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21 janeiro, 2010

O PODER SALVADOR DA PALAVRA DE DEUS



Pai Santo

O nosso coração é o ponto encontro entre nós e a tua Palavra. É aí que a tua Palavra se faz-se sentir de modo suave, mas firme e sem ambiguidade.

Quando nos toca, a tua Palavra nunca nos deixa confusos e sem ver claro o caminho que devemos seguir.

A tua palavra é uma melodia musical e é poesia por não se esgotar na em meros conceitos.

Pai Santo

Quando experimentamos a novidade da tua Palavra, os ruídos incomodam-nos e por isso preferimos o silêncio.

Por outras palavras, a tua Palavra não é como os trovões que assustam as crianças nem como os relâmpagos que aterrorizam os velhinhos.

A tua Palavra liberta e dá sabedoria às pessoas de todas as idades, raças, línguas e povos.
Pai Santo

A tua Palavra faz-se ouvir no íntimo do nosso ser, pois o Espírito Santo fala no nosso coração.
A pessoa que saboreia a tua Palavra nunca fica igual, pois ela é criadora e eficaz.

Apesar de ser forte e dinâmica, a tua Palavra não é como um ciclone que destrói e provoca o caos.

Também não é como as chuvas torrenciais que destroem as sementeiras e as árvores de fruto.

Apesar das marcas indeléveis que a tua Palavra imprime em nós, ela nunca é ruidosa, pois faz-se ouvir nas vibrações do amor.



A tua Palavra gera luz no nosso coração, fazendo nascer o dia na noite da nossa solidão.

Pai Santo
Tu és o Deus da Palavra.

Quando falas no nosso íntimo, nós sentimos o nosso coração a vibrar, pois a tua Palavra agarra-nos por dentro.

Quando o homem acolhe a tua Palavra começa a nascer nele uma vontade irresistível de anunciar a vida e amor.

De facto, a tua Palavra suscita profetas e apóstolos.

Pai Santo

Tu és a Fonte da Palavra. Falas hoje como ontem, falas de manhã e à tarde.

Apesar de ser suave, a tua Palavra é segura e decidida e por isso nunca gera ambiguidade.

Eis o que diz o evangelho de São João: “No princípio era a Palavra. A Palavra era Deus e estava em Deus.

Foi pela Palavra que tudo começou a existir e sem a Palavra nada veio à existência.

Na Palavra estava a Vida de tudo o que veio a existir e a Vida era a Luz dos Homens.

A luz brilhou nas trevas, mas a trevas não a acolheram” (Jo 1, 1-5).

“Mas às pessoas que a receberam deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1, 12).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias





18 janeiro, 2010

UM CORAÇÃO QUE SÓ DEUS PREENCHE

É admirável esta capacidade humana de comungar com o próprio Deus. Na verdade, naquilo que temos de bom somos parecidos e proporcionais a Deus.

Por ter sido talhado para o encontro e a comunhão com Deus, o Homem só pode chegar à sua plenitude mediante a assunção e incorporação na Família de Deus. O caminho desta incorporação é Jesus Cristo e a força desta assunão é o Espírito Santo.

Por outras palavras, só a força do amor nos pode assumir no limiar da Comunhão divina. São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações.

Assim como a vida biológica não pode subsistir sem água, do mesmo modo a pessoa humana, privada de amor, não pode atingir a sua plenitude.

Por outras palavras, o amor não é de modo algum uma questão secundária, pois é o fundamento do próprio Cosmos.

Com efeito, o Deus Criador é amor. Tudo brotou a partir dessa comunhão familiar divina que é a Santíssima Trindade.

Dizer que Deus é amor é entrar no coração do Universo, isto é, na sua interioridade máxima.
Quando afirmamos que Deus é amor infinito queremos dizer que ele é relações de amor e perfeição infinita (1 Jo 4, 7-8; 16).

Talhadas para a comunhão com as pessoas divinas, as pessoas humanas podem emergir e crescer sempre em capacidade de amar.

A dignidade da pessoa humana começa no facto de não nascer determinada. Esta condição é fundamental para o ser humano se estruturar como pessoa livre, consciente, responsável e capaz de amar.

A génese das galáxias ainda não tinha sido iniciada e já existia a comunhão familiar divina. A génese do Universo foi iniciada pela força criadora do Amor.

Isto significa que a vida em plenitude precedeu o Universo! Com o aparecimento da vida pessoal-espiritual, a evolução criadora do Universo atingiu o limiar da eternidade.

Emergir como pessoa significa estruturar-se e crescer em densidade espiritual e capacidade amorosa de comungar.

O modo de conhecermos a qualidade e a grandeza de uma pessoa é estar atento ao seu jeito de amar.

No Reino de Deus seremos eternamente conhecidos e identificados, pelo nosso jeito de amar.
No Reino de Deus, o jeito de amar de uma pessoa dá-nos o critério para conhecer e avaliarmos a realização histórica de uma pessoa.

Devido à sua densidade espiritual as pessoas humanas já pertencem à cúpula da vida imortal, chamadas à plenitude da ressurreição com Cristo.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias



05 janeiro, 2010

A EVANGELIZAÇÃO COMO FORMA DE AMAR

Deus precisa de nós, a fim de a Palavra de Deus chegar a todos os povos.

É por esta razão que o Espírito Santo consagra e capacita homens e mulheres para a missão da evangelização.

Quando é realizada em sintonia com a inspiração e a força do Espírito Santo, a acção evangelizadora é fecunda e sempre um bem para a Humanidade.

Na verdade, a evangelização é um acto de amor aos irmãos, pois a Palavra de Deus confere sentido à vida e cria novas razões para viver e amar.

Mas os apóstolos e os profetas não se podem esquecer de que a eficácia da acção evangelizadora é obra de Deus. Nós somos mediações.
Necessárias, é certo, mas apenas mediações para o Espírito Santo dizer no coração das pessoas a Boa Nova da Salvação.

Por outro lado, as pessoas evangelizadas são também um dom de Deus para o evangelizador, pois este também é evangelizado quando anuncia o Evangelho.

O Apóstolo será uma boa mediação se agarrar a vida no essencial, iluminando-a com o mistério de Deus, de Cristo e do Homem no plano de Deus.

O bom evangelizador acredita que Deus realizou o seu plano salvador em Jesus Cristo cujo mistério assenta nos dois pilares do Natal e da Páscoa.

Pelo mistério do Natal, o divino enxertou-se no humano, a fim de a Humanidade ser divinizada.
Pelo mistério da Páscoa Jesus, ao ressuscitar, difundiu para nós a força do Espírito Santo que nos incorpora na Família de Deus como filhos e herdeiros de Deus Pai e irmãos e co-herdeiro com o Filho de Deus.
Evangelizar é, pois, proclamar este plano amoroso de Deus que em Jesus Cristo fez da Humanidade a Família Universal de Deus.

Evangelizar é ajudar as pessoas a saborear a Verdade de Deus e do Homem na sua profundidade máxima, a fim de seres pessoas livres.

As pessoas que nada fazem para sair do erro, da mentira e da ignorância nunca chegarão ser pessoas livres.

Jesus disse aos discípulos que o Espírito Santo possui a Verdade Plena e quer conduzir-nos para ela (Jo 16, 13).

São Paulo diz que o Espírito Santo, por ser o Espírito da Verdade é também o Espírito da liberdade (Gal 5, 1-2).

A verdade é a compreensão e enunciação correcta e adequada da realidade de Deus, do Homem, da História e do Universo.

Quanto mais crescermos Verdade, mais capacitados estamos para avançar no processo da nossa humanização, condição essencial para a nossa divinização.

Foi por esta razão que Jesus, na véspera da sua morte, garantiu aos discípulos que depois de ressuscitar, lhes enviaria o Espírito Santo com a missão de os conduzir à verdade total (Jo 16, 13).

Uma vez que a verdade tem como horizonte a compreensão e enunciação correcta e adequada da realidade de Deus, do Homem e História, só Deus pode possuir a Verdade Plena.

Eis a razão pela qual só o Espírito Santo nos pode conduzir com segurança à Plenitude da Verdade.

O Evangelizador é uma mediação do Espírito Santo, a fim de este conduzir as pessoas para a verdade e, deste modo, poderem saborear o sentido e a alegria da Salvação.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias





28 novembro, 2009

CONHECER O DEUS DAS ESCRITURAS

Trindade Santa,
As Sagradas Escrituras são a proclamação agradecida do Vosso plano de amor e salvação para com a Humanidade.
Ao mesmo tempo são um apelo e um convite a tomar-vos a sério, pois o vosso plano de amor não é um capricho.
A vossa vontade coincide rigorosamente com o que é melhor para nós.
É por esta razão que é muito perigoso brincar convosco, Deus Santo, pois brincar com Deus é igual a brincar com o que é melhor para nós.

Vós não sois um Deus vingativo, mas brincar convosco, Deus Santo, significa entrar no caminho do malogro e do fracasso.

O Vosso amor por nós é incondicional. Vós não estivestes à espera que fôssemos bons para gostardes de nós.

Pelo contrário, sonhastes um plano de amor para nós, muito antes de nós existirmos e podermos ser bons.

Deus Santo,
A bíblia convida-nos a interagir convosco em forma de aliança, isto é, de acordo com o projecto amoroso que sonhaste para toda a Criação.

A bíblia não se serve de dogmas para nos explicar o mistério de Deus. Pelo contrário, revela-nos o mistério de Deus contando histórias que evocam a vossa fidelidade e o amor incondicional de Deus.

Os textos bíblicos são um conjunto de histórias das quais o Espírito Santo se serve para provocar experiências reais do Deus Vivo no nosso coração.

Isto quer dizer que a Palavra de Deus é sempre um acontecimento vivo provocado pelo Espírito Santo no nosso coração.

É neste sentido que devemos entender o modo como Vós, Deus Santo, vos destes a conhecer a Moisés, dizendo-lhe que sois um Deus que está sempre a ser e, por isso, nunca se repete.

Moisés entendeu muito bem que sois um Deus que não envelhece nem se desgasta, sempre disposto a acompanhar o vosso povo, vá ele para onde for.

Quando falastes com Moisés a partir da sarça-ardente, Vós disseste-lhe: “EU SOU AQUELE QUE SOU” (Ex 3, 14).

Partindo destas Palavras, Moisés deduziu que Deus é um “EU SOU”, isto é, alguém que está sempre a ser, isto é, um Deus que apenas existe no presente, fazendo caminhada com o seu povo.

O Deus das Escrituras nunca foi um Deus do passado. Isto quer dizer que Vós sois uma emergência sempre actual de três pessoas infinitamente perfeitas em total convergência de comunhão amorosa.

Depois de vos terdes revelado como o único, já podíeis provocar um salto de qualidade na marcha da revelação dizendo-nos que apesar de serdes um só Deus não sois um sujeito sozinho.

Em Jesus Cristo Vós vos revelastes, Deus Santo, como um Deus relações cujo rosto é uma Comunhão Familiar de três pessoas.

Na verdade, a Vida Plena só pode ser vida pessoal e em comunhão amorosa. Para falar de Vós como Vida em Plenitude, a bíblia diz que Deus é amor (1 Jo 4, 7).

A primeira Carta de São João, diz que os seres humanos apenas podem conhecer Deus se decidirem viver em dinâmica de amor:

“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. Aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus.

Aquele que não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é Amor” (1 Jo 4, 7-8). Depois acrescenta: “Deus é Amor. Quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1 Jo 4, 16).

Isto quer dizer que o Deus das Escrituras não é uma espécie de equação matemática que possa ser enunciada em fórmulas.

Trindade Bendita,
Vós sois um Deus que se conhece mais com o coração do que com a mente.
Jesus ensinou isto quando proclamou as bem-aventuranças, dizendo: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8).

Isto quer dizer que as pessoas, no Reino de Deus, se conhecem com o coração, pois a sua identidade espiritual é o seu jeito de amar. O Reino de Deus é, de facto, um mistério de relações amorosas.

Na verdade, a Vossa morada, Deus Santo, é um campo espiritual contínuo de interacções amorosas, o qual constitui a interioridade máxima do Universo.
Glória a Vós, Deus Santo que sois Pai, Filho e Espírito Santo.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias


06 novembro, 2009

A EFICÁCIA DA PALAVRA DE DEUS

I-A FORÇA CRIADORA DA PALAVRA

A Palavra de Deus é criadora, diz a bíblia (cf. Gn 1, 3-28).

Nos primórdios da Criação, diz o Livro do Génesis, a Palavra actuava como força significante que sai de Deus e realiza aquilo que significa:

Deus disse: “faça-se a luz” e assim aconteceu” (Gn 1, 3).

Deus disse: “Que se faça o firmamento” e o firmamento aconteceu” (Gn 1, 5).

“Deus disse: “Reúnam-se as águas” e assim aconteceu” (Gn 1,9).

“Deus disse: “que a Terra produza verdura” e assim aconteceu” (Gn 1, 11).

“Deus disse: “haja luzeiros no firmamento dos céus, a fim de separarem o dia da noite.” E assim aconteceu” (Gn 1, 14).

“Deus disse: “que as águas sejam povoadas por multidões de seres vivos” e assim aconteceu” (Gn 1, 20).

“Deus disse: “que a terra produza seres vivos, segundo as suas espécies, animais domésticos e animais selvagens segundo as suas espécies” (Gn 1, 24).

(Gn 1, 26): “Deus disse: “façamos o ser humano à nossa imagem e à nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre os répteis que rastejam pela terra” E assim aconteceu” (Gn 1, 26).

Em seguida, Deus disse-lhes: “crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a Terra” (Gn 1, 28).
Mas é sobretudo no evangelho de São João que podemos descobrir a mais profunda interacção da Palavra com o mistério de Deus e com a dinâmica da Criação:

“No princípio já existia a Palavra. E a Palavra era Deus e estava em Deus.
Foi pela Palavra que tudo começou a existir e sem a Palavra nada chegou à existência.
A Vida estava na Palavra e passou a animar todos os seres vivos.
A Vida é também a Luz dos homens. Esta Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam” (Jo 1, 1-5).
II-OS PROFETAS E A PALAVRA

Quando a Palavra de Deus invade o coração do ser humano, este torna-se profeta, isto é, portador de uma mensagem de Deus para os homens.

O profeta anuncia o plano de Deus para o Homem e a Criação, ao mesmo tempo que denunciam as atitudes do Homem que se opõem ou tentam bloquear a sua plena humanização.

Isto significa que a mensagem que o profeta anuncia não é sua. Ele é o medianeiro que anuncia aos homens a Palavra de Deus em grandeza humana.
A sua missão é importante, pois é por ele que o Espírito Santo põe Deus a falar aos homens.
Além disso, ao anunciar a Palavra Salvadora de Deus, o profeta também a ser salvo pela mesma Palavra que anuncia aos homens.

Ao lermos os relatos de chamamento dos profetas, podemos ter a sensação de que a Palavra de Deus se impõe aos profetas, obrigando-os a realizar a sua missão.

Este modo de falar é apenas para realçar o facto de a Palavra de Deus ser eficaz e ser ela que capacita o profeta para a missão.

Na maneira de ver dos textos sagrados, o profeta é um homem totalmente possuído pela Palavra.

É a Palavra que lhe confere a coragem para anunciar e, ao mesmo tempo, para enfrentar os príncipes e os poderosos que se opõem à sua mensagem.

O profeta sabe que esta força vem da Palavra de Deus e não de si.
Por isso o chamamento do profeta aparece normalmente sintetizado de modo muito simples pela expressão: “A Palavra do Senhor veio sobre mim”.

Podemos dizer que os gestos proféticos são realizações da força da Palavra a fazer história com o Homem.

A Palavra de Deus começa por ser um acontecimento vivo no coração do profeta. O protagonista deste Acontecimento é o Espírito Santo.

Depois de o Espírito Santo provocar o acontecimento da Palavra no coração do profeta, este nunca mais voltará a ser o que era antes.

As transformações operadas na vida do profeta e na vida das pessoas que acolhem a Palavra são a expressão da eficácia da mesma Palavra.

Como acabamos de ver, a Palavra de Deus não é um simples discurso, mas um acontecimento que inicia uma nova etapa na História.

Podemos dizer que a Palavra de Deus encarna na vida do profeta e das pessoas que a acolhem.
Isto quer dizer que os gestos dos profetas emergem do seu coração, graças à eficácia da Palavra e à acção do Espírito Santo.

A Palavra do Senhor realiza o que significa na vida das pessoas que a acolhem.
Por se sentir possuído pela Palavra, o profeta tem consciência de que não está a falar em nome próprio.

É por esta razão que os profetas não hesitam em afirmar que é o próprio Deus quem fala pela sua boca: ”Assim fala Yahvé,” repetem eles.

Eis o que diz a Segunda Carta de São Pedro a este propósito:
“A profecia jamais veio por vontade humana, mas os homens, movidos pelo Espírito Santo, falam como quem vem da parte de Deus (2 Pd 1, 21).

É por esta razão que o próprio profeta nunca esgota o alcance e a profundidade da mensagem que anuncia.

O facto de a Palavra ser eficaz não quer dizer que se imponha aos seres humanos.
De facto, a pessoa pode opor-se a Deus. No entanto, a rejeição da Palavra de Deus produz efeitos negativos no coração da pessoa que a rejeita, pois a Palavra de Deus coincide com o que é melhoromemHomem para o Homem.

A conversão é sempre uma decisão do Homem em acolher a proposta amorosa de Deus. Ao contrário do que acontecia com o legalismo dos Levitas, o pecado não é nunca uma mera transgressão.

Pelo contrário, é uma infidelidade à aliança de Deus da qual a aliança matrimonial é símbolo.
Podemos dizer que o profeta é o homem do compromisso com a transformação histórica, apontando sempre para os critérios de Deus, os quais são diferentes dos critérios dos homens.
Pela revelação sabemos que, no princípio, era o amor concretizado numa comunhão familiar de três pessoas.

Através da sua Palavra, Deus revelou-nos o grande amor com que nos criou e salvou em Cristo.
Graças ao dom da revelação nós sabemos que não estamos perdidos num mundo caótico e a caminhar para o vazio da morte.

Por si só, o Homem nunca podia chegar a esta compreensão profunda do mistério de Deus, do Homem e do sentido da História.

Apesar de não ser irracional, a Palavra de Deus transcende a simples razão humana.
Podemos dizer que a revelação está para a razão, como os binóculos para os olhos: Assim como os binóculos optimizam as capacidades dos olhos, a fé amplia os horizontes da razão.

Mas o Homem pode recusar-se a agir segundo as propostas que lhe são feitas pelo Deus da Aliança.

Levamos em nós a serpente que nos pretende fazer acreditar que as propostas de Deus não são boas para nós.

O Espírito Santo ao provocar o eco da Palavra no nosso coração, faz emergir em nós a Sabedoria que nos capacita para saborearmos a vida com os critérios de Deus.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias




01 novembro, 2009

OS CONTEÚDOS DA NOSSA FÉ

Pai Santo,

Obrigado pelos ensinamentos da vossa revelação, graças aos quais nós podemos compreender as coisas, os acontecimentos com o sentido que vós lhes dais.

Nós sabemos que a nossa fé tem como fundamento a vossa Palavra e por isso nós afirmamos que a fé é um dom de Deus e não apenas um simples resultado da investigação humana.

A fé ensina-nos uma série de verdades fundamentais para aprofundarmos o sentido da vida. Eis algumas dessas verdades que nos dão novos horizontes para caminhar:

Pela fé nós acreditamos que Vós, Deus Santo, sois uma Família de três pessoas.

Acreditamos também que a criação do Universo resulta de uma decisão do vosso amor e de um diálogo entre as pessoas divinas do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Nós acreditamos a Divindade se uniu à Humanidade, através desse enxerto a que nós damos o nome de Encarnação.

Acreditamos que através deste mistério da Encarnação, o divino passou a interagir de modo directo com o humano em Jesus de Nazaré.

Acreditamos que por este mistério de amor o Filho Eterno de Deus se tornou nosso irmão, a fim de nós sermos incorporados na Família da Santíssima Trindade.

Acreditamos que em Jesus de Nazaré se exprimia em grandeza humana o próprio Filho Eterno de Deus, pois nele, o humano e o divino faziam uma união orgânica.

Acreditamos que o Espírito Santo tem um papel central no acontecimento da Encarnação.



Acreditamos que Vós, Trindade Santa, vos revelastes e escolhestes um povo para ser o medianeiro da revelação para a Humanidade.

Acreditamos que a primeira mediação da vossa revelação para a Humanidade foi o povo Bíblico e que, com Jesus Cristo, surge o novo povo de Deus, levando a revelação à sua plenitude.

Acreditamos que o novo povo de Deus se edifica no interior de todas as raças, línguas, povos e nações da terra, a fim de anunciar o amor de Deus à Humanidade inteira.


Acreditamos que a pregação do Evangelho é um serviço fundamental para o bem da Humanidade.

Acreditamos que vós, Deus Santo, sois amor, e portanto, não fazeis mal ao Homem e nunca condenais ninguém.

Isto quer dizer que se houver pessoas que vão para a morte eterna, estas condenam-se por sua própria decisão.

Acreditamos que vós, Deus Santo, quereis que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento pleno da Verdade, como diz São Paulo (1Tm 2, 4).

Trindade Santíssima,
Nós acreditamos que há um só Deus que sois Vós e que Jesus Cristo é o único medianeiro entre Deus e o Homem (1Tm 2,5).

Espírito Santo,
Obrigado por continuares a capacitar homens e mulheres, a fim de levarem a Palavra de Deus pelo mundo.

Pai Santo,
Nós te louvamos por nos teres criado à tua imagem e semelhança, a fim de tomarmos parte na festa da ressurreição do teu Filho.

Glória a Vós, Deus Bendito, por serdes Pai, Filho e Espírito Santo.
Aleluia!


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

27 junho, 2009

O ROSTO DE DEUS PAI NA BÍBLIA-I

I-DEUS PAI NO ANTIGO TESTAMENTO

A Revelação de Deus é um processo histórico iniciado com o clã de Abraão, atingindo o seu ponto mais alto com Jesus Cristo.

O grande protagonista da marcha da revelação é o Espírito Santo e o rosto de Deus é um dos seus aspectos principais.

Na verdade, o mistério de Deus e o mistério do Homem são os dois pilares sobre os quais assenta o edifício da revelação.

O rosto de Deus é, pois, um aspecto central da acção reveladora do Espírito Santo. O povo bíblico começa por descobrir Yahvé como o Deus da Aliança.

Só muito lentamente o povo começa a descobrir o jeito paternal de Deus amar o seu povo.

Através de Moisés, Deus declara ao Faraó que o Povo de Israel é o seu filho primogénito (Ex 4, 22- 23).

Neste contexto a expressão significa que entre todos os povos, Israel é o primeiro. Se o Faraó não libertar o filho primogénito de Deus, será castigado e corre o risco de perder o seu próprio filho primogénito, isto é, o herdeiro do trono do Egipto.

A presença de Deus junto do seu filho primogénito faz lembrar a presença de um pai que actua de modo protector junto do seu filho.

Eis o modo bonito com o Livro do Deuteronómio descreve a presença carinhosa de Deus junto do seu povo:

“Nenhum outro povo tem o seu deus tão perto de si, como Yahvé está perto de Israel (Dt 4, 7).

O Profeta Oseias profere um oráculo sobre o amor paternal que leva Deus a libertar o seu filho primogénito da escravidão do Egipto:

Eis as palavras do profeta Oseias: “Quando Israel era menino, eu o amei. Do Egipto chamei o meu Filho” (Os 11, 1).

O amor preferencial de Deus por Israel manifestou-se de muitos modos, sobretudo pela maneira como o acompanhou e protegeu o seu povo ao longo da sua história.

Através do profeta Jeremias, Deus declara-se Pai de Israel: “Sou um pai para Israel e Efraim é o meu primogénito “ (Jer 31, 9).

Associando a ternura paternal de Deus à sua acção criadora, o povo bíblico começa a ver o Pai Bondoso, associando-o ao Deus que Criou o Homem à sua imagem e semelhança.

Ao criar o Homem à Sua imagem e semelhança, Deus modelou-o de modo a que ele pudesse atingir a plenitude dos filhos de Deus.

O Povo de Israel, diz Isaías é o Filho predilecto de Deus. Foi modelado por Deus em vista a uma vida plenitude e comunhão amorosa:

“Mas agora, ó Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro e Tu o oleiro. Na verdade, nós somos obra das tuas mãos” (Is 64, 7).

Por outras palavras, os membros do povo eleito são filhos de Deus não só pela criação como também pela eleição.

Além de pertença de Deus pelo poder de criação, os israelitas, são filhos do Deus Vivo por eleição (Os 1, 9; Dt.14, 1; Is 1, 2).

Mas a paternidade de Deus vai ganhar novos contornos nas profecias messiânicas. A primeira profecia messiânica declara que David vai ter um descendente para o qual Deus vai ser um Pai.

Graças a este filho a casa de David será inabalável (2 Sam 7, 12-16; cf. 1 Cron 17, 10-14; 22, 8-10).

No dia da entronização dos filhos de David, o salmo dois garante ao novo rei que pode governar tranquilo, pois Deus é seu pai: “Tu és meu filho, hoje mesmo te gerei “ (Sal 2, 7).

Os reis da casa de David podem dirigir-se a Deus chamando-o de seu pai, seu Deus, rochedo da sua salvação (Sal 89, 27-29).

Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias




O ROSTO DE DEUS PAI NA BÍBLIA-II

II-A TERNURA DE DEUS PAI NO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento é uma proclamação de Jesus Cristo como o Messias. Ele é o filho prometido a David para o qual Deus seria um Pai (2 Sam 7, 14-16).

O Anjo da Anunciação diz a Maria que ele é o Filho do Altíssimo porque vai herdar o trono de seu pai David (Lc 1, 32-33).

São Paulo diz que Jesus é o filho de David segundo a carne, constituído filho de Deus em todo o seu poder, pelo Espírito Santo, no momento da sua morte e ressurreição (Rm 1, 3-5).

Os evangelhos vão interpretar o baptismo de Jesus como o momento em que ele foi ungido e consagrado pelo Espírito Santo como Messias.

Ao sair da água na qual foi baptizado, Deus Pai proclama Jesus como o seu Filho muito amado (Mt 3, 13-17; Lc 3, 21-22; Mc 1, 9-11).

No início do século segundo, o evangelho de São João reconhece Cristo como o Filho Eterno de Deus Pai.

Deste modo, o Espírito Santo configurou o rosto trinitário de Deus, pois o Filho vive desde toda a eternidade com o Pai e o Espírito Santo.

Cristo é o Filho unigénito do Pai cheio de graça e verdade (Jo 1, 1). Ele é o Filho Eterno de Deus que dá aos que o acolhem o poder de se tornarem filhos de Deus, não pela vontade da carne ou do Homem, mas por vontade de Deus.

Para isso o Verbo encarnou (Jo 1, 12-14). Eis a razão pela qual temos de nascer de novo (Jo 3, 3-6).

Todos os que são movidos pelo Espírito de Deus, diz São Paulo, são filhos de Deus (Rm 8, 14).
Nós não recebemos um espírito de escravidão mas um Espírito de adopção graças ao qual chamamos “Abba”, Papá (Rm 8, 15; Gal 4, 5).

Como Filho Eterno, Cristo é o Unigénito de Deus, cheio de graça e verdade (Jo 1, 1). Como homem é o primogénito de muitos irmãos (Rm 8, 29; Col 1, 15).

No evangelho de São João, Jesus diz que nós somos filhos com Ele. Eis as suas palavras: “Subo para junto de Meu Pai e vosso Pai, para junto de Meu Deus e vosso Deus” (Jo 20, 17).

O Filho encarnou, a fim de dar aos homens o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1, 12-14).
Mas para isso temos de nascer de novo pelo Espírito Santo, pois o que nasceu da carne é carne.

Na verdade, só o que nasce do Espírito pertence à esfera do espírito (Jo 3, 6). São Paulo vai nesta mesma linha quando afirma que é através do Espírito que fomos constituídos filhos de Deus (Rm 8, 14; 8, 23; Gal 4, 5).

Jesus dirige-se sempre a Deus chamando-o de Pai (Abba). O Espírito Santo também nos ensina a chamar Deus deste modo (Gal 4, 6).

Ao ensinar aos discípulos o Pai Nosso, Jesus está a convidá-los a falar com Deus Pai, stabelecendo uma relação de filhos com o Pai dos Céus (Mt 6, 9).

Devemos agir em conformidade com a nossa condição de filhos de Deus, tornando-nos irmãos daqueles que não o são pelas vias da carne ou do sangue.

Se Deus é nosso Pai, então nós devemos eleger os outros seres humanos como irmãos, a fim de sermos perfeitos como o nosso Pai do Céu (Mt 5, 43-48).

O Amor de Deus Pai é difusivo, isto é, circula por todos e nunca se detém nem se deixa amarrar.
Por outras palavras, seremos tanto mais filhos de Deus quanto mais formos irmãos dos outros.
São Paulo diz que a criação inteira aguarda a revelação dos filhos de Deus.

Com a ressurreição de Jesus Cristo, os tempos chegaram à sua plenitude. Isto quer dizer que já está em marcha o parto que dá lugar ao nascimento dos filhos de Deus.
Deus realizou em nosso favor tudo o que estava prometido. Já somos filhos seus, diz o Livro dos Actos dos Apóstolos (Act 13, 33).

Chegou o tempo da nossa libertação, pois Deus é nosso Pai. Devemos viver na liberdade dos filhos de Deus e não na escravidão dos que se deixam dominar pelo legalismo e o ritualismo (Rm 8, 21).

Devemos ser fiéis à vontade do Pai como foi Jesus. Ele sabia perfeitamente que a vontade do Pai coincide rigorosamente com o que é melhor para nós.

Eis as suas palavras: “Nem todo aquele que me diz: “Senhor, Senhor” entrará no reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus” (Mt 7, 21).

De tal modo Jesus se identifica com a vontade do seu Pai do Céu que faz depender deste facto a edificação da Família de Deus:

“Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3, 35; Mt 12, 50).

Com efeito, os que fazem a vontade do pai são realmente filhos de Deus. Na verdade, a paternidade de Deus é decisiva, pois é a única que durará por toda a eternidade.

É este o sentido da seguinte afirmação de Jesus: “Na terra a ninguém chameis pai, pois um só é o vosso Pai, aquele que está na Céu” (Mt 23, 9).

Os evangelhos dizem-nos que Jesus se dirigia a Deus Pai falando com ele como um Filho fala com seu Pai.

São João diz que em Jesus Cristo habitava a plenitude do Espírito Santo (Jo 3, 34). Isto quer dizer que Jesus possui a plenitude da filiação divina.

Eis a razão pela qual Jesus podia dizer com toda a verdade: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6).
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Calmeiro Matias























21 junho, 2009

DEUS COMO PLENITUDE DA FAMÍLIA HUMANA


A Divindade é uma Família de Três pessoas. Deus é relações!

Ainda o Universo não tinha iniciado a sua génese e a Família já existia. O Amor precedeu o Universo.

A família humana, constituída à imagem da Família Divina, é o espaço fundamental para a humanização das pessoas humanas.

A família é o espaço básico do Homem em construção. O amor familiar é a dinâmica fundamental que preside à estruturação da pessoa humana.

Segundo tenha sido bem ou mal amado, o ser humano ficará bem ou mal estruturado. Isto quer dizer que é na família que tem início a dinâmica da humanização cuja lei é:

“Emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a Comunhão Universal da Família de Deus”.

Mais que um lugar de aprendizagem teórica, a família é um entretecido de relações onde circula o amor e acontece comunhão.

É o jardim onde floresce o amadurecimento humano, dos esposos, dos pais e dos filhos. Primeiro amadurece o marido, depois o pai. O mesmo acontece com a esposa:

Primeiro amadurece a esposa, depois a mãe com essa capacidade heróica de morrer para dar vida.

Quanto maior for a densidade do amor no entretecido familiar, maior será a emergência criadora do Homem Novo no seu interior.


É na família que a pessoa é capacitada para atingir a sua plenitude.

Isto quer dizer que a plenitude da pessoa não está em si, mas na reciprocidade da comunhão.

Na verdade, a pessoa só pode possuir-se e conhecer-se plenamente em contexto de comunhão amorosa.

Na dinâmica das relações familiares as pessoas aprendem a aceitar-se umas às outras, apesar de seres todas diferentes.

Na verdade, a Humanidade está a emergir de modo único, original e irrepetível em cada pessoa. É por esta razão que ninguém está a mais.

À medida que os membros da família são capazes de se aceitar e valorizar os outros estruturam-se como pessoas livres, conscientes, responsáveis e capazes de comunhão amorosa.

Entretecida nesta dinâmica de amor e comunhão, a família humana é verdadeiramente uma imagem viva da Família Divina.

Com efeito, Deus é uma comunhão familiar de três pessoas. É na calda das relações familiares que as pessoas recebem o leque fundamental dos seus talentos os quais são a matéria-prima da humanização das pessoas.

A fidelidade aos próprios talentos é o modo de a pessoa atingir a sua plena realização.

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Calmeiro Matias


04 junho, 2009

QUANDO DEUS IRROMPE NO SILÊNCIO-I

Era uma tarde muito bonita de primavera avançada.

O Pedro desceu até junto ao rio e sentou-se debaixo de um salgueiro.

Enquanto contemplava a colina verde e florida que ficava à sua frente, o Pedro começou a sentir uma paz e da qual irradiava uma alegria profunda.

Deixava o seu olhar divagar, contemplando, a colina colorida que conferia variedade ao horizonte.
Do seu íntimo mais profundo começou a brotar uma alegria geradora de paz e serenidade indescritível.

Saboreava a alegria de estar vivo e em comunhão com a natureza que o rodeava. De modo especial saboreava a fonte e a plenitude da vida que emergia, suavemente, no mais íntimo do seu ser.

Nesse momento, depois de fechar os olhos por um instante, o Pedro sentiu-se habitado por Deus.

De modo gradual e progressivo começou a contemplar a sua história, apercebendo-se de que, no mais íntimo de si, está o Espírito de Deus que o habita.

Ao dar-se conta da suave presença de Deus no seu coração, teve a intuição de que, orar, não é um monólogo esquizofrénico.

Sem quaisquer dificuldades começou a falar com Deus como um amigo fala com seu amigo.

Evitou palavras rebuscadas, a fim de não perturbar ou bloquear este diálogo.De repente sentiu-se exultar de alegria e compreendeu que a capacidade de saborear a presença de Deus é interior.

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Calmeiro Matias

QUANDO DEUS IRROMPE NO SILÊNCIO-II

Na verdade, o coração é o ponto de encontro e comunhão da pessoa com Deus e os outros. À medida que saboreava todas estas maravilhas que brotavam do seu interior, o coração do Pedro começou a dilatar-se.

Sentia-se em comunhão com a Divindade, a Humanidade e com todo o Universo. É como se, nesse momento, estivesse em coordenadas de Universalidade, onde já não há lonjura nem distância.

Mas a maior alegria é a alegria interior de se sentir habitado por Deus. Nesse momento, o Pedro lembrou-se do jeito de orar de Jesus o qual costumava retirar-se para sítios silenciosos, a fim de falar a sós com o Pai.

Na verdade, os evangelhos dizem que Jesus, para orar procurava o silêncio e a harmonia da natureza.

Nesse momento, o Pedro lembrou-se de um dos diálogos de Jesus com Deus Pai, e da alegria profunda que brotou desse face-a-face.

Eis como São Lucas descreve esse diálogo amoroso entre Jesus e Deus Pai:

“Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse:

“Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado ” (Lc 10, 21).

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Calmeiro Matias

QUANDO DEUS IRROMPE NO SILÊNCIO-III

Nesse momento, Pedro sentia-se unido a Deus e à Criação.

Sentia um desejo enorme de fazer bem, ajudando os seres humanos a ser felizes.
Nesse momento, o Pedro compreendeu que a comunhão com Deus não nos afasta da comunhão com os irmãos.

E viu com clareza que as pessoas que de facto fazem a experiência de Deus, não são afastadas nem distraídas da tarefa de construir a fraternidade humana.

O Pedro sentiu desejo de agarrar esse momento e não o deixar fugir. Como São Pedro no monte da transfiguração, o Pedro tinha uma vontade enorme de construir ali uma tenda e ficar ali para sempre.

Mas o Pedro sabia que isso podia acontecer, pois a plenitude da sua comunhão com Deus ainda não chegou.

De facto, o Deus que nos acolherá como membros da sua Família já se revela e pode ser saboreado, mas ainda não de modo pleno, perfeito e sem interrupções.

Quando a pessoa humana saboreia a alegria do encontro com Deus tem tendência de o procurar sempre e cada vez mais.

E o Pedro entendeu a importância de criar momentos de silêncio que possam ser espaços privilegiados de encontro e comunhão com Deus.

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Calmeiro Matias

29 maio, 2009

A NOVIDADE PERMANENTE DE DEUS-I

I-O DEUS SEMPRE NOVO

No livro do Êxodo, Deus define-se como Aquele que é, ou seja, o Deus que está sempre a ser. Deus é amor e o amor é a causa de si mesmo.

Eis as palavras do Livro do Êxodo: “Deus disse a Moisés: “Eu sou aquele que sou”. E acrescentou: “Dirás aos filhos de Israel: “ O Eu Sou manda-me a vós!” (Ex 3, 14).

Se Deus é um “Eu Sou”, isto quer dizer que é um Deus que está sempre a ser de maneira nova.
Por outras palavras, Deus é uma realidade sempre a acontecer como presente.

Podemos dizer que a Divindade é uma emergência permanente de três pessoas de perfeição infinita em convergência total de comunhão amorosa.

Este rosto trinitário de Deus é a cúpula da revelação, isto é, o ponto de chegada, não o ponto de partida.

Mas isto não significa que Deus não tenha sido comunhão trinitária desde toda a eternidade. No entanto, a revelação de Deus é uma dinâmica histórica e progressiva.

Deus Começou por revelar a sua unicidade divina: “Eu sou o único Deus. Fora de mim não há outros deuses”.

Depois de Deus ter revelado a sua unicidade divina a revelação começa a progredir no sentido do Deus relações.

Finalmente chega à comunhão familiar de três pessoas.

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Calmeiro Matias

A NOVIDADE PERMANENTE DE DEUS-II


II-DEUS É UM MISTÉRIO DE RELAÇÕES

A nossa fé diz-nos que há um só Deus mas Deus não é um ser enredado em solidão. O Uno em Deus é a comunhão, o plural são as pessoas.

Neste mistério de comunhão nenhuma das pessoas precede a outra.

Com seu jeito paternal de amar (amor ágape), Deus Pai descobre-se como Pai porque se encontra no face a face com o filho Eterno de Deus (amor eucarístico).

Este face a face de Deus Pai com o Filho Eterno de Deus está a acontecer de maneira permanente e sempre nova.

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo anima esta reciprocidade sugerindo novos motivos de novidade agápica e eucarística.

Neste mistério de reciprocidade familiar, o Filho de Deus é gerado, mas não procriado nem criado.

Isto quer dizer que em Deus há geração eterna, a qual não implica procriação. Na reciprocidade amorosa da Santíssima Trindade, as pessoas emergem em simultâneo como sujeitos diferentes cuja identidade consiste no jeito próprio de cada pessoa amar.

De facto, Deus é uma emergência permanente e eterna de três pessoas de perfeição infinita em total convergência de comunhão amorosa.

O jeito de o Espírito Santo ser pessoa é animar as relações de amor de Deus Pai com Filho de Deus, e estreitar o vínculo de comunhão.

Como o amor de Deus Pai é uma novidade constante, Deus Filho está constantemente a ser gerado.

Deus não é nem será nunca um passado. Na verdade, Deus é um presente eterno. Isto quer dizer que o Filho de Deus não foi gerado num passado longínquo.

Por outras palavras, neste mistério do “Eu Sou” (Ex 3, 14), o Filho de Deus está sempre a ser gerado.

Deus Pai ama de modo paternal e totalmente gratuito. É realmente o amor ágape na sua perfeição máxima.

Do mesmo modo, o Filho de Deus ama de modo filial e totalmente fiel à vontade do Pai: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4, 34). É o amor eucarístico na sua perfeição total.

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo encontra-se no coração desta reciprocidade amorosa.

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Calmeiro Matias

A NOVIDADE PERMANENTE DE DEUS-III

III-O AMOR COMO LENTE PRÓPRIA PARA CONHECER DEUS

Se Deus é uma comunhão familiar, então o coração de Deus é um dinamismo de interacções amorosas.

De facto, a morada de Deus é um campo espiritual contínuo de interacções amorosas em cujo núcleo actua o Espírito Santo.

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo é o grande suscitador de novidade na interacção amorosa da Santíssima Trindade.

A bíblia diz que Deus é amor e que só podemos chegar ao conhecimento de Deus, amando (1 Jo 4, 7-8; 16).

Com o acontecimento da ressurreição de Cristo, a Humanidade foi assumida de modo orgânico pelo mesmo Cristo.

Isto significa que o Homem e Deus passaram a interagir de modo orgânico e intrínseco com o Espírito Santo.

Ele é o amor de Deus derramado nos nossos corações, diz São Paulo (Rm 5, 5). Graças ao jeito maternal de amar do Espírito Santo, nós somos incorporados por ele na Família de Deus.

São Paulo diz que nós somos filhos e herdeiros de Deus Pai, bem como irmãos e co-herdeiros com Jesus Cristo (Rm 8, 14-16).

A Primeira Carta de São João diz que Deus é amor e que só através do amor podemos conhecer a realidade de Deus (1 Jo 4, 8; 16).

O conhecimento de Deus, portanto, não é uma mera actividade mental de tipo teórico, mas um jeito de nos relacionarmos com as pessoas divinas mediante a oração e a comunhão com Deus e os irmãos.

Eis as palavras da Primeira Carta de São João: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus.

Quem não ama não pode conhecer a Deus, pois Deus é amor” (1 Jo 4, 7). Deste modo ficamos a saber que o conhecimento de Deus é sobretudo uma actividade do coração, e não um mero acto intelectual.

Do mesmo modo, o conhecimento profundo das pessoas não se consegue através de um acto intelectual, mas sim através de relações de amor e comunhão.

Deus é amor. O amor é gerador de uma novidade permanente. Isto quer dizer que a melhor maneira de sintonizarmos com o coração de Deus, é ter a mente e o coração aberto à novidade.

Eis o que Deus diz no Livro do Apocalipse: Eis que vou fazer novas todas as coisas (Apc 21, 5).

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Calmeiro Matias

19 abril, 2009

A MORADA DE DEUS É DINÂMICA E PRÓXIMA-I

I-A PROXIMIDADE DE DEUS

A morada de Deus é um campo espiritual de interacções amorosas. Por ser comunidade familiar, Deus existe como dinâmica de relações amorosas.

Por ser eterno, Deus precede o espaço e o tempo. Por ser transcendente, está para lá de todas as coisas.

Por outras palavras, Deus torna-se presente a todas as coisas a partir de dentro. Como está para lado espaço e do tempo, o ser e o habitar, em Deus, coincidem.

Deus é um campo de interacções amorosas que nos atrai e convida a partir de dentro, pois é a interioridade máxima do Universo.

As pessoas humanas levam consigo uma fome enorme de amor que só pode ser plenamente saciada neste campo infinito de interacções amorosas que é Deus.

Como sabemos, a plenitude da pessoa humana não está em si, mas na interacção amorosa com os outros, culminando na interacção amorosa que é Deus.

Isto significa que a Humanidade também se está a edificar como um campo espiritual de relações amorosas interiormente atraído por Deus.

A pessoa humana é um ser a emergir como uma interioridade espiritual livre, consciente, responsável e capaz de interacções amorosas.

É por esta razão que as pessoas humanas estão talhadas para o encontro com Deus.

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Calmeiro Matias

A MORADA DE DEUS É DINÂMICA E PRÓXIMA-II


II-O DEUS QUE NOS ATRAI E CATIVA A PARTIR DE DENTRO

O Espírito Santo é o vínculo que nos atrai e convida a entrar nesse campo infinito e eterno de relações de amor.

Se nos abrirmos ao apelo amoroso que nos vem de Deus somos incorporados nele pela acção do Espírito Santo.

À medida que surgem seres com interioridade pessoal neste Universo imenso, estes sentem-se atraídos por esse apelo de amor que os toca por dentro.

Todo o Universo emergiu a partir deste campo original de interacções amorosas. O fundamento primordial do qual tudo emergiu por criação é a família da Santíssima Trindade.

Isto quer dizer que o fundamento do Universo é um campo espiritual de interacções amorosas, pois Deus é Amor e Família!

O amor é sempre fecundo, quer seja no sentido de gerar, quer no sentido de imprimir novos ritmos no tecido da criação.

O Deus do Antigo Testamento não é diferente do Deus do Novo. Diferente era a consciência teologal, isto é, a capacidade de saborear a verdade de Deus e do seu jeito de amar.

Quanto mais o Homem cresce na capacidade de amar, melhor compreende o mistério de Deus, pois Deus é Amor.

É precisamente este o ensinamento da Primeira Carta de São João quando afirma: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus.

Todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. Aquele que não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor.


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Calmeiro Matias

10 abril, 2009

ALEGORIA SOBRE O NASCIMENTO DA PÁSCOA-IV


IV-A ORDEM DE PARTIDA

Com voz forte, Moisés gritou: Este é o momento de iniciar a grande viagem da libertação.
Temos de ser fortes, acrescentou, pois a liberdade é uma conquista.

Deus está connosco, mas não está em nosso lugar. O Senhor apenas fará aquilo que nós não formos capazes de fazer.

Temos de enfrentar provas muito difíceis como atravessar o Mar Vermelho, enfrentar o perigo dos muitos escorpiões e serpentes que abundam no deserto.

Depois acrescentou: temos de sofrer o tormento da sede, pois no deserto a água nunca abunda.

Temos de ser solidários. Devemos dar-nos as mãos nos momentos difíceis, a fim de sermos mais fortes.

Não nos esqueçamos de que a tarefa da libertação só é possível se as pessoas forem amigas, leais e fraternas.

Depois destas recomendações, Moisés deu o sinal da partida. A viagem foi difícil e longa. O povo hebreu demorou quarenta anos a chegar à terra que Deus lhes tinha prometido.

Por fim, os filhos de Abraão chegaram ao seu destino. Muitos séculos depois, Deus visitou de novo a terra prometida através do seu Filho, o qual veio como Messias, isto é, o Salvador Prometido.

Jesus Cristo em nome de Deus para realizar uma Páscoa mais perfeita. Na Nova Páscoa, Deus realiza para a Humanidade uma libertação total.

Ao morrer e ressuscitar, Jesus Cristo inaugura a Páscoa da Nova Aliança, a qual inicia a marcha da divinização do Homem.

Através de Cristo, Deus concedeu à Humanidade o grande dom do Espírito Santo que nos proporciona a Vida Eterna.

Graças ao dom do Espírito Santo, a Salvação ficou ao nosso alcance. São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

O povo de Deus, agora, passa a ser constituído por gentes de todas as raças, línguas, povos e nações da terra.

E foi assim que a Humanidade passou a fazer parte da Família de Deus. A Ceia Pascal, agora, deixou de ser o cordeiro imolado, para ser o próprio Jesus Cristo que se dá a todos nós como alimento da vida eterna.

Jesus inaugurou a Páscoa da Nova Aliança, dando-nos partilhando connosco a força ressuscitadora do Espírito Santo, fazendo de nós uma Nova Criação:

“Se alguém está em Cristo é uma Nova Criação. Passou o que era velho. Tudo isto vem de Deus que nos reconciliou consigo em Cristo, não levando mais em conta os pecados dos homens” (2 Cor 5, 17-19).
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Calmeiro Matias

07 abril, 2009

O MODO DE DEUS NOS ACOLHER COMO FAMÍLIA-I

I-DEUS PAI ACOLHE-NOS COMO FILHOS

O Espírito Santo é o coração do diálogo e da interacção entre as pessoas divinas.

É também pelo Espírito Santo que nós entramos na comunhão familiar de Deus (Rm 8, 14-17).

A salvação das pessoas humanas consiste em estas serem assumidas de modo orgânico na comunhão da Santíssima Trindade.

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo é quem nos introduz na interacção amorosa da Santíssima Trindade, onde somos acolhidos como filhos de Deus Pai e irmãos do Filho de Deus.

Isto quer dizer que a nossa oração, quando é feita no Espírito Santo, é uma verdadeira participação no diálogo da Santíssima Trindade.

Eis as palavras de São Paulo: “É assim também que o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, pois nós não sabemos o que havemos de pedir para orarmos de modo conveniente.
Mas o Espírito Santo intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8, 26).

Isto significa que a nossa comunicação com Deus, para ser adequada, deve acontecer no Espírito Santo.

Na verdade, é no Espírito Santo que Deus Pai comunica connosco e nos revela o seu jeito de ser Pai:

Pai justo e amoroso.

Pai misericordioso e paciente.

Pai amável e solícito.

Pai acolhedor e sempre disposto a perdoar.

Pai fiel, verdadeiro, justo e cheio de amor.

Pai responsável, protector, atento e amigo.

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Calmeiro Matias


O MODO DE DEUS NOS ACOLHER COMO FAMÍLIA-II

II-O MODO DE O ESPÍRITO SANTO NOS ACOLHER

Como ternura maternal de Deus, o Espírito Santo é, no nosso íntimo, uma presença maternal compreensiva, pronta a servir, dedicada, generosa e gratuita.

Com seu jeito maternal de amar, está sempre atento e disposto a aperfeiçoar os elos de comunhão com Deus.

Faz-nos exultar como filhos agradecidos, tal como aconteceu com Jesus. Eis o que diz o evangelho de São Lucas: “Nesse mesmo instante, Jesus exultou de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse:

“Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, pois escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, mas revelaste-as aos simples e pequeninos. Sim, Pai, é este o teu agrado” (Lc 10, 21).

O Espírito Santo é o Consolador que nos dá ânimo e força para anunciarmos a Boa Nova da ressurreição.

Ele é o vínculo maternal que nos liga de modo orgânico a Cristo, fazendo de nós membros do corpo cuja cabeça é Cristo (1 Cor 10, 17; 12, 27).

É pelo Espírito Santo que nascemos de novo para a Família Divina (Jo 3, 3-6). Ele é a semente da vida divina em nós (1 Jo 3, 9).

É o grande dom do Pai do Céu (Lc 11, 13), Ele é o Consolador que nos inspira e dá força nos momentos de grande aflição (Mt 10, 20).

É Ele que nos capacita e dá força para testemunharmos Cristo ressuscitado (Act 4, 31). É o mestre que explica o sentido da Palavra de Deus no íntimo do nosso coração.

É ele que nos faz compreender o plano salvador de Deus (Ef 3, 3-5). Faz cair dos olhos da nossa mente as sombras que nos impedem de ver com clareza a verdade de Deus e do Homem.

Estas sombras são para a mente o que as cataratas são para os olhos, isto é, obstáculos que nos impedem de ver o essencial.

O Livro dos Actos dos Apóstolos, diz que estas sombras eram como que escamas que obscureciam o olhar de São Paulo.

É o Espírito Santo quem faz cair nos nossos olhos essas escamas, dando-nos a possibilidade de ver com clareza o plano de Deus (Act 9, 18).

Em Comunhão convosco
Calmeiro Matias