluia!
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias



09 Outubro, 2009

MEDITANDO SOBRE O MISTÉRIO DO CÉU


À luz do Evangelho, o Céu tem sabor a festa. O Céu não é um lugar, mas um encontro universal de amor cujo coração é a comunhão da Santíssima Trindade.

São Paulo diz que o Reino de Deus não é uma questão de comida ou bebida, mas sim de paz, justiça e alegria no Espírito Santo (Rm 14, 17).

Com estas palavras, São Paulo quer dizer que o Céu não é um lugar mas um estado de plenitude.

No Céu, as pessoas sentem-se seguras e em paz, pois ninguém deseja o mal do outro. Também não há preocupações com necessidades de ordem material:

Ninguém se preocupa com a roupa que vai vestir ou os alimentos que vai comer. O egoísmo e a inveja já não existem e por isso ninguém quer ser mais importante do que os outros.

No Céu, a alegria das pessoas está em dar o melhor de si para que os outros sejam felizes.

Ninguém é infeliz, pois a felicidade, no Céu, está mais em dar do que em receber. Na verdade, ao dar-se, a pessoa não se perde, mas possui-se de modo mais pleno, pois as pessoas recebem na medida em que dão.

Ao ensinar os discípulos a orar, Jesus mandou-os dizer assim:

“Pai-nosso que estás no Céu, santificado seja o teu nome, venha a nós o teu Reino.
Faça-se a tua vontade, assim na Terra como no Céu” (Mt 6, 9-10).

No Céu, as pessoas humanas são membros da Família de Deus: Filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação ao Filho de Deus.

O Espírito Santo é o laço maternal que une e dinamiza as relações da Família de Deus. O jeito de ser do Espírito Santo é actuar como princípio maternal de comunhão orgânica e animador de relações de amor.

É esta razão pela qual São Paulo diz que todos os que se deixam conduzir pelo Espírito Santo são filhos de Deus Pai e irmãos do Filho de Deus (Rm 8, 14. 16)

Tudo é de graça na festa da Família de Deus. Ninguém pretende sobrepor-se aos outros, pois todos se sentem irmãos.

Tudo aquilo de que as pessoas precisam lhes é dado de modo gratuito e em abundância. As pessoas estão todas saciadas, pois a ternura de Deus circula por todos como nascente de Vida Eterna.

No Céu ninguém tem medo, pois já não existe a violência, mas só a comunhão amorosa. Ninguém está saturado, pois o amor é a fonte da qual brota a novidade constante das relações e do encontro amoroso.

E se ainda houver alguma memória dos sofrimentos desta vida, Deus passa amorosamente com um lenço branco limpando o vestígio das nossas lágrimas.

Depois dá-nos o beijo da felicidade, isto é, o Espírito Santo, o qual nos faz esquecer para sempre a lembrança dos sofrimentos da vida terrena.

O Céu é um campo espiritual contínuo de interacções amorosas. Isto quer dizer que o Céu é por natureza uma festa.


Eis o modo como o Livro do Apocalipse descreve a festa do Céu:

“Eis a morada de Deus entre os homens. Ele habitará com eles e eles serão o seu povo. Deus estará com eles e será o seu Deus.

Enxugará todas as lágrimas dos seus olhos e não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor, pois as primeiras coisas passaram” (Apc 21, 3-4).

Ninguém é capaz de se sentir feliz fechando-se à comunhão. Por isso a felicidade está em comungar com os demais.

É isto que a Carta aos Romanos quer dizer quando afirma que o Céu não é uma questão de comida ou bebida, mas sim de justiça, paz e alegria no Espírito Santo.

Na Comunhão Universal da Família de Deus já ninguém sofre por ter saudades de alguém que esteja longe.

Na verdade, os habitantes do Céu habitam as coordenadas da universalidade e da equidistância.

Por outras palavras, as pessoas que habitam na morada de Deus estão presentes a tudo e a todos.

O amor circula e difunde-se por todos os que fazem parte desta grande comunhão. A bíblia diz que há um rio de Água Viva que atravessa o centro do Paraíso. Esta Água Viva é o Espírito Santo, como diz o evangelho de São João (Jo 7, 37-39).

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo conduz-nos ao regaço amoroso de Deus Pai.
As pessoas que têm sede entram no rio da Água Viva e bebem.

Um dia Jesus disse à Samaritana: “Eu tenho uma Água Viva para dar. Aquele que beber desta Égua nunca mais terá sede” (Jo 4, 14).

Jesus referia-se ao dom do Espírito Santo que é o sangue da Nova Aliança a circular nos nossos corações.

Os rosto dos que entram no rio e bem da Água Viva fica a brilhar como brilha o rosto de Cristo ressuscitado.

Todas as pessoas que purificaram o seu coração, acolhendo a Palavra de Deus, têm direito a beber no rio da Água Viva e a comer o fruto da Árvore da Vida.

Eis as palavras do Apocalipse: “O Espírito diz: “Vem!”. Digam também todos os que escutam a Palavra de Deus: “Vem!”.

O que tem sede que se aproxime e beba gratuitamente a Água da Vida” (Apc 22, 17). Deus não nos criou para a morte mas para a Vida Eterna.

Foi por esta razão que Jesus, ao ressuscitar, difundiu para a Humanidade o grande dom do Espírito Santo, a fim de saciar a nossa fome de plenitude e nos incorporar na grande Família do Céu.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

06 Outubro, 2009

DEUS E A DIGNIDADE HUMANA-I

II-DEUS CAMINHA CONNOSCO

A morada do Homem acabado e perfeito está no futuro, não no passado. Isto quer dizer que o futuro dos seres humanos é o que lhes falta para se encontrarem plenamente realizados.

Na verdade, o Homem não se define pelo modo como apareceu (evolução a partir da vida animal), mas pela plenitude que o aguarda.

Estamos a caminhar para a condição de pessoas assumidas e incorporadas de modo orgânico na comunhão com as pessoas divinas.

O Paraíso, esse jardim primordial onde os seres humanos existiam como pessoas perfeitas e acabadas nunca existiu.

O Paraíso entendido como morada do Homem pleno e perfeito foi inaugurado com a morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Foi isto que o próprio Jesus declarou ao Bom Ladrão no momento de morrer e ressuscitar:

“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23, 43). A inauguração do Paraíso representa um salto de qualidade na História do Homem em construção.

Na verdade, o acontecimento histórico de Jesus Cristo representa a plenitude dos tempos. Por outras palavras, com a ressurreição de Cristo, os tempos da gestação da Humanidade chegaram ao seu fim, dando lugar ao parto com o qual nascem os filhos de Deus (cf. Gal 4, 4-7).

Deus não criou o Homem acabado, a fim de lhe dar a possibilidade de tomar parte na sua realização e, deste modo, ser tal e como deseja para toda a eternidade.

Na verdade, a pessoa humana está chamada a ser autora de si, mas a partir dos talentos que recebeu de Deus através dos outros.

Isto quer dizer que o ser humano está chamado a atingir a sua plena realização, construindo-se a partir do que recebeu como possíveis.

A maneira de aceitar os talentos que Deus nos concede é pô-los a render, realizando as possibilidades que ele nos concedeu, como diz Jesus no evangelho de São Mateus (Mt 25, 14-30).

Deus respeita profundamente a dignidade do Homem e por isso nunca se impõe.

O Homem está em processo de realização história. A Humanidade está a emergir no concreto de cada pessoa de modo único, original e irrepetível.

À medida que o ser humano emerge como pessoa livre, consciente, responsável e capaz de amar, converge para a comunhão universal da Família de Deus.

Ao iniciar a criação da Humanidade, Deus quis que esta tivesse uma dignidade semelhante à dignidade da própria Divindade.

Com efeito, Deus é pessoas em relações e o Homem também. Mas enquanto as pessoas divinas são infinitamente perfeitas, as pessoas humanas estão em realização histórica.

Isto quer dizer que a identidade espiritual da pessoa humana emerge e fortalece-se de modo gradual e progressivo através do amor.

Mas como o ser humano não é capaz de amar antes de ter sido amado, o amor de Deus era fundamental para a Humanidade iniciar a dinâmica da humanização.

É esta a lei do amor: Ninguém é capaz de amar antes de ter sido amado. É o amor dos outros que nos capacita para amar. É por esta mesma razão que os mal-amados ficam a amar mal, isto é, com bloqueios e limitações, apesar de não terem culpa.

É verdade que ninguém nos pode substituir na tarefa da nossa humanização. Nem o próprio Deus o pode fazer por nós.

Mas também é verdade que ninguém se pode humanizar sozinho. Isto quer dizer que precisamos dos outros e do dinamismo amoroso do Espírito Santo para nos construirmos como pessoas.

São Paulo entendeu isto muito bem e por isso ele diz na Carta aos Romanos que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

O ser humano reconhece a sua condição de pessoa e, como tal, alguém talhado para a transcendência.

Deus transcende o Homem e este transcende os animais. Por outras palavras, a pessoa é um ser capaz de se distanciar da natureza e dos animais, descobrindo o sentido e a funcionalidade destas realidades.

O livro do Génesis exprime esta verdade dizendo que Deu fez passar os animais diante do Homem, a fim de este lhes dar um nome (Gn 2, 19-20).

Dar um nome significa dominar uma realidade atribuindo-lhe uma função e um sentido.
É esta a razão pela qual a bíblia diz que o Homem não é capaz de dar um nome a Deus.

A pessoa humana sente que transcende as capacidades e as possibilidades dos animais e tem consciência de que os transcende.

É verdade que os animais sabem muitas coisas, mas não sabem que sabem, isto é, não são conscientes.

A pessoa humana, pelo contrário, é um ser consciente: sabe e sabe que sabe. Deus reconhece e respeita a dignidade da pessoa e por isso se dispõe a fazer história connosco, embora sem nunca nos substituir.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

DEUS E A DIGNIDADE HUMANA-II

II-DEUS E A DIGNIDADE DA PESSOA

A dignidade da pessoa começa no facto de não nascer determinada, como acontece com os animais.

O ser humano nasce com um leque de talentos que lhe possibilitam uma diversidade enorme de opções, escolhas, decisões e compromissos.

Isto quer dizer que a pessoa é realmente imagem de Deus, pois está chamada a ser autora de si própria.

Pela sua condição de pessoa livre, consciente, responsável e capaz de amar que o ser humano se liga à transcendência divina.

Deus é três pessoas em comunhão amorosa. Isto quer dizer que a vida pessoal foi primeiro:

Ainda antes de o Universo ter iniciado a sua génese criadora, já existia uma dinâmica de comunhão amorosa.

Deus é amor. O amor é extremamente criador. Foi deste dinamismo amoroso que emergiram os possíveis que deram origem ao big bang que inicia a marcha criadora do Universo.

A vida pessoal está primeiro e nunca há-de terminar, pois tem densidade espiritual. Sem vida com densidade pessoal não existe vida imortal. Na verdade, só a vida pessoal tem densidade de vida eterna.

Por outras palavras, a vida pessoal ou é divina ou é proporcional a Deus. A pessoal é a cúpula da Criação. O seu crescimento não é uma questão de quantidade.

Não se mede ao quilo, nem sem avalia pelo volume. Não se mede ao metro, nem se analisa pelo método das superfícies.

Só se pode valorizar pela qualidade das suas relações e pelo seu jeito de amar. Além disso, a plenitude de uma pessoa não está em si, mas na comunhão amorosa.

Ao dar-se, a pessoa não se perde. Pelo contrário, encontra-se mais plenamente. Por ser livre, a vida pessoal não emerge necessariamente. Não é uma fatalidade ou destino.

Isto quer dizer que a realização pessoal é uma tarefa de amor. Emerge como processo histórico e como novidade constante.

Os seres pessoais pertencem à cúpula da Vida. A vida pessoal, por ser espiritual, não vem de fora para dentro.

Pelo contrário, emerge no interior do ser humano. Na verdade, não nascemos como almas feitas, mas como seres em processo de espiritualização.

Ao atingir a densidade pessoal, a vida atinge a imortalidade, pois o espiritual não morre. Mas a vida espiritual só se torna sucesso eterno mediante a assunção e incorporação na Comunhão da Família de Deus através de Cristo ressuscitado.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias



01 Outubro, 2009

O SEU NOME ERA JESUS DE NAZARÉ

Nasceu entre os pobres e viveu a condição da gente simples da Galileia. A sua grande paixão era conduzir a Humanidade para a comunhão da Família de Deus.

Contra o que era costume no seu meio, tratava Yahvé por Abba, isto é, Papá.

Ensinava as pessoas a falar com Deus como um filho fala com seu pai, dizendo: Pai-Nosso que estais no Céu.

Era corajoso e punha-se sempre do lado dos marginalizados e dos oprimidos. Tomava partido pelos que não eram capazes de se defender, tornando-se a voz dos que não tinham força para defender os seus direitos.

Deixava mais felizes os que tinham a sorte de comunicar com ele em Profundidade. Nunca ninguém ficou mais pobre pelo facto de o ter encontrado.

Defendia a partilha dos bens como caminho seguro para se chegar à abundância. Se abrirmos o coração à fraternidade e seguirmos o caminho da partilha, ensinava ele, os bens da terra chegarão para todos e ainda vai sobrar.

Foi isto que ele quis ensinar com o milagre dos três pães e dos dois peixes partilhados, os quais chegaram para alimentar uma multidão.

Os três pães chegaram para todos e ainda sobraram vários cestos cheios de pedaços. Sentia-se bem entre os simples e os que tinham um coração capaz de acolher os outros.

Apreciava muito a companhia dos pobres, pois estes têm uma grande capacidade de partilhar.

Jamais defendeu a marginalização dos pecadores, apesar de se opor sempre ao pecado.

Na verdade, o seu sonho era banir o pecado da História Humana, pois este é a fonte da violência e do ódio e das guerras que atormentam as sociedades e os povos.

Apesar de se opor ao pecado nunca defendeu a morte dos pecadores, como faziam os sacerdotes e os fariseus do seu tempo.

Foi esta a razão pela qual ele tomou partido pela mulher adúltera, apesar de ser contra o adultério.

A destruição do pecado, segundo a sua maneira de entender, acontece no íntimo do coração humano pela acção do Espírito Santo.

Na verdade, só o Espírito Santo é capaz de renovar os nossos corações, fazendo-nos passar do egoísmo para o amor fraterno.

Dirigindo-se aos sacerdotes e aos doutores da Lei, um dia disse-lhes que eles pretendiam dominar o povo simples impondo-lhes normas e preceitos que não passam de invenções humanas.

Os que o escutavam com atenção encontravam sempre razões novas para viver. Não fazia publicidade dos seus gestos de generosidade, pois ele amava sem fazer alarde.

A Palavra de Deus era o grande amor da sua vida e exultava de alegria no Espírito Santo quando sentia que as pessoas compreendiam e acolhiam a sua mensagem.

Os detentores do poder e das riquezas não queriam que ele vivesse, pois a sua mensagem minava os sistemas caducos e as estruturas opressivas da sociedade em que vivia.

Como é costume nestes casos, os poderosos começaram a deturpar a sua mensagem e a verdade da Palavra de Deus, a fim de justificarem os seus planos para destruir a vida dos profetas.

O seu nome era Jesus de Nazaré. Denunciava o pecado, pois este mutila o Homem. Mas não sentia ódio pelos pecadores.

Foi por esta razão que no momento da sua morte, pediu a Deus que perdoasse o pecado dos seus assassinos.

Justificava o seu modo de actuar dizendo ser essa a vontade de Deus. O meu alimento, dizia ele, é fazer a vontade do Pai que me enviou.


Numa noite fria e escura os seus inimigos invadiram a sua casa, deixando-a vazia.

Fizeram-no desaparecer da companhia dos que o amavam. Mas Deus tomou partido por ele, ressuscitando-o.

De facto, Deus não permite que as pessoas que gastam a vida pelas causas do amor, acabem no vazio do cemitério.

O amor não pode terminar na morte, pois Deus é amor. Teve a sorte dos profetas, isto é, foi morto pelos inimigos da verdade e do bem.

Apesar de morrer rodeado de inimigos o seu coração estava tranquilo, pois tinha a certeza de que Deus ia restaurar a sua vida.

Eis a razão pela qual ele passou a vida a fazer bem a toda a gente e a pregar que a meta da nossa vida é a comunhão universal da Família de Deus.

Ele tinha a certeza de que nenhum homem pode destruir o projecto de amor que Deus sonhou para a Humanidade.

Foi para conduzir a Humanidade para esta meta feliz que ele viveu e morreu. No início da sua missão, o Espírito Santo consagrou-o, a fim de ele ter a força necessária para ser fiel até ao fim.

Eis a razão pela qual ele se sentia segura e tinha força para enfrentar as forças negativas que tentam desumanizar as pessoas e as sociedades.

Tinha a missão de inverter a dinâmica destrutiva do pecado de Adão. Com a sua infidelidade ao plano de Deus, Adão colocou a Humanidade no caminho do fracasso.

Jesus de Nazaré, com a sua fidelidade incondicional à vontade de Deus, colocou-nos no caminho que leva a fraternidade universal e à nossa incorporação na festa da Família Divina.

Ele é o Novo Adão, pois coube-lhe a missão de libertar o Homem das distorções operadas pelo Antigo Adão.

Eis as palavras de São Paulo a este respeito: “Assim como pela falta de um só veio a condenação e a morte, assim também, pela vida justa de um só veio para todos a Graça que dá a vida” (Rm 5, 18).

Levou o amor até à sua densidade máxima, dando a sua vida por todos nós, a fim de fazer de nós irmãos seus e filhos do seu Pai do Céu.

O seu nome era Jesus de Nazaré. Ensinava as pessoas a amarem-se umas às outras, a fim de se realizarem e serem felizes.

Ensinou aos seus discípulos que a profundidade máxima do amor se atinge quando uma pessoa dá a vida por alguém.

Eis as palavras que ele usou para fazer do amor o seu único mandamento: “É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (15, 12-13).

Ao morrer por nós, partilhou totalmente o seu ser, ao ponto de a sua vida se tornar um património comungável por todos os seres humanos.

Por outras palavras, como se deu totalmente, a sua vida deixou de ser apenas sua. Eis a razão pela qual, ao ressuscitar, difundiu por todos o Espírito Santo, essa Água Viva que gera vida eterna no nosso íntimo.

Após a sua ressurreição ficámos organicamente unidos a ele. Por isso ele nos transmite a semente da vida Nova, isto é, o Espírito Santo (1 Jo 3, 9).

Ele é, diz o evangelho de São João, a cepa da videira cujos ramos somos nós (Jo 15, 1-8). Uma vez ressuscitado tornou-se o coração da Comunhão Universal que une de modo definitivo o Homem com Deus.

Os seus inimigos, pensaram destruir a sua morada e, deste modo, bani-lo do nosso meio.
Na verdade, forçaram a as portas da sua habitação terrena matando-o.

Mas Deus restaurou-o, fazendo dele a coluna que sustenta o edifício da Nova Humanidade. Após a sua ressurreição ficou mais unido a nós do que antes, pois o ponto de encontro e comunhão com ele passou a ser o nosso coração.

Como um pão que se reparte para alimentar a vida dos outros, assim foi a sua vida. Por isso nos deixou a Eucaristia, onde se dá a todos na linguagem do pão partilhado.

Como tomava Deus e o Homem a sério, reuniu as condições perfeitas para ser o nosso Salvador e o condutor da caminhada que conduz ao nascimento do Homem Novo.

Ele é, como diz São Paulo, a cabeça da Nova Criação reconciliada com Deus (2 Cor 5, 17-19).

Unidos a toda a Humanidade nós queremos proclamar o grande dom da salvação e a nossa
entrada na Família de Deus graças à doação de Jesus Cristo!
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

29 Setembro, 2009

A SEGUNDA VINDA DE CRISTO EM SÃO JOÃO-I

I-O JUÍZO ESTÁ EM PROCESSO

O evangelho de São João é o único que supera definitivamente o conceito de uma segunda vinda apocalíptica.

O juízo de Deus dá-se mediante o encontro com Jesus, o portador da vida nova que brota do Espírito Santo.

Cristo é o juiz por ser o Filho do Homem, isto é, o Messias glorificado no céu à maneira do Filho do Homem de Daniel (Dan 7, 12s).

Após a Sua glorificação, Jesus torna-se a fonte da vida e da ressurreição:

“O Pai tem a vida em si mesmo. Do mesmo modo concedeu ao Filho ter a vida em si mesmo.
E deu-lhe o poder de julgar por ser o Filho do Homem (...).

Vai chegar a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a Sua voz. Os que tiverem praticado boas obras ressuscitarão para a vida.

Os que tiverem praticado o mal ressuscitarão para a condenação. Eu nada faço por mim mesmo. Conforme oiço é que julgo, e o meu juízo é justo porque não busco a minha vontade, mas a daquele que me enviou” (Jo 5, 26-30).

No evangelho de São João, o juízo é, pois, o reconhecimento da fidelidade de Deus. Este reconhecimento é um dom do Espírito Santo realizado no nosso coração.

Eis as palavras de Jesus: “Convém-vos que eu vá. Se eu não for, o Consolador não virá a vós. Mas se eu for, enviar-vo-lo-ei.

Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16, 7). Para o evangelho de São João, o juízo começou com a ressurreição e a glorificação de Jesus.

Foi nesta altura que o Espírito entrou na marcha da Humanidade exercendo a sua missão de defensor e consolador, introduzindo-nos na Família de Deus:

Ao dar-nos o Espírito Santo, Jesus deu-nos o poder de nos tornarmos filhos de Deus:

“Mas aos que o receberam, aos que acreditam nele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.

Estes não nasceram do sangue, nem dos impulsos da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus (Jo 1, 12-13).

Isto é possível porque o Verbo encarnou (Jo 1, 14). Por outras palavras, o divino enxertou-se no humano, afim de a Humanidade ser assumida em Deus.

Os judeus julgam segundo a carne, isto é, segundo os critérios do judaísmo. Jesus não julga assim:

“Quando vier o Consolador que vos hei-de enviar da parte do Pai, o Espírito da verdade que procede do Pai, ele dará testemunho de mim” (Jo 15-26).

A segunda vinda de Jesus no evangelho de São João não se realiza como um acontecimento cósmico e trágico, tal como acontece nos outros três evangelhos.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A SEGUNDA VINDA DE CRISTO EM SÃO JOÃO-II

II-JESUS VEM PARA SALVAR, NÃO PARA CONDENAR

Jesus vem, pelo Espírito, para conduzir os eleitos Deus para a casa do Pai: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, ter-vo-lo-ia dito.

Vou preparar-vos uma morada. Depois de ter ido e vos ter preparado essa morada, virei outra vez e levar-vos-ei comigo” (Jo 14, 2-3).

O juízo é realizado pelo Espírito Santo no coração das pessoas. Isto quer dizer que o coração é o ponto de encontro com a verdade de Deus e do Homem:

“O Espírito da verdade que procede do Pai dará testemunho de mim” (Jo 15, 26b).O Espírito é a garantia da nossa união com Deus e da nossa salvação:

“Deus é Amor. Quem permanece no Amor permanece em Deus e Deus permanece nele. O Seu Amor é perfeito para connosco, a fim de que estejamos confiantes no dia do juízo (...).

No amor não há temor, pois o Amor, quando é perfeito, lança fora o temor. O temor pressupõe o castigo. O que teme não é perfeito no amor» (1Jo 4, 16b-18).

A condenação acontece apenas para os que se fecham ao dom de Deus:

“Quem acredita no Filho de Deus não é condenado. Quem não acredita nele já está condenado (...).
A causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz. Isto porque as suas obras eram más” (Jo 3, 18-19).

O juízo já está acontecer, pois o Senhor já difundiu o Espírito Santo:

“Agora é que se realiza o julgamento do mundo. É agora que o príncipe deste mundo é expulso” (Jo 12, 31).

Deus não anda à procura de razões para condenar as pessoas. Se assim fosse estávamos todos condenados.

Pelo contrário, antes de nós o amarmos já ele nos amava e sonhava com um plano salvador para todos nós.

Eis as palavras da Primeira Carta de São João: “Nós amamo-lo porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4, 19).

A verdade do juízo de Deus está precisamente nesta interacção: amor a Deus, amor aos irmãos:

“Se alguém disser: “Amo a Deus, mas odiar o seu irmão, é mentiroso”. Quem não ama o irmão que vê não pode amar a Deus a quem não vê” (1Jo 4, 20).

A missão de Cristo, diz o evangelho de São João, não é condenar, mas salvar o Homem:

“Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, não sou eu que o condeno, pois eu não vim para condenar o mundo, mas para o salvar” (Jo 12, 47).

No último dia, o homem será confrontado com a verdade da mensagem e com o modo como a aceitou ou a rejeitou:

“Quem me rejeita e não acolhe as minhas palavras tem quem o condene. A mensagem que anunciei é que há-de condená-lo no último dia” (Jo 12, 48).

Confrontar-se com a mensagem de Jesus é confrontar-se com o Espírito Santo que habita no íntimo do nosso coração:

“Quando vier o Espírito da Verdade, guiar-vos-á para a verdade total. Ele não falará de si mesmo. Dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-vos-á o que há-de vir.

Glorificar-me-á porque há-de receber do que é meu para vo-lo anunciar” (Jo 16, 13-14).

Ao ressuscitar, Jesus oferece ao Homem o maior de todos os dons, isto é, a possibilidade de participar na comunhão universal da Família de Deus.

Glorificar-me-á porque há-de receber do que é meu para vo-lo anunciar” (Jo 16, 13-14).

Em Jesus ressuscitado Deus oferece ao homem o maior de todos os dons, isto é, a possibilidade de participar na comunhão universal do Reino que é o mesmo que pertencer à Família de Deus.

A Salvação, portanto, é um dom. Isto quer dizer que o Homem pode aceitá-lo ou não. De outro modo não seria um dom, mas uma imposição.

O juízo de Deus joga-se nesta opção fundamental que determina a salvação ou a perdição da pessoa.

Por outras palavras, Deus não condena ninguém. As pessoas que vão para a morte eterna condenam-se por sua própria decisão.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

27 Setembro, 2009

SABOREANDO OS CONTEÚDOS DA FÉ CRISTÃ



A fé capacita os crentes para olhar a vida e a História com o olhar do próprio Deus. Os conteúdos da fé cristã brotam da Palavra de Deus e não são um simples resultado do raciocínio humano.

Por terem como fundamento a Palavra de Deus a fé, a esperança e a caridade são chamadas virtudes teologais, pois brotam da acção do Espírito Santo em nós.

As virtudes teologais não se confundem das virtudes morais, as quais capacidades que emergem em nós graças ao nosso próprio esforço.

Os conteúdos da fé emergem nos crentes graças à acção do Espírito Santo que nos vai ajudando a caminhar para a Verdade da revelação de Deus.

Eis alguns dos principais conteúdos da fé que vão nascendo nos cristãos à medida que estes vão aprofundando a Palavra de Deus guiados pela luz do Espírito Santo:

Em primeiro lugar, nós acreditamos em um só Deus que é uma comunhão de três pessoas.

Acreditamos que Deus é o Criador de todo o Universo, embora a sua obra ainda não esteja concluída.

Acreditamos que, pelo mistério da Encarnação, o divino se enxertou no humano, a fim de a Humanidade ser incorporada na Família de Deus e, deste modo, divinizada.

Acreditamos que em Jesus de Nazaré se exprimiu em grandeza humana o próprio Filho Eterno de Deus.

Acreditamos que em Cristo o humano e o divino fazem uma união orgânica e dinâmica, tal como a cepa da videira e os seus ramos, como disse Jesus (Jo 15, 1-8).

Acreditamos que na união humano-divina de Cristo, o Filho Eterno de Deus e Jesus, o Filho de Maria, fazem um, mas sem se confundirem nem fundirem.

Acreditamos que a pessoa divina do Espírito Santo é o princípio animador da reciprocidade que se processa entre a pessoa de Deus Pai e a pessoa do Filho Eterno de Deus.

Acreditamos igualmente que o Espírito Santo é o princípio animador da interacção directa que existe entre o Filho Eterno de Deus e Jesus de Nazaré, o Filho de Maria.

É esta a verdade que queremos proclamar ao afirmar que o Filho de Deus encarnou pelo Espírito Santo.

Como o ser humano, só por si, não podia conhecer o mistério de Deus, nós acreditamos que Deus se revelou escolhendo, para isso, um povo para anunciar aos homens a Palavra de Deus.

Acreditamos que até Jesus Cristo o medianeiro da Revelação de Deus foi o povo bíblico.

Do mesmo modo acreditamos que, com a ressurreição de Jesus Cristo, o povo de Deus passou a ser formado pelo conjunto das Igrejas cristãs.

Acreditamos que o Novo Povo de Deus, ao contrário do Antigo, não é constituído por uma raça, uma língua, uma nação ou uma nacionalidade.

Acreditamos que o Novo Povo de Deus se edifica no interior de todas as raças, línguas, povos e nações, a fim de poder anunciar a Palavra de Deus a toda a Humanidade.


Por se edificar no interior de todas as raças, línguas, povos e nações, o Novo Povo de Deus é sinal de que o plano salvador de Deus é para todos os seres humanos.


Acreditamos que Deus é Amor omnipotente, mas que apenas pode realizar aquilo que o amor pode realizar.


Acreditamos que Deus, pelo facto de ser amor, nada pode contra o amor, pois não pode negar-se a si mesmo.


Acreditamos que Deus, pelo facto de ser amor, não condena ninguém. As pessoas que ficam privadas da Comunhão do Reino de Deus condenam-se por sua própria decisão.


Acreditamos que Deus, ao criar o Homem, interveio de modo especial através da comunicação do Espírito Santo a que o Livro do Génesis chama o hálito da vida (Gn 2, 7).


Acreditamos que o Homem é um ser em construção, tanto no aspecto físico, como psíquico, social e espiritual.


Acreditamos que a pessoa humana não se esgota na dimensão biológica e que a nossa dimensão espiritual é incorporada na Família de Deus.

Acreditamos que o núcleo da Boa Nova do Evangelho não é a simples imortalidade, mas a ressurreição das pessoas com Jesus Cristo.

Acreditamos que a humanização dos seres humanos é uma tarefa ética que só pode acontecer se dissermos sim ao amor e não ao egoísmo.


Acreditamos que o anúncio do Evangelho é um serviço fundamental para o bem da Humanidade.

Na verdade, a Palavra de Deus ajuda-nos a compreender o sentido da vida e a meta para a qual estamos a caminhar.

Acreditamos que a opção de viver e agir ao jeito de Jesus é a melhor escolha para nos realizarmos e sermos felizes.

A creditamos que Deus Pai é pai de Jesus Cristo e também nosso pai. Na verdade, nós já estamos incorporados na Família de Deus pelo Espírito Santo que nos leva a clamar “Abba”, ó Papá. (cf. Rm 8, 14-16).

Acreditamos que Deus perdoou os nossos pecados e nos reconciliou consigo através de Jesus Cristo, fazendo de nós uma Nova Criação, como diz São Paulo (2 Cor 5, 17-19).

Acreditamos que Jesus ressuscitou no próprio acto de morrer e que, no momento da sua morte, conduziu todos os que o precederam para a festa da Vida Eterna, como ele diz ao Bom Ladrão (Lc 23, 43).


Acreditamos que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos orações, dando Vida Nova aqueles em quem habita (Rm 5,5).

Acreditamos que através do baptismo passámos a formar a Igreja, povo escolhido para conhecer, celebrar e anunciar o amor salvador de Deus a todos os povos.


Acreditamos que a Igreja é o conjunto dos baptizados cujo coração é o Espírito Santo, tal como Cristo é a sua Cabeça.


Acreditamos que Cristo veio para destruir o pecado, a fim de nos libertar de tudo o que nos impede de ser felizes.

Acreditamos que a destruição do pecado acontece no nosso coração pela acção do Espírito Santo que nos faz passar do egoísmo para o amor fraterno, como aconteceu com Zaqueu (Lc 19, 1-8).


Acreditamos que a Vida Eterna consiste em fazer parte da Família de Deus: filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação ao Filho de Deus (Rm 8, 14-16).


Acreditamos que Deus quer que todos os seres humanos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (1 Tm 2, 4).


Acreditamos que Jesus Cristo é um homem perfeito, unido de modo orgânico a todos nós. É graças a esta união que todos nós estamos salvos pela incorporação na comunhão da Santíssima Trindade.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias


22 Setembro, 2009

A FONTE DA SABEDORIA É O ESPÍRITO SANTO

Entendida como capacidade de saborear a vida e os acontecimentos à luz de Deus, a sabedoria é um dom que optimiza o ser e o agir da pessoa humana.

O Livro da Sabedoria diz que o homem sábio está capacitado para saborear a beleza e a bondade de Deus na Criação.

O Insensato, pelo contrário, fixa-se nas aparências e não consegue elevar-se até ao autor da harmonia e da beleza da Criação:

“A ignorância acerca de Deus e das suas obras instalou-se no coração dos insensatos. Na verdade, o insensato não é capaz de chegar a Deus através das belezas visíveis” (Sb 13, 1).

São Paulo chama a atenção de alguns cristãos de Corinto que se tinham desviado da sabedoria de Deus, seduzidos pela falsa sabedoria das filosofias pagãs.

Muito destes cristãos acabaram por se desviar do modo viver proposto pela sabedoria do Evangelho, acabando por ignorar o essencial da fé.

Eis as suas palavras: “Alguns de vós ignoram tudo a respeito de Deus. Para vossa vergonha o digo!” (1 Cor 15, 34).

A Carta aos Efésios diz que a Sabedoria que conduz à verdade de Deus é uma revelação que acontece no coração da pessoa humana, graças à acção do Espírito Santo:

“Que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, vos dê o Espírito da Sabedoria e da Revelação, a fim de poderdes conhecer o Deus da Glória” (Ef 1, 17).

A sabedoria que vem do Espírito Santo emerge no nosso coração como uma capacidade de ver as coisas com os critérios de Deus.

O evangelho de São João diz que o Espírito Santo tem a missão de nos conduzir à Verdade plena:
“Quando vier o Espírito da Verdade, ele guiar-vos-á para a Verdade completa” (Jo 16,13).

A Verdade é a compreensão e enunciação correcta e adequada da realidade de Deus, do Homem, da História e do Universo.

A sabedoria e a verdade caminham juntas, pois têm a mesma fonte. Não é difícil compreender como apenas Deus pode compreender e enunciar de modo correcto e adequado a realidade de Deus, do Homem, do Universo e da História.

É por esta razão que o evangelho de São João nos diz que o Espírito Santo é quem nos conduz à plenitude da Verdade:

“O Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á tudo.
Além disso, recordar-vos-á as coisas que eu vos disse” (Jo 14,26).

Como não está em sintonia com o Espírito Santo, o mundo está privado da Verdade e da Sabedoria que vem de Deus.

Eis as palavras de Jesus no Evangelho de são João: “O Pai vai enviar-vos Espírito da Verdade que o mundo não pode receber, pois não o vê nem o conhece.

Mas vós conhecei-lo, pois ele está junto de vós e em vós” (Jo 14, 17).

Como origem da Sabedoria, Deus concede-a aos que lha pedem, sobretudo às pessoas que acolhem a sua Palavra com simplicidade de coração.

Ao aperceber-se do modo bonito como as pessoas simples acolhem a Palavra de Deus, Jesus exultou de alegria e disse:

“Eu te louvo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e aos doutores e as revelastes aos pequeninos” (Mt 11, 25; Lc 10, 21).

Na Carta aos Romanos, São Paulo demonstra saber muito bem o que significa saborear as coisas quando afirma:

“O Reino de Deus não é uma questão de comida e bebida, mas sim de justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14, 17).

Foi este Espírito, diz ele, que o enviou para ensinar a Sabedoria de Deus aos homens:

“Ensinamos a Sabedoria de Deus, misteriosa e oculta deste os tempos mais remotos e que Deus destinou para nossa glória” (1 Cor 2, 7).

O evangelho de São Lucas diz que Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens (Lc 2, 52).



Jesus diz aos Apóstolos que não precisam de estar preocupados sobre o que devem dizer nos momentos de perseguição, pois o Espírito Santo enchê-los-á de Sabedoria:

“Naquela hora dar-vos-ei eloquência e sabedoria, às quais nenhum dos vossos adversários poderá resistir nem contradizer” (Lc 21, 15).

O Livro Actos dos Apóstolos diz que Estêvão, no momento do seu martírio, estava cheio do Espírito Santo e da Sabedoria, pelo que os seus inimigos não podiam resistir-lhe (Act 6, 10).

A Segunda Carta a Timóteo diz que os textos bíblicos nos comunicam a Sabedoria que conduz à salvação em Cristo (2 Tm 3, 15).

Por seu lado, a Carta aos Efésios vai ainda mais longe quando afirma: “Que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, vos encha do Espírito da Sabedoria e da revelação, a fim de bem o conhecerdes” (Ef 1, 17).

A Carta de São Tiago diz que Deus nunca nega o dom da Sabedoria àqueles que lha pedem:

“Se alguém entre vós tem falta de Sabedoria, peça-a a Deus, pois ele concede-a generosamente a todos” (Tg 1, 5).

A inveja, o ódio e o egoísmo, diz ainda a Carta de São Tiago, não procedem da Sabedoria de Deus, mas antes da sabedoria maldosa do mundo (Tg 3, 13-15).

Nesta mesma linha, São Paulo diz aos coríntios que a Sabedoria de Deus e a sabedoria do mundo são totalmente contrárias.

Eis as suas palavras: “Ninguém se iluda: se alguém de entre vós julga ser sábio aos olhos do mundo, torne-se louco, a fim de obter a Sabedoria de Deus.

Na verdade, a sabedoria do mundo é loucura diante de Deus” (1 Cor 3, 18-19).

As pessoas que cultivam a Sabedoria empenham-se seriamente na construção de uma Humanidade melhor.

Os sábios fazem o bem, conscientes de que o melhor prémio do bem que fazem é a alegria de o terem feito.

Podemos dizer que a sabedoria é o cinzel que modela os grandes mestres, dos quais, o maior foi Jesus Cristo.

Um mestre é uma pessoa que, pelo seu jeito de falar e agir, inspira os outros, ajudando-os a crescer como pessoas livres, conscientes, responsáveis e capazes de comunhão amorosa.

As pessoas que se deixam conduzir pela Sabedoria marcham no caminho da verdade, da justiça e do amor.

Para isso procuram viver segundo estes critérios: o que não é justo não deve ser feito. O que não é verdadeiro não deve ser dito. O amor é uma razão que vale tanto para viver como para morrer.

No evangelho de São Mateus Jesus louva a Deus pelo facto de conceder o dom da Sabedoria às pessoas simples:

“Eu te louvo, Pai, Senhor do Céu e da Terra porque escondestes estas coisas aos sábios e as revelastes aos pequeninos” (Mt 11, 25).

São Paulo reconhece que a Sabedoria lhe foi dada por revelação de Deus, a fim de a comunicar aos seres humanos:

“Foi-me dada a sabedoria de Deus, a fim de a dar a conhecer” (Ef 3, 10).

Na Primeira Carta aos Coríntios ele diz ainda: “Ensinamos a sabedoria de Deus, misteriosa e oculta, a qual foi destinada por Deus desde os tempos primordiais para nossa glória” (1 Cor 2, 7).

A Carta de Tiago diz que a sabedoria confere à vida do crente uma série de qualidades que fazem dele uma força transformadora no meio do mundo:

“A sabedoria que vem do alto é pura, pacífica, paciente, conciliadora, cheia de misericórdia e bons frutos, isenta de parcialidade e hipocrisia” (Tg 3, 17).

A Sabedoria tem a missão de iluminar e dar critérios aos homens, a fim de estes orientarem as ciências para o bem da Humanidade.

A História tem dado provas de que a ciência dos homens, sem os critérios da Sabedoria pode conduzir a Humanidade à destruição.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias




18 Setembro, 2009

A EFICÁCIA DA PALAVRA DE DEUS-I

I-A FORÇA CRIADORA DA PALAVRA DE DEUS

A Palavra de Deus é criadora, diz a Bíblia (cf. Gn 1, 3-28).

Nos primórdios da Criação, diz o Livro do Génesis, a Palavra actuava como força significante que sai de Deus e realiza aquilo que significa:

Deus disse: “faça-se a luz” e assim aconteceu” (Gn 1, 3).

Deus disse: “Que se faça o firmamento” e o firmamento aconteceu” (Gn 1, 5).

“Deus disse: “Reúnam-se as águas” e assim aconteceu” (Gn 1,9).

“Deus disse: “que a Terra produza verdura” e assim aconteceu” (Gn 1, 11).

“Deus disse: “haja luzeiros no firmamento dos céus, a fim de separarem o dia da noite.” E assim aconteceu” (Gn 1, 14).

“Deus disse: “que as águas sejam povoadas por multidões de seres vivos” e assim aconteceu” (Gn 1, 20).

“Deus disse: “que a terra produza seres vivos, segundo as suas espécies, animais domésticos e animais selvagens segundo as suas espécies” (Gn 1, 24).

(Gn 1, 26): “Deus disse: “façamos o ser humano à nossa imagem e à nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre os répteis que rastejam pela terra” E assim aconteceu” (Gn 1, 26).

Em seguida, Deus disse-lhes: “crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a Terra” (Gn 1, 28).


Em Comunhão Convosco

Calmeiro Matias

A EFICÁCIA DA PALAVRA DE DEUS-II

II-OS PROFETAS E A PALAVRA

Quando a Palavra de Deus invade o coração do ser humano, este torna-se profeta, isto é, portador de uma mensagem de Deus para os homens.

O profeta anuncia o plano de Deus para o Homem e a Criação, ao mesmo tempo que denunciam as atitudes do Homem que se opõem ou tentam bloquear a sua plena humanização.

Isto significa que a mensagem que o profeta anuncia não é sua. Ele é apenas o medianeiro que anuncia aos homens a Palavra de Deus em grandeza humana.

Por outras palavras, ao anunciar a Palavra Salvadora de Deus, o profeta está a ser salvo pela mesma Palavra que anuncia.

Ao lermos os relatos de chamamento dos profetas, podemos ter a sensação de que a Palavra de Deus se impõe aos profetas, obrigando-os a realizar a sua missão.

Este modo de falar é apenas para realçar o facto de a Palavra de Deus ser eficaz e ser ela que capacita o profeta para a missão.

Na maneira de ver dos textos sagrados, o profeta é um homem totalmente possuído pela Palavra.

É a Palavra que lhe confere a coragem para anunciar e, ao mesmo tempo, para enfrentar os príncipes e os poderosos que se opõem à sua mensagem.

O profeta sabe que esta força vem da Palavra de Deus e não de si. Por isso o chamamento do profeta aparece normalmente sintetizado de modo muito simples pela expressão:

“A Palavra do Senhor veio sobre mim”.

Podemos dizer que os gestos proféticos são realizações da força da Palavra a fazer história com o Homem.

A Palavra de Deus começa por ser um acontecimento vivo no coração do profeta. O protagonista deste Acontecimento é o Espírito Santo.

Depois de o Espírito Santo provocar o acontecimento da Palavra no coração do profeta, este nunca mais voltará a ser o que era antes.

As transformações operadas na vida do profeta e na vida das pessoas que acolhem a Palavra são a expressão da eficácia da mesma Palavra.

Como acabamos de ver, a Palavra de Deus não é um simples discurso, mas um acontecimento que inicia uma nova etapa na História.

Podemos dizer que a Palavra de Deus encarna na vida do profeta e das pessoas que a acolhem.
Isto quer dizer que os gestos dos profetas emergem do seu coração, graças à eficácia da Palavra e à acção do Espírito Santo.

A Palavra do Senhor realiza o que significa na vida das pessoas que a acolhem. Por se sentir possuído pela Palavra, o profeta tem consciência de que não está a falar em nome próprio.

É por esta razão que os profetas não hesitam em afirmar que é o próprio Deus quem fala pela sua boca: ”Assim fala Yahvé,” repetem eles.

Eis o que diz a Segunda Carta de São Pedro a este propósito: “A profecia jamais veio por vontade humana, mas os homens, movidos pelo Espírito Santo, falam como quem vem da parte de Deus (2 Pd 1, 21).

É por esta razão que o próprio profeta nunca esgota o alcance e a profundidade da mensagem que anuncia.

O facto de a Palavra ser eficaz não quer dizer que se imponha aos seres humanos. De facto, a pessoa pode opor-se a Deus.

No entanto, a rejeição da Palavra de Deus produz efeitos negativos no coração da pessoa que a rejeita, pois a vontade de Deus coincide com o que é melhor para o Homem.

A conversão é sempre uma decisão do Homem em acolher a proposta amorosa de Deus. Ao contrário do que acontecia com o legalismo dos Levitas, o pecado não é nunca uma mera transgressão.

Pelo contrário, é uma infidelidade à aliança de Deus da qual a aliança matrimonial é símbolo.

Podemos dizer que o profeta é o homem do compromisso com a transformação histórica, apontando sempre para os critérios de Deus, os quais são diferentes dos critérios dos homens.

Pela revelação sabemos que, no princípio, era o amor concretizado numa comunhão familiar de três pessoas.

Através da sua Palavra, Deus revelou-nos o grande amor com que nos criou e salvou em Cristo.

Graças ao dom da revelação nós sabemos que não estamos perdidos num mundo caótico e a caminhar para o vazio da morte.

Por si só, o Homem nunca podia chegar a esta compreensão profunda do mistério de Deus, do Homem e do sentido da História.

Apesar de não ser irracional, a Palavra de Deus transcende a simples razão humana. Podemos dizer que a revelação está para a razão, como os binóculos para os olhos:

Assim como os binóculos optimizam as capacidades dos olhos, a fé amplia os horizontes da razão.

Mas o Homem pode recusar-se a agir segundo as propostas que lhe são feitas pelo Deus da Aliança.

Levamos em nós a serpente que nos pretende fazer acreditar que as propostas de Deus não são boas para nós.

O Espírito Santo ao provocar o eco da Palavra no nosso coração, faz emergir em nós a Sabedoria que nos capacita para saborearmos a vida com os critérios de Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

14 Setembro, 2009

A PESSOA E A QUALIDADE DO SEU CORAÇÃO-I

I-A BONDADE DE CORAÇÃO

Jesus disse que a qualidade de uma pessoa se mede pela qualidade do seu coração.

Segundo a visão bíblica, o coração é o núcleo mais nobre da interioridade espiritual dos seres humanos.

É no coração que os seres humanos decidem as grandes opções da sua vida. São bem conhecidos os ensinamentos de Jesus sobre o coração e a bondade das pessoas:

É do coração que procedem as más acções, as quais tornam tornam o ser humano impuro (cf. Mt 15, 19).

Numa outra passagem do evangelho de São Mateus, Jesus diz: “A boca fala da abundância do coração” (Mt 12, 34).

Segundo São Mateus, Jesus pediu aos discípulos para moldarem o coração em harmonia com o seu coração:

“Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29).

O evangelho de São João diz que o diabo meteu no coração de Judas o plano de trair o Mestre (Jo 13, 2).

Jesus está inteiramente em sintonia com a visão bíblica segundo a qual o coração é a sede da sabedoria e o tesouro das coisas boas:

Segundo o evangelho de São Lucas, Jesus, após a sua ressurreição, repreende os discípulos de Emaús, chamando-lhes lentos de coração para acolherem o que os profetas tinham anunciado acerca do Messias (Lc 24, 25).

Na Carta aos Gálatas, São Paulo diz que Deus enviou o Espírito Santo aos nossos corações., o qual nos leva a tratar Deus por “Abba” papá (Gal 4, 6).

São Paulo pede a Deus que ilumine os olhos dos corações crentes dos cristãos de Éfeso, a fim de estes compreenderem o plano salvador de Deus e viverem de acordo com ele (Ef 1, 18).

Na cultura bíblica, o termo coração ocupa um lugar central do ser e do agir da pessoa humana.

Isto significa que o valor da pessoa não se mede pelos quilos que pesa, nem pelos centímetros que ela tem de altura.

Também não se mede pelas riquezas que a pessoa possui, nem por aquilo que ela diz, mas sim pelas suas realizações na linha do amor.

Como vemos, o coração não é um motor cego que faz leva as pessoas a agir sem critérios. Eis como São Paulo vê a origem da luz e da sabedoria que brotam no nosso coração, conduzindo-nos para o bem.

“Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito Santo habita nos vossos corações?” (1 Cor 3, 16).

Na Segunda Carta aos Coríntios, São Paulo éainda mais explícito quando afirma: “Não é que sejamos capazes de conceber alguma coisa por nós mesmos.

A nossa capacidade vem de Deus. É ele que nos torna aptos para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito.

Na verdade, a letra mata, mas o Espírito dá vida (2 Cor 3, 5-6).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A PESSOA E A QUALIDADE DO SEU CORAÇÃO-II

II-O CORAÇÃO COMO MORADA DE DEUS

O Livro do Génesis que Deus se debruçou para beijar o barro primordial do qual saiu Adão comunicando-lhe, nesse momento, o hálito da vida (Gn 2, 7).

É isto mesmo que São Paulo quer dizer quando afirma que o Espírito santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Isto quer dizer que o Espírito Santo está em nós como uma presença que ilumina, interpela e nos convida a agir na linha do amor, a fim de se realizar como pessoa.

Nas bem-aventuranças, Jesus diz que os puros de coração verão a Deus (Mt 5, 8). Isto significa que o essencial das pessoas se vê com o coração não com os olhos do rosto.

Mas esta declaração pressupõe que o homem é responsável pela qualidade do seu coração. O Deus da revelação bíblica tem coração, pois o coração é o ponto de encontro de uma pessoa com as outras.

A bíblia afirma muitas vezes que Deus tem coração. Se o coração é o núcleo mais nobre do ser humano e o ponto de encontro com as outras pessoas, então temos de reconhecer que as pessoas divinas também têm coração.

Jesus convidou os discípulos a amar ao jeito de Deus, a fim de o seu coração se moldar cada vez mais com o de Deus:

“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Fazendo assim tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no Céu, pois ele faz com que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores” (Mt 5, 44-45).

Entendido como o núcleo espiritual a partir do qual emergem as decisões do ser humano, temos de reconhecer que o coração é uma dimensão essencial da pessoa.

Neste sentido, os animais não têm coração, pois não se constituem como pessoas livres, conscientes e responsáveis.

A Palavra de Deus é acolhida e no coração, pois o coração é o ponto de encontro com Deus e os irmãos.

O evangelho de São Lucas diz que Maria acolhia e meditava a Palavra de Deus e a guardava no seu coração (Lc 2, 51).

Podemos dizer que a comunicação da Palavra de Deus acontece como fruto da interacção entre o coração da pessoa humana e o Espírito Santo.

As pessoas divinas comunicam entre si interagindo de coração a coração. O mesmo acontece com as pessoas humanas quando estas comunicam em profundidade.

Como vemos, Deus não é um ser estático. A Divindade não é uma essência eternamente imutável.

Por outras palavras, graças ao facto de ter coração e ser comunhão, a Divindade é novidade permanente.

No evangelho de São Mateus, Jesus pede aos discípulos para moldarem os seus corações, inspirando-se no próprio coração de Jesus:

“Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). Podemos dizer que o coração de Jesus é a fonte do amor e da fidelidade incondicional a Deus.

Foi no coração de Jesus que se deu o encontro do melhor de Deus com o melhor do Homem.
Foi no coração de Jesus que a Palavra das Escrituras teve o seu eco mais profundo.

Isto era essencial, pois foi no coração de Jesus que o Reino de Deus, isto é, a comunhão humano-divina começou a emergir.

Por isso, durante o tempo em que Jesus viveu na história, o Reino de Deus estava a brotar no meio dos homens. Isto quer dizer que Jesus estava no meio dos homens:

“Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demónios, então o Reino de Deus já está no meio de vós” (Mt 12, 28).

Mas no momento da sua morte e ressurreição, o Reino de Deus tornou-se presente às pessoas a partir de dentro.

Pelo acontecimento da sua ressurreição, Jesus entrou nas coordenadas da universalidade, tornando-se interior a tudo e a todos:

“A vinda do Reino de Deus não é observável. Não se poderá dizer ei-lo aqui ou acolá, pois o Reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17, 20-21).

Isto significa que foi no coração de Jesus que se fez a assinatura da Nova e Eterna Aliança.

Por parte da Divindade assina o Filho Eterno de Deus. Por parte da Humanidade assina Jesus de Nazaré, o Filho de Maria.

Foi no coração de Jesus que a Humanidade chegou à plenitude dos tempos, isto é, o tempo da gestação chegou à sua plenitude.

Agora começou o parto, o qual dá início ao nascimento dos filhos de Deus, diz a Carta aos Gálatas (cf. 4, 4-7).

Com efeito, a Encarnação aconteceu como enxerto do divino no humano, a fim de este ser divinizado. É aqui que radica o fundamento da Nova e Eterna Aliança.

Foi a partir do coração de Jesus que aconteceu a difusão do Espírito Santo. No momento em que o soldado trespassa com a lança o peito de Jesus, saiu sangue e Água do seu coração, diz o evangelho de São João (Jo 19, 34).

A água é a Água Viva como Jesus tinha explicado. No nosso coração, esta Água Viva dá origem a uma nascente de Vida Eterna (Jo 7, 37-39).

As pessoas que beberem desta Água, disse Jesus à Samaritana, nunca mais terão sede (Jo 4, 14).

Por seu lado, o sangue que sai do lado de Jesus é o sangue da Nova e Eterna Aliança, isto é, o Espírito Santo que é o dinamismo vital de Jesus ressuscitado.

Foi isto que Jesus disse aos judeus quando lhes explicou que a carne e sangue que nos alimenta são a dinâmica amorosa do Espírito Santo e não uma realidade de ordem biológica (Jo 6, 62-63).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

09 Setembro, 2009

SER IMITADORES DE JESUS CRISTO


Imitar Jesus Cristo é uma opção de vida que implica a identificação dos nossos critérios pessoais com os critérios de Jesus Cristo.

Conseguiremos imitar tanto melhor Jesus Cristo quanto mais conseguirmos ser pessoas livres e criativas.

A imitação de Cristo exige uma grande atenção à Palavra de Deus e ao Espírito Santo que habita em nós.

A imitação de Cristo implica uma opção de vida nova, pois imitar Cristo implica ser fiel aos apelos do Espírito Santo que é fonte permanente de novidade.

A pessoa que se deixa conduzir pelo Espírito de Cristo começa a tomar uma série de atitudes que, sem serem uma cópia das de Jesus enquanto ao modo, são idênticas quanto ao jeito de viver e amar.

A imitação de Cristo conduz os crentes à plena maturidade da vida cristã, incluindo uma experiência de Deus muito profunda.

Imitar Jesus Cristo é caminhar no sentido de uma experiência de tipo familiar, tanto em relação a Deus como em relação ao Homem.

O caminho da imitação de Cristo conduz-nos ao encontro de um homem cujo coração é o ponto de encontro da Humanidade com a Divindade.

À medida que começa a imitar Jesus Cristo, o cristão começa a ter uma enorme capacidade de correr riscos.

Esta capacidade assenta no dom da fortaleza, um dos frutos do Espírito Santo no coração dos crentes.

Esta capacidade dá-nos a possibilidade de realizarmos maravilhas no sentido de realizarmos transformações que são verdadeiros milagres, como aconteceu com Zaqueu (Lc 19, 1-10).

Eis alguns passos pilares importantes para levarmos por diante a imitação de Cristo:

1-Tomar Deus e o Homem a sério (Lc 7, 29-35).

2) Cultivar uma atenção especial em relação aos outros (Jo 2, 1-10).

3) Estar sempre disposto a defender a dignidade da pessoa, sabendo que o ser humano é a menina dos olhos de Deus.


O amor de Deus pelas pessoas é tão grande que nem o pecado do Homem o consegue anular, como Jesus ensinou (cf. Lc 7, 36-50).

4) Fazer do amor a única razão válida, tanto para viver como para morrer: “É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.

Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15, 12-14).

O amor ao jeito de Jesus implica a eleição dos outros como próximo, como fez o Bom Samaritano (Lc 10, 25-37).

Só o amor confere validade à vida, bem como aos cultos, sacrifícios e orações (1 Cor 13, 1-13).

São Paulo diz que a imitação de Cristo nos leva a completar em nós o que falta à paixão de Jesus Cristo.

Por outras palavras, a imitação de Cristo leva-nos a apaixonar-nos pelas mesmas causas pelas quais Jesus se apaixonou.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias




05 Setembro, 2009

ATITUDES QUE EDIFICAM O AMOR

Ninguém é capaz de amar antes de ter sido amado. Na verdade, é o amor dos outros que nos capacita para amar.

Segundo tenha sido bem ou mal amada, a pessoa humana fica mais ou menos capacitada para amar.

Isto quer dizer que somos capacitados ou condicionados pelos outros para actuarmos como pessoas livres, conscientes, responsáveis e capazes de amar.

Eis algumas atitudes construtivas que marcam o modo de agir de uma pessoa bem-amada:
Sabe edificar na cooperação e não na concorrência.

Sabe ajudar o outro a gostar de si, valorizando as suas realizações e empenhamentos, mesmo quando não correspondem aos seus interesses.

É capaz de ajudar o outro a superar a solidão e a suportar os fardos com que a vida, por vezes, carrega as pessoas.

Sabe dar o melhor de si, a fim de facilitar o amadurecimento do outro, dando-lhe oportunidades para que se realize como pessoa e seja feliz.

O bem-amado sabe que não pode substituir o outro, pois deste modo impedi-lo-ia de ser uma pessoa livre e criadora.

A pessoa adulta na sua capacidade de amar sabe ajudar sem se sobrepor. A pessoa bem-amada sabe por experiência que é melhor dar que receber.

Saber amar é ser capaz de ficar calado quando se está magoado, esperando o momento certo para dialogar serenamente.

Amar é ser capaz de escutar e acreditar no outro sem ter a pretensão de que de que a sua opinião é a única válida.

Amar é ajudar o outro a sentir-se apreciado. É importante saber escolher para tema de conversa e passatempo assuntos agradáveis à pessoa do outro.

Amar é cultivar a arte de saber escolher como tema de conversa e passatempo assuntos agradáveis ao outro.

A pessoa bem-amada sabe reconhecer as qualidades do outro e não girar obsessivamente à volta dos seus defeitos.

É importante não esquecer que amar é ser capaz de partilhar não só o que temos, mas sobretudo o que somos.

A pessoa que capaz de compreender que estar disponível para escutar e acolher é mais importante do que oferecer presentes já chegou longe na vivência do amor.

Amar é aceitar as diferenças, a fim de deixar o outro ser como é e não pretender que ele seja uma cópia de mim mesmo.

Ama mais e melhor quem dá o primeiro passo na linha da reconciliação. Foi assim que Deus agiu para connosco em Jesus Cristo.

A pessoa que toma o amor a sério está atenta no sentido de verificar se o outro está precisando de mim.

Na verdade, não basta pensar: “quando quiser que venha ter comigo”. Amar é estar disposto a morrer a muitos dos seus gostos e planos para dar ao outro a possibilidade de se sentir acolhido e amado.

Jesus ensinou-nos a arte de levar o amor até à sua densidade máxima: “Dar a vida pelo amigo”.


O amor modela o coração da pessoa para a comunhão, a meta onde as pessoas são realmente mais fortes.

Podemos dizer com Jesus que o amor é a rocha firme sobre a qual podemos edificar com segurança a nossa casa.

Amar é a veste indispensável para participarmos no banquete da Família de Deus. O amor concretiza-se em atitudes. Não se edifica sobre meras intenções ou discursos bonitos.

O amor é um caminho que conduz à comunhão. Podemos dizer que o amor é uma dinâmica de bem-querer que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão.

O amor gera sempre relações criadoras de verdade, liberdade e criatividade. O amor é a calda própria para as pessoas emergirem seguras e felizes.

Podemos dizer que o amor modela e capacita o coração para o dom e a gratuidade. A pessoa que ama aceita os defeitos do outro, apesar de isso exigir renúncia e sacrifício.

A pessoa que ama é capaz de sublinhar as qualidades do outro e de se congratular com os seus sucessos.

A pessoa que ama não está sempre a exigir disponibilidade do outro, mas procura estar disponível quando este precisa de si.

Ao dar uma opinião ou um conselho, a pessoa que ama procura comunicar sempre o melhor da sua vivência e do seu saber.

A pessoa egoísta, pelo contrário, tende sempre a reservar o melhor para si. A pessoa que ama dá-se de modo discreto e gratuito, ao ponto de o outro nem se aperceber do sacrifício de certas atitudes que são tomadas em seu favor.

A pessoa que ama não se afasta do outro por causa dos seus fracassos.Eis a razão pela qual a pessoa que ama de verdade é sempre a primeira a ser recordada nos momentos de sofrimento ou dificuldades.

A pessoa que ama evita magoar, mas não deixa de dizer a verdade pelo simples facto de que o outro possa não ficar contente.

A pessoa que ama aceita o outro, apesar dos seus defeitos, pois sabe que uma pessoa não se reduz aos defeitos que tem.

Por isso o outro sente que seria mais pobre se não tivesse encontrado a pessoa que o ama.

No seu hino ao amor, São Paulo menciona algumas atitudes fundamentais para a pessoa que quer tomar o amor a sério. Eis algumas das suas afirmações:

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se eu não tiver amor sou como um sino que soa ou um címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça toda a ciência e os mistérios, se não tiver amor de nada me aproveita (…).

O amor é paciente e prestável. O amor não é invejoso nem arrogante, nem gira sempre à volta do seu próprio interesse.

O amor não guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade.
O amor tudo desculpa. Acredita sempre. Tudo suporta e tudo espera.

O Amor jamais passará” (1 Cor 1-8).


Em comunhão Convoco
Calmeiro Matias




01 Setembro, 2009

MEDITANDO SOBRE A GÉNESE DO UNIVERSO


Deus criou o Homem para ser seu colaborador na obra da Criação. Com efeito, Deus criou o Homem de modo a este se poder criar, realizando-se de modo livre, consciente e responsável.

Cada ser humano, por ser uma pessoa, estrutura-se de modo único, original e irrepetível. A identidade da pessoa humana é o seu próprio jeito de se relacionar em dinâmica de amor.

A plenitude do Homem em construção é a comunhão com a Santíssima Trindade. Esta comunhão acontece através da força salvadora do Espírito Santo (Rm 8, 14-16).

Com o aparecimento da Humanidade, a Criação atinge uma densidade pessoal e eterna. Agora, Criador e a Criação podem dar-se as mãos e fazer uma aliança de comunhão eterna.

Com o aparecimento do Homem, a Terra tornou-se uma morada onde pode acontecer amor e fraternidade.

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo alimenta a comunhão humano-divina realizada em Cristo.

São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5,5).

Deus é amor, diz a Primeira Carta de São João (1 Jo 4,8). Isto quer dizer que o Universo leva em si a marca do amor.

Ainda antes de ter início a génese criadora do Cosmos, já existia a Comunhão Familiar da Santíssima Trindade.

Foi este mesmo amor que esteve na origem da criação do Homem, diz o Livro do Génesis (Gn 1, 26-27).

Foi o amor iniciou a marcha da humanização do Homem, a qual só pode acontecer através de relações marcadas pelo amor.

Este processo aconteceu pelo amor quando o hálito da vida entrou no interior do barro primordial que deu origem a Adão (Gn 2, 7).

Nesse momento o barro tornou-se barro com coração capaz de eleger o outro como próximo e de o constituir como alvo do seu bem-querer.


A Marcha criadora do Universo é dinâmica e evolutiva. A harmonia está presente em todas as estruturas deste Cosmos em gestação.

Nada está acabado neste projecto em processo histórico de realização. Deus está presente a esta marcha criadora, possibilitando que tudo caminhe dentro de uma sequência de causas e efeito.

Por outras palavras, Deus possibilita, mas não determina.

Nesta aventura histórica, Deus está a realizar uma epopeia cheia de ritmo e harmonia. Tudo é lógico e tem sentido. Há finalidade nas obras a emergir e a estruturarem-se.

Por ser harmonioso e belo, o Cosmos é um poema vivo a escrever-se e a reinventar-se de modo gradual e progressivo.

É belo o poema da Criação a acontecer: cada galáxia é uma estrofe e cada estrela um refrão.

Como testemunho vivo da Sabedoria divina, o Cosmos revela-nos a arte e a ternura da acção criadora de Deus.

Nesta marcha evolutiva do Universo já emergiu a vida, cuja cúpula é o Homem em Construção.
Os poemas humanos cantam a dor, as paixões e o Amor.

O poema da criação canta o amor criador de Deus que sonho o Homem à sua imagem e semelhança.

O poema de Deus fala-nos de ondas, partículas, células e vida capaz de amar. O Universo sonhado por Deus é lógico. Por isso a nossa inteligência o pode compreender.

Com o aparecimento do Homem, surge um espiritual com novas possibilidades para o ser e o agir:


Vibrações musicais sublimes, pensamentos estruturados em poesia ou gestos de amor profundo.

São diversos os temas do poema que Deus está a redigir:
Átomo, planeta e Galáxia.

Sistema solar, asteróide e Estrela Polar.
Planta, animal ou ave do céu a voar.

Mas o tema central deste poema é o Homem divinizado em Jesus Cristo.

No coração deste poema está a construir-se a História da Humanidade com pessoas a amar, a sorrir, a chorar, a odiar ou a sofrer.

Neste projecto a acontecer, a surge como cúpula personalizada da Criação. Por emergir de modo concreto em cada pessoa, a Humanidade já é capaz de comungar com o Criador.

Através de Jesus Cristo Deus já colocou ao nosso alcance a possibilidade de fazermos parte Família de Deus.

Esta possibilidade é-nos dada através da Encarnação, o enxerto do divino no Humano, a fim de este ser divinizado (Jo 1, 12-14).

O Homem em construção ainda está inacabado. Deus quis que fôssemos colaboradores seus na tarefa da nossa própria realização.

Com efeito, Deus criou o Homem de modo a este se poder criar, realizando-se de modo livre, consciente e responsável.

Cada ser humano, por ser uma pessoa, estrutura-se de modo único, original e irrepetível. A identidade da pessoa humana é o seu próprio jeito de se relacionar em dinâmica de amor.

A plenitude do Homem em construção é a comunhão com a Santíssima Trindade. Esta comunhão acontece através da força salvadora do Espírito Santo (Rm 8, 14-16).

Com o aparecimento da Humanidade, a Criação atinge uma densidade pessoal e eterna. Agora, Criador e a Criação podem dar-se as mãos e fazer uma aliança de comunhão eterna.

Com o aparecimento do Homem, a Terra tornou-se uma morada onde pode acontecer amor e fraternidade.

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo alimenta a comunhão humano-divina realizada em Cristo.

São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5,5).

Deus é amor, diz a Primeira Carta de São João (1 Jo 4,8). Isto quer dizer que o Universo leva em si a marca do amor.

Ainda antes de ter início a génese criadora do Cosmos, já existia a Comunhão Familiar da Santíssima Trindade.

Foi este mesmo amor que esteve na origem da criação do Homem, diz o Livro do Génesis (Gn 1, 26-27).

Foi o amor iniciou a marcha da humanização do Homem, a qual só pode acontecer através de relações marcadas pelo amor.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro0 Matias







28 Agosto, 2009

HINO A JESUS CRISTO RESSUSCITADO


Jesus Cristo Ressuscitado,

És o senhor da Vida, pois venceste a morte no próprio acto de morrer. Edificaste sobre o alicerce do amor e por isso a tua tenda não foi destruída pelos vendavais que a ameaçavam.

Como te deste de modo incondicional, não podias terminar no vazio da morte.

De ti nos vem o Espírito Santo que nos incorpora na comunhão universal do Reino de Deus cujo coração és tu.

Apesar de seres homem connosco também pertences à esfera de Deus. A tua interioridade humana está organicamente ligada à interioridade divina do filho Eterno de Deus. O vínculo que une e dinamiza esta interacção humano-divina é o Espírito Santo.

Por outras palavras, Jesus de Nazaré, o pilar humano da tua realidade, faz um com o Filho Eterno de Deus, não por se fundirem ou misturarem, mas porque interagem de modo directo.

Tu és o Cristo de Deus. A tua realidade assenta em dois pilares que fazem uma unidade orgânica no Espírito Santo.

Esta união orgânica é semelhante à união orgânica que existe entre Deus Pai e o Filho Eterno de Deus, os quais fazem uma união orgânica no Espírito Santo.

No evangelho de São João tu mesmo dizes isto quando afirmas: “Eu e o Pai somos Um” (Jo 10, 30).

Jesus Cristo Ressuscitado,
Tu és o Senhor do Universo e a Cabeça da Nova Criação. Com a tua ressurreição chegou o fim dos tempos, isto é, o fim da gestação e o começo do parto que deu origem ao nascimento do Homem Novo.

Eis as palavras de São Paulo a este respeito: “Se alguém está em Cristo é uma Nova Criação. Passou o que era velho.

Tudo isto nos vem por Deus que, em Jesus Cristo nos reconciliou consigo, não levando mais em conta os pecados dos homens.

Por seres homem connosco pertences à comunhão humana universal.

Jesus Cristo Ressuscitado,
Por seres Deus com o Pai e o Espírito Santo, pertences à união orgânica da Santíssima Trindade.

És do lado de Deus e do lado Homem. Como Cristo, o teu rosto tem uma face humana e outra divina.

O Humano e o divino, em ti, interagem de modo directo e definitivo.

Esta é a razão pela qual tu és o único medianeiro entre Deus e o Homem (1 Tm 2, 5).

Elegeste a Humanidade como alvo do teu amor, dando a vida por ela. Por isso edificaste uma morada no coração de todos os seres humanos.

Viveste a nossa condição de homens em construção, por isso sintonizas plenamente connosco.

Em ti, a dimensão divina não anula a humana, pois Deus e o Homem não são concorrentes mas cooperantes e convergentes.

És a garantia de que o Divino, ao tocar o Humano, não o anula. Pelo contrário, optimiza-o, capacitando-o para dar frutos de Vida Eterna.

E assim nos asseguras que o humano será assumido no divino, sem o mutilar ou empobrecer.

Esta seiva é o Espírito Santo que, a partir da tua morte e ressurreição, nos é comunicado de modo intrínseco, como uma Água Viva que faz brotar em nós uma fonte de Vida eterna (Jo 7, 37-39).

Jesus Cristo Ressuscitado,

Só através de ti podemos atingir a divinização, sendo incorporados na Família Divina como filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação ao Filho Deus.

Após a Encarnação, os seres humanos foram enriquecidos como os ramos de limoeiro, frágeis e doentes, são enriquecidos pela seiva da laranjeira vigorosa depois de nela terem sido enxertados.

Jesus Cristo Ressuscitado,
Tu mereces a gratidão de todas as gerações, pois abriste à Humanidade as portas do Paraíso fechadas por Adão.

Foi isto mesmo que disseste ao Bom Ladrão, como relata o evangelho de São Lucas (Lc 23, 43).

Em ti, o Humano e o Divino estão unidos para sempre. Por isso estamos salvos na medida em que formamos um todo orgânico contigo.

Tu disseste que a nossa união contigo é semelhante à união que existe entre a cepa da videira e os ramos (Jo 15, 1-7).

A nossa vida será fecunda, acrescentaste tu, se estivermos unidos a ti como os ramos da videira estão unidos à cepa (Jo 15, 4-5).

A fé cristã diz-nos que todos os seres humanos que se salvam, salvam-se em Jesus Cristo, sejam cristãos ou não.

Com os teus ensinamentos e o teu jeito de viver introduziste na marcha da História uma dinâmica de libertação, à qual se opuseram os opressores do teu tempo.

No momento da tua morte, os teus inimigos cantaram vitória. Na verdade, eles não podiam imaginar que, esse momento, significava a vitória da vida sobre a morte.

Como homem foste em tudo igual a nós excepto no pecado. Viveste ao lado dos outros homens sem os considerar inferiores ou indignos da tua amizade.

A tua acção era a expressão da vontade de Deus, revelando-nos deste modo o rosto e o coração bondoso do nosso Pai do Céu.

Na verdade, o amor com que nos amaste foi a expressão da paixão de Deus por todos nós.

Por isso, no momento da tua ressurreição, inauguraste com os que te precederam na história, a festa da Comunhão Universal.

Unidos a todos os que ressuscitaram contigo, nós proclamamos atua grandeza dizendo:
Glória a ti, Jesus Cristo Ressuscitado!

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

26 Agosto, 2009

A GRANDEZA DO PLANO CRIADOR DE DEUS



ADMIRANDO O PLANO CRIADOR DE DEUS

Trindade Santa,
Quando me lembro que o Universo visível tem cento e vinte e cinco mil milhões de galáxias eu curvo-me diante da vossa grandeza, dizendo:

Obrigado, Deus Santo, por terdes inaugurado esta aventura gigantesca a partir da explosão primordial do big bang.

Todos os dias a beleza e a harmonia das tuas criaturas nos recordam a ternura com que criaste, Deus Santo, todas as coisas.

Ao anoitecer, a Lua, as estrelas e os planetas, gritam-nos do Céu, lembrando-nos o teu poder criador.

Do mesmo modo, todos os dias, logo pela manhã, o Sol repete o grito poderoso com que iniciaste o impulso criador, dizendo à luz para aparecer.

Trindade Santa,
A harmonia e as leis do Cosmos fazem-nos compreender a bondade do plano e das leis que regem todas as coisas.

Pai Santo,
O teu plano para a Criação consiste em desejares a perfeição para todas as coisas que estais criando.

Mas em relação aos seres humanos, Pai Santo, tu os sonhaste à tua imagem e semelhança, a fim poderem tomar parte na própria Família de Deus.

Depois fazes aliança connosco e pedes-nos para escutarmos a tua Palavra, e realizarmos a vossa vontade, a qual coincide rigorosamente com o que é melhor para nós.

Pai Bondoso,

Nos momentos de incerteza, o Espírito Santo ajuda-nos a descobrir a tua vontade e, deste modo, podermos caminhar para a plenitude da vida.

Pai Santo,
Os que se alimentam da tua Palavra e acolhem o Espírito Santo que nos une à Comunhão da Santíssima Trindade estão especialmente capacitados para saborear a grandeza do teu plano criador.

Espírito Santo,
Os que se deixam conduzir pela tua ternura maternal crescem robustos como árvores plantadas à beira de um rio.

Estes jamais serão atormentados pela solidão e o tormento da sede, como dizem as Escrituras.

Jesus disse que o Espírito Santo é a Água Viva que faz brotar no nosso coração uma fonte de Vida Eterna (Jo 7, 37-39).

Se nos deixarmos conduzir por ti, podemos ter a certeza de que o melhor de Deus está ao nosso alcance, como diz São Paulo (Rm 8, 14-17).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias



22 Agosto, 2009

CRISTO E A NOVA HUMANIDADE- I

I-A DINÂMICA DO NASCIMENTO ESPIRITUAL

Jesus dizia que é muito importante morrer ao homem velho, a fim de dar lugar ao Homem Novo:
“O que nasce da carne é carne. O que nasce do Espírito é espírito” (Jo 3, 6).

Eis o que a este propósito diz a Carta aos Efésios: “Em Cristo aprendestes a remover o vosso modo de vida anterior, o homem velho corrompido pelas más inclinações.

Vós aprendestes a renovar-vos de acordo com o Espírito Santo. Deste procurai revestir-vos do Homem Novo criado de acordo com o plano de Deus, na justiça e santidade verdadeiras” (Ef 4, 21-24).

Eis o modo bonito como a Segunda Carta aos Coríntios descreve a morte do homem velho e a emergência do Homem Novo:

“Ainda que em nós o homem carnal se vá degradando pelo envelhecimento, o homem espiritual vai-se robustecendo cada vez mais pela acção do Espírito Santo” (2 Cor 4, 16).

São Paulo sentia-se perturbado pela tensão interior que sentia devido à luta entre as forças do homem velho e as do homem novo que se debatiam no seu interior.

Eis as suas palavras: “Eu sei que na minha carne habitam as forças do mal. Deste modo, desejar o bem está ao meu alcance, mas realizá-lo, não.

É por esta razão que não faço o bem que quero, mas o mal que não quero” (Rm 7, 18-19).

O Espírito de Cristo vai-nos renovando, tanto na mente como no coração. Na mente renovada habita a sabedoria, isto é, a capacidade de saborear a vida, os acontecimentos e as coisas com os critérios de Deus.

Estes critérios vão sendo moldados na nossa mente pela Palavra de Deus. No coração renovado habita o Espírito Santo que nos vai inspirando e convidando a agir em conformidade com o amor.

O Homem Novo emerge em nós na medida em que nos deixamos transformar pela Palavra e pelo Espírito Santo.

Mas o Homem Novo é um projecto que é preciso realizar, colaborando com o Espírito Santo, o grande arquitecto da humanização das pessoas.

Quando tivermos de tomar uma decisão ou elaborar um projecto de vida significativo ponhamo-nos a seguinte questão: “Que faria Jesus na minha situação?”

Jesus disse que o Espírito Santo vem em nosso auxílio para nos revelar o mistério de Jesus e a vontade do Pai (Jo 14, 26).

Sempre que nos confrontamos com Jesus estamos a sintonizar com o fundamento da Nova Criação, diz São Paulo:

“Se alguém está em Cristo é uma Nova Criação. Passou o que era velho. Eis que tudo se fez novo!
Tudo isto vem de Deus que nos reconciliou consigo em Cristo, não levando mais em conta os pecados dos homens” (2 Cor 5, 17-19).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

CRISTO E A NOVA HUMANIDADE- II


II-O HOMEM NOVO E A VERDADE

Jesus disse que o Homem está talhado para a verdade. A fonte da Verdade é Deus e o Espírito Santo é quem nos conduz no crescimento da mesma Verdade.

Eis as palavras de Jesus: “Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo e há-de recordar-vos tudo o que eu vos disse” (Jo 14, 26).

A verdade é a compreensão e enunciação correcta e adequada da realidade de Deus, do Homem, da História e do Universo.

Por ser modelado pelo Espírito Santo, o Homem Novo emerge em conformidade com Cristo que é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14, 6).

Deus chama-nos a ser construtores do Homem Novo, confiando em Jesus Cristo que é a fiel e verdadeiro.

Na verdade, a Palavra de Jesus coincidia com a verdade de Deus. Eis o que diz o evangelho de São João:

“A graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo” (Jo 1, 17). Jesus disse a Pilatos que a sua missão é comunicar a verdade aos seres humanos:

“Para isto nasci e para isto vim ao mundo: dar testemunho da verdade, pois quem é da verdade escuta a minha voz” (Jo 18, 37-38).

A fidelidade e a veracidade de Deus são a razão fundamental da nossa confiança. Segundo a Bíblia, as verdades fundamentais emergem e amadurecem no nosso coração.

É certo que a inteligência, ajudada pelas ciências e a filosofia é capaz de atingir aspectos importantes da verdade.

No entanto, a ciência sem a sabedoria não atinge a raiz mais profunda da verdade. Isto significa que a ciência, sem a sabedoria, sofre de uma profunda ambiguidade. Tanto pode servir para o bem como para o mal.

Bem sabemos como as maiores conquistas da ciência serviram para matar milhões de seres humanos.

A bíblia diz que é no coração que a verdade lança as suas raízes mais profundas. O coração é o núcleo mais nobre da interioridade espiritual da pessoa.

É a partir do coração que emergem as decisões, as opções e os projectos para fazer o bem ou o mal.

É no coração que decidimos realizar o Homem Novo em colaboração com Deus ou impedir que este possa emergir.

É no nosso coração que o Espírito Santo faz emergir a sabedoria do alto, a qual nos capacita para agirmos em conformidade com a vontade de Deus.

Graças à revelação, os seres humanos podem saborear o pleno sentido da Vida humana e o lugar do Homem no plano de Deus.

O que fecham a mente à Palavra de Deus e o coração à acção do Espírito Santo não conseguirão saborear os horizontes da verdade.

Vejamos o que diz São Paulo: “Nós ensinamos a sabedoria, mistério oculto que Deus, antes dos séculos, predestinou para nossa felicidade.

Nenhum dos senhores deste mundo a conheceu, pois se a tivessem conhecido não teriam crucificado o Senhor da glória.

Mas como está escrito, o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração humano não pressentiu, Deus o preparou para aqueles que o amam.

A nós porém, Deus o revelou por meio do Espírito Santo, pois o Espírito tudo penetra, mesmo as profundezas de Deus” (1 Cor 2, 7-10).

Pilatos interrogou Jesus o que é a verdade. Mas Jesus calou-se e não disse nada. Isto quer dizer que Pilatos não tinha o coração preparado para atingir a raiz mais profunda da verdade.

De tal modo a verdade de Jesus coincidia com a verdade de Deus, que Jesus se identificou totalmente com a vontade do Pai:

“Jesus respondeu-lhe: há tanto tempo que estou convosco e não me conheceis, Filipe? Quem me vê, vê o Pai!” (Jo 14, 5-9).

Após a ressurreição de Jesus, o coração dos Apóstolos só ficou preparado para acolher a verdade da revelação:

“Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade que procede do Pai, e que eu vos enviarei, ele dará testemunho em meu favor” (Jo 15, 26).

Guiados pelo Espírito Santo, os discípulos puderam atingir a raiz profunda da Verdade que Cristo tinha vindo a Comunicar:

“Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não sois capazes de as compreender por agora. Quando ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa” (Jo 16, 12-13).

Jesus disse que só a Verdade torna o Homem verdadeiramente livre:“Se permanecerdes na minha Palavra sereis meus discípulos.

Então conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres” (Jo 8, 31-32). O evangelho de São João diz que a graça e a verdade nos vieram por Cristo (Jo 1, 14. 17).

Os que agem de acordo com a Verdade, diz Jesus, aproxima-se da luz, a fim de que se veja que as suas obras são feitas em Deus (Jo 3, 21).

A primeira Carta a Timóteo diz que a vontade de Deus é que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade (1 Tim 2, 4).

É esta a meta do Homem Novo. Jesus Cristo é o único medianeiro entre Deus e o Homem, acrescenta a mesma Carta a Timóteo (1 Tim 2, 5).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

CRISTO E A NOVA HUMANIDADE- III

III-CRISTO COMO FUNDAMENTO DO HOMEM NOVO

À luz da revelação, a Humanidade forma uma união orgânica, tal como a Divindade.

Graças ao acontecimento da Encarnação, a Humanidade e a Divindade ficaram definitivamente unidas.

As pessoas humanas, tal como as divinas, não são ilhas. Existe apenas uma Divindade, apesar de serem três as pessoas divinas.

Do mesmo modo existe apenas uma Humanidade, apesar de existirem biliões as pessoas.

Segundo esta maneira de entender as coisas, o bem e o mal que as pessoas fazem não as afecta apenas a elas, mas também a toda a Humanidade, unida de modo orgânico.

A mesma coisa acontece com o bem que as pessoas fazem. É aqui que está a base da dinâmica histórica da salvação:

Deus tomou partido por Jesus, ressuscitando-o e glorificando-o. Como a Humanidade forma um todo orgânico e dinâmico com Jesus, todos nós fomos assumidos e glorificados nele e com ele.

É este o argumento usado na Segunda Carta a Timóteo: “Eis uma palavra digna de confiança: “Se morremos com Cristo também vivemos com ele” (2 Tim 2, 11).

São Paulo diz que, graças a esta união orgânica, todos temos a mesma dignidade Jesus Cristo:

“Já não há diferença entre judeu ou grego, escravo ou livre. Já não há diferença entre homem ou mulher, pois todos formamos um só em Cristo Jesus” (Gal 3, 28).

O evangelho de São João diz que Jesus Cristo é o alicerce da nossa incorporação familiar em Deus:

“Nesse dia compreendereis que eu estou no Pai, vós em mim e eu em vós” (Jo 14, 20). Depois acrescenta: “Eu neles, tu em mim, Pai, a fim de eles serem perfeitos na unidade.

Deste modo o mundo conhecerá que me enviaste e os amaste a eles, tal como me amaste a mim” (Jo 17, 23).

Graças a esta união orgânica entre nós e Cristo, fomos incorporados na Família de Deus, tornando-nos filho em relação a Deus Pai e irmãos em relação ao Filho de Deus (Rm 8, 14-17).

São Paulo explicita ainda melhor a nossa pertença à Família de Deus por Cristo dizendo:

“Àqueles que Deus conheceu antecipadamente, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do seu Filho, de tal modo que este é o primogénito de muitos irmãos” (Rm 8, 29).

Graças a esta união orgânica com Cristo vamos deixando os frutos da carne, isto é, as acções do homem velho e passando gradualmente a produzir os frutos da Nova Humanidade enxertada em Cristo:

“A carne deseja o que é contrário ao Espírito e o Espírito o que é contrário à carne (Gal 5, 17).



Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias





18 Agosto, 2009

A FORÇA LIBERTADORA DA ESPERANÇA-I


I-ESPERANÇA E VIDA CRISTÃ

Por ter como fundamento a Palavra de Deus, a esperança cristã capacita o crente para ver os sofrimentos e a morte dentro de um projecto com sentido.

Tenho a certeza, diz São Paulo, de que os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação com a alegria e felicidade que nos aguarda na plenitude de Deus (Rm 8, 18).

Movido pela certeza de que é agora que o Homem constrói o que será eternamente, o cristão procura edificar a vida em comunhão com a vontade de Deus,

São Paulo diz aos Efésios que estes, antes de se terem convertido ao Evangelho de Cristo, viviam sem esperança e sem Deus no mundo (Ef 2, 12).

Com estas palavras, São Paulo queria dizer que as pessoas que não têm esperança não saboreiam os acontecimentos e a vida como fazendo parte de um projecto de amor e salvação.

A fé diz-nos que o Espírito Santo está no nosso íntimo, facilitando a nossa realização e felicidade.
Por outras palavras, iluminada pela fé, a esperança garante-nos que o amor salvador de Deus nos está a conduzir para uma meta sem condicionamentos:

Eis as palavras da Carta aos Efésios: “Deus escolheu-nos em Cristo antes da fundação do mundo, a fim de sermos santos e irrepreensíveis no amor.

Deus predestinou-nos a caminhar na sua presença, a fim de sermos adoptados como seus filhos por meio de Jesus Cristo, de acordo com a sua vontade” (Ef 1, 4-5).

É por esta razão que São Paulo aconselha os crentes a viverem alegres na Esperança, pacientes nos sofrimentos e fiéis na oração (Rm 12, 12).

Consciente de que a Palavra de Deus é o alimento da esperança, São Paulo escreveu o seguinte:

“Tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para alimentar a nossa esperança” (Rm 15, 4).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A FORÇA LIBERTADORA DA ESPERANÇA-II


II-OS HORIZONTES DA ESPERANÇA CRISTÃ

As razões que conferem fundamento à esperança brotam da Palavra de Deus.

Graças á esperança, os cristãos têm a certeza de que a Humanidade não é uma aventura sem saída ou um processo sem sentido.

Pela fé, os cristãos sabem que a Humanidade não está a caminhar para o vazio da morte. Na verdade, a fé cristã tem como suporte a ressurreição de Cristo.

Podemos dizer que a fé assenta sobre a memória de um acontecimento que garante à Humanidade a vitória definitiva da vida.

Fundamentada na fé, a Esperança avança confiadamente em direcção à plenitude de Deus. Jesus ressuscitado é a certeza de que a Humanidade já possui a garantia de um sucesso pleno.

Os horizontes da Esperança Cristã coincidem rigorosamente com o querer de Deus a nosso respeito, o qual foi revelado de modo pleno pela ressurreição de Cristo.

O evangelho de João afirma esta verdade dizendo que todos comungamos da plenitude de Cristo:
“Da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça” (Jo 1, 16).

Foi com Cristo, diz a Carta aos Efésios, que Deus levou o tempo à sua plenitude:

“O Pai deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade, conforme a decisão prévia que lhe aprouve tomar, a fim de levar o tempo à sua plenitude” (Ef 1, 9-10).

A plenitude dos tempos significa a fase dos acabamentos, isto é, o fim da gestação e o início do parto que dá início ao nascimento do Homem Novo.

A Esperança Cristã assegura-nos que estamos já na fase do sucesso garantido. O sucesso é um dom que nos é oferecido gratuitamente por Deus.

Os tempos da Lei dão lugar aos tempos da graça e nesta graça somos incorporados na comunhão familiar de Deus.

Eis as palavras de São Paulo a este respeito: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher sujeita ao domínio da Lei.

Nasceu sob o domínio da Lei, a fim de resgatar os que se encontravam sob o domínio da Lei para que recebêssemos a adopção de filhos.

E porque somos filhos, Deus enviou aos nossos corações, o Espírito de seu Filho que clama: "Abba, Pai”.

Deste modo, já não és escravo, mas filho. Ora, se és filho és também herdeiro pela graça de Deus” (Gal 4, 4-7).

Isto significa que no coração da esperança cristã está a libertação do Homem.

A Segunda Carta aos Coríntios diz que a graça de Cristo ressuscitado fez de nós uma nova criação, constituída por homens reconciliados com Deus:

“Se alguém está em Cristo é uma Nova Criação. O que era antigo passou. Eis que tudo se fez novo.

Tudo isto vem de Deus que, em Jesus Cristo, nos reconciliou consigo, não levando mais em conta os pecados dos homens” (2 Cor 5, 17.19).

Isto significa que a esperança não é apenas um desejo vago que nasce da fome de felicidade que levamos no nosso íntimo.

Pelo contrário, a esperança tem como fundamento o conhecimento de um projecto salvador que Deus nos revelou e realizou em Jesus Cristo.

A Carta aos Romanos faz uma síntese magnífica dos horizontes da Esperança Cristã:

“Todos os que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão, mas um Espírito de adopção graças ao qual clamamos “Abba” Pai”.

É este mesmo espírito que, no nosso íntimo, dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus.

Ora, se somos filhos somos também herdeiros. Herdeiros de Deus Pai e co-herdeiros com Jesus Cristo” (Rm 8, 14-17).

Certa de que Deus é fiel, a esperança avança no sentido de atingir a meta que Deus nos propõe pela Revelação.

A Palavra de Deus abre os horizontes da nossa esperança muito para lá da vida presente, a qual é mortal.

Eis o que diz a Carta aos Filipenses:
“Para nós, a cidade a que pertencemos está nos céus, de onde esperamos o Senhor Jesus Cristo, o nosso Salvador.

Com a energia que possui e o capacita para dominar sobre todas as criaturas, Jesus Cristo transfigurará o nosso corpo, configurando-o ao seu corpo glorioso” (Flp 3, 20-21).

O horizonte máximo da esperança cristã é, pois, Jesus ressuscitado e assumido na glória da Santíssima Trindade.

A Carta aos Hebreus diz que a esperança é a expectativa confiante dos bens que estão para vir (Heb 6, 11).

A Segunda Carta aos Coríntios insiste em que a vida está cheia de sentido, pois a nossa esperança não nos desilude.

Na verdade, saboreando a História com o paladar da esperança cristã, nós compreendemos que não estamos a edificar para a morte, mas para a Vida Eterna:

“Por isso, não desfalecemos. E ainda que, em nós, o homem exterior vá caminhando para a ruína, o homem interior renova-se dia após dia.

Eis o que diz São Paulo: A nossa momentânea e leve tribulação proporciona-nos um peso eterno de glória, além de toda e qualquer medida.

Na verdade, olhamos mais para as coisas invisíveis do que para aquelas que se vêem. De facto, as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas” (2 Cor 4, 16-18).

Este texto exprime bem o horizonte da esperança que possibilita ao cristão olhar e saborear as coisas com um sentido e um sabor totalmente novo.

Graças aos horizontes da Esperança, o cristão sente-se motivado para optar e agir no sentido da sua construção pessoal, sabendo que não está a construir para o vazio do nada.

A Esperança capacita-nos para valorizar as coisas com os critérios do próprio Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A FORÇA LIBERTADORA DA ESPERANÇA-III

III-ESPERANÇA CRISTÃ E RAZÕES PARA VIVER

O que distingue um cristão dos outros seres humanos é a vida teologal de fé, esperança e amor ao jeito de Cristo ou caridade.

A densidade teologal da vida cristã consiste no facto de os cristãos alimentarem a sua mente com a Palavra de Deus e deixar-se conduzir pela força do Espírito que habita no seu coração.

A vida cristã exprime-se através das virtudes teologais de fé, esperança e caridade.

Para o cristão amadurecido na fé, a vida está cada vez mais identificada com os critérios de Jesus Cristo.

A esperança dá-nos a certeza de que não estamos abandonados por Deus. Eis o que diz o profeta Jeremias: “Conheço muito bem os planos que fiz para vós, diz o Senhor.

Pensando em vós, eu fiz planos para prosperardes e não para serdes aniquilados, a fim de que tenhais esperança num futuro bom.

Nessa altura chamareis por mim. Far-me-eis a vossa oração e eu escutar-vos-ei” (Jer 29, 11-12).

A esperança cristã é certeza, embora não evidente, pois assenta na Palavra e na fidelidade inabalável de Deus.

Mesmo nos momentos de dificuldade, a esperança dá-nos a certeza de que não estamos sós, pois o nosso Deus é o Emanuel, isto é, o Deus connosco.

Depois de ter pedido a Deus que o libertasse de uma dificuldade, São Paulo ouviu esta resposta do Senhor:

“Basta-te a minha graça, pois o meu poder libertador é perfeito quando se trata de ajudar a fraqueza” (2 Cor 12, 9).

A Carta aos Colossenses dá-nos uma norma eficaz para fortalecermos a esperança quando afirma:

“Colocai a vossa mente nas coisas do alto e não nas terrenas” (Col 3, 2).

O Salmo cento e vinte e seis descreve de modo poético a dinâmica da esperança no coração do homem que luta pela vida. Eis as suas palavras:

“Os que semeiam com lágrimas vão ceifar com cânticos de alegria. Os que saem chorando, ao levar a semente para a sementeira, voltarão com canções de alegria trazendo molhos de espigas consigo” (Sal 126, 5-6).

Eis o conselho da Primeira Carta de São Pedro aos cristãos, a fim de serem testemunhas de esperança no mundo em que vivem:

“Acolhei Cristo nos vossos corações, a fim de estardes preparados para responder aos que vos procuram sobre as razões da vossa Esperança” (1 Pd 3, 15).

É verdade que a certeza da esperança radica na fé, não na evidência. Mas nem por isso deixa de ser uma certeza que se reforça progressivamente.

A esperança dá-nos a certeza de que, apesar dos sofrimentos e dificuldades da vida presente, Deus tem para nós uma meta onde saborearemos a vida em plenitude.

O único limite nesta meta da plenitude será a nossa capacidade de saborear a alegria e a felicidade:

“Bem-aventurados vós os que agora chorais, pois haveis de rir” (Lc 6, 21).

Os pilares da Esperança cristã são a Palavra e o Espírito Santo interagindo no nosso coração.

A Palavra revela-nos o significado do plano de Deus. O Espírito Santo realiza em nós o que a Palavra significa.

Alimentado com a palavra e fortalecido pelo Espírito Santo, o cristão torna-se, deste modo, uma força capaz de transformar o coração das pessoas e a realidade social.

A Carta aos Hebreus diz que Abraão é um modelo de esperança: Com efeito, apesar de a evidência sugerir o contrário, ele confiou em Deus, abrindo o coração à esperança.

Por esta razão ele obteve o que esperava: “E assim, depois de ter esperado pacientemente, Abraão recebeu o conteúdo da promessa” (Heb 6, 15).

A esperança cristã é cristocêntrica. O conteúdo da promessa concretizada é Cristo consiste em participar com Cristo na festa da Família de Deus.

Nessa festa dançaremos o ritmo do amor com o jeito com que tivermos treinado aqui na história.

Apesar de nos capacitar para saborearmos a vida com os horizontes da plenitude no Céu, a esperança não nos distrai dos compromissos históricos.

Pelo contrário, a esperança convida-nos a construir um mundo fraterno edificado sobre o alicerce do amor ao jeito de Cristo.

No evangelho de São Mateus, Jesus convida-nos a ser sal, luz e fermento no meio do mundo (cf. Mt 5, 13-16).

Graças à esperança, os cristãos estão capacitados projectar uma luz nova sobre as dificuldades da vida.

A morte e os sofrimentos não são vistos como tragédias sem saída, diz São Paulo (Rm 8, 18).


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

14 Agosto, 2009

QUANDO O ESPÍRITO SANTO NOS CONDUZ-I

I-CONDUZIDOS PELO ESPÍRITO SANTO

O gosto e o jeito de ser do Espírito Santo é criar laços entre as pessoas e fortalecer a comunhão que as anima.

Por ser uma pessoa divina, o Espírito Santo movimenta-se em coordenadas de universalidade e equidistância.

O seu ser é exclusivamente espiritual e transcende as limitações do espaço e do tempo. O termo hebraico Ruah (Espírito) significa vento, brisa, sopro, espírito e é quase sempre feminino.

A bíblia associa o Espírito Santo à vida e à fecundidade. O livro do Génesis diz que, no princípio, a terra era uma massa caótica, sem forma, e que o Espírito de Deus pairava sobre a escuridão do caos primordial.

O Espírito Santo é o hálito da vida que Deus insuflou no barro primordial do qual saiu Adão.

Habita de modo permanente no coração do Homem, facilitando o processo da sua humanização.
O Livro do Génesis diz que José do Egipto era um homem corajoso e muito válido, pois estava cheio do Espírito de Deus (Gn 41, 38).

No momento em que Jesus saiu das águas após o seu baptismo o Céu abriu-se e Jesus viu o Espírito de Deus vir sobre ele em forma de pomba (Mt 3, 16).

A partir deste momento, Jesus começa a agir movido pelo Espírito Santo. O Espírito Santo foi a força que ressuscitou Jesus. É também ele que nos ressuscita a nós com Cristo:

“E se o Espírito Santo que ressuscitou Jesus está em vós, também ele fará que os vossos corpos vivam por meio do mesmo Espírito que vive em vós” (Rm 8, 11).

Ao ressuscitar-nos, o Espírito Santo insere-nos na comunhão orgânica da Família de Deus:
“Todos os que são movidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8, 14).

O profeta Isaías, pensando no futuro Messias, diz que ele terá a plenitude do Espírito:

“O Espírito do Senhor repousará sobre ele. Espírito de Sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, de conhecimento e temor de Deus” (Is 11,2).

O Espírito Santo, continua o livro de Isaías, vai consagrá-lo e capacitá-lo para realizar de modo perfeito a sua missão:

“O Espírito do Senhor está sobre mim porque me consagrou. Enviou-me para levar a Boa Nova aos que sofrem e curar os desesperados,

Para anunciar a libertação aos exilados, a liberdade aos prisioneiros. Ungiu-me para proclamar o ano da graça do Senhor, o dia em que o nosso Deus fará justiça, a fim de consolar os tristes” (Is 61, 1-3).

O Espírito Santo actuará nos crentes com a força da Palavra nos momentos de perseguição:

“O Espírito do vosso Pai Celeste falará por vós naqueles momentos” (Mt 10, 20). Ele é o Espírito do Pai que Jesus vai enviar, o qual testemunhará de Jesus:

“Quando o Consolador vier, o qual eu vos vou enviar desde o Pai, o Espírito da Verdade que procede do Pai, ele testemunhará de mim” (Jo 15, 26)

Nos momentos em que, mediante a oração, comunicamos com o Pai do Céu, o Espírito Santo gera em nós um coração filial.

Com seu jeito maternal de amar configura o nosso coração com o coração filial de Jesus, o Filho fiel.

Deste modo, a nossa relação com o Pai vai adquirindo o jeito do Filho unigénito de Deus: “E porque somos filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho aos nossos corações pelo qual clamamos “Abba”, ó Pai” (Gal 4, 6).

Tudo isto mostra bem com o Espírito Santo é princípio animador de relações e vínculo da comunhão orgânica que no incorpora na comunhão da Santíssima Trindade.

O profeta Zacarias diz que Deus, ao enviar o Messias, derramará sobre os crentes o Espírito de Graça e oração sobre os habitantes de Jerusalém:

“Derramarei o meu Espírito de graça e oração nos habitantes de Jerusalém. Eles olharão para aquele que trespassaram e chorarão por ele como se chora a morte de um filho único” (Zac 12, 10).

São Paulo diz que o Espírito Santo habita no coração do ser humano como num templo. Eis a razão pela qual o nosso agir deve processar-se em conformidade com Deus, a fim de não causarmos desgosto ao Espírito Santo:

“Não contristeis o Espírito Santo pelo vosso modo de agir. Lembrai-vos que ele vos marcou com o selo para o dia da salvação, quando a libertação do pecado atingir a sua plenitude” (Ef 4, 30).

O Espírito Santo é o consolador, diz Jesus no evangelho de São João: “Eu pedirei ao Pai e ele vos dará um outro Paráclito, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece.

Ele estará sempre convosco, pois permanece junto de vós e está em vós” (Jo 14, 16-18).

Enquanto está com os discípulos, Jesus é o seu defensor e consolador. Ao partir, Jesus vai enviar aos discípulos outro defensor e consolador, isto é, o Espírito Santo:

“No entanto, digo-vos a verdade: convêm-vos que eu vá, pois se eu não for o Consolador não virá a vós. Mas se eu partir eu vo-lo enviarei” (Jo 16, 7).

“No nosso íntimo, o Espírito Santo é o vínculo da comunhão orgânica que nos incorpora na família de Deus:

“Todos os que são movidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão para cairdes no temos, mas recebestes um Espírito de adopção que, no vosso íntimo, grita: “Abba”, papá” (Rm 8, 14-15).

Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias

QUANDO O ESPÍRITO SANTO NOS CONDUZ-II


II-ESPÍRITO SANTO E FIDELIDADE

Através do Espírito Santo, Deus é verdadeiramente o Emanuel, isto é, o Deus connosco. São Paulo diz que ele é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

O Espírito foi anunciado no Antigo Testamento como o grande dom dos tempos messiânicos.

O Novo Testamento proclama Jesus como o Messias anunciado, o portador da abundância do Espírito do Espírito.
Após a sua ressurreição, Jesus partilha o dom do Espírito Santo como quem partilha a própria vida ou, se quisermos, a sua carne e o seu sangue:

“E ser virdes o filho do Homem subir para onde estava antes? O Espírito é que dá vida, a carne não serve para nada. As palavras que vos disse são Espírito e Vida” (Jo 6, 62-63).

“No dia de Pentecostes Pedro faz um discurso aos judeus convidando-os a receber o baptismo, a fim de receberem o Espírito Santo:

“Então Pedro disse-lhes: “Arrependei-vos e cada um de vós seja baptizado no nome de Jesus Cristo para a remissão dos pecados.

Então recebereis o dom do Espírito Santo” (Act 2, 38). Após a conversão dos primeiros samaritanos, Pedro e João foram à Samaria e oraram por eles, a im de eles receberem o Espírito Santo.

Com efeito, o Espírito Santo ainda não tinha vindo sobre eles, pois apenas tinham sido baptizados em nome de Jesus.

Então Pedro e João impuseram-lhes as mãos e eles receberam o Espírito Santo” (Act 8, 15-17).

Esta passagem é muito importante, pois afirma claramente que o baptismo no Espírito não é um acto mágico derivado do rito baptismal, mas supõe a dinâmica da palavra e da oração em comunidade.

São Paulo encontrou em Éfeso um grupo de crentes que apenas tinham recebido o baptismo de João Baptista.

Estas pessoas não conheciam o baptismo no Espírito. São Paulo, então, baptizou-os em nome de Jesus e, ao impor-lhes as mãos, estes ficaram cheios do Espírito Santo (Act 19, 1-6)

Tratando-se do baptismo de adultos, o Baptismo no Espírito precede o rito litúrgico do baptismo, como testemunham os Actos dos apóstolos:

“Pedro estava ainda a falar, quando o Espírito desceu sobre quantos ouviam a Palavra. Os fiéis circuncidados ficaram estupefactos ao verificarem que o dom do Espírito Santo fora derramado também sobre os pagãos, pois ouviam-nos falar línguas e glorificar a Deus.

Pedro, então, declarou: “Poderá alguém recusar a água do baptismo aos que já receberam o Espírito Santo como nós?” (Act 10, 44-47).

É este o baptismo no Espírito de que falava João Baptista: “E João dizia: “Vai chegar um depois de mim que é maior do que eu e eu nem sequer sou digno de lhe levar as sandálias. Eu baptizo-vos em água, mas ele vos baptizará com o Espírito Santo” (Mc. 1, 8).

É com a força do Espírito Santo que os discípulos vão testemunhar a ressurreição de Jesus Cristo até aos confins da Terra, como Jesus garante aos discípulos:

“Ides receber a força do Espírito Santo que virá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria, até aos confins da Terra” (Act 1, 8).

A Fé Cristã é um privilégio, pois concede ao ser humano a possibilidade de olhar e compreender a vida e os acontecimentos com a sabedoria da Palavra de Deus.

À medida que o Espírito Santo anima as pessoas, estas começam a realizar maravilhas em favor dos irmãos.

As qualidades das pessoas tornam-se, pois, carismas, isto é, dons para os demais. A dinâmica consagradora do Espírito Santo consiste em optimizar as qualidades das pessoas no sentido de as capacitar para servir.

É este o modo como o Espírito santo transforma as qualidades em carismas. Há pessoas que tiveram grandes qualidades mas que foram grandes assassinos da Humanidade.

Como vemos, não basta ter qualidades, pois estas podem ser postas ao serviço da destruição do Homem.

Não basta comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, isto é, a ciência humana.

É preciso que a ciência seja optimizada pela sabedoria que vem do Espírito Santo, o fruto da Árvore da Vida.

Quando isto acontece, as pessoas começam a olhar e valorizar a Vida, a História e o sentido da Criação com os critérios de Deus.

Por outras palavras, as qualidades humanas são válidas na medida em que se tornam carismas, isto é, dons em favor dos irmãos.

Esta optimização das qualidades é obra do Espírito Santo, o Espírito da Verdade:

“Quando vier o Espírito da Verdade, ele conduzir-vos-á à Verdade Plena” (Jo 16,13). Procedendo assim, o Espírito Santo facilita a nossa realização e felicidade.

Na verdade, a pessoa humana só se realiza mediante o amor aos irmãos. Mas isto só pode acontecer se estivermos unidos a Cristo de modo orgânico, diz Jesus no evangelho de São João:

“Permanecei em mim que eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco se não permanecerdes em mim.

Eu sou a videira e vós sois os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, pois sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 4-6).

São Paulo diz que é pelo facto de formarmos uma união orgânica com Cristo que o Espírito Santo nos torna dom para os irmãos:

“A respeito dos dons do Espírito irmãos, não quero que fiqueis na ignorância (…). Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de serviços mas o Senhor é o mesmo.

Há diversidade de modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito Santo para proveito comum.

A um é dada uma palavra de Sabedoria (dom de aconselhar). A outro o Espírito dá uma palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito (…).

Assim como o Corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de serem muitos, constituem um só corpo. Assim também Cristo.

De facto, fomos baptizados num único espírito, a fim de formarmos um só corpo” (1 Cor 12, 4-13).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias



09 Agosto, 2009

O HOMEM COMO OBRA DO AMOR DE DEUS-I

I-O HOMEM COMO PROJECTO HISTÓRICO

Como ser em construção, o Homem é um projecto que ainda não está acabado.

À luz da bíblia, podíamos dizer que o Homem é uma obra-prima feita de barro em cujo interior está a emergir outra obra-prima feita de espírito.

A vida espiritual humana emerge a partir de um núcleo interior à qual a bíblia dá o nome de
“nefesh”, isto é, o ponto de interacção do Homem com Deus.

Eis as palavras do Livro do Génesis: “Então o Senhor Deus formou o Homem do húmus da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida e o Homem converteu-se num ser vivo” (Gn 2, 7).

Este encontro primordial entre Deus e o Homem é dinamizado pelo amor, capacitando o Homem para amar.

Na verdade, a lei do amor é esta: “É o amor do outro que capacita a pessoa para amar e a pessoa mal amada fica a amar mal, isto é, com bloqueios e quedas.

Podemos dizer que a dinâmica da humanização do Homem começa com esse sopro primordial que faz que o Homem se torne um ser vivo (cf. Gn 2, 7).

A marcha da evolução da vida animal culmina no salto da hominização, isto é, na complexidade natural própria do ser humano.

Mas a natureza não humaniza as pessoas. Estas vão-se humanizando através da dinâmica do amor.

Podemos dizer que o encontro primordial de Deus com o Homem é o clique que inicia a marcha histórica da humanização, a qual acontece através do amor.

A lei da humanização é: “Emergência pessoal mediante relações amor de amor e convergência para a comunhão universal”.

A humanização do ser humano, na verdade, acontece como crescimento espiritual da pessoa, o qual acontece pela dinâmica do amor.

Para melhor entendermos esta verdade basta pensar que Deus é Amor, como afirma a Primeira Carta de São João.

Isto quer dizer que o amor tem a capacidade de se auto-gerar e robustecer.

A vida espiritual humana emerge como vida pessoal, isto é, não se trata de um espírito vago e indefinido.

A pessoa humana estrutura-se como ser histórico. Com efeito, cada pessoa emerge de modo único, original, irrepetível e capaz de amar na medida em que foi amada.

Isto quer dizer que o ser humano leva em si as marcas das decisões e escolhas que fez ao longo da sua vida na linha do amor.

É com esta identidade espiritual que a pessoa tomará parte na festa da Vida Eterna.

Por outras palavras, a pessoa dançará eternamente o ritmo do amor com o jeito que adquiriu enquanto viveu na História.

Mas isto só pode acontecer porque o sopro de Deus, isto é, o Espírito Santo, nos vai modelando à imagem e semelhança de Deus.

Em Comunhão Com Deus
Calmeiro Matias

O HOMEM COMO OBRA DO AMOR DE DEUS-II

II-A FORÇA CRIADORA DO ESPÍRITO

Podemos dizer que o arquitecto que projecta a nossa realidade espiritual a partir dos nossos possíveis é o Espírito Santo.

Só o Espírito Santo conhece perfeitamente as nossas possibilidades de realização. Por isso ele está sempre connosco, embora nunca nos substitua.

A sua acção criadora, no nosso íntimo, acontece como interacção relacional amorosa e geradora de plenitude.

A identidade dos seres humanos exprime-se pelo seu jeito de amar. Podemos distinguir na pessoa humana o seu ser exterior e o seu ser interior ou espiritual.

O nosso ser espiritual emerge no interior do nosso ser exterior como o pintainho emerge no interior do ovo.

O ovo não se confunde com o pintainho, isto é, o nosso ser espiritual não se confunde com o ser exterior ou individual.

O ovo é a matriz do pintainho em gestação e só pode emergir a partir dele. Do mesmo modo, a matriz do nosso ser interior é o nosso ser exterior, a partir do qual ele emerge.

Para a bíblia o corpo é a raiz do nosso ser interior. É pelo corpo que a pessoa se exprime como ser vivente.

Para a mentalidade bíblica, a pessoa humana só está viva enquanto convive. O povo bíblico pensava que os falecidos, no sheol, isto é, na morada do mortos, subsistiam, isto é, mantinham a sua identidade, mas estavam em estado de morte, pois não interagiam entre si.

O Espírito de Deus é o princípio universal de união orgânica e interacção amorosa. Pela morte, pensavam os hebreus, Deus retira do interior do ser humano o sopro da vida, isto é, o Espírito Santo.

Antes de Cristo, o povo bíblico pensava que as pessoas, na morada dos mortos, não estão a viver a comunhão universal.

Só após a ressurreição final as pessoas serão assumidas numa comunhão orgânica na qual vão adquirir a plenitude pessoas.

Esta capacidade de comungar com os outros, fazendo com eles uma unidade orgânica é chamada no mundo bíblico por carne “Basar”.

Por isso o povo bíblico sempre falou da ressurreição da carne, isto é, da pessoa humana enquanto ser estruturado para a relação e fazendo um todo orgânico com a Humanidade.

A ressurreição da carne não tem nada a ver com restauração biológica.

A força ressuscitadora de Deus é o Espírito Santo. Cristo ressuscitado possibilitou à Humanidade uma nova densidade de comunhão com o Espírito Santo.

Proporcionando-nos esta nova interacção com o Espírito Santo, Cristo ressuscitado tornou-se o princípio da ressurreição universal:

“No último dia, o mais solene da festa, Jesus, de pé, exclamou: se alguém tem sede venha a mim. Quem crê em mim que sacie a sua sede!

Como diz a Escritura, hão-de correr do seu coração rios de água viva. Jesus disse isto referindo-se ao Espírito Santo que iriam receber os que acreditassem nele.

Com efeito, o Espírito ainda não tinha vindo por Jesus não ter sido glorificado”. (Jo 7, 37-39).
No evangelho de São João, o próprio Jesus se chamou Ressurreição e Vida:

“Disse-lhe Jesus: teu irmão ressuscitará. Marta respondeu-lhe: eu sei que ele há-de ressuscitar na ressurreição do último dia.

Disse-lhe Jesus: eu sou a ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido viverá. Aquele que crê em mim e vive não morrerá” (Jo 11, 23-26).

São Paulo, para afirmar que a ressurreição não é uma restauração biológica diz que o corpo dos ressuscitados é uma realidade espiritual, não biológica (1 Cor 15, 42-45).

Os cães, por exemplo, não podem ressuscitar, pois não tem densidade pessoal e espiritual.

A dimensão biológica (carne e sangue) acrescenta São Paulo, não tem parte no Reino de Deus.
Para o Apóstolo é muito claro que o ser exterior da pessoa humana e o seu ser interior são opostos e antagónicos (Rm 1, 3-4).

Na segunda Carta aos Coríntios, Paulo diz que o ser exterior se vai degradando e destruindo com a idade. Mas o ser interior, pelo contrário, vai-se robustecendo pela acção do Espírito de Deus (2 Cor 4, 16).

Como vemos, a identidade da pessoa é espiritual e exprime-se pelo seu jeito de amar.



Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias



03 Agosto, 2009

ESPÍRITO SANTO E MATURIDADE DE FÉ-I

I-ESPIRITO SANTO E ESPIRITUALIDADE CRISTÃ

Dizer que o Espírito Santo é o grande dom que nos vem de Cristo Ressuscitado, significa que o Espírito Santo actua de modo gratuito no nosso íntimo.

São Paulo exprime esta verdade, dizendo que o Espírito Santo é o Amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

O Espírito Santo é dom porque se dá de modo gratuito e incondicional. Com seu jeito maternal de amar ele anima a nossa vida de relações e é vínculo de comunhão orgânica. Por isso ele tem o sobrenome de Santo.

A bíblia diz que o Espírito Santo é como um vento, força que impele e anima a dinâmica das relações (cf. Jo 3, 8).

Ele é o hálito da vida que entrou no barro primordial do qual saiu Adão (Gn 2, 7). É também a Água Viva que, no interior da pessoa, se torna uma nascente de Vida Eterna (Jo 7,37-39; 4,14).

O Espírito Santo é também a seiva a circular da cepa da videira (Cristo), para nós que somos nós (Jo 15, 1-7).

Ele é o princípio de adopção mediante o qual nos tornamos filhos adoptivos em relação a Deus Pai e irmãos em relação ao Filho de Deus (Rm 8, 14-16).

Para sermos membros da Família de Deus, diz Jesus no evangelho de São João, termos de nascer de novo (Jo 3, 3-6).

Ele é o princípio animador da Nova Aliança, a qual não assenta nas tábuas da Lei, mas na dinâmica do Espírito.

No nosso íntimo, o Espírito Santo é princípio santificador, isto é, animador de relações e comunhão amorosa.

Levamos dentro de nós o forjador da santidade. Santos são os que o escutam e agem de acordo com os seus apelos.

É importante ter presente que o Espírito Santo nunca nos substitui. Interpela, ilumina, convida e chama-nos a agir em harmonia com as propostas do amor fraterno.

Como ternura maternal de Deus, o Espírito Santo optimiza as nossas relações, criando laços de amizade e comunhão.

Anima as relações entre os seres humanos, capacitando-os para serem dom uns para os outros.
O pecado contra o Espírito consiste em atribuir às forças do mal o que é obra sua.

Esta atitude leva a pessoa a fechar-se de modo gradual e progressivo à acção de Deus. O Novo Testamento diz que o pecado contra o Espírito Santo é o único que não tem perdão (Mc 3, 22-23; Mt 12, 24;Lc 11, 15).

A santidade é igual a comunhão amorosa. A anti-santidade por excelência é a pessoa fechada em si.

O Espírito Santo é santo e santificador, pois optimiza a nossa vida de comunhão com Deus e os irmãos.

Como comunhão perfeita de três pessoas, Deus é a santidade por excelência. Uma pessoa vive tanto mais a dinâmica da santidade quanto mais vive a dinâmica da comunhão amorosa.

As pessoas divinas são infinitamente santas porque vivem a dinâmica da comunhão amorosa em grau de perfeição infinita.

A santidade é uma realidade orgânica, isto é, interactiva e relacional. A expressão máxima da anti-santidade é o estado de inferno.

Neste estado, a pessoa fechou todas as possibilidades de encontro, diálogo e comunhão com as pessoas humanas, as divinas e outras que possa haver.

Neste estado, a pessoa não se encontra nem atinge a sua plenitude.Na verdade, a plenitude da pessoa não está em si, mas na reciprocidade da comunhão.

De facto, ninguém consegue encontrar-se ou possuir-se plenamente fora da comunhão. O Espírito Santo é princípio santificador enquanto animador de relações e vínculo orgânico de comunhão.

A vontade de Deus a nosso respeito é a nossa santificação, diz São Paulo aos Tessalonicenses (1 Tes 4, 3).

Na Primeira Carta aos Coríntios ele diz que o Espírito Santo é quem nos purifica e santifica (1 Cor 6, 11).



Em Comunhão Convosco

Calmeiro Matias

ESPÍRITO SANTO E MATURIDADE DE FÉ-II


II-ESPIRITO SANTO E MATURIDADE DE FÉ

A Fé Cristã confere aos crentes os horizontes mais amplos e profundos que é possível ter para saborear o sentido da vida, da História, e do Universo.

Para se tornar adulto na fé, o cristão precisa de a alimentar com os conteúdos da Palavra de Deus.

Mas a vida cristã não se esgota no conhecimento dos conteúdos doutrinais da fé. Por outras palavras, a vida cristã não é apenas uma questão de conhecimentos doutrinais.

Um crente que toma Deus e os conteúdos da fé a sério tem de viver de acordo com essa fé.

O cristão que toma a Palavra de Deus a sério tem de correr tenho de correr procurando viver em harmonia com aquilo em que acredita.

Eis o que diz a Carta aos Efésios: “Não andeis como os gentios, na futilidade dos seus pensamentos, com o entendimento obscurecido, alienados da vida de Deus devido à ignorância e à dureza de coração” (Ef.4,18).

Somos seres em construção a todos os níveis do nosso ser, incluindo o espiritual. Um cristão é tanto mais adulto na fé quanto mais agir em conformidade com as propostas do amor, o mandamento que nos é proposto por Jesus:

“Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei.
As pessoas saberão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 34-35).

Graças ao facto de o Espírito santo habitar em nós, é possível viver em comunhão com as pessoas divinas e amarmos os nossos irmãos

São Paulo diz que o Espírito Santo que é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

O Espírito Santo convida-nos a fazer opções na linha do amor, a fim de nos moldar e configurar com Cristo.

Um crente será tanto mais adulto na vida cristã quanto mais identicado estiver com Jesus no seu jeito de agir.

Podemos ter a certeza de que as nossas decisões, escolhas, e opções de vida são o grande modelador do que seremos na comunhão da Família de Deus.

A Fé confere-nos os horizontes e os critérios para agirmos no sentido de conseguirmos o melhor, como diz o evangelho de Marcos:

“Se acreditas, todas as coisas são possíveis para o que acredita” (Mc.9,23). A fé converte-nos em crentes, capacitando-nos para termos sucesso nas nossas realizações.

Mas isto é um dom que nos é inspirado pelo Espírito Santo: “Jesus abriu-lhes a mente, a fim de entenderem as Escrituras” (Lc 24, 45).

Todas as coisas são possíveis para aqueles que tomam Deus a sério: Eis o que Jesus diz: “Se tiveres fé nada será impossível para ti” (Mt 17, 21).

Depois acrescenta: “Faça-se segundo a tua fé” (Mt 9, 29). Mas Tenhamos sempre presente que o Deus que está em nós e por nós nunca está em nosso lugar.

Por outras palavras, o Deus que nos possibilita nunca nos substitui. Quando agimos movidos pela Fé, o nosso pensamento e a nossa acção ficam em sintonia com Deus, diz São Paulo:

“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir sobre o que é bom, perfeito e agradável a Deus” (Rm 12, 2).

Eis a razão pela qual é tão importante criarmos espaços de silêncio e diálogo com Deus sobre os nossos planos e objectivos, como nos aconselha a Carta aos Gálatas:

“Se vivemos pelo Espírito, pautemos também a nossa vida pelo Espírito” (Gal 5, 25). É verdade que a que á fé faz maravilhas. Mas também é verdade que, sem fé, não há milagres.

Eis o que aconteceu um dia a Jesus quando foi a Nazaré: “E não fez ali muitos milagres por causa da incredulidade deles” (Mt 15, 38; Mc 6, 6).

Se tiveres fé nada será impossível para ti, disse Jesus (Mt 17, 21).



Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias



13 Julho, 2009

AO ENCONTRO DE DEUS NOSSA META-I

I-A CAMINHO DE DEUS NOSSA META

Podemos dizer que a plenitude do humano é o divino. Estamos habitados por uma fome imensa de plenitude.

Pouco a pouco vamos compreendendo que esta fome só pode ser saciada através do amor:
Precisamos do amor dos outros para sermos capazes de amar.

Depois precisamos de amar para crescermos em maturidade pessoal e espiritual. Somos seres talhados para o dom. Os seres humanos são imagens, das três pessoas divinas em comunhão amorosa.

O amor dos outros dá-nos segurança e o nosso amor aos demais dilata o nosso coração conduzindo-nos à plenitude da comunhão.

Na verdade, a pessoa que se dá não se perde. Pelo contrário, encontra-se e possui-se. Isto quer dizer que somos seres talhados para o dom e a comunhão.

Com efeito, a pessoa é um mistério, isto é, uma realidade que não é evidente mas que se revela gradualmente.

A fome de felicidade que levamos connosco tem uma direcção e uma densidade espiritual.
Estamos talhados para o encontro e a comunhão com as pessoas humanas e as divinas.

A pessoa, seja qual for a sua natureza, é um ser que se constitui como interioridade livre, consciente, responsável, única, original, irrepetível e capaz de comunhão amorosa.

Para oferecer resposta à fome de plenitude que nos invade, Deus sonhou e planeou o mistério da Encarnação do seu Filho.

Pela Encarnação, a Divindade enxerta-se na Humanidade, a fim de esta ser assumida e incorporada na Família Divina, onde cada pessoa encontra a sua plenitude.

O grau de plenitude que a pessoa encontra na comunhão amorosa da Família de Deus é proporcional à sua capacidade de amar e comungar.

Na sua identidade espiritual, a pessoa situa-se ao nível do ser, não do ter. É por esta razão que a pessoa, quando se dá, não se perde.

Isto faz-nos compreender como a pessoa não vale pelo tem, mas pelo que é.

O cristão sabe que o pão para matar a fome espiritual e a água para matar a sede de vida plena são-nos dados por Cristo Ressuscitado.

Com o seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo conduz-nos a Deus Pai que nos acolhe como filhos e ao Filho de Deus que nos abraça como irmãos.

É ele, também que alimenta a fraternidade humana universal. O Espírito Santo é o pão que Cristo nos dá e gera em nós a vida eterna:

“Assim como o Pai que me enviou vive e eu vivo pelo Pai, também quem me come, viverá por mim. Este é o pão que desceu do Céu” (Jo 6, 57-58).

O Espírito Santo é também a Água viva que faz emergir uma fonte da qual brota a vida eterna (Jo 7, 37-39).
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

AO ENCONTRO DE DEUS NOSSA META-II


II-COLABORANDO COM O ESPÍRITO QUE NOS HABITA

São Paulo diz que fomos baptizados num mesmo Espírito, a fim de fazermos um só corpo (1 Cor 12, 13).

Isto significa que participamos do mesmo Espírito de Cristo ressuscitado a quem estamos unidos de modo orgânico.

O Espírito Santo é o pão espiritual que comemos e faz de nós corpo de Cristo (1 Cor 10, 17).
A fome de felicidade e plenitude que se faz sentir no mais íntimo do nosso ser é um apelo a aminhar na linha da fraternidade e da comunhão.

Não fomos feitos para estar sós. A morte espiritual é igual a solidão radical. É isto o que, em linguagem cristã, se chama o estado de inferno.

Cristo Ressuscitado comunica-nos o Espírito Santo, não como algo que lhe é exterior, mas como uma realidade intrínseca ao seu ser humano-divino.

Por outras palavras, é o Espírito Santo que alimenta e robustece a interacção que acontece entre a interioridade de Jesus Nazaré com a interioridade da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Com efeito, Cristo é apenas um, apesar de humano-divino. Ele é homem connosco e Deus com o Pai e o Espírito Santo.

O Espírito Santo, com o seu jeito maternal de amar, introduz-nos na família divina como filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação a Deus Filho (Rm 8, 14-16).

Com Jesus Cristo a história humana deu um salto de qualidade. A Humanidade passou do estado de não divina, para a condição de divina e incorporada na Família de Deus.

O mistério da Encarnação significa a plenitude dos tempos. Durante cerca de trinta anos só um homem, Jesus de Nazaré, foi divino, pois estava incorporado de modo orgânico na comunhão da Santíssima Trindade.

Com Jesus Cristo, a Humanidade entrou na fase dos acabamentos. Antes de Cristo, o Homem estava apenas em processo de humanização.

Como a morte e ressurreição de Cristo, a Humanidade entra na dinâmica da divinização, mediante a sua incorporação na comunhão orgânica da Santíssima Trindade.

Esta incorporação acontece pela acção do Espírito Santo que nos é comunicada de modo orgânico por Cristo ressuscitado.

O ser humano é capaz de comungar com Deus e os irmãos na medida em que se tenha humanizado. una medida em
que está humanizado. Isto quer dizer que será eternamente mais divino quem mais se tiver humanizado na história. É

Utilizando uma imagem de que gosto muito, diria que, no Reino de Deus, dançaremos eternamente o ritmo do amor e da comunhão com o jeito que tivermos treinado na história.

A festa do Reino de Deus é a superação total da solidão e a conquista definitiva da felicidade que só pode acontecer na comunhão.

Somos nós que construímos aquilo que será plenificado por Deus. Podemos dizer que o futuro histórico de cada pessoa é o leque de possíveis de humanização que ainda temos para realizar.

Este futuro pode acontecer ou não, depende de nós. Demos um exemplo: O ovo da galinha fecundado está cheio de possíveis capazes de dar um pintainho.

Mas estes possíveis podem realizar-se ou não. Se estrelarmos este ovo não teremos pintainho.
Isto quer dizer que a humanização do ser humano não é uma fatalidade.

Depende de nós. Só acontece através de um encadeamento de opções, decisões, escolhas e realizações na linha do amor.

Somos o resultado personalizado da história que construímos com os talentos que recebemos dos outros. É este o mistério do Homem em construção.

De facto, fazemo-nos, fazendo história. Por outro lado, a história que construímos estruturou o nosso ser pessoal-espiritual, o qual é eterno.

Ninguém pode ser substituído nesta tarefa, mas também ninguém se pode humanizar sem os outros.

O mesmo se passa em relação à presença do Espírito Santo em nós: Com seu jeito maternal de amar, ele gera vida espiritual em nós, faz-nos nascer de novo, como diz o evangelho de São João (Jo 3, 3-6).

A maneira correcta de reconhecer e aceitar a presença dinâmica e fecunda do Espírito Santo em nós implica a seguinte atitude:

“Contar com Deus, sempre. Tentar a Deus, nunca”. Tentar a Deus significa não fazer o que depende de nós, pretendendo que Deus o faça em nosso lugar.

A maneira fiel de colaborar com Deus é esta: “agir como se tudo dependesse de nós, sabendo que o essencial é obra de Deus”.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias






10 Julho, 2009

QUANDO A BÍBLIA FALA DO HOMEM CARNE

A bíblia vê a Humanidade como uma realidade orgânica, interactiva e dinâmica. Isto significa que as pessoas não são ilhas. Com efeito, o ser humano apenas encontra a sua plenitude na comunhão com os outros.

Reduzida à condição de ilha, a pessoa humana está em estado de perdição. Na verdade, o estado de inferno é a pessoa enroscada em si.

Não tem ninguém que lhe diga “gosto de ti! Dá-me a tua mão e vamos fazer uma festa”.

Quando fala do Homem carne, a bíblia não está a utilizar conceitos biológicos, mas está a ver a Humanidade como uma grandeza orgânica, interactiva e fecunda (cf. Jo, 15, 4-5).

Ao falar do matrimónio, o Livro do Génesis diz que no casal humano o homem e a mulher formam uma só carne (Gn 2, 24).

Com esta expressão o Livro do Génesis não quer dizer que o marido e a mulher têm a mesma estrutura genética, mas que formam um união orgânica, interactiva e fecunda.

Do mesmo modo os crentes são baptizados no mesmo Espírito Santo, a fim de formarmos um só corpo com Cristo (1Cor 12, 13).

Na comunidade cristã, os crentes são membros do Corpo de Cristo, cada qual com uma função própria (1Cor 12, 27).

Ao falar da Eucaristia, São Paulo diz que comemos do mesmo pão, a fim de formarmos um só corpo (1Cor 10, 17).

Também a Humanidade forma uma união orgânica, interligada como um todo interactivo. Por um só homem o pecado e a morte, diz São Paulo, entraram no mundo, atingindo a todos (Rm 5, 12).

Através de Cristo, o Novo Adão, Deus introduziu a força restauradora do Espírito no tecido humano, vencendo a morte e o pecado.

“Os maridos devem amar as mulheres como os seus próprios corpos. Aquele que ama a mulher ama-se a si mesmo. De facto, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne.

Eis o que diz a Carta aos Efésios: O homem deixará pai e mãe, ligar-se-á à sua mulher e passarão a ser uma só carne” (Ef 5, 28-31).

Utilizando o modelo de Cristo como cabeça da comunidade, a Carta aos Efésios, diz que o marido é a cabeça da mulher:

“O marido é a cabeça da mulher como Cristo é a cabeça da Igreja, seu corpo, e da qual é o Salvador” (Ef 5, 23).

Na carta aos Filipenses, São Paulo fala das razões de se gloriar na carne, cujo conceito nada tem a ver com a biologia:

“Também eu poderia confiar na carne. Se os outros o fazem, quanto mais eu poderia fazê-lo. Fui circuncidado ao oitavo dia. Sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim.Sou hebreu, filho de hebreus. Quanto à Lei, fui fariseu. Quanto a zelo, persegui a Igreja de Deus.





No que se refere à justiça da Lei vivi irrepreensivelmente” (Flp 3, 4-6). Jesus chamou Satanás a Pedro por este entender a missão messiânica de Jesus segundo a carne e não segundo o Espírito Santo (Mt 16, 23).

Ao abençoar a fé de Pedro, Jesus diz-lhe que não foi a carne nem o sangue quem lho revelou, mas o Pai que está nos céus (Mt 16, 16-17).

A ressurreição não é um acontecimento biológico mas espiritual: “Semeia-se na corrupção e ressuscita-se na incorruptibilidade.

Semeia-se na ignomínia e ressuscita-se na glória. Semeia-se na fraqueza e ressuscita-se na força.
Semeia-se corpo natural e ressuscita-se corpo espiritual.

O que digo, irmãos, é que a carne e o sangue não podem tomar parte no Reino de Deus, pois a corrupção não herdará a incorruptibilidade.” (1Cor 15, 42-50).

Ao falar da Eucaristia, o evangelho de São João revela já a preocupação de se defender a Igreja da acusação de antropofagia.

Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e ressuscitá-lo-ei no último dia.

Na verdade, a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é uma verdadeira bebida.

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim eu nele. (Jo 6, 32-63). Comer a carne de Cristo e beber o seu sangue significa entrar em reciprocidade de comunhão orgânica.

Por isso Jesus afirma: “A carne (biologia) não serve para nada. O Espírito é que dá vida. Ora, as palavras que vos disse são Espírito e Vida.” (Jo 6, 63)

“Que todos sejam um como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti. Que também eles sejam um em nós” (Jo17, 21).

Os profetas e os reis foram ungidos com o Espírito de Deus. Cristo, pelo contrário, possui a plenitude do Espírito:

“Aquele que Deus enviou refere as palavras de Deus, pois Deus não Lhe dá o Espírito por medida” (Jo 5, 34).

No interior dos que bebem do Espírito começa a brotar uma fonte de vida eterna (Jo 4, 14).

Temos de nascer de novo, mediante o Espírito (Jo 3, 3). O que nasce da carne é carne, o que nasce do Espírito é espírito (Jo 3, 6).

O Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5). No nosso íntimo, o Espírito Santo é o poder de nos tornarmos filhos de Deus. Não pela vontade do Homem nem pelos impulsos da carne, mas pelo querer de Deus (Jo 1, 12-13).

A noção de carne no evangelho de São João é profundamente bíblica. Significa o ser humano como interioridade relacional e genealogicamente interligado a toda a Humanidade.

Ao dizer que o Verbo encarnou, São João está a pensar que o Filho eterno de Deus se relaciona e comunica connosco em grandeza humana através de Jesus.

O homem Jesus e o Filho eterno de Deus fazem um, pois formam uma unidade orgânica. Do mesmo modo, o Filho Eterno de Deus faz um com Deus Pai, embora sem se confundirem nem fundirem (Jo 10, 30).

Os que aderem a Cristo passam igualmente a fazer um com o Pai e o Filho (Jo 17, 21). Esta unidade, diz Jesus no evangelho de São João, é semelhante à que existe entre a cepa da videira e os seus ramos (Jo 15, 1-8).

A seiva, neste caso, é a força ressuscitadora e fecunda do Espírito que Cristo comunicou aos Homens no momento da sua morte e ressurreição (Jo 7, 37-39).


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias




07 Julho, 2009

AO MORRER, CRISTO RESTAUROU A NOSSA VIDA-I

I-A RESSURREIÇÃO COMO VITÓRIA SOBRE A MORTE

Com o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, a humanidade deu um salto qualitativo:

Os seres humanos passaram de não divinos a pessoas divinizadas, isto é, organicamente assumidas e incorporadas na comunhão familiar da Santíssima Trindade.

Este salto de qualidade aconteceu no próprio momento da morte e ressurreição de Jesus sobre a cruz.

Ao morrer, Jesus Cristo venceu a morte não apenas para si como também para nós. Enquanto, sobre a cruz, ia morrendo o que no homem é mortal, o imortal ia sendo glorificado e incorporado na comunhão familiar de Deus Pai com o Filho Eterno de Deus e o Espírito Santo.


Isto quer dizer que ao acabar de morrer, Jesus estava plenamente ressuscitado. Ao morrer o último elemento do que no Homem é mortal, o imortal estava totalmente ressuscitado, isto é, assumido e incorporado em Deus.

O processo de morrer em Jesus Cristo correspondeu exactamente ao processo do parto mediante o qual nasceu o Homem Novo glorificado e assumido em Deus.

Isto significa que Jesus venceu a morte no próprio acto de morrer. Referindo-se à oração de Jesus no Jardim das Oliveiras, a Carta aos Hebreus diz que Cristo fez orações àquele que o podia libertar da morte e foi atendido, devido à sua piedade (Heb 5, 7).

Deus libertou Jesus da morte ressuscitando-o, afirma a Carta aos Hebreus. Mas se a ressurreição fosse algo posterior ao acto de morrer, Jesus não tinha vencido a morte.

Mas a Carta aos Hebreus diz que Jesus pediu ao Pai que o libertasse da morte e foi atendido.

Esta libertação deve ser entendida como uma vitória de Jesus sobre a própria morte. Isto quer dizer que a ressurreição de Jesus é um processo simultâneo ao próprio processo de morte.

Por outras palavras, Jesus não esteve um só momento sob o domínio da morte. O protagonista desta vitória de Cristo sobre a morte foi o Espírito Santo.

Graças ao dinamismo ressuscitador do Espírito Santo, o Senhor da vida não ficou um só segundo sob o domínio da morte.

Podemos dizer com a liturgia pascal: “Morrendo, Jesus destruiu a nossa morte. Ressuscitando, restaurou e conduziu à plenitude a nossa vida.

Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias

AO MORRER, CRISTO RESTAUROU A NOSSA VIDA-II


II-CRISTO E O PLANO DE DEUS PAI

Apesar do pecado, o plano de assumir o Homem na comunhão familiar de Deus continuou intacto.
O plano divino de Deus não foi abolido. São Paulo diz que a vontade de Deus é que todos os seres humanos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (1 Tim 2, 4).

A Nova Criação é obra do amor redentor de Deus: “Em Cristo Deus reconciliou consigo a Humanidade não levando mais em conta os pecados dos homens” (2 Cor 5, 18-19).

A ressurreição de Cristo inaugura verdadeiramente a plenitude do tempo. Se o tempo chegou ao fim é a hora de dar à luz. A criação já está a sentir as dores do parto. O Homem Novo já começou a nascer.

Ao vencer o pecado e a morte, Jesus inaugura a Nova Humanidade. Eis as palavras de São Paulo: “Mas quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher.

Nasceu sob o domínio da Lei, a fim de resgatar os que estavam sob o domínio da Lei e, deste modo, pudéssemos ser filhos.

E porque somos filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que, no nosso íntimo clama: “Abba, Pai”.

Deste modo já não és escravo, mas filho. Ora, se és filho também és herdeiro por graça de Deus.” (Gal 4, 4-7).

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo realiza no coração dos seres humanos este parto que nos faz passar para a condição humano-divina.

É isto que diz o evangelho de São João quando afirma que temos de nascer pelo Espírito Santo, a fim de tomarmos parte no Reino:

“Quem não nascer da Água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. Aquilo que nasce da carne é carne e aquilo que nasce do Espírito é espírito” (Jo 3, 5-6).

A Carta aos Romanos diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

É nesta dinâmica que se vai estruturando em nós a Nova Criação. A Segunda Carta aos Coríntios diz que apesar de o homem exterior envelhecer e se ir degradando, o interior vai-se robustecendo pela acção do Espírito santo (2 Cor 4, 16).

O homem interior é a nossa dimensão espiritual. O exterior é o homem individual que envelhece, se vai degradando até terminar na morte.

Por outras palavras, o nosso ser interior emerge em nós como o pintainho emerge no interior do ovo.

O pintainho nascerá no dia em que se parta a casca do ovo. A morte representa esse dia em que o nosso ser exterior se parte, dando origem ao nascimento definitivo do nosso ser interior.

Em Jesus Cristo esse momento foi o início da vitória sobre a morte para ele e para toda a Humanidade com a qual ele faz um todo orgânico, isto é, interactivo e dinâmico.

Por ser pessoal, o nosso ser interior é proporcional às próprias pessoas divinas.

É verdade que as pessoas humanas não são iguais às divinas, mas são-lhe proporcionais. Isto quer dizer que já pode acontecer comunhão amorosa entre as pessoas divinas e as humanas.

Segundo o exemplo de Jesus no evangelho de São João a nossa união com ele e, através dele, com a Santíssima Trindade é orgânica e geradora de vida.

Trata-se de uma união semelhante à que existe entre a cepa da videira e os seus ramos. A nossa vida é fecunda na medida na medida em que somos ramos unidos à cepa, diz Jesus (Jo 15, 4-5).

A seiva que vem da cepa para os ramos é o Espírito Santo. Adão, com o seu pecado, colocou a Humanidade no caminho do fracasso.

Cristo, com a sua fidelidade a Deus, introduziu-nos no caminho que conduz à comunhão com Deus que é a fonte da Via Eterna.

Assim como todos morrem em Adão, diz a Carta aos Romanos, todos ressuscitam em Cristo, o Novo Adão (Rm 5, 17).

Pertencemos à Nova Humanidade na medida em que o amor seja a dinâmica que move as nossas vidas:

“Quem ama o seu irmão permanece na luz e na luz caminha” (1 Jo 2, 10). A nossa comunhão com Deus é proporcional à nossa comunhão com os irmãos.

A Nova Criação é a Humanidade restaurada por Cristo ressuscitado. Depois de ter afirmado que veio para fazer a vontade do Pai, Jesus acrescentou:

“A vontade de meu Pai é que nenhum destes pequeninos se perca” (Mt 18, 14).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

03 Julho, 2009

A PESSOA HUMANA COMO SER ESPIRITUAL


A pessoa humana é um ser a emergir, tanto a nível somático, como psíquico ou espiritual.

O amor é o dinamismo fecundo que faz emergir a interioridade espiritual do ser humano. Isto quer dizer que na pessoa humana nada está acabado.

Assim, por exemplo, não existem almas que entram no interior dos corpos humanos como realidades feitas e acabadas.

A nível interior, a pessoa é uma realidade espiritual a emergir como ser livre, consciente, responsável e capaz de amar.

O ser humano nasce hominizado, mas não humanizado. A humanização é a vocação fundamental de todos os seres humanos.

O Espírito Santo é o grande facilitador deste processo de humanização, convidando-nos a agir em harmonia com as propostas do amor.

São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

A plenitude da humanização é a divinização. As pessoas que precederam Jesus Cristo na história atingiram a plenitude da divinização no momento preciso da sua morte e ressurreição.

Nesse momento abriram-se as portas dos Paraíso, disse Jesus ao Bom Ladrão (Lc 23, 43). Nesse momento os túmulos começam a abrir-se e os justos começam a ressuscitar (Mt 27, 52-53).

Nesse momento, os pagãos começam a reconhecer Jesus como salvador: O Centurião reconhece que Jesus é o Messias, o Filho de Deus (Mt 27, 54).

Nesse momento sai sangue e água do coração de Cristo, isto é, o Espírito Santo que se difunde pela Humanidade (Jo 19, 34)

Nesse momento o véu do templo rasga-se de alto a baixo, pondo fim aos cultos inúteis do judaísmo e abrindo o acesso à comunhão directa com Deus no coração das pessoas.

Nesse momento, o coração do homem torna-se templo do Espírito Santo (1 Cor 3, 16).

Nesse momento o Espírito Santo passa a actuar como o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Nesse momento Jesus vai à morada dos mortos, a fim de lhes comunicar a força ressuscitadora do Espírito Santo e incorporando-nos na comunhão universal da Família de Deus (1 Ped 3, 19-20).

Nesse momento, os que viveram antes de Cristo entram na plenitude da comunhão com Deus.

Isto não significa que tenham mudado de lugar, mas antes que atingiram uma nova densidade espiritual, pois foram optimizados pelo Espírito de Cristo ressuscitado.



São Paulo diz que o nosso coração é templo do Espírito Santo: “Nós é que somos o templo do Deus vivo, como disse o próprio Deus: "Habitarei e caminharei no meio deles, serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (2 Cor 6, 16).

Na primeira Carta aos Coríntios São Paulo também desenvolve esta ideia quando afirma: “Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (…). O templo de Deus é santo e esse templo sois vós” (1 Cor 3, 16-17).


Isto quer dizer que é a partir do nosso íntimo que se constitui a união orgânica que nos incorpora na Família de Deus:


“Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que está em vós e que recebestes de Deus? “ (1 Cor 6, 19).

“Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá, pois o templo de Deus é santo e esse templo sois vós” (1 Cor 3, 16-17).

A Humanidade está entretecida com Jesus, homem perfeito e, através dele, faz uma união interactiva e fecunda com a comunhão familiar da Trindade Divina.


O livro do Apocalipse descreve a comunhão orgânica do Homem afirmando: “E ouvi uma voz potente que vinha do trono e dizia:

“Esta é a morada de Deus entre os homens. Ele habitará com os homens e eles serão o seu povo.
O mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus, enxugando todas as lágrimas dos seus olhos e não haverá mais morte nem pranto nem dor”. (Apc 21, 3-4).

Em Comunhão convosco
Calmeiro Matias


30 Junho, 2009

ESPÍRITO SANTO E O HOMEM NOVO

Espírito Santo, tu és a fonte do amor e da liberdade. O evangelho de São Lucas diz que foste tu quem consagrou Jesus para libertar o Homem da opressão do pecado:

“O Espírito Santo está sobre mim porque me consagrou para anunciar o Evangelho aos pobres.
Enviou-me a proclamar a libertação dos presos e mandar em liberdade os oprimidos” (Lc 4, 18).

Sempre que optamos pelo amor estamos a responder a um apelo que vem de ti no mais íntimo do nosso coração.

Ser livre é relacionar-se em clima de amor com os outros e interagir de modo criativo com as coisas e os acontecimentos.

Eis a razão pela qual precisamos tanto de ti, Espírito Santo, a fim de podermos ser livres e criadores.

O pecado, isto é, a oposição ao amor não nos torna livres. Eis o que Jesus diz no evangelho de São João: “Se permanecerdes na minha palavra sereis meus discípulos, conhecendo a verdade e a verdade vos libertará (…).

Quem comete o pecado é escravo (…). Se o Filho de Deus vos libertar, sereis realmente livres” (Jo 8, 31-36).

A Carta aos Romanos vai nesta mesma linha quando afirma: “O Espírito Santo que é o Espírito de Vida libertou-te da lei do pecado e da morte” (Rm 8, 2).

A Segunda Carta aos Coríntios diz que onde está o Espírito Santo está a emergir a liberdade.

Eis as suas palavras: “Onde está o Espírito Santo, isto é, o Espírito do Senhor ressuscitado, aí está a liberdade” (2 Cor 3, 17).

Quando entre as pessoas humanas acontece uma relação de fraternidade, e comunhão, tu estás sempre optimizando essa relação.

Tu és a ternura maternal de Deus. Assim como Deus Pai ama com um jeito paternal, tu, Espírito Santo, tens um jeito maternal de amar.

Como és uma pessoa divina, tu tens a possibilidade de realizar uma presença de amor universal, tornando-te presente no interior de todas as pessoas.

Eis o que diz a Primeira Carta aos Coríntios: “Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?” (1 Cor 3, 16).

São Paulo diz na Carta aos Romanos que tu és, Espírito Santo, o amor de deus derramado nos nossos corações” (Rm 5, 5).

É Esta tua presença no interior das pessoas que possibilita a sua libertação. Por outras palavras, sempre que alguém decide fazer o bem aos irmãos, facilitando a sua realização e felicidade, está a ser mediação do teu Espírito Santo.

De facto, a tua acção libertadora no coração das pessoas acontece pela ajuda de muitas pessoas humanas que são mediações do teu amor.

Todos os gestos de amor encontram em ti a sua raiz, Espírito Santo. Sem a tua acção vivificante no interior dos crentes, as Sagradas Escrituras não passariam de letra morta.

É isto que São Paulo quer dizer quando afirma: “É Deus que nos capacita para sermos ministros de uma Nova Aliança, não da letra, mas do Espírito, pois a letra mata, enquanto o Espírito dá vida (2 Cor 3, 6).

Sem a tua presença reveladora e animadora de relações amorosas, A comunidade cristã não passaria de um grupo humano com um conjunto de leis, ritos, normas.

És tu, Espírito Santo, quem une de modo orgânico os membros da comunidade cristã, fazendo deles um só corpo, como diz São Paulo (1 Cor 12, 13; 12, 27).



Foste tu, Espírito Santo, quem ressuscitou Jesus e nos vai ressuscitando em comunhão com ele, como diz a Carta aos Romanos:

“E se o Espírito Santo que ressuscitou Jesus está em vós, ele também fará que os vossos corpos vivam após a morte, por meio deste mesmo Espírito que vive em vós” (Rm 8, 11).

Graças a ti somos assumidos na comunhão Trinitária como filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação ao Filho de Deus.

Tu estás no centro do mistério da Encarnação, dinamizando a interacção directa entre a interioridade espiritual humana de Jesus e a interioridade espiritual divina do Filho Eterno de Deus.

Tu és a Água viva que faz brotar uma nascente de Vida Eterna nos nossos corações (Jo 7, 37-39).

Com teu jeito maternal de amar tu preparaste o coração maternal de Maria, a fim de ela amar o seu Filho de modo adequado a preparar a obra da Salvação.

É por esta mesma razão que as pessoas que se deixam conduzir por ti, podem dirigir-se a Deus Chamando-o “Abba”, ó Pai!

A tua presença em nós, Espírito Santo, é a garantia de que estamos salvos. O livro do Génesis diz que, no princípio, a terra era uma massa caótica e vazia.

Depois acrescenta o Espírito Santo pairava sobre a escuridão que cobria os lagos primordiais, a de as suas águas se tornarem o berço fecundo da vida (Gn 1, 1-2).

Por isso nós dizemos que tu és a fonte da vida. O teu amor maternal é o princípio da fecundidade universal.

É por esta razão que o evangelho de São João diz que as pessoas humanas, para entrarem na plenitude da vida eterna, têm de nascer de novo através da Água Viva que és tu, Espírito Santo.

Eis as palavras de Jesus: “Em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito Santo não pode entrar no Reino de Deus.

Aquilo que nasce da carne é carne e aquilo que nasce do Espírito é espírito” (Jo 3, 5-6). No momento do baptismo de Jesus, tu consagraste Jesus para a missão messiânica e o Pai de Jesus confirmou-o como seu Filho predilecto:

“No momento em que Jesus saiu das águas, após o seu baptismo, o Céu abriu-se e Jesus viu o Espírito de Deus vir sobre ele em forma de pomba (Mt 3, 16).

És tu, Espírito Santo, quem nos incorpora na Família de Deus e nos faz gritar de alegria: “Abba”, ó Pai, como diz São Paulo (Ga 4, 4-7; Rm 8, 14.17).

Em nome da Nova Humanidade criada em Cristo ressuscitado eu te agradeço, Espírito libertador!


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

27 Junho, 2009

O ROSTO DE DEUS PAI NA BÍBLIA-I

I-DEUS PAI NO ANTIGO TESTAMENTO

A Revelação de Deus é um processo histórico iniciado com o clã de Abraão, atingindo o seu ponto mais alto com Jesus Cristo.

O grande protagonista da marcha da revelação é o Espírito Santo e o rosto de Deus é um dos seus aspectos principais.

Na verdade, o mistério de Deus e o mistério do Homem são os dois pilares sobre os quais assenta o edifício da revelação.

O rosto de Deus é, pois, um aspecto central da acção reveladora do Espírito Santo. O povo bíblico começa por descobrir Yahvé como o Deus da Aliança.

Só muito lentamente o povo começa a descobrir o jeito paternal de Deus amar o seu povo.

Através de Moisés, Deus declara ao Faraó que o Povo de Israel é o seu filho primogénito (Ex 4, 22- 23).

Neste contexto a expressão significa que entre todos os povos, Israel é o primeiro. Se o Faraó não libertar o filho primogénito de Deus, será castigado e corre o risco de perder o seu próprio filho primogénito, isto é, o herdeiro do trono do Egipto.

A presença de Deus junto do seu filho primogénito faz lembrar a presença de um pai que actua de modo protector junto do seu filho.

Eis o modo bonito com o Livro do Deuteronómio descreve a presença carinhosa de Deus junto do seu povo:

“Nenhum outro povo tem o seu deus tão perto de si, como Yahvé está perto de Israel (Dt 4, 7).

O Profeta Oseias profere um oráculo sobre o amor paternal que leva Deus a libertar o seu filho primogénito da escravidão do Egipto:

Eis as palavras do profeta Oseias: “Quando Israel era menino, eu o amei. Do Egipto chamei o meu Filho” (Os 11, 1).

O amor preferencial de Deus por Israel manifestou-se de muitos modos, sobretudo pela maneira como o acompanhou e protegeu o seu povo ao longo da sua história.

Através do profeta Jeremias, Deus declara-se Pai de Israel: “Sou um pai para Israel e Efraim é o meu primogénito “ (Jer 31, 9).

Associando a ternura paternal de Deus à sua acção criadora, o povo bíblico começa a ver o Pai Bondoso, associando-o ao Deus que Criou o Homem à sua imagem e semelhança.

Ao criar o Homem à Sua imagem e semelhança, Deus modelou-o de modo a que ele pudesse atingir a plenitude dos filhos de Deus.

O Povo de Israel, diz Isaías é o Filho predilecto de Deus. Foi modelado por Deus em vista a uma vida plenitude e comunhão amorosa:

“Mas agora, ó Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro e Tu o oleiro. Na verdade, nós somos obra das tuas mãos” (Is 64, 7).

Por outras palavras, os membros do povo eleito são filhos de Deus não só pela criação como também pela eleição.

Além de pertença de Deus pelo poder de criação, os israelitas, são filhos do Deus Vivo por eleição (Os 1, 9; Dt.14, 1; Is 1, 2).

Mas a paternidade de Deus vai ganhar novos contornos nas profecias messiânicas. A primeira profecia messiânica declara que David vai ter um descendente para o qual Deus vai ser um Pai.

Graças a este filho a casa de David será inabalável (2 Sam 7, 12-16; cf. 1 Cron 17, 10-14; 22, 8-10).

No dia da entronização dos filhos de David, o salmo dois garante ao novo rei que pode governar tranquilo, pois Deus é seu pai: “Tu és meu filho, hoje mesmo te gerei “ (Sal 2, 7).

Os reis da casa de David podem dirigir-se a Deus chamando-o de seu pai, seu Deus, rochedo da sua salvação (Sal 89, 27-29).

Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias




O ROSTO DE DEUS PAI NA BÍBLIA-II

II-A TERNURA DE DEUS PAI NO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento é uma proclamação de Jesus Cristo como o Messias. Ele é o filho prometido a David para o qual Deus seria um Pai (2 Sam 7, 14-16).

O Anjo da Anunciação diz a Maria que ele é o Filho do Altíssimo porque vai herdar o trono de seu pai David (Lc 1, 32-33).

São Paulo diz que Jesus é o filho de David segundo a carne, constituído filho de Deus em todo o seu poder, pelo Espírito Santo, no momento da sua morte e ressurreição (Rm 1, 3-5).

Os evangelhos vão interpretar o baptismo de Jesus como o momento em que ele foi ungido e consagrado pelo Espírito Santo como Messias.

Ao sair da água na qual foi baptizado, Deus Pai proclama Jesus como o seu Filho muito amado (Mt 3, 13-17; Lc 3, 21-22; Mc 1, 9-11).

No início do século segundo, o evangelho de São João reconhece Cristo como o Filho Eterno de Deus Pai.

Deste modo, o Espírito Santo configurou o rosto trinitário de Deus, pois o Filho vive desde toda a eternidade com o Pai e o Espírito Santo.

Cristo é o Filho unigénito do Pai cheio de graça e verdade (Jo 1, 1). Ele é o Filho Eterno de Deus que dá aos que o acolhem o poder de se tornarem filhos de Deus, não pela vontade da carne ou do Homem, mas por vontade de Deus.

Para isso o Verbo encarnou (Jo 1, 12-14). Eis a razão pela qual temos de nascer de novo (Jo 3, 3-6).

Todos os que são movidos pelo Espírito de Deus, diz São Paulo, são filhos de Deus (Rm 8, 14).
Nós não recebemos um espírito de escravidão mas um Espírito de adopção graças ao qual chamamos “Abba”, Papá (Rm 8, 15; Gal 4, 5).

Como Filho Eterno, Cristo é o Unigénito de Deus, cheio de graça e verdade (Jo 1, 1). Como homem é o primogénito de muitos irmãos (Rm 8, 29; Col 1, 15).

No evangelho de São João, Jesus diz que nós somos filhos com Ele. Eis as suas palavras: “Subo para junto de Meu Pai e vosso Pai, para junto de Meu Deus e vosso Deus” (Jo 20, 17).

O Filho encarnou, a fim de dar aos homens o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1, 12-14).
Mas para isso temos de nascer de novo pelo Espírito Santo, pois o que nasceu da carne é carne.

Na verdade, só o que nasce do Espírito pertence à esfera do espírito (Jo 3, 6). São Paulo vai nesta mesma linha quando afirma que é através do Espírito que fomos constituídos filhos de Deus (Rm 8, 14; 8, 23; Gal 4, 5).

Jesus dirige-se sempre a Deus chamando-o de Pai (Abba). O Espírito Santo também nos ensina a chamar Deus deste modo (Gal 4, 6).

Ao ensinar aos discípulos o Pai Nosso, Jesus está a convidá-los a falar com Deus Pai, stabelecendo uma relação de filhos com o Pai dos Céus (Mt 6, 9).

Devemos agir em conformidade com a nossa condição de filhos de Deus, tornando-nos irmãos daqueles que não o são pelas vias da carne ou do sangue.

Se Deus é nosso Pai, então nós devemos eleger os outros seres humanos como irmãos, a fim de sermos perfeitos como o nosso Pai do Céu (Mt 5, 43-48).

O Amor de Deus Pai é difusivo, isto é, circula por todos e nunca se detém nem se deixa amarrar.
Por outras palavras, seremos tanto mais filhos de Deus quanto mais formos irmãos dos outros.
São Paulo diz que a criação inteira aguarda a revelação dos filhos de Deus.

Com a ressurreição de Jesus Cristo, os tempos chegaram à sua plenitude. Isto quer dizer que já está em marcha o parto que dá lugar ao nascimento dos filhos de Deus.
Deus realizou em nosso favor tudo o que estava prometido. Já somos filhos seus, diz o Livro dos Actos dos Apóstolos (Act 13, 33).

Chegou o tempo da nossa libertação, pois Deus é nosso Pai. Devemos viver na liberdade dos filhos de Deus e não na escravidão dos que se deixam dominar pelo legalismo e o ritualismo (Rm 8, 21).

Devemos ser fiéis à vontade do Pai como foi Jesus. Ele sabia perfeitamente que a vontade do Pai coincide rigorosamente com o que é melhor para nós.

Eis as suas palavras: “Nem todo aquele que me diz: “Senhor, Senhor” entrará no reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus” (Mt 7, 21).

De tal modo Jesus se identifica com a vontade do seu Pai do Céu que faz depender deste facto a edificação da Família de Deus:

“Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3, 35; Mt 12, 50).

Com efeito, os que fazem a vontade do pai são realmente filhos de Deus. Na verdade, a paternidade de Deus é decisiva, pois é a única que durará por toda a eternidade.

É este o sentido da seguinte afirmação de Jesus: “Na terra a ninguém chameis pai, pois um só é o vosso Pai, aquele que está na Céu” (Mt 23, 9).

Os evangelhos dizem-nos que Jesus se dirigia a Deus Pai falando com ele como um Filho fala com seu Pai.

São João diz que em Jesus Cristo habitava a plenitude do Espírito Santo (Jo 3, 34). Isto quer dizer que Jesus possui a plenitude da filiação divina.

Eis a razão pela qual Jesus podia dizer com toda a verdade: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6).
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias























25 Junho, 2009

DEUS AMOU-NOS AINDA ANTES DE NOS CRIAR

Louvado sejais, Pai, Filho e Espírito Santo, por terdes criado o Universo. Vós sois uma Família infinitamente perfeita e amorosa.

Em diálogo de amor, Vós decidistes Criar as estrelas e os planetas, entre os quais esta Terra bonita e acolhedora em que vivemos.

Fostes Vós, Deus Santo, quem criou a imensa variedade das plantas com as suas flores e frutos.

Criastes as aves do céu, os animais domésticos, os répteis e todos os animais selvagens. Também fostes Vós Trindade Santa, quem Deus criou os oceanos a partir dos lagos primordiais, a fim de serem o berço da vida.

Na verdade, o ventre dos oceanos está cheio de seres vivos. Mas era em nós, Deus Santo, que pensáveis quando criastes todas estas maravilhas!

Isto quer dizer que a obra-prima das vossas mãos é o Homem criado à vossa imagem e semelhança.

Vós criastes todas as coisas, Senhor do Universo, movido apenas pelo amor. Por isso todas as coisas têm sentido e razão de existir.

A beleza e a harmonia das criaturas pois as impressões digitais das relações de amor da Santíssima Trindade.Como é admirável a perfeição das flores, dos frutos, dos peixes, dos animais e das aves do Céu!



Quando olhamos com atenção, verificamos que é bonito o azul do céu, o movimento do mar e o sorriso das crianças.

Como é saborosa a ternura dos pais e o carinho das pessoas que nos amam. Todas estas perfeições existem em grau de perfeição infinita em Vós, Criador de todas as coisas!

A nossa fé diz-nos que tendes uma ternura infinita pela Criação génese histórica. Na verdade, a criação não é um brinquedo para Deus se divertir, mas um projecto para ser realizado.

Obrigado, Pai Santo, porque olhais por nós e nos guardais na palma das vossas mãos.O vosso amor por nós atingiu o ponto mais alto quando fizestes de nós membros da Vossa Família.

Deus Santo, Vós concretizais tudo isto através do Espírito Santo que é o amor de Deus derramado nos nossos corações, Como diz São Paulo (Rm 5, 5).

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo marcou o nosso coração com o selo do amor. Por isso sentimos esta fome imensa de amar e ser amados.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

21 Junho, 2009

DEUS COMO PLENITUDE DA FAMÍLIA HUMANA


A Divindade é uma Família de Três pessoas. Deus é relações!

Ainda o Universo não tinha iniciado a sua génese e a Família já existia. O Amor precedeu o Universo.

A família humana, constituída à imagem da Família Divina, é o espaço fundamental para a humanização das pessoas humanas.

A família é o espaço básico do Homem em construção. O amor familiar é a dinâmica fundamental que preside à estruturação da pessoa humana.

Segundo tenha sido bem ou mal amado, o ser humano ficará bem ou mal estruturado. Isto quer dizer que é na família que tem início a dinâmica da humanização cuja lei é:

“Emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a Comunhão Universal da Família de Deus”.

Mais que um lugar de aprendizagem teórica, a família é um entretecido de relações onde circula o amor e acontece comunhão.

É o jardim onde floresce o amadurecimento humano, dos esposos, dos pais e dos filhos. Primeiro amadurece o marido, depois o pai. O mesmo acontece com a esposa:

Primeiro amadurece a esposa, depois a mãe com essa capacidade heróica de morrer para dar vida.

Quanto maior for a densidade do amor no entretecido familiar, maior será a emergência criadora do Homem Novo no seu interior.


É na família que a pessoa é capacitada para atingir a sua plenitude.

Isto quer dizer que a plenitude da pessoa não está em si, mas na reciprocidade da comunhão.

Na verdade, a pessoa só pode possuir-se e conhecer-se plenamente em contexto de comunhão amorosa.

Na dinâmica das relações familiares as pessoas aprendem a aceitar-se umas às outras, apesar de seres todas diferentes.

Na verdade, a Humanidade está a emergir de modo único, original e irrepetível em cada pessoa. É por esta razão que ninguém está a mais.

À medida que os membros da família são capazes de se aceitar e valorizar os outros estruturam-se como pessoas livres, conscientes, responsáveis e capazes de comunhão amorosa.

Entretecida nesta dinâmica de amor e comunhão, a família humana é verdadeiramente uma imagem viva da Família Divina.

Com efeito, Deus é uma comunhão familiar de três pessoas. É na calda das relações familiares que as pessoas recebem o leque fundamental dos seus talentos os quais são a matéria-prima da humanização das pessoas.

A fidelidade aos próprios talentos é o modo de a pessoa atingir a sua plena realização.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias


17 Junho, 2009

O ESPÍRITO SANTO COMO FONTE DE SALVAÇÃO-I


I-A ÁGUA DO POÇO DE JACOB

Eis algumas palavras que Jesus dirigiu à Samaritana junto ao poço de Jacob: “Se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é aquele que te está a pedir água, tu é que lhe pedirias e ele te daria uma Água Viva” (Jo 4, 10).

Esta simbologia João insere-se numa longa tradição profética sobre a Água que brota das fontes da salvação.

O profeta Jeremias repreendeu o seu povo por este ter voltado as costas a Deus que é a fonte da Água Viva. A Água viva é o Espírito Criador, a fonte da Vida espiritual.

A Primeira Carta aos Coríntios diz que todos nós bebemos do mesmo Espírito, a fim de formarmos o corpo de Cristo:

“Todos nós fomos baptizados num só Espírito, a fim de formarmos um só corpo, tanto judeus como gregos, escravos ou livres.

Todos bebemos de um mesmo Espírito” (1 Cor 12, 13). Referindo-se à Eucaristia, o evangelho de São João diz que a carne e o sangue de Jesus Cristo ressuscitado o alimento da vida Eterna.

Depois acrescenta que a carne e o sangue de Cristo são o Espírito Santo que Cristo ressuscitado nos dá” (Jo 6, 62-63).

Jesus disse à Samaritana que a Água Viva não é como a água do poço de Jacob onde ela vinha habitualmente a buscar água.

Com esta linguagem simbólica o evangelho de são João quer dizer que o poço de Jacob é a Antiga Aliança, a qual não é a fonte da salvação eterna.

A Água Viva, pelo contrário, simboliza o Espírito Santo que é a fonte da salvação eterna. A Água do poço de Jacob precisa de um balde, isto é, a multidão das normas, leis e preceitos dos judeus.

Para a Água Viva basta a fé e brota em nós pela Palavra de Deus que Jesus nos traz. É por esta razão que as pessoas que bebem da água do poço de Jacob voltam a ter sede.

A Água Viva mata a sede para sempre, isto é, dá-nos a vida eterna. Foi isto que Jesus quis explicar à Samaritana com o seguinte ensinamento:

“Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da Água que eu lhe der, nunca mais terá sede, pois esta Água converter-se-á nele em Fonte de Vida eterna” (Jo 4, 13-14).

Mais tarde Jesus explicitou melhor o mistério da Água Viva, dizendo que se tratado Espírito Santo:

“No último dia, o mais solene da festa, Jesus, de pé, disse em voz alta: “Se alguém tem sede venha a mim. Quem crê em mim que sacie a sua sede!

Como diz a Escritura, hão-de brotar do seu coração rios de Água Viva. Jesus disse isto referindo-se ao Espírito Santo que iam receber os que acreditassem nele.

Com efeito, o Espírito ainda não tinha vindo, pois Jesus ainda não tinha sido glorificado” (Jo 7, 37-39).
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O ESPÍRITO SANTO COMO FONTE DE SALVAÇÃO-II

II-A ÁGUA DA NOVA ALIANÇA

Os que bebem a Água Viva tornam-se templos vivos do Espírito Santo. Eis o que São Paulo9diz na Primeira Carta aos Coríntios:

“Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Cor 2, 16). Já alguns séculos antes o profeta Ezequiel diz que o Espírito Santo é a força da Nova Aliança.

A força da Nova Aliança é o Espírito Santo, o qual actua no nosso coração: “Dar-vos-ei um coração novo e introduzirei em vós um Espírito Novo:

Arrancarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne. Porei o meu Espírito no vosso íntimo, fazendo que sejais fiéis às minhas leis e preceitos” (Ez 36, 26-27).

A Carta aos Efésios diz que os cristãos não se devem embriagar com vinho mas encher-se com a força do Espírito Santo (Ef 5, 18).

São Paulo queria dizer que a bebida da Nova Aliança é o Espírito Santo, não o vinho (1 Cor 12, 13).

Foi isto que Jesus quis dizer quando disse aos judeus: “Se alguém tem sede venha a mim e beba” (Jo 7, 37).

E à Samaritana disse: “Aquele que beber da Água que eu lhe der nunca mais terá sede” (Jo 4, 14).

Muitos séculos antes já o profeta Isaías tinha falado do Espírito de Deus como sendo uma água que mata a sede e faz desabrochar a vida espiritual.

Eis as suas palavras: “Vou derramar água sobre todos os que tem sede e fazer correr rios sobre a terra árida.

Vou derramar o meu Espírito e as minhas bênçãos sobre os vossos filhos e filhas. Por isso eles vão crescer como plantas junto das fontes e como salgueiros junto às águas dos rios e Ribeiros” (Is 44, 3-4).

São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Referindo-se à abundância do Espírito no dia de Pentecostes, São Pedro diz que a exuberância dos Apóstolos não se deve à força do vinho, mas sim à força do Espírito.

O que está a acontecer é a plena realização das antigas profecias, em especial a profecia de Joel:

“Estes homens não estão embriagados como imaginais, mas tudo isto é a realização do que disse o profeta Joel” (Act 2, 15-16).

O Espírito Santo é o Espírito de Cristo ressuscitado. Como estamos unidos ao Senhor ressuscitado, o Espírito que o anima, anima-nos também a nós.

Eis os frutos do Espírito Santo em nós, como diz a São Paulo : Amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, auto-domínio” (Gal 5, 22-23).

Depois, acrescenta: “Se vivemos no Espírito, sigamos também as pegadas do Espírito” (Gal 5, 25).

É o Espírito Santo que nos torna fecundos diz São Paulo: “Quem semear no Espírito do Espírito colherá a vida eterna” (Ga 6, 9).

Com esta frase São Paulo quer dizer que o Espírito Santo gera vida eterna no nosso coração.
Como manancial de Água Viva, o Espírito Santo é a fonte da vida eterna:

“Este é o Deus da minha Salvação, dizia o profeta Isaías. Por isso estou confiante e nada temo, pois fiz de Deus a minha força e o meu canto. Ele é a minha Salvação.

Cheios de confiança e alegria, todos poderão tirar água das fontes da Salvação (Is 12, 2-3).

Em Comunhão Convosco
Calmeiuro Matias

15 Junho, 2009

ENTRANDO NO CORAÇÃO DA HUMANIDADE-I

I-ÉS O GRANDE SONHO DE DEUS

És uma emergência histórica e concretizas-te em pessoas. Emerges de modo único e irrepetível em cada ser humano.

Realizas-te como um rosto com duas faces: Masculinidade e feminilidade. Aconteces no coração de pessoas livres e capazes de amar.

Como Humanidade és uma união orgânica e interactiva de pessoas em relações. És, de facto, imagem de Deus. Levas em ti as impressões digitais do Criador.

Surgiste nesta terra bonita e fecunda como resultado de um desejo expresso de Deus. Por estares em construção ainda não atingiste a tua plenitude.

É por esta a razão que levas no teu íntimo uma fome infinita de amor e comunhão. O teu aparecimento significa o cume da evolução da vida.

Antes de ti, Humanidade, já existiam na Criação muitos balidos, guinchos, uivos e grunhidos.
Mas não havia ninguém capaz de amar e fazer poesia.

És a obra-prima de Deus. Por isso o Criador parou a marcha da criação para sonhar um projecto para ti (Gn 1, 26-27).

Depois de pensar, planear e decidir Deus insuflou no teu interior o hálito da vida espiritual. Tu és, Humanidade, a única imagem que Deus criou de Si!

Por agora, ainda és o Homem em construção. Mas quando chegar a plenitude farás parte da Comunhão Universal da Família de Deus.

Emerges no concreto de pessoas a estruturar-se de modo único, original e irrepetível. Mas ainda estás inacabada. É esta a razão da tua fome insaciável de plenitude!

A criança é uma pessoa iniciada, mas longe de estar realizada. O jovem ainda não teve tempo para chegar longe na densidade da sua realização.

Nem o adulto se pode arrogar o título de homem plenamente acabado. No entanto, já pertences à cúpula personalizada da criação.

Humanidade: És milhões de pessoas e por isso já pertencem à esfera da transcendência!

Por te constituíres como pessoa já fazes parte do grande Oceano da Comunhão Universal. Começaste com o homem primordial e continuas a avançar na marcha histórica da humanização.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

ENTRANDO NO CORAÇÃO DA HUMANIDADE-II


II-ESTÁS EM MARCHA PARA DEUS

Humanidade: és uma novidade a emergir no concreto de cada pessoa. Ma as só podes encontrar a tua plenitude na reciprocidade da comunhão amorosa.

Na verdade, perder-se é ficar fora da galáxia da Comunhão Universal. Humanidade: És um projecto em construção. És vida com maiúscula, pois emerges como interioridade pessoal-espiritual a convergir para o face a face do encontro amoroso.

Quem não facilita a tua génese não está em sintonia com a acção criadora de Deus.

Bloquear o teu processo é impedir as pessoas de renascerem como concretizações da vida pessoal espiritual.

O expoente máximo da tua riqueza é Jesus de Nazaré. De facto, ele é o fruto mais amadurecido da Humanidade.

Ele é o ponto de encontro do Humano com o Divino. Cristo é, realmente, a revelação máxima de Deus e do Homem.

Foi nele que se deu o enxerto do Divino no Humano, condição essencial para que o humano pudesse ser divinizado, isto é, introduzido de modo orgânico na Família Divina (cf. Rm 8, 14-17).

Humanidade: és um poema ainda não plenamente declamado, mas já estás na plenitude dos tempos, isto é, na fase dos acabamentos.

És a menina dos olhos de Deus. Não nasceste feita nem te fazes de uma só fez. Alegra-te, pois Deus está todos os dias contigo, embora sem te substituir.

Por outras palavras, tu és um projecto histórico de humanização a caminhar para o encontro com o divino.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

12 Junho, 2009

CRISTO E A PLENITUDE DOS TEMPOS-I

I-O NASCIMENTO DOS FILHOS DE DEUS

O Tempo da gestação chegou ao fim. Com o mistério da Encarnação, o Filho de Deus introduziu a Humanidade na Família de Deus.

Quando os tempos chegaram à sua plenitude, diz São Paulo, Cristo nasceu e, com ele, nós fomos já podemos chamar Pai a Deus:

“Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei.

Deste modo, o Filho de Deus resgatou os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de recebermos a adopção de filhos.

E porque somos filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito Santo que em nós clama: “Abba, ó Pai”.

Deste modo já não somo servos, mas filhos. E se somos filhos também somos herdeiros pela graça de Deus” (Gal 4, 4-7).

Como acabámos de ver, foi graças a Jesus Cristo que a Humanidade chegou à plenitude dos tempos.

Esta expressão significa que ao ressuscitar, Jesus Cristo iniciou a divinização do Homem introduzindo os seres humanos na comunhão da Família de Deus.

Por outras palavras, com Cristo ressuscitado a Humanidade entrou no limiar da plenitude dos tempos, isto é, o tempo do parto.

Chegou o momento do segundo nascimento como diz o evangelho de São João (Jo 1, 6). Com a ressurreição de Jesus Cristo a Humanidade atingiu o topo, isto é, o ponto mais elevado da História.

Com o mistério da Encarnação, diz o evangelho de São João, Deus deu-nos o poder de nos tornarmos filhos de Deus (Jo 1, 12-14).

Este poder é o Espírito Santo, a Água viva que Cristo nos deu no momento da sua ressurreição (Jo 7, 37-39).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

CRISTO E A PLENITUDE DOS TEMPOS-II

II-PLENITUDE DOS TEMPOS E A SEGUNDA VINDA DE CRISTO

A fase dos acabamentos, isto é, a plenitude dos tempos culmina com a segunda vinda de Cristo.

Influenciados pelos apocalipses judaicos, os cristãos chegaram a pensar que a segunda vinda de Cristo aconteceria como uma tragédia.

Na verdade a segunda vinda de Cristo significa uma realidade muito diferente: Deus sonhou um plano de amor para a Humanidade e vai realizá-lo com a segunda vinda de Cristo.

Por outras palavras, a segunda vinda de Cristo significa a plena realização do amor de Deus em favor da Humanidade.

No dia da segunda vinda de Cristo as pessoas que ainda vivam na Terra serão assumidas e incorporadas na Comunhão da Família de Deus.

No Reino estão todos os que nos precederam na marchada História. A vinda gloriosa de Jesus Cristo, portanto, não significa uma tragédia e uma vingança de Deus.

Jesus anunciou o Reino de Deus como um projecto de amor para toda a Humanidade. A vontade de Deus, diz São Paulo, é que todas as pessoas conheçam Deus e façam parte da sua Família (1 Tim 2, 4).

Se olharmos com atenção a maneira como Jesus actuava, Vemos como ele perdoava aos pecadores integrando-os na Família de Deus.

Era por esta razão que Jesus comia com os pecadores. Os evangelhos contam-nos muitos encontros de Jesus com os pecadores, libertando-os da opressão do pecado e das doenças:
Recordemo-nos do relato da Mulher adúltera (Jo 8, 1-11).

Lembremo-nos do caso de Zaqueu (Lc 19, 1-10). O evangelho de São João descreve de modo muito bonito o encontro de Jesus com a Samaritana (Jo 4,7-21).

Com estas atitudes, Jesus queria afirmar a acção libertadora do amor de Deus a actuar no mundo.

Por isso é que ele afirmou tantas vezes que o seu modo de proceder correspondia exactamente à vontade de Deus:

“O meu alimento, dizia ele, é fazer a vontade de meu Pai e realizar o seu projecto” (Jo 4, 34).

A primeira Carta a Timóteo diz que a vontade de Deus é que os homens se salvem e cheguem a conhecer a verdade do amor de Deus por todos” (1 Tim 2, 4).

O Reino de Deus é a comunhão de todas as pessoas, formando a Família de Deus. A esta luz já podemos compreender como a segunda vinda de Cristo é um modo para dizer o encontro amoroso do Homem com Deus quando terminar a História Humana.

Por outras palavras, no dia da segunda vinda de Cristo o Senhor ressuscitado não deixará ninguém fora da Família de Deus, excepto os que rejeitem a proposta amorosa de Deus.

Podemos dizer que a salvação de Deus em Cristo é para todos as pessoas que tenham uma coração capaz de comungar com Deus e os irmãos.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

08 Junho, 2009

O ESPÍRITO SANTO É A BEBIDA DA VIDA ETERNA-I

I-ESPÍRITO SANTO E PUREZA DE CORAÇÃO

Segundo a simbologia do relato das Bodas de Caná, a água dos ritos judaicos de purificação é transformada por Jesus em vinho de qualidade superior (Jo 2, 6-10).

Na simbologia de São João a alta qualidade deste vinho representa o salto de qualidade da Nova Aliança em relação à Antiga.

O Espírito Santo é o princípio da Vida Nova que brota da Nova Aliança. A antiga aliança não era fonte de vida mas força bloqueadora que impedia a Vida Nova de emergir.

São Paulo tinha uma consciência muito clara da inutilidade dos ritos e lavagens do judaísmo quando escreveu:

“Cristo é quem nos capacita para sermos ministros de uma Nova Aliança, não da letra, mas do Espírito.

Com efeito, a letra mata, mas o Espírito dá Vida” (2 Cor 3, 6). Noutra passagem, São Paulo diz que fomos baptizamos no mesmo Espírito, a fim de fazermos um só corpo. É por esta razão diz ele, que nós bebemos do mesmo Espírito.

O evangelho de São João associa o Espírito Santo a uma Água viva que faz nascer uma fonte de vida eterna no coração dos que a bebem (Jo 7, 37-39).

O profeta Isaías compara o Espírito Santo a uma água que mata a sede e faz desabrochar em nós vida em abundância:

“Vou derramar água sobre os que têm sede e fazer correr rios sobre a terra árida. Vou derramar o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção sobre os teus descendentes.

Estes crescerão como plantas junto das fontes e como salgueiros junto das águas correntes” (Is 44, 3-4).

A Primeira Carta aos Coríntios diz que o nosso coração é o templo onde habita o Espírito Santo:
“Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Cor 2, 16).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O ESPÍRITO SANTO É A BEBIDA DA VIDA ETERNA-II

II-O ESPÍRITO SANTO COMO BEBIDA DA NOVA ALIANÇA

Os profetas quando anunciavam a Nova Aliança associavam-na sempre com a força renovadora do Espírito Santo.

O profeta Jeremias anunciou a Nova Aliança como o tempo da abundância do Espírito Santo:
“Dias virão em que firmarei uma Nova Aliança com a casa de Israel e a casa de Judá (…).

Esta será a Aliança que estabelecerei depois destes dias com a casa de Israel, oráculo do Senhor:
Imprimirei a minha lei no seu íntimo e gravá-la-ei no seu coração.

Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (Jer 31, 31-33). Quando chegar a Nova Aliança, dizia o Profeta Jeremias, Deus purificará o coração dos homens com a força recriadora do Espírito Santo.

O profeta Isaías via os tempos messiânicos como a idade de oiro em que todos teriam acesso às fontes da salvação.

Eis as suas palavras: “Este é o Deus da minha Salvação! Estou confiante e nada temo, pois o Senhor é a minha força e o meu canto.

Ele é a minha Salvação. Cheios de alegria todos irão tirar água às fontes da Salvação (Is 12, 2-3).

Segundo os profetas, a pureza que une a pessoa a Deus é de ordem interior e não assenta em meros ritos exteriores.

A Água Viva que faz emergir a Vida Eterna no Coração das pessoas é o Espírito Santo e não a água das lavagens dos ritos judaicos de purificação.

A Carta aos Efésios convida os crentes a encher-se do Espírito Santo e não a embriagar-se com vinho (Ef 5, 18).

Com a primeira Carta aos Coríntios podemos dizer que o Espírito Santo é a bebida da Nova Aliança que nos dá a Vida Eterna (1 Cor 12,13).

Eis algumas afirmações de Jesus que vão nesta mesma linha: “Se alguém tem sede venha a mim e beba” (Jo 7, 37);

“Aquele que beber da Água que eu lhe der nunca mais terá sede” (Jo 4, 14);

O Livro dos Actos dos Apóstolos vê na difusão do Espírito o cumprimento da profecia do profeta Joel sobre a abundância do Espírito.

Face ao entusiasmo dos apóstolos, os judeus acusam-nos de estarem bêbedos. Os Apóstolos ripostam dizendo que a bebida que os faz exultar é a realizações das profecias messiânicas:

“Não, estes homens não estão embriagados como imaginais, pois apenas vamos na terceira hora do dia.

Mas tudo isto é a realização do que disse o profeta Joel” (Act 2, 15-16).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias