07 julho, 2009

AO MORRER, CRISTO RESTAUROU A NOSSA VIDA-II


II-CRISTO E O PLANO DE DEUS PAI

Apesar do pecado, o plano de assumir o Homem na comunhão familiar de Deus continuou intacto.
O plano divino de Deus não foi abolido. São Paulo diz que a vontade de Deus é que todos os seres humanos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (1 Tim 2, 4).

A Nova Criação é obra do amor redentor de Deus: “Em Cristo Deus reconciliou consigo a Humanidade não levando mais em conta os pecados dos homens” (2 Cor 5, 18-19).

A ressurreição de Cristo inaugura verdadeiramente a plenitude do tempo. Se o tempo chegou ao fim é a hora de dar à luz. A criação já está a sentir as dores do parto. O Homem Novo já começou a nascer.

Ao vencer o pecado e a morte, Jesus inaugura a Nova Humanidade. Eis as palavras de São Paulo: “Mas quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher.

Nasceu sob o domínio da Lei, a fim de resgatar os que estavam sob o domínio da Lei e, deste modo, pudéssemos ser filhos.

E porque somos filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que, no nosso íntimo clama: “Abba, Pai”.

Deste modo já não és escravo, mas filho. Ora, se és filho também és herdeiro por graça de Deus.” (Gal 4, 4-7).

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo realiza no coração dos seres humanos este parto que nos faz passar para a condição humano-divina.

É isto que diz o evangelho de São João quando afirma que temos de nascer pelo Espírito Santo, a fim de tomarmos parte no Reino:

“Quem não nascer da Água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. Aquilo que nasce da carne é carne e aquilo que nasce do Espírito é espírito” (Jo 3, 5-6).

A Carta aos Romanos diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

É nesta dinâmica que se vai estruturando em nós a Nova Criação. A Segunda Carta aos Coríntios diz que apesar de o homem exterior envelhecer e se ir degradando, o interior vai-se robustecendo pela acção do Espírito santo (2 Cor 4, 16).

O homem interior é a nossa dimensão espiritual. O exterior é o homem individual que envelhece, se vai degradando até terminar na morte.

Por outras palavras, o nosso ser interior emerge em nós como o pintainho emerge no interior do ovo.

O pintainho nascerá no dia em que se parta a casca do ovo. A morte representa esse dia em que o nosso ser exterior se parte, dando origem ao nascimento definitivo do nosso ser interior.

Em Jesus Cristo esse momento foi o início da vitória sobre a morte para ele e para toda a Humanidade com a qual ele faz um todo orgânico, isto é, interactivo e dinâmico.

Por ser pessoal, o nosso ser interior é proporcional às próprias pessoas divinas.

É verdade que as pessoas humanas não são iguais às divinas, mas são-lhe proporcionais. Isto quer dizer que já pode acontecer comunhão amorosa entre as pessoas divinas e as humanas.

Segundo o exemplo de Jesus no evangelho de São João a nossa união com ele e, através dele, com a Santíssima Trindade é orgânica e geradora de vida.

Trata-se de uma união semelhante à que existe entre a cepa da videira e os seus ramos. A nossa vida é fecunda na medida na medida em que somos ramos unidos à cepa, diz Jesus (Jo 15, 4-5).

A seiva que vem da cepa para os ramos é o Espírito Santo. Adão, com o seu pecado, colocou a Humanidade no caminho do fracasso.

Cristo, com a sua fidelidade a Deus, introduziu-nos no caminho que conduz à comunhão com Deus que é a fonte da Via Eterna.

Assim como todos morrem em Adão, diz a Carta aos Romanos, todos ressuscitam em Cristo, o Novo Adão (Rm 5, 17).

Pertencemos à Nova Humanidade na medida em que o amor seja a dinâmica que move as nossas vidas:

“Quem ama o seu irmão permanece na luz e na luz caminha” (1 Jo 2, 10). A nossa comunhão com Deus é proporcional à nossa comunhão com os irmãos.

A Nova Criação é a Humanidade restaurada por Cristo ressuscitado. Depois de ter afirmado que veio para fazer a vontade do Pai, Jesus acrescentou:

“A vontade de meu Pai é que nenhum destes pequeninos se perca” (Mt 18, 14).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

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